No dia 28 de abril de 2026, o Nevermore desembarcou em São Paulo, no tradicional Carioca Club, para um show que ficará marcado na memória dos fãs brasileiros. Mais do que uma apresentação, foi a confirmação definitiva de que uma das bandas mais importantes do metal moderno está pronta para escrever um novo capítulo.

Depois de anos de silêncio, saudade e dúvidas sobre como seria seguir sem o eterno Warrel Dane, a resposta veio em forma de peso, emoção e excelência musical.
A introdução com Ophidian já preparava o clima, mas foi com a entrada avassaladora de Beyond Within que a casa veio abaixo. A banda surgiu ligada na tomada, com volume máximo e mostrando que não pisaria no palco apenas para viver de nostalgia.

Se ainda existia qualquer receio sobre a missão ingrata de substituir Warrel, tudo acabou durante Enemies of Reality. O novo vocalista Berzan Önen mostrou presença de palco, potência vocal e personalidade suficiente para encarar um posto quase impossível. Não se trata de imitar Warrel, mas de honrar o legado com identidade própria — e isso ficou claro durante toda a noite.

Desde os primeiros minutos, Berzan demonstrava estar vivendo algo especial. Em vários momentos, repetiu que estava realizando um sonho ao cantar no Nevermore e que tocar em São Paulo era exatamente tudo o que haviam dito para ele. Segundo o vocalista, muita gente já havia comentado que o público paulistano era um dos melhores do mundo — e naquela noite ele comprovou isso no palco.
A emoção tomou conta de vez quando a plateia começou a gritar o nome de Berzan em coro. Visivelmente tocado, o vocalista agradeceu diversas vezes e mostrou estar sinceramente impactado com a recepção calorosa dos fãs brasileiros.
Antes de Sentient 6, Berzan afirmou ao público que aquela era “a melhor música do Nevermore”, arrancando aplausos e gritos imediatos. Já em Next in Line, o coro foi tão forte que em vários momentos a plateia cantou mais alto do que ele, transformando a música em um dos grandes momentos do show.
Em outro ponto marcante da apresentação, Berzan conduziu o público em uma interação no estilo clássico eternizado por Freddie Mercury, soltando vocalizações para a plateia responder em seguida. O Carioca Club respondeu à altura, com força impressionante, arrancando reações de surpresa tanto do vocalista quanto de Jeff Loomis, que sorria admirado com a resposta ensurdecedora do público.

Outro ápice veio antes de Heart Collector, quando o vocalista apresentou a faixa como uma música sobre perdas e a dedicou a Warrel Dane. O Carioca Club explodiu em emoção. Punhos erguidos, vozes em uníssono e muita gente visivelmente tocada pelo momento.
Na sequência, antes de Born, Berzan comentou que São Paulo era famosa por suas grandes rodas de mosh e que queria ver uma para comprovar aquilo pessoalmente. O público não decepcionou: a roda se abriu imediatamente e ficou imensa, em um dos momentos mais insanos da noite.
Um dos instantes mais especiais do show foi ouvir Believe in Nothing, música que não vinha aparecendo nos setlists anteriores. Uma surpresa que emocionou os fãs mais antigos e mostrou cuidado na escolha do repertório.
A primeira parte terminou com a colossal The Godless Endeavor, faixa-título do penúltimo disco da banda e talvez a música que melhor resume tudo que o Nevermore representa: peso absurdo, técnica refinada, melodia sombria, agressividade e profundidade emocional.
No retorno, vieram mais dois clássicos de Dead Heart in a Dead World: Narcosynthesis e The River Dragon Has Come, fechando a noite em clima de celebração total. O repertório, aliás, teve praticamente mais da metade desse álbum clássico, algo que agradou em cheio os fãs mais antigos.
Musicalmente, a banda mostrou um entrosamento impressionante para uma formação relativamente recente. Jeff Loomis foi simplesmente absurdo e mostrou mais uma vez por que segue entre os melhores guitarristas do planeta. Seus riffs continuam monstruosos e os solos pareceram saídos de estúdio, tamanha precisão.
Na cozinha, Van Williams também lembrou a todos por que sempre foi considerado um baterista gigantesco. Técnica, pegada e criatividade conduziram o show inteiro com naturalidade.

No baixo, Semir Özerkan se mostrou uma excelente aquisição. Seguro, pesado e presente em cena, ainda colaborou com vocais adicionais em diversos momentos, reforçando os refrões e dando ainda mais corpo à performance.
Já o novo guitarrista Jack Cattoi, mesmo sendo novidade para muitos fãs, mostrou-se um músico de altíssimo nível, segurando harmonias, bases e dividindo responsabilidades com Loomis com muita competência.

Ao final da noite, ficou a sensação de que isso está longe de ser apenas uma reunião nostálgica. O Nevermore tem tudo para voltar a ocupar seu espaço entre as grandes bandas do heavy metal mundial.
Para mim, pessoalmente, foi uma noite profundamente emocional. Minha história com essa banda é longa, e as letras de Warrel Dane sempre me ajudaram em momentos difíceis, inclusive no combate à depressão. Ver essas músicas novamente ao vivo, sendo celebradas por tanta gente, teve um peso impossível de medir.
Meu sincero agradecimento à Honor Sounds e ao Bangers Open Air pela oportunidade de cobrir uma noite tão especial e inesquecível.
TODAS AS FOTOS POR LEANDRO ALMEIDA























































