A banda surgiu com uma nova linguagem, uma nova identidade e, mesmo com o aval de um dos Cavalera (Iggor se manteve na banda durante anos), muitos fãs torceram o nariz.

 

Mudanças em grandes bandas sempre aconteceram. O mundo já vivenciou — mesmo diante de legados sólidos — danças das cadeiras totalmente inesperadas. Felizmente, em alguns casos, a continuação acabou transformando tudo em uma base ainda mais forte.

Quando Derrick Green chegou ao Sepultura, a banda já possuía um grande status dentro do metal mundial, sua discografia continha referências sobre death, thrash, heavy metal, além de inserir muitos elementos que deram um caminho para a geração que construiu o lado alternativo moderno que moldou o fim da década de 90 e se alimentou positivamente nos anos 2000.

Green no Outface (1986 – 1992)
Foto por: Reprodução internet

Isso foi um problema para o “gigante” e sempre carismático Derrick? Muito pelo contrário! Tendo experiência com bandas que mesclavam punk/hardcore com a essência matadora do metal, o vocalista trouxe para si uma bagagem de influências variadas que, somadas ao que a banda precisava, rendia bons frutos e uma abordagem única até então. 

 

“Against” (1998) foi o pontapé inicial, trazendo letras fortes, convidados interessantes como Jason Newsted e atuação constante de Andreas Kisser em quase tudo o que se ouve por ali

As desconfianças por parte de fãs e mídia e a vontade de mostrar o quanto estavam vivos eram gigantes, sendo para alguns um dos álbuns mais injustiçados da carreira.

Durante o auge da MTV Brasil no início da década de 2000, a banda fez uma das collabs mais interessantes daquela era, graças ao lançamento de “Ninguém Regula a América” (presente no álbum ao vivo “Instinto Coletivo” de 2001) uma canção que une o lado pesado do metal com as poesias críticas do O Rappa.

 

A faixa trouxe questionamentos sobre a autonomia e as realidades sociais do continente americano, tendo inclusive um videoclipe bem distribuído na programação do canal.

Outro bom momento surge com “Mind War” aparece como um grande single (faixa presente em “Roorback” de 2003), álbum bem diferente do que vinham fazendo, apostando no lado mais alternativo e moderno da época. Tendo ótima exposição no canal, o single trouxe uma nova leva de fãs, bem como a versão de “Bullet the Blue Sky” do U2 passava a exaustão no canal dos videoclipes, cover presente no EP “Revolusongs”.

 

Indo para “Dante XXI” (2006), temos um conceito adorado por muitos no metal: “A Divina Comédia” de Dante Alighieri. Vemos uma banda mais adaptada ao então novo vocalista, uma base extrema evidenciada, guturais ainda mais precisos e clipes conceituais dentro da programação de canais como a MTV (alguém aí se lembra de “Convicted In Life” na grade do Disk MTV e seu conceito sobre a exploração animal sob a visão de Derrick?).

Foto por: Reprodução Internet
Iggor Cavalera, Paulo Jr, Derrick Green e Andreas Kisser

Tendo reconhecimento no Brasil como melhor videoclipe daquele ano e, censurado nos EUA pela mesma MTV, trouxeram um grande registro que perdura até os dias atuais como um ótimo exemplo de sua fase.

Alguns problemas vinham ocorrendo e Iggor deixou a banda, dando lugar ao também competente Jean Dolabella durante aquela turnê.

“A-Lex” (2009) teve a estreia do novo baterista em estúdio e mais um novo conceito era abordado, a obra feita em livro e filme “Laranja Mecânica” (A Clockwork Orange, de Anthony Burgess). Obteve uma repercussão mediana entre os fãs e críticos, tanto pelas faixas longas quanto ao distanciamento ainda maior das raízes.

Já em “Kairos”, voltaram com tudo para a agressividade, lembrando os tempos áureos do thrash metal visceral que praticaram durante tantos anos. Mesmo que ainda tivesse uma parte do público torcendo o nariz, Derrick se sobressaia ainda mais a cada lançamento.

Se em “The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart” (2013) vimos uma sonoridade mais densa, complexa e crua, em “Machine Messiah” (2017) tivemos uma grande mudança na direção com canções mais trabalhadas, conceitos ligados a proliferação da tecnologia tóxica, bem como elementos do lado sinfônico… era a qualidade ainda mais evidenciada por quem sempre soube o que fazer em campos distintos.

Reprodução internet
Andreas Kisser, Derrick Green, Paulo Jr, Eloy Casagrande

Chegamos ao ápice: “Quadra” (2020), uma verdadeira obra prima onde Eloy desempenha o seu auge musical, Paulo Jr. mantém a cozinha eficiente, Andreas Kisser alimenta tudo com destreza suprema e Derrick, meus amigos, despeja todo seu poder em vocais bem trabalhados e intensos, mostrando ser impecável em praticamente todos os atos.

“Isolation” rapidamente caiu no gosto dos fãs, tem uma das performances mais brutais e enérgicas da banda, mostrando que as escolhas feitas em pouco mais de 20 anos surtiram efeito, e Derrick finalmente teve o seu trabalho reconhecido por completo.

Em 2024, mais uma vez, uma troca de bateristas: Eloy foi para o Slipknot e dá lugar ao – também técnico – Grayson Nekrutman, responsável pelas baquetas no último registro oficial, o EP “The Cloud of Unknowing” lançado em abril último. Dentre as faixas, está a primeira balada da carreira do Sepultura, “Beyond the Dream”, com participação de Sergio Britto e Tony Bellotto dos Titãs.

Foto por: Edu Defferrari
Derrick Green, Andreas Kisser, Paulo Jr, Grayson Nekrutman

Celebrar seus vocais não é só manter um legado vivo, mas também reconhecer que suas ideias, performances e entregas foram de verdade, é perceber que muitos fãs chegaram com sua fase na banda e mostram que a evolução independe de fórmula “X ou Y”, mas sim, de trabalho árduo.

No próximo dia 7 de novembro, no Suhai Music Hall (localizada no Shopping SP Market), o Sepultura encerra a sua carreira em alto nível com uma noite de muita comemoração e bandas especiais como abertura. Lembrando que os ingressos estão esgotados!

SERVIÇO:

Sepultura + Krisiun, Metal Allegiance e Sacred Reich

Apresentação: 07/11/2026 (sábado)

Abertura dos portões: 16h

Horário do show: 21h

Local: Suhai Music Hall

Endereço: Shopping SP Market – Av. das Nações Unidas, 22540 – Jurubatuba, São Paulo – SP, 04795-000

Classificação: 16 anos. Menores de 05 a 15 anos, apenas acompanhados dos pais ou responsáveis legais.

 

 

Texto por: Vinny Almeida

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