“Um festival com a cara dos anos 90”

Os festivais Hollywood Rock foram extremamente populares durante a primeira metade dos anos 90, proporcionando aos fãs de diversos estilos musicais a chance de ver seus artistas favoritos de perto. Mas com o passar do tempo é óbvio que as lembranças de eventos realizados a mais de três décadas tendem a cair no esquecimento ou simplesmente gerar questionamentos. Para relembrar os momentos e contar muitas curiosidades sobre a edição do festival realizado em 1990, o “…PRA FICAR!!!” dessa semana vai falar da origem desse grandioso evento e claro, sobre o dia ‘roqueiro’ que a segunda edição teve com Marillion e Bon Jovi sendo os representantes do universo da música pesada.

Mas antes de falar sobre 1990, precisamos voltar no tempo e conhecer as origens desse nome. Hollywood é uma marca de cigarros do grupo Souza Cruz, que foi fundado em 1903, por Albino Souza Cruz, um fabricante de cigarros que se estabeleceu no estado do Rio de Janeiro. No ano de 1931 ele anunciou o lançamento dos cigarros Hollywood, nome esse inspirado na cidade norte-americana que era o reduto dos principais artistas do planeta. O produto aos poucos começou a se destacar e ficar famoso por usar um slogan conhecido como “O Sucesso“, uma alusão associada à vida de glamour e êxito das grandes estrelas da cidade de Hollywood.

Já nos anos 70 com a cultura jovem cada vez mais atuante dentro da sociedade, algumas empresas promoviam campanhas para associar suas marcas ao mundo desse público tentando obviamente torna-lo cativo. E uma das incursões mais bem sucedidas foi a do cigarro Hollywood com seu novo slogan “Isto é Hollywood, O Sucesso“. Em comerciais televisivos a empresa explorava as imagens de “jovens” praticando vários tipos de modalidades esportivas radicais, como surf, paraquedismo, asa-delta, iatismo, escaladas, e de uma forma ou outra, colocando os atores com cigarros nas mãos, em uma clara intenção de associar a marca e o produto à ideia de aventura. O apelo levou, também, ao patrocínio do pioneiro festival de rock organizado no Brasil, que foi batizado de Hollywood Rock, no verão de 1975 no Rio de Janeiro.

1975: A edição não oficial.

A primeira edição do Hollywood Rock (embora não seja considerado como um evento oficial) ocorreu no Estádio General Severiano – que pertencia naquela época ao Botafogo – a partir de 11 de janeiro de 1975, e foi organizado pelo jornalista Nelson Motta. O festival, que contou apenas com artistas nacionais, se desenrolou durante quatro sábados. Além do citado dia 11, tivemos ainda no mês de janeiro os dias 18 e 25, com o festival sendo encerrado no dia 1 de fevereiro. Dentre as atrações estiveram Celly Campelo, Erasmo Carlos, Raul Seixas e os grupos O Peso, Mutantes, Tutti-Frutti e Vímana. Devido à ótima repercussão fica claro que Raul Seixas realizou o show mais lembrado do evento. Não existem fontes confiáveis a respeito do público total que compareceu aos quatro dias ao campo do Botafogo. Mas segundo o organizador Nelson Motta, o local recebeu cerca de 10 mil pessoas por dia. O Hollywood Rock rendeu ainda um álbum em 1976 e o raríssimo documentário chamado de “Ritmo Alucinante”, onde se é possível acompanhar trechos dos shows de alguns artistas que estiveram presentes. Por falar em atrações, algumas publicações da época relatam que a ausência mais sentida pelos jovens foi a do grupo Secos & Molhados.

Em 1985 durante a edição do primeiro festival Rock in Rio, o cantor do Whitesnake, o ex-Deep Purple David Coverdale foi convidado pela Souza Cruz para protagonizar um jingle do cigarro para as rádios FM. No anúncio Coverdale improvisou uma letra em inglês e na ultima frase mandou um “O sucesso” em um português cheio de sotaque. O Whitesnake inclusive teve um compacto lançado aqui na mesma época na qual a capa era dividida por uma foto da banda, em um menor destaque, e uma foto com jovens bem ao estilo dos tradicionais comerciais do cigarro e o slogan “Isto é Hollywood”.

1988: A primeira edição.

Demorou 13 anos para que um evento musical novamente ostentasse o nome de Hollywood Rock, mas como já deu para perceber, durante todos esses anos a empresa não abriu mão do slogan de sucesso e continuou investindo pesado em comerciais do mesmo estilo com jovens em situações bem alegres, radicais, aventureiras, e claro, promovendo o consumo de tabaco. Até que no final de 1987 foram anunciadas as atrações e os locais para a primeira, dessa vez de forma oficial, edição do festival Hollywood Rock.

A primeira edição oficial do Hollywood Rock ocorreu em janeiro de 1988, com direito a 4 noites em cada uma das cidades escolhidas. Os locais escolhidos para as apresentações eram o Estádio do Morumbi em São Paulo e o da Praça da Apoteose no Rio de Janeiro. Nos bastidores das fofocas a certeza era que a empresa responsável pela fabricação do cigarro tinha se animado com a ótima repercussão que o Rock in Rio teve em 85 e resolveu investir pesado no novo festival, mas ignorou um dos principais motivos do êxito do evento inspirador, a presença de bandas do universo da música pesada e pagaria o preço por isso. O mais próximo do meio roqueiro que tivemos foi o Supertramp, que encerrou o festival nas duas cidades e foi considerado a grande estrela do evento. Os demais nomes presentes em sua grande maioria pertenciam ao pop e outros gêneros alinhados as rádios FM mais comerciais.   

A banda de reggae britânica UB40, que abriu para Simple Minds, foi um dos destaques do festival ao lado do Duran Duran. As outras atrações internacionais foram Pretenders e Simply Red. Representando a música nacional tivemos Ira!, Titãs, Paralamas do Sucesso, Ultraje a Rigor, Lulu Santos e Marina Lima.

Trechos dos shows no Rio foram exibidos nos finais de noite pela TV Globo. Mesmo com muita propaganda e divulgação televisiva o público, que foi bom, ficou muito aquém do esperado pelos organizadores e eles certamente pretendiam corrigir esse erro na próxima edição.

1990: A segunda edição.

E de fato corrigiram mesmo ao mudar o formato do festival para três noites ao invés de quatro e apostar pesado em dois grandes nomes em situações opostas de suas carreiras: Bob Dylan um nome mais do que consagrado com uma longa e respeitada carreira e o conjunto Bon Jovi, a multiplatinada banda de hard rock, que estava tomando conta de todos os espaços possíveis dentro da música desde 1986. Esses dois nomes seriam os carros chefes na nova edição, confirmada para o mês de janeiro de 1990, nos mesmos locais, Estádio do Morumbi em São Paulo e o da Praça da Apoteose no Rio de Janeiro. Completando o cast internacional: Tears For Fears, Eurithmcs, Terence Trent D’arby e a banda de progressivo Marillion. O lado brazuca contou com Engenheiros do Havai, Capital Inicial, Gilberto Gil, Barão Vermelho e Lobão.

A cobertura televisa novamente ficou com exclusividade para TV Globo, que se limitou mais uma vez a passar trechos dos shows do Rio no sua programação de final de noite, ou seja, nada de transmissão ao vivo. O programa Fantástico uma semana antes da primeira data do festival fez sua parte divulgando as datas e passando os clipes de “Born to be my Baby” do Bon Jovi e “Hooks in you” do Marillion e não foi por acaso. É que até aquele momento as datas que envolviam as duas bandas eram as que mais tinham vendido ingressos e caminhavam para sold out.

Vamos dar um panorama geral sobre o evento e depois nos fixar nas duas bandas que realmente importam e focar em 19 de janeiro de 1990, o dia que eu estive presente, ok? Vamos lá:

Estádio do Morumbi, 18 de janeiroGilberto Gil abre o festival em uma noite que o público divulgado foi de 55 mil pessoas. Gil acabou não participando da parte carioca do festival realizado na semana seguinte, em função do acidente de carro que matou o seu filho, que também tocava bateria em sua banda, na véspera do show. Ele acabou sendo substituído por Margareth Menezes. O Tears For Fears segundo as publicações da época fez um show tão perfeito que houve quem achasse que era play back. Mas faltou carisma na performance do grupo em suas duas apresentações. Bob Dylan, que se recusou a conceder até entrevista coletiva, foi uma grande decepção. A banda que o acompanhou atravessou em diversas músicas e o tom introspectivo do cantor foi a tônica do show paulista. Segundo relatos no dia carioca ele até esboçou algum sorriso, mas vamos deixar esse assunto a cargo dos fãs de Dylan, que não é o meu caso.

 

Estádio do Morumbi, 20 de janeiro – Para um público de aproximadamente 70 mil pessoas o Barão Vermelho e Lobão foram os responsáveis pela parte nacional da noite. O Barão já sem Cazuza apostava em uma linha mais roqueira, inclusive colocando em seu set o cover do Rolling Stones, a clássica “Satisfaction”. Já Lobão que inventou de aproveitar seus shows para gravar um disco ao vivo acabou fazendo tudo de forma burocrática. Importante dizer que ambos tiveram melhor aceitação nos shows da parte carioca. O Eurithmics levou ao Morumbi seus fãs yuppies e dentro da sua proposta fez ótimo show e repetiu a dose no Rio. Por outro lado Terence Trent D’arby aparentemente se sentiu muito intimidado por ter que fechar a noite. O músico chegou a fazer um show ensaio fechado para mil pessoas no Dama Xoc, mas em uma grande arena ele não conseguiu se impor.

O público médio durante os shows na Praça da Apoteose, não ultrapassou a marca das 35 mil pessoas segundo as publicações da época. Coube ao fim de semana paulista garantir uma arrecadação maior e o único sold out do festival no dia 19 de janeiro.

A parte que interessa:

Finalmente chegamos ao que realmente interessa que é falar sobre os shows do Bon Jovi e Marillion. Desde novembro quando a imprensa em geral e a revista Rock Brigade anunciaram que as duas bandas seriam as representantes do universo da música pesada no Hollywood Rock 2, os fãs das bandas começaram a ter muito o que acompanhar e o que comprar.

 

O Marillion teve seu então novo álbum chamado de “Seasons End” lançado via EMI – inclusive com direito a anúncios de página inteira nas revistas especializadas enfatizando o novo cantor e com o logo do festival – e o clipe de “Hooks in you” sendo muito bem veiculado em programas como o Clip Trip. Em uma entrevista ao Caderno 2 do jornal Folha de São Paulo, os músicos se mostraram muito otimistas com seu novo disco e que estavam surpresos por encontrar tantos fãs aqui no Brasil. Uma revista pôster até então inédita da banda podia ser encontrada nas bancas.

O Bon Jovi naquele tempo era um digno conjunto de hard rock, muito em função do guitarrista Ritchie Sambora, responsável pelo peso da banda. O álbum “Slippery when wet” levou a banda de Nova Jersey ao topo da Billboard, da MTV e das rádios em todo planeta, garantindo uma posição de headliner no Monsters of Rock de 1987, fechando uma noite que contou com DIO e Metallica entre outros. Em 1988 lançam “New Jersey” e voltam ao topo das paradas por todo mundo e pouco antes de chegar ao Brasil participam como principal atração no mega evento ‘Moscou Peace Festival‘ na URSS ao lado de bandas como Scorpions, Ozzy Osbourne, Motley Crue e Skid Row. Para comemorar a vinda da banda a Polygram lança um LP chamado “Bon Jovi In Brazil”, uma coletânea dos principais sucessos mais uma versão inédita de “Wanted Dead or Alive”. A edição número 45 da Rock Brigade chegou as bancas em janeiro com a banda na capa. Já o Caderno 2 do jornal Folha de São Paulo divulgou as impressões dos músicos e suas expectativas pelo show paulista.

Eu comprei meu ingresso em dezembro de 1989 em uma loja da Levy’s e foi a primeira vez que tinha em mãos um ticket no formato cartão magnético. Ele veio em um envelope com logo do festival, todas as atrações e as datas. A entrada para a pista me custou NCz$ 250,00 (novos cruzados), preço equivalente ao da numerada inferior. Já a arquibancada e a numerada superior custavam NCz$ 150,00 e  NCz$ 200,00 respectivamente.

O dia 19 de janeiro caiu em uma sexta-feira o que de cara significa que eu faltei no trabalho para ir ao evento. E naquele tempo ir ao Morumbi era muito mais tranquilo que hoje em dia por incrível que pareça. Em dia de shows ou jogos de futebol, a antiga Companhia Municipal de Transportes Coletivos, a CMTC, disponibilizava uma grande quantidade de ônibus em alguns locais da cidade para efetuar o translado do público. Eu peguei minha ‘carona’ até o Morumbi ao lado da estação da Luz e desci na porta do local. Para voltar se fazia a mesma coisa, o que era muito melhor. Livre dos exorbitantes preços cobrados por flanelinhas, taxis e ubers nos dias de hoje, principalmente em dia de eventos.

Nos arredores do estádio muitas camisetas pretas o que comprovou que o público fiel a música mais pesada estava fazendo sua parte. Como eu já disse anteriormente, o dia 19 foi o único sold out, com mais de 95 mil pessoas presentes. E com uma peculiaridade que naquela época não era muito comum aos frequentadores de shows de música pesada como eu. Tinha muitas, mas muitas mulheres presentes. Sendo bem honesto, elas eram maioria. A grande vantagem era que em vez de você sair todo suado da pista, saia perfumado e com boas chances de ser ao lado de uma boa companhia he he.

Eu só fiquei sossegado mesmo em relação ao tal ‘ingresso de cartão magnético’ depois que eu passei pela catraca e agora só restava esperar pelo Marillion, mas antes tinhas duas bandas daquelas para aturar. Eu entendo que o espírito de um festival permite a variedade de estilos e às vezes até faz muito bem. Um grande exemplo é a forma de como o Reading Festival inglês era elaborado. Mas naquele tempo eu não era um ser humano tão evoluído para achar normal ter que assistir a um show dos Engenheiros do Havaii. De longe uma das coisas mais chatas e ruins que tive o desprazer de assistir. Quanto ao Capital Inicial que tocou antes deles pouco me recordo, ainda bem. As bandas brasileiras naquele tempo invariavelmente eram chatas pra burro, pois reclamavam de tudo, do tempo disponível para suas apresentações, que tinham menos espaço no palco, do som, do público, da vida etc.

Felizmente as aberturas terminaram e era hora dos ingleses invadirem o grande palco do Hollywood Rock. A essa altura do campeonato eu e um amigo meu de ‘trampo’ que me acompanhou, já tínhamos encontrado mais conhecidos na lotada pista e fomos ganhando terreno para ver o show mais de perto. Uma estrutura tubular imensa abrigava três telões, muitas caixas de som e luzes. Estava noite quando o Marillion entrou e uma grande quantidade de fãs da banda se fez notar acompanhando as músicas. Hogarth foi um show a parte, pois além de cantar pra caramba, o cara não parava de agitar. Em determinada hora ele escalou a estrutura lateral do palco até uma altura bem considerável e cantou dali mesmo, conquistando definitivamente o público. Os destaques foram as músicas mais ‘manjadas’ por causa dos clipes e das rádios rock como “Kayleight”, “Incomunicado“ e o novo hit da banda “Hooks in you”. Showzão.

Na hora da atração principal assim que as luzes do estádio se apagaram uma gritaria sem igual começou. Se eu não fiquei surdo com aquela mulherada toda berrando daquela vez não fico mais. Era ensurdecedor e quando o Bon Jovi invadiu o palco com o bom baterista Tico Torres proporcionando uma pesada intro para “Lay your Hands on me” os ‘decibéis por metro quadrado’ (SIC) estouraram qualquer tipo de escala. A competente banda contando com muitas explosões e um som muito alto – e incrivelmente bem equalizado – definitivamente apresentava ao Brasil o significado de ‘Rock de Arena’.

Os conhecidíssimos hits: “You Give Love a Bad Name”, “Born to be my Baby”,” I’ll Be There for You”  e “Livin’ on a Prayer” foram cantados palavra por palavra pelas fãs (tem que ser no feminino mesmo, pois elas tomaram conta da pista) e o show só não foi melhor pois se manteve burocraticamente calcado nos setlists recentes do grupo, que ignorou alguns fortes apelos por parte da plateia que insistia em pedir a canção “Runaway”. Uma parte bem legal da apresentação foi quando em “Blood on Blood”, Sambora assumiu uma parte dos vocais principais mostrando que além de um grande guitarrista era um ótimo cantor.

O Bon Jovi fatalmente percebeu que ter ignorado os pedidos das suas fãs paulistas não pegou bem, tanto que uma semana depois no Rio incluíram “Runaway” no até então rígido set e ainda de quebra tocaram “Tokyo Road”, um clássico de seu segundo disco. Mas até aí já era outro show, outras pessoas.

Terminado o show no Morumbi foi hora de pegar um dos CTMC’s e tentar voltar para casa sem ter que passar a noite na rua – deu tempo. O ano de 1990 começava com o pé direito no que se referia a shows, mas algumas mudanças políticas estavam se formando no horizonte e nós não íamos gostar nem um pouco dos resultados, que iriam influenciar todos os setores do país e consequentemente nossas vidas.

Mas vamos falar desse assunto em outra oportunidade, pois já havia um show internacional inédito no Brasil anotado na agenda, o Napalm Death. E é desse evento que vamos falar na semana que vem, pois as lembranças dos shows mais importantes estão no HB “…PRA FICAR!!!

Festival Hollywood Rock 2 (1990):

18 de janeiro: Estádio do Morumbi em São Paulo:

Gilberto Gil, Tears For Fears e Bob Dylan.

19 de janeiro: Estádio do Morumbi em São Paulo:

Capital Inicial, Engenheiros do Hawaii, Marillion e Bon Jovi.

20 de janeiro: Estádio do Morumbi em São Paulo:

Barão Vermelho, Lobão, Eurithmics e Terence Trent D’arby.

 

25 de janeiro: Praça da Apoteose no Rio:

Margareth Menezes, Eurithmics e Bob Dylan.

26 de janeiro: Praça da Apoteose no Rio:

Barão Vermelho, Lobão, Terence Trent D’arby e Tears For Fears.

27 de janeiro: Praça da Apoteose no Rio:

Capital Inicial, Engenheiros do Hawaii, Marillion e Bon Jovi.

Marillion: Setlist do show do dia 19 de janeiro de 1990.

 

  1. The King of Sunset Town
  2. Slàinte Mhath
  3. The Uninvited Guest
  4. Easter
  5. Warm Wet Circles
  6. That Time of the Night (The Short Straw)
  7. Seasons End
  8. Kayleigh
  9. Lavender
  10. Hooks in You

Bis:

  1. Incommunicado

 

 

 

Bon Jovi: Setlist do show do dia 19 de janeiro de 1990.

  1. Lay Your Hands on Me
  2. I’d Die for You
  3. Wild in the Streets
  4. You Give Love a Bad Name
  5. Fever
  6. Born to Be My Baby
  7. Let It Rock
  8. I’ll Be There for You
  9. Blood on Blood
  10. Livin’ on a Prayer

Bis:

  1. Never Say Goodbye
  2. Wanted Dead or Alive
  3. Bad Medicine

(Créditos das fotos: Paulo Márcio)