O peso pesado do cenário grunge.

Se alguma coisa  está sendo boa de acompanhar nesses dias complicados é que o espírito de solidariedade continua firme e forte entre nós. É animador ver as pessoas preocupadas com o próximo e dentro das suas possibilidades, ajudando de diversas maneiras. Seja material ou verbal, não importa. Procure auxiliar e vamos continuar firmes na esperança de dias mais iluminados. Cuidem uns dos outros. Agora, é a nossa hora de falar de música.

Reforçando que à ideia aqui é propor alguma coisa para que você ocupe um tempinho do seu dia conhecendo algumas curiosidades e o mais importante, preenchendo um pedaço do seu tempo com uma boa dose de música pesada. E a dica de hoje é o álbum do Alice in Chains, Facelift.

Facelift” é o primeiro álbum de estúdio da banda Alice in Chains, lançado pela Columbia Records em 21 de agosto de 1990. O disco foi gravado no London Bridge Studio em Seattle e na Capitol Recording em Hollywood, entre dezembro de 1989 e abril de 1990. Esse LP é muito importante, pois alavancou o Alice in Chains ao sucesso antes mesmo de bandas como o Nirvana e Pearl Jam popularizarem o chamado ‘som de Seattle’ ou grunge pelo mundo. Mas é importante ressaltar que ”Facelift” não se limita a esse tipo de rótulo, porque possui canções fortes e emocionais, além de pesadas.

As faixas “We Die Young“, “Man in the Box“,”Sea of Sorrow” e “Bleed the Freak” foram lançadas como singles, fazendo parte da promoção do álbum, que obteve um grande retorno de investimento. O vídeo  de “Man in the Box” foi indicado ao prêmio de melhor clipe na categoria Heavy Metal / Hard Rock no MTV Video Music Awards de 1991.  E o single de “Man In The Box” concorreu ao Grammy Award de melhor performance de Hard Rock  em 1992, que foi vencido pelo Van Halen. O álbum alcançou o 42º lugar na parada Billboard 200, sendo que  ”Facelift” foi o primeiro álbum grunge a chegar ao Top 50 nos Estados Unidos. Quanto as vendas foi certificado com um duplo disco de platina, superando a marca de dois milhões de cópias vendidas só nos EUA.

A banda excursionou um bocado a fim de angariar mais público, abrindo para bandas de estilos diferentes como Iggy Pop, Van Halen e Extreme. No início de 1991, o Alice in Chains foi direito ao encontro do público headbanger ao topar fazer o open-act da tour Clash of the Titans, que contava com as bandas Anthrax, Megadeth e Slayer. Por mais pesadas que músicas como “It Ain’t Like That” fossem, era óbvio que o público mais radical não aceitaria bem a escolha. Mesmo com certos problemas foram até o final das datas programadas. É preciso dizer que o apoio que o Alice in Chains recebeu dos três medalhões ajudou muito para a tour continuar com as quatro bandas. Expor o grupo diante de uma ampla audiência de thrash metal se mostrou útil, pois ganharam mais espaço em revistas especializadas de música pesada e até fãs.

A respeito do som as influências metálicas do Alice In Chains são imediatamente perceptíveis na primeira faixa do LP, a demoníaca e rápida, “We Die Young“. Tanto isso é verdade, que a música mais elogiada do álbum na opinião de muitos críticos na época foi “Man In The Box“, provavelmente o maior sucesso da banda, com seu rife marcado e pesado. Ao lado do disco “Badmotorfinger” do Soundgarden, “Facelift” pode perfeitamente representar o lado mais heavy do movimento musical de Seattle no inicio dos anos 90.

Aqui o som característico do Alice In Chains começou a ser espalhado pela 89FM com a música “Man In The Box” entrando na programação da rádio e na parte televisiva, através do programa Som Pop da TV Cultura, que na época era apresentado pelo Kid Vinil. Isso no começo de 1991, bem antes das camisas de flanela xadrez começarem a se tornar mais constantes nas proximidades da galeria do rock.

Minha bolacha foi comprada na loja Rick and Roll – já bem conhecida dos que acompanham o nosso ‘Sugestão do Dia’ – no distante dia de três de fevereiro de 1992. Hoje a versão em vinil, mesmo a nacional, está valendo uma grana até que bem interessante. Se você possui uma cópia em bom estado de conservação e com o encarte das letras, pode se animar que esse disco tem um bom mercado.

Só o talento de Jerry Cantrell já valeria uma boa conferida nesse álbum. Nas três vezes que tive a oportunidade de vê-lo se apresentar ao vivo com o Alice in Chains, o cara me convenceu. Em breve “Facelift” estará completando trinta anos, então muito se comentará a respeito deste LP. Então aproveite que você esta em casa e já comece a curtir essa peça importante no tabuleiro do grunge. Os links estão no final da matéria como sempre. Até a próxima.

Dados:

Lançamento: 21 de agosto de 1990.

Selo: Columbia (EUA); Sony (Brasil).

Produção: Dave Jerden.

Singles:

We Die Young“, em 14 de Julho 1990;

Man in the Box“, em 29 de Janeiro de 1991;

Sea of Sorrow“, em março de 1991;

Bleed the Freak“, em maio de 1991.

Certificações:

– Nos EUA, 2X disco de platina (+ 2.000.000).

Músicos:

Layne Staley – Vocais

Jerry Cantrell – Guitarra

Mike Starr – Baixo

Sean Kinney – bateria

Lado A:

1.”We Die Young”                                    

2.”Man in the Box”                                 

3.”Sea of Sorrow”                                     

4.”Bleed the Freak”                                

5.”I Can’t Remember”   

6.”Love, Hate, Love

           

Lado B:

1.”It Ain’t Like That”                 

2.”Sunshine”                                

3.”Put You Down

4.”Confusion”                                

5.”I Know Somethin (Bout You)”                                

6.”Real Thing