Se despedindo do estilo Bay Area…  por um tempo.

Com os dias passando cada vez mais coisas simples como um aperto de mão, um abraço, uma visita, um bate papo com os amigos, etc.. começam a ganhar uma importância tremenda. Tomara que depois que essa fase ruim passar, pois ela vai passar, as pessoas valorizem mais essas coisas tão simples. Agora vamos falar de música.

Reforçando que à ideia aqui é propor alguma coisa para que você ocupe um tempinho do seu dia conhecendo algumas curiosidades e o mais importante, preenchendo um pedaço do seu tempo com uma boa dose de música pesada. E a dica de hoje é o álbum do Testament, The Ritual.

The Ritual” é o quinto álbum de estúdio lançado pela banda americana Testament. Foi o último álbum a contar com a formação original, pois o baterista Louie Clemente e o guitarrista Alex Skolnick deixariam o grupo após a tour do disco.  Alex não tinha planos de tocar mais música pesada e queria se dedicar a outros projetos. Neste disco o Testament começou a explorar um som mais lento e melódico, mas ainda mantinha suas raízes no thrash metal.

Após a introdução muito criativa, o álbum apresenta imediatamente um dos grandes hits da banda, “Electric Crown’, primeiro single e clipe do trabalho. Não é uma música rápida, mas soa como um martelo quando executada ao vivo. O ótimo trabalho de Skolnick e o refrão já valeriam o investimento no álbum. A segunda música “So Many Lies” é um thrash metal cadenciado eficaz com uma ótima melodia na introdução e um refrão sinistro. “Let Go of My World” mantém o nível legal com rifes precisos, é uma boa faixa. Daí a quebra na atmosfera com a faixa título. Arrastada e sombria ela fugia ao estilo Bay Area costumeiro, mas o solo de Skolnick é magnifico. Fãs mais radicais, que consideravam a velocidade da banda sua característica mais marcante, acabaram torcendo no nariz. Particularmente eu gosto muito desse álbum, mas é preciso relatar que essa minha opinião nem de longe foi unânime.

Outras músicas dignas de menção pelas críticas na época foram a paulada “Agony” e a powerballadReturn to Serenity”, que foi o segundo clipe do disco e que rolou com certa frequência na MTV Brasil. Em seus discos anteriores o Testament já tinha arriscado a gravar baladas e essa foi certamente a mais bem sucedida.

Por falar em sucesso “The Ritual” obteve êxito comercial, chegando ao 55º lugar na Billboard 200, a qual seria a melhor posição da carreira do Testament nesta parada musical, até o CD ‘Dark Roots of Earth’ de 2012, que alcançou o posto 12. “The Ritual” também possui o único single do quinteto a entrar em uma parada de hits com “Return to Serenity“, que chegou ao 22º lugar na Mainstream Rock Tracks. A banda chegou a dizer anos depois que sofreram muita pressão durante as gravações, pois precisavam aumentar as vendas em relação ao seu trabalho anterior, ‘Souls of Black’. Até junho de 2017, as pesquisas indicavam que o disco havia vendido cerca de 485.000 cópias nos Estados Unidos, chegando muito próximo do certificado de Ouro.

 

Em 1992 não só o Testament estava pressionado pelo mercado americano, mas todas as bandas de thrash, heavy e hard. O sucesso que esses estilos conquistaram desde a metade dos anos 80 a duras custa, estava sendo questionado e colocado à prova. Isso na opinião das grandes gravadoras que acreditavam que era hora de apostar em ‘coisas novas’. E por isso nem o certo sucesso alcançado evitou as mudanças na banda. Mas esse papo fica para outra oportunidade.

Desde 1990 eu estava optando por comprar para minha coleção o formato CD, mas sem abandonar completamente os LPs como a maioria fez. Se uma oportunidade boa se apresentava eu não pensava duas vezes, como foi o caso ao comprar minha cópia na loja Devil discos, na galeria do rock em julho de 92. Na pior das hipóteses eu acabava pegando o formato digital outra hora e ficando com os dois – vinil e cd, e duplamente feliz. E no caso desse disco foi um ótimo investimento, pois só em setembro de 2017, via Metal Blade Records o álbum em vinil foi lançado pela primeira vez em os EUA, limitado a 1500 cópias. Então se na sua prateleira tem um “The Ritual” original de 1992, você tem um dinheirinho bom ai.

Esse álbum marcou o fim de um ciclo. As saídas de Alex e Louie impactaram muito os discos seguintes do Testament. Os vocais de Chuck Billy aos poucos se tornariam ‘grunudios’ no estilo death e o som calcado nas características da Bay Area ficariam em segundo plano. Mas quero afirmar que os discos sem Skolnick também são muito bons, mas diferentes.

Eram novos tempos, e nos meados da década de 90 a Europa, e não a America, seria o alicerce do heavy metal mundial mais uma vez. Claro que hoje sabemos que Alex voltaria para a banda e com ele o som único e matador do Testament também. Aproveite seu tempo livre ouvindo “The Ritual” com o volume no 11. E se ainda não conhece esse trabalho, não tem desculpas, os clipes e as músicas estão logo ali no final. Até a próxima.

Dados:

Lançamento: 15 de maio de 1992.

Selo: Atlantic/Megaforce (EUA); BMG (Brasil).

Produção: Tony Platt.

Singles:

– “Electric Crown” em maio de 1992;

– “Return to Serenity” em julho de 1992.

Músicos:

Chuck Billy — vocais

Eric Peterson — guitarra

Alex Skolnick — guitarra

Greg Christian — baixo

Louie Clemente — batera

Lado A:

1.”Signs of Chaos”          

2.”Electric Crown”          

3.”So Many Lies” 

4.”Let Go of My World

5.”The Ritual”       

6.”Deadline”         

Lado B:

1.”As the Seasons Grey”          

2.”Agony”  

3.”The Sermon”   

4.”Return to Serenity”  

5.”Troubled Dreams