Durante muito tempo, falar sobre Rock e Heavy Metal no Brasil significava, para muita gente, apresentar uma história predominantemente masculina. Não porque faltassem mulheres ocupando palcos, compondo, tocando instrumentos, produzindo e movimentando a cena, mas porque elas nem sempre receberam o mesmo espaço, reconhecimento e visibilidade. Esta lista parte justamente da vontade de ampliar esse olhar e colocar em evidência 25 bandas brasileiras que têm mulheres em sua formação, mostrando diferentes gerações, estilos e maneiras de fazer Rock e Metal.
É importante destacar que esta não é uma lista de melhores ou piores, nem pretende estabelecer qualquer tipo de ranking ou hierarquia. Trata-se de um recorte de indicações, pensado como um convite para descobrir novas artistas e, quem sabe, adicionar algumas delas à sua playlist. A ideia é reconhecer que mulheres sempre fizeram parte da construção do Rock e do Metal e continuam fazendo, ocupando espaços, criando, liderando bandas e transformando a cena. Se você ainda conhece poucas delas, talvez esteja na hora de aumentar sua playlist.
Banda: Crypta
Gênero: Death Metal
Mulheres na Formação: Fernanda Lira (Vocal, Baixo), Tainá Bergamaschi (Guitarra), Victoria Villarreal (Guitarra), Luana Dametto (Bateria)
Instagram: https://www.instagram.com/cryptadeath/
A Crypta é um dos grandes nomes da nova geração do Metal Extremo brasileiro, apesar de a experiência de suas integrantes remontar a muito antes da formação da banda. O grupo ganhou projeção internacional com sua sonoridade agressiva, técnica e sombria, levando o Death Metal brasileiro a palcos de diferentes partes do mundo e se consolidando como uma das maiores bandas brasileiras da atualidade.
Banda: Nervosa
Gênero: Thrash/Death Metal
Mulheres na Formação: Prika Amaral (Vocal, Guitarra), Helena Kotina (Guitarra), Hel Pyre (Baixo), Michaela Naydenova (Bateria), Emmelie Herwegh (Baixo)
Instagram: https://www.instagram.com/nervosathrash/
A Nervosa é, há muitos anos, um dos nomes mais importantes do Metal brasileiro e uma das principais responsáveis por levar a força da cena nacional para o exterior. Ao longo de sua trajetória, as diferentes mudanças de formação contribuíram para uma sonoridade cada vez mais madura e contemporânea, mostrando a capacidade do grupo de se reinventar. Mesmo após períodos de completa reformulação, a Nervosa conseguiu se manter relevante, se fortalecer e se tornar uma banda ainda maior do que já havia sido.
Banda: Torture Squad
Gênero: Thrash/Death Metal
Mulheres na Formação: May Puertas (Vocal)
Instagram: https://www.instagram.com/torture_squad/
O Torture Squad não contava com mulheres em sua formação original, mas a chegada de May Puertas trouxe novas perspectivas para a banda, tanto em sua interpretação quanto na forma de explorar sua sonoridade. A mudança ajudou a abrir um novo capítulo na trajetória do grupo, que continuou crescendo, lançando discos de altíssimo nível e se mantendo entre os nomes mais relevantes e respeitados do Metal brasileiro.
Banda: Finita
Gênero: Dark Metal
Mulheres na Formação: Luana Palma (Vocal)
Instagram: https://www.instagram.com/finita.metal/
É impossível falar da atual cena do Metal Extremo brasileiro sem citar a Finita, um dos nomes que vêm renovando e adicionando novas possibilidades ao gênero. Também é impossível falar da banda sem destacar o trabalho da vocalista Luana Palma, que acrescenta diferentes texturas à sonoridade do grupo e transita entre o canto lírico e os vocais extremos com impressionante naturalidade. “Children of the Abyss”, o álbum mais recente da banda, já pode ser considerado uma verdadeira obra-prima do Metal contemporâneo.
Banda: Able to Return
Gênero: Melodic Death Metal
Mulheres na Formação: Caroline Pilletti (Vocal)
Instagram: https://www.instagram.com/abletoreturn/
A Able to Return vem se tornando um nome cada vez mais inevitável no cenário nacional, não apenas pelo poder de sua música, mas também pela evolução constante de sua obra e pela forma inteligente como a banda entende o funcionamento do mercado musical. O grupo parece compreender que fazer música hoje também exige movimento, estratégia e atenção às demandas do showbusiness, sem abrir mão da identidade artística. Essa combinação entre qualidade musical, posicionamento e profissionalismo tem ajudado a Able to Return a conquistar espaço e se estabelecer como uma das bandas que merecem ser acompanhadas de perto na cena brasileira.
Banda: Manger Cadavre?
Gênero: Crust Metal
Mulheres na Formação: Nata Nachthexen (Vocal)
Instagram: https://www.instagram.com/mangercadavre/
O Manger Cadavre? pegou o entendimento do que significa ser underground, colocou debaixo do braço e transformou isso em um verdadeiro estilo de vida, tornando-se um dos nomes mais fortes a carregar essa bandeira pelo Brasil. A banda é movimento puro! Sua música transborda alma, personalidade e atitude, elementos que se refletem diretamente no corre insano em torno de sua obra, na estrada, nos palcos e em tudo aquilo que construiu ao longo de sua trajetória.
Banda: Kill For Nothing
Gênero: Nu Metal
Mulheres na Formação: Mandy Delphino (Guitarra, Vocais Secundários)
Instagram: https://www.instagram.com/killfornothingofficial/
Quando se fala em Nu Metal no Brasil, provavelmente um dos primeiros nomes que vêm à cabeça é a Kill For Nothing. A K4N já se tornou uma verdadeira entidade do gênero no país, construindo uma identidade própria e conquistando cada vez mais espaço dentro da cena. Esse crescimento também começa a ultrapassar as fronteiras brasileiras, colocando a banda no radar internacional e mostrando que o grupo entende a força, a representatividade e o potencial do nome que construiu.
Banda: Allen Key
Gênero: Hard n’ Heavy
Mulheres na Formação: Karina Menascé (Vocal, Violão, Teclados)
Instagram: https://www.instagram.com/allenkeyofficial/
A Allen Key parece existir em um ponto de encontro entre o passado, o presente e o futuro do Metal, unindo referências clássicas e contemporâneas com uma naturalidade que poucas bandas conseguem alcançar. No centro dessa engrenagem está Karina Menascé, uma verdadeira força criativa, capaz de conduzir a banda entre extremos com impressionante personalidade. Ela é tormenta e calmaria ao mesmo tempo, e é justamente dessa dualidade que nasce a sonoridade da Allen Key.
Banda: The Mönic
Gênero: Punk/Alternative Rock
Mulheres na Formação: Ale Labelle (Guitarra, Vocais), Dani Buarque (Guitarra, Vocais), Joan Bedin (Baixo, Vocais), Dani Simões (Bateria)
Instagram: https://www.instagram.com/themonicband/
A The Mönic é como um fio de alta tensão desencapado, pronto para explodir a qualquer momento. A banda é energia pura, atitude e personalidade, transformando cada música e apresentação em uma descarga de intensidade. Formada por quatro mulheres, o grupo também entende a força da representatividade que carrega e ocupa esse espaço com naturalidade, mostrando que é possível fazer um Rock potente, contemporâneo e acessível sem abrir mão de identidade. Mesmo com uma música tão explosiva, a The Mönic já está com os dois pés no mainstream, um lugar que, sem dúvida, merece conquistar.
Banda: Santa Cora
Gênero: Symphonic/Modern Metal
Mulheres na Formação: Carol Corteze (Vocais), Desirée Nóbrega (Baixo)
Instagram: https://www.instagram.com/santacoraofficial/
A Santa Cora entendeu que, para uma banda acontecer de verdade, é preciso conhecer profundamente a própria identidade, mas também compreender o jogo do showbusiness. Por isso, o grupo se posiciona com absoluta inteligência no cenário, mas consegue fazer isso porque sua obra está à altura de seu posicionamento, criando músicas grandiosas, cinematográficas, modernas e poderosas. E, para seu lançamento mais recente, a banda ainda trouxe Helena Nagagata, uma das guitarristas mais importantes da cena atual, para se somar a Carol e Desirée, acrescentando ainda mais força e personalidade à proposta da Santa Cora.
Banda: Ginger and the Peppers
Gênero: Rock and Roll
Mulheres na Formação: Julia Dillon (Vocais)
Instagram: https://www.instagram.com/gingerandthepeppers/
A Ginger and the Peppers entendeu como utilizar as redes sociais a seu favor para dar visibilidade à própria obra, mas isso de nada adiantaria se sua música não estivesse à altura. A banda transita pelo Rock clássico com um tempero moderno e apimentado, criando uma sonoridade deliciosa, maliciosa e madura, tudo na medida certa. É o tipo de grupo que sabe se comunicar com o público sem deixar que a estratégia se sobreponha à música, usando cada ferramenta para ampliar o alcance de uma obra que fala por si.
Banda: Elyra
Gênero: Modern/Gothic Metal
Mulheres na Formação: Kathy Maurici (Vocais)
Instagram: https://www.instagram.com/elyraoficial/
Depois do boom que o Gothic Metal viveu no início dos anos 2000, impulsionado tanto por nomes clássicos como Nightwish quanto por bandas que ajudaram a popularizar o gênero junto ao grande público, como Evanescence, o estilo acabou perdendo força ao longo dos anos por explorar repetidamente uma fórmula que se tornou previsível. Com o tempo, porém, o Gothic Metal passou a incorporar perspectivas mais contemporâneas do Metal, abrindo espaço para uma nova geração de bandas que vêm renovando suas possibilidades. No Brasil, a Elyra aparece como um dos nomes mais interessantes desse movimento e já mostra, desde seu EP de estreia, que tem força e personalidade para ajudar a levar o gênero novamente ao topo da cena.
Banda: Aléxia
Gênero: Modern Rock
Mulheres na Formação: Aléxia (Vocais)
Instagram: https://www.instagram.com/alexiaoficial/
Antes mesmo de iniciar sua carreira solo, Aléxia já era um nome de destaque no cenário do Rock brasileiro. Conhecida especialmente por suas interpretações de covers, a artista construiu seu reconhecimento com um trabalho de altíssimo nível, algo que se confirmou ainda mais em sua trajetória autoral, com músicas que evidenciam a força cada vez maior das mulheres no Rock. É impossível separar a personalidade de Aléxia de sua música, e essa conexão entre artista e obra é justamente uma das grandes virtudes de seu trabalho.
Banda: Hatefulmurder
Gênero: Metalcore
Mulheres na Formação: Giulia Roiz (Vocais)
Instagram: https://www.instagram.com/hatefulmurder/
A transição da Hatefulmurder, de uma vocalista tão importante quanto Angélica Burns para o jovem talento de Giulia Roiz, mostra como a evolução de uma banda também passa pela renovação da cena e pela abertura de espaço para novas gerações. Esse movimento evidencia a importância da representatividade feminina no Metal, criando referências para que outras mulheres se sintam inspiradas a ocupar o palco, assumir instrumentos, compor e construir suas próprias histórias dentro da cena.
Banda: Vakan
Gênero: Power Metal
Mulheres na Formação: Isabel Leal (Teclado)
Instagram: https://www.instagram.com/vakanmetal/
A representatividade das mulheres no Metal ajudou a transformar uma cena historicamente dominada por homens, primeiro com a presença cada vez mais forte das vocalistas e, posteriormente, com a expansão da participação feminina em diferentes instrumentos e funções dentro das bandas. O Vakan é um exemplo desse movimento, contando com a tecladista Isabel Leal, cuja atuação contribui para construir uma obra grandiosa e moderna, inserida em um Power Metal contemporâneo repleto de texturas, camadas de complexidade e atmosferas imersivas.
Banda: Eskröta
Gênero: Crossover
Mulheres na Formação: Yasmin Amaral (Guitarra, Vocal), Tamy Leopoldo (Baixo)
Instagram: https://www.instagram.com/eskrotacs/
A Eskröta conseguiu se tornar um dos grandes destaques da cena justamente sem abrir mão de uma música ácida, pesada e provocadora, conquistando espaço até mesmo em veículos e premiações de alcance mainstream, como o TMDQA!. Sua trajetória mostra que não é preciso suavizar a própria identidade ou tornar a música mais acessível e de fácil digestão para alcançar reconhecimento. Pelo contrário, a força da Eskröta está justamente em transformar sua intensidade e personalidade em ferramentas para furar a bolha e ocupar espaços cada vez maiores.
Banda: Miasthenia
Gênero: Black Metal
Mulheres na Formação: Hécate (Teclado, Vocais), Lith (Bateria)
Instagram: https://www.instagram.com/miasthenia_band/
Representante do Black Metal nesta lista, a Miasthenia é um dos nomes mais influentes e longevos da cena extrema brasileira. Ao longo de sua trajetória, a presença de mulheres em sua formação ajudou a construir uma perspectiva única para sua obra, combinando a atmosfera sombria e agressiva do gênero com uma identidade artística própria e profundamente marcada por sua visão de mundo.
Banda: Deb and the Mentals
Gênero: Punk/Alternative Rock
Mulheres na Formação: Deb Babilônia (Vocais)
Instagram:https://www.instagram.com/debandthementals/
Recentemente anunciada como banda de abertura da turnê do Foo Fighters no Brasil em 2027, a Deb and The Mentals chega a esse momento depois de mais de uma década construindo uma identidade marcada pelo Punk, Grunge e Garage Rock. Liderada por Deb Babilônia, a banda combina energia, atitude e uma sonoridade visceral, consolidando-se como um dos nomes mais interessantes da cena independente brasileira.
Banda: AnamA
Gênero: Symphonic Metal
Mulheres na Formação: Babi Bueno (Vocais)
Instagram: https://www.instagram.com/anamaofficial/
Fazer Metal Sinfônico sem cair no marasmo de uma fórmula que deu certo e acabou sendo repetida à exaustão é uma tarefa para poucas bandas, e a AnamA soube trilhar esse caminho com maestria. O grupo incorpora elementos de Gothic Metal, Metal Moderno e até Rock Progressivo à sua sonoridade de maneira natural e equilibrada, construindo uma música potente, atmosférica e autêntica, que demonstra como ainda existe muito espaço para inovação dentro do gênero.
Banda: Malvada
Gênero: Hard n’ Heavy
Mulheres na Formação: Indira Castillo (Vocais), Bruna Tsuruda (Guitarra), Rafaela Reoli (Baixo), Juliana Salgado (Bateria)
Instagram: https://www.instagram.com/malvadabanda/
A Malvada é um dos grupos mais autênticos e celebrados do Rock feminino na atualidade, não apenas no Brasil, mas também além das fronteiras nacionais. E não foi somente a qualidade de sua música que colocou a banda nessa posição, mas também a capacidade de entender os mecanismos do showbusiness e transformar o palco em sua verdadeira casa. Com presença, personalidade e uma identidade muito bem definida, a Malvada mostra que ocupar espaço na cena também significa saber se apresentar, se comunicar e fazer cada oportunidade acontecer.
Banda: Pressure Gain
Gênero: Haux Metal
Mulheres na Formação: Gi Assmann (Vocais), Moni Assmann (Vocais)
Instagram: https://www.instagram.com/pressuregain/
Inovar é fundamental para manter uma cena viva e em constante movimento, e a Pressure Gain parece entender isso como poucas bandas. O grupo também compreende que música e identidade visual são conceitos artísticos que caminham juntos, construindo uma proposta única e extremamente coerente. Essa visão, somada a uma vontade genuína de viver da música, transborda em sua obra e cria uma conexão profunda com quem ouve, tornando a Pressure Gain uma das bandas mais interessantes e inteligentes do cenário atual.
Banda: InRaza
Gênero: Modern/Extreme Metal
Mulheres na Formação: Fernanda Souza (Vocais)
Instagram: https://www.instagram.com/inraza/
A InRaza é um exemplo de como o movimento constante é fundamental para construir uma trajetória sólida no underground. A banda faz do palco sua casa e transforma sua música em uma ferramenta de conexão com pessoas que se identificam com sua obra e também com sua postura e com sua determinação. Existe na InRaza uma força de vontade evidente de vencer, ocupar espaços e fazer sua arte prevalecer, mostrando que persistência e identidade são fundamentais para quem escolhe construir sua história de forma independente.
Banda: MC Taya
Gênero: Metal Mandrake
Mulheres na Formação: MC Taya (Vocais)
Instagram: https://www.instagram.com/mctaya/
Não contente em tornar sua obra absolutamente única, MC Taya está à frente de um movimento que vem arrastando consigo inúmeros artistas e fazendo do Metal Mandrake uma novidade cada vez mais inevitável. Sua música autêntica, sua postura confrontadora e sua personalidade artística fazem com que sua obra alcance lugares onde talvez o Metal jamais chegaria, rompendo barreiras, aproximando públicos diferentes e mostrando que a renovação do gênero também passa pela coragem de desafiar aquilo que já está estabelecido.
Banda: Indjent
Gênero: Rap Metal
Mulheres na Formação: Verônica Abib (Vocais)
Instagram: https://www.instagram.com/bandaindjent/
Unindo Rap e Metal de uma maneira nada óbvia, a Indjent se tornou uma representante do Metal das ruas, trazendo para sua música um sentimento urbano, pulsante e profundamente conectado à realidade. Sua obra é diversa, autêntica e carregada de personalidade, buscando transmitir mensagens e provocar reflexões em vez de se limitar ao entretenimento.
Banda: Jurema Juice
Gênero: Stoner Rock
Mulheres na Formação: Carol Vilela (Bateria)
Instagram: https://www.instagram.com/juremajuice/
A Jurema Juice surge como uma das novas forças do Stoner Rock nordestino, unindo peso, psicodelia e uma identidade profundamente conectada às suas raízes. Em seu álbum de estreia, a banda alagoana transforma referências da psicodelia setentista em uma experiência contemporânea, incorporando elementos da cultura nordestina e transitando com naturalidade entre o orgânico e o etéreo.
E essa é só uma leve amostra de como o cenário do Rock e Heavy Metal está agraciado de mulheres de expressão forte, palavra e contexto, fazendo boa música, de fato ficaram nomes de fora, mas já temos aqui uma boa base para você ouvir mais som de qualidade feito por esse mulherada incrível.
TEXTO POR LUIS FERNANDO RIBEIRO

