Uma das melhores coisas do Bangers Open Air é poder ver um público misto que consegue curtir desde o lado mais visceral ao técnico melódico.
Sempre existirão vários casos assim, principalmente quando estamos diante de grandes bandas do lado alternativo. Foi possível perceber que muitos estavam animados, e assim, no “Ice Stage” o poderio do gigante sueco In Flames surgia, uma das bandas mais influentes dos anos 90.
Se antes vimos o Killswitch Engage fazendo homenagem aos mestres do melodic death/alternative, agora tínhamos no mesmo palco os caras que mostraram para várias gerações que podiam mesclar o mais extremo dos sons vigentes com algo diretamente ligado ao alternativo, ao que viria se tornar em tantas ramificações aquilo que o próprio KSE se tornou.

O início distópico de “Pinball Map” e a sequência matadora com “The Great Deceiver” deixou um verdadeiro caos instaurado, não existia uma alma parada nas pistas, aliás, era difícil entender o quanto o público, sedento por rock, ainda tinha energias depois de um dia tão extremo (no melhor sentido da palavra, devido aos nomes incluídos no sábado).
É claro que seu último álbum lançado, “Foregone”, em 2023, foi a grande catarse, mas poder mesclar com coisas de uma época diferente fez com que ganhassem, de forma geral, a atenção, mostrando que estávamos diante de um dos melhores nomes ali.
Outro bom momento foi quando tocaram um sucesso recente, “Voices” que abre “I, The Mask” (2019) – que particularmente é uma das minhas prediletas – com a mesma vibe do estúdio sendo aclamada, mostrando que o lado moderno de uma banda já veterana funcionava bem.

Nesse momento já estávamos diante de um dos melhores shows do festival, todos novamente encantados pelos vocais de Anders, as 6 cordas de Björn Gelotte e a dedicação incrível de Chris Broderick (sim, você deve se lembrar dele no Big 4 ao lado do Megadeth), um verdadeiro clima de quem estava ali com o jogo ganho, goleando no primeiro tempo e deixando o adversário zonzo.

Por falar em futebol, os famosos “Ole, Ole Ole Ole” também foram apresentados ao grupo que reagiu muito bem, interagindo bastante e visivelmente a vontade, o que de fato agrada e mantém o respeito e o legado intactos.

“Cloud Connected” de “Reroute to Remain” (2002) faz parte da nova fase (até então) de uma banda que cada vez soava mais moderna, mas ainda assim conseguia repetir feitos interessantes, bem como “Trigger” que não deixava a energia cair, assim como a mais recente “Meet Your Maker” mais voltada para a década atual.
E em mais um momento recente, “State of Slow Decay” mostra que os tempos de canções extremas ficaram longe, apostando cada vez mais em algo acessível mas ainda assim, não indo ao death de 3 décadas atrás.
“A Sense of Purpose” (2008) também foi lembrado e “Alias” é um ótimo exemplo daqueles tempos onde o guitarrista e fundador Jesper Strömblad fez sua última aparição, bem como “The Mirror’s Truth”, outro bom momento.

Finalizando a noite e com o público ainda em chamas, tivemos uma verdadeira loucura com “I Am Above” e por fim, fechando em alto nível vemos “Take This Life”, outro bom momento de “Come Clarity” (2006).
Como citei acima, este foi claramente um dos melhores shows do festival, teve alegria, teve euforia, teve mosh, teve discurso, teve de tudo, só não teve falta de entrega!
Espero que esses caras voltem ao Brasil rapidamente!
Setlist:
Pinball Map
The Great Deceiver
Deliver Us
(In the Dark)
The Quiet Place
Voices
Cloud Connected
Trigger
Only for the Weak
Meet Your Maker
State of Slow Decay
Alias
The Mirror’s Truth
I Am Above
Take This Life
Playlist:
Texto por: Vinny Almeida
Fotos por: M. Hermes
