No dia 03 de maio de 2026, a banda Heavysaurus desembarcou em Berlim como parte de sua maratona de shows pela Europa, uma turnê que tem levado a banda a dezenas de cidades em um ritmo alucinante. Em poucas palavras, pode-se dizer que a Heavysaurus faz metal para crianças. Simples assim? Não, não é tão simples, pois se trata de um fenômeno! Acompanhe comigo!
A origem do fenômeno
Tudo começou em 2009, na Finlândia, com a Hevisaurus, uma banda criada pelo baterista Mirka Rantanen (Thunderstone) para apresentar o metal de forma lúdica e educativa a crianças, inspirado pelo fascínio de seu filho por bandas como Metallica e Iron Maiden. Com letras sobre dinossauros, trajes temáticos e um som adaptado para o público infantil, o projeto foi um sucesso instantâneo. Em 2017, a Sony Music levou o conceito para a Alemanha, nascendo assim a Heavysaurus, com produção de Michael Voss (Mad Max) e letras traduzidas por Frank Ramond. A missão seguiu a mesma: unir metal pesado, diversão e educação, conquistando fãs de todas as idades.
As letras da Heavysaurus (e da versão original finlandesa, Hevisaurus) são temáticas e educativas, focadas em dinossauros, pré-história e valores positivos. Elas abordam temas como paleontologia (com letras que misturam fatos científicos sobre as espécies com uma narrativa lúdica e divertida), mensagens positivas (lições de amizade, coragem, trabalho em equipe e superação, sempre com um tom motivacional e adequado para o público infantil e familiar e evita temas comuns do metal tradicional como violência, morte ou ocultismo) e aventura e imaginação (muitas canções contam histórias de aventuras pré-históricas, como se os dinossauros estivessem vivos e interagindo em um mundo fantástico, mas com base em informações reais sobre a era mesozoica).
Em exemplos, a música “T-Rex” pode descrever o dinossauro como o “rei dos predadores”, enquanto “Velociraptor“ pode destacar sua agilidade e inteligência, sempre com rimas e refrões cativantes para facilitar a memorização.
Em Berlim: a turnê “Metal 2026”
A agenda da Tour “Metal 2026” é impressionante: são dezenas de datas em países como Alemanha, Áustria, Suíça, França e até mesmo festivais de grande porte, provando que o metal temático não tem fronteiras. Em Berlim, não foi diferente: o público lotou o local para viver uma experiência única, onde riffs afiados, vocais potentes e um visual de tirar o fôlego se fundiram em um espetáculo que mistura teatro, música e história natural.
Os músicos, vestidos em trajes de dinossauro (e um dragão), interagiam com o público como se estivessem em um documentário animado, mas com o peso do metal. Clássicos como “T-Rex“ e “Velociraptor” foram tocados com uma energia contagiante, enquanto as crianças cantavam as letras de cor e os adultos headbangueavam sem vergonha.
O que mais impressiona é como a Heavysaurus consegue manter a essência educativa sem perder a intensidade do metal. Entre uma música e outra, a banda falava sobre curiosidades dos dinossauros, transformando o show em uma aula interativa de paleontologia com som de guitarra. Durante um momento, o vocalista, Mr. Heavusaurus comentou que, quando o perguntaram o porquê de ter uma banda de heavy metal para crianças, a resposta era bem simples: por que ele não queria que as crianças se tornassem fãs de Helene Fischer (uma cantora alemã famosa de Schlager (o que seria algo parecido com a música brega brasileira). A igualdade de gênero também é desde cedo exemplificada e naturalizada, pois a tecladista, a cativante criatura chamada Milli Pilli é também vocalista e igualmente ovacionada no palco em suas performances.
A turnê atual da Heavysaurus não é apenas mais uma série de shows: é uma prova de que o metal pode ser inclusivo, criativo e, acima de tudo, divertido. Com uma agenda lotada que abrange desde pequenas casas de show até grandes festivais, a banda está levando sua mensagem de união entre gerações para cada canto da Europa. Em Berlim, ficou claro que o projeto vai muito além da música: é uma celebração da imaginação, da história e da paixão pelo metal.


Texto e fotos por: Edi Fortini
