É O BRASA… Salve Headbangers!
Sabemos que a arte e cultura no nosso pais são muito ricas e muitas vezes não damos o devido valor. Apenas quando fazem sucesso la fora começamos a enxergar de outra maneira.
Nesse início do mês de maio, nos EUA, mais precisamente na pista de automobilismo em Daytona Beach, acontece um dos grandes festivais o Welcome to Rockville trazendo grandes nomes do cenário damusica pesada do momento atual.
Ele acontece durante quatro dias e tanto seu público quanto o estilos das bandas são bem variados. O line up desse ano contou com bandas como Guns N Roses, Bring Me The Horizon, Five Fingers Death Punch, Alice Cooper, Foo Fighters, Architects, Lamb of God entre outros.
A musica brasileira marcou presença com o Sepultura, mas essa matéria vai além da musica. Ao redor de todo o festival ilustrações de vários artistas eram espalhadas, deixando cada momento, cada foto tirada, uma lembrança inesquecível.
E o paulistano Jonas dos Santos contribuiu com quatro dessas artes lindíssimas. Num breve papo com o artista vamos descobrir detalhes sobre como aconteceu o convite, o processo de criação e também falar um pouco sobre como a IA mexe no seu trabalho.

HBr: Pra quem ainda não conhece seu trabalho, hoje você é mais ligado a parte de divulgação de shows com pôsteres, mas também trabalhou em várias áreas antes de chegar nesse nível, certo?
Jonas: Já sim, muitas inclusive fora do mundo das artes, mas essas não vou nem citar, haha. Mas voltando a design, já trabalhei na área da moda, criando catalogo de roupas, ajustando cores, como assistente de fotografia, trabalhei muitos anos em jornal, como cartunista, diagramador, fazendo também ilustrações para editoriais e capas de várias editorias dentro do jornal, acho que o jornal foi uma escola pra mim, lá pude desenvolver algumas coisas que uso ate hoje, como trabalhar rápido, (nem sempre), e testar muito, até chegar no estilo que tenho hoje, publiquei muita cosia ruim, muita mesmo, então agradeço todos esses lugares onde passei por me permitirem testar e confiarem em mim, mas também teve muita coisa legal e que me orgulho. Trabalhei muito tempo na televisão, passei pela Grupo Globo por alguns anos, ajudei a criar alguns cenários e visuais para a TV, mas muita coisa interna também.
HBr: Como a banda ou nesse caso o evento chega até você para pedir uma arte? Você tem sempre sua liberdade na criação, ou tem algumas restrições?
Jonas: Com o tempo, vamos conhecendo muitas pessoas em comum, trabalhando pra muitas produtoras e bandas que outros amigos já trabalham, então é um meio que muitas pessoas já viram o trabalho uma das outras, então na maioria das vezes é por conta disso, outras tantas, ou eu mando alguma mensagem quando sei quem é o curador daquele festival, ou quem é o diretor de arte que esta cuidando do merch de determinada banda e que trabalha em determinada empresa, e uma coisa vai levando a outra. normalmente, nessas empresas maiores, eles tem um tipo de catalogo, onde mostra os trabalhos que você já fez para as bandas que são daquela mesma gravadora, então quando eles precisam de algo, eles consultam quais artistas já fizeram algum tipo de trabalho por lá, assim eles já te conhecem lá dentro sem precisar ficar sempre procurando um ilustrador novo, por isso é importante sempre os ilustradores se organizarem com seus portfolios, e com seus contatos, saber chegar e pesquisar essas pessoas sem serem invasivos, mas sempre com respeito, para que as oportunidades venham. Demora um pouco pra entender o mercado, não é fácil, mas depois fica tudo mais natural. Quanto a liberdade de criação, isso depende muito, não tem uma regra, depende de cada um, alguns dão liberdade total, com no caso do Welcome to Rockville, o Zack veio ate mim e disse, faça o que você quiser, só precisa que o nome do Festival seja visível de longe, pois a arte vai ser instalada em pilares espalhadas pelo festival, e seria legal ter a ver com as bandas que vão tocar no dia e com o local, mas não era uma regra alias, o Zack foi um dos diretores de artes mais incríveis que eu já trabalhei, não só pela liberdade, mas por saber como conduzir as coisas, bom, e tem alguns casos que a banda, ou o diretor de arte tem direções bem especificas do que eles querem, é sempre uma incógnita, mas no fim das contas, é isso que deixa tudo mais legal, você não saber exatamente o que esperar, com o tempo você já vai conhecendo o que cada banda gosta.
HBr: As artes para o Welcome to Rockville ficaram lindas. Quais foram as inspirações?
Jonas: Muito obrigado! As inspirações, além das bandas, foi a própria cidade da Florida e também o local do festival, Daytona, procurei trazer bastante cores, coisas mais selvagens mas misturar tudo isso com algumas coisas mais pesadas, gosto de trazer esses contra pontos, acho que essa parte mais “tropical “da Florida com um ar mais metal me deu muita ideia do que colocar ali, então uma pantera correndo na icônica pista, um ser misterioso “roubando “o sol da florida e colocando dentro da lamparina, uma mulher diaba montada em uma ave típica da região, esse tipo de coisa deu muita inspiração, e como eu já estive na região algumas vezes, facilitou bastante pois gosto muito de lá.
HBr: Hoje estamos num mundo com uma ferramenta de livre acesso a todos, a Inteligência Artificial. Como ela interfere no seu trabalho?
Jonas: Cara, na verdade ela não teve um impacto tao grande assim, claro ela afetou de uma certa forma, mas ela ajudou também a separar o joio do trigo, porque nessa altura da minha carreira, bandas ou empresas que fazem o uso de IA como arte final, não são bandas que eu quero trabalhar, ou que valorizam a arte como ela merece. O que eu vejo de bandas usando capas, telões com IA, e ainda mau feitas, é de assustar.
HBr: Quais dos seus trabalhos você coloca como o principal, o seu “queridinho”?
Jonas: Essa é muito difícil, cada um tem uma particularidade, seja pela importância do artista no cenario mundial, ou pelo meu gosto particular, mas no contexto geral, acho que o do Paul McCartney representa muito pra mim, acho que ele é o principal nesse contexto, fiz mais de um trabalho com ele, o de Chicago eles gostaram tanto que usaram a arte de varias maneiras diferentes, não só como o poster e camisetas, como vinham sendo feitas em toda a tour, mas fizeram um painel gigante para recepcionar os fãs na entrada do Ginásio dos Bulls ( que alias está ai outro ponto incrível, uma arte minha nesse ginásio icônico, eu nunca imaginaria isso). E recentemente ele e a equipe pediram especificamente por mim para outro trabalho, então isso significa muito.

HBr: Se pudesse escolher duas bandas que ainda não trabalhou. Uma brasileira e uma internacional, quais seriam?
Jonas: Mais uma difícil, tem muitas na real, se eu respondesse essa pergunta semana passada, certamente a internacional seria o M…… mas não posso falar porque eu consegui trabalhar com eles, então tem coisas que não posso revelar por contrato, e tenho que cumprir, haha, mas então talvez eu fiquei com os Stones, eu quase fiz na verdade, a ultima tour deles que foram canceladas eu tinha feito alguns rascunhos, mas acabou que com o cancelamento não rolou, então ta aí uma entre muitas que eu gostaria de fazer, e nacional acho que o Titãs.
HBr: Como é trabalhar nessa área no Brasil? Quais dicas você daria para quem quer ingressar e viver desse segmento?
Jonas: São duas coisas diferentes, trabalhar nessa área “no” Brasil, e “do” Brasil, digo isso porque o entendimento que o mercado brasileiro tem de merch é totalmente diferente do que americano e o europeu tem, nós não temos essa cultura aqui, de trabalhar um pôster, uma camiseta, ou uma coleção para cada show, pra cada tour, quase como uma cultura, que existe a anos lá fora, tem algumas exceções, isso acontece de vez em quando, tem muita empresa que faz isso aqui mas de forma esporádica como a Algohits, Highlitgh, Heart Merch, mas la fora, normalmente as gravadoras tem um braço direito dedicado somente ao merch, é muito complexo de explicar, mas é uma cultura muito forte, enquanto aqui tratamos pôsteres como flyers de balada, lá fora o assunto é serio, eu já tentei por vezes aplicar algo assim, mas é difícil você colocar isso na cabeça de produtores, bandas e outras pessoas do meio, aqui a ideia de poster e merch é para vender show, quando na verdade não seria esse o ponto, mas isso daria uma outra entrevista inteira só sobre esse assunto.
HBr: E o que você tem ouvido e te chamado a atenção dentro do rock/metal? Quais bandas do Welcometo Rockville são suas favoritas?
Jonas: Pra ser bem sincero, tenho ouvido pouquíssimas coisas novas, nada de muito novo me chamou muita atenção, mas se tem uma banda que eu nunca paro de escutar é o Queens of the Stone Age, eu já trabalhei com eles algumas vezes, e isso só me fez gostar ainda mais dos caras, meio atemporal pra mim, mas poderia citar outras, como Street Bulldogs, por exemplo, então é meio aleatório. Ah, tem muita banda que eu gosto lá, outras nem tanto, algumas que inclusive eu já trabalhei, mas pra escolher as favoritas eu iria de Alice Cooper, Guns, Foo Fighters, Offspring, Sepultura, Black Label Society, Suicidal, Lamb of God, Five Finger Death Punch.
HBr: Para finalizar esse breve papo, agradeço demais ter separado um tempinho, pq além de um excelenteartista, é um amigo de infância, e ver o sucesso de quem cresceu e estudou ao seu lado é muito gratificante. Deixe também um link para quem acompanha o portal seguir seu trabalho.
Jonas: EU que agradeço o convite, e tem uma cena que eu nunca vou esquecer cara, quantas e quantas vezes eu ia na sua casa seja pra fazer trabalho da escola ou pra gente jogar futebol, e quando entrava na sua casa eu via aquela imensidão de CDs de varias bandas, principalmente do Metallica, acho que foi uma
das primeiras vezes que vi de perto a capa do Master of Puppets de tão perto, e aquilo me marcou muito, mau eu sabia que ia trabalhar com muitas daquelas bandas que vi ali, então obrigado por ser parte das minhas inspirações!
Abraços amigos!
Instagram: @jonas_santos86
Por: Luiz Ribeiro











