Não era segredo para ninguém que alguns nomes iriam atrair a atenção de uma multidão para seus respectivos palcos, da mesma forma como víamos nitidamente o primeiro dia do Bangers Open Air como um verdadeiro local de mesclas variadas de fãs, sendo apresentações de bandas mais novas.

Neste segundo dia era mais notório alguns fãs de bandas clássicas transitando nas pistas, alguns mais velhos levando seus filhos para verem artistas que estão a mais tempo no cenário, acredito inclusive que mesmo com nomes variados, o domingo estava dedicado ao público com família e amigos.

E mais uma vez tivemos shows simultâneos durante o início da tarde, e mesmo tendo o esforço para tentar acompanhar tudo o que estava ao alcance, o foco estava onde o tempo podia ajudar. Por isso, enquanto o Clash Bulldog’s se apresentava no “Waves Stage” e o vocalista Roy Khan com a sua enorme banda entrava no “Sun Stage“, estávamos no outro lado, em frente ao “Ice Stage” para um dos shows mais aguardados do ano, a volta do grande Nevermore.

Todo mundo (especialmente no Brasil) sabe da importância do saudoso Warrel Dane, uma das vozes mais reconhecidas em seu gênero musical, então era esperado no mínimo um pouco de cuidado na hora de entender o que o turco Berzan Önen faria com a sua presença, mas felizmente tudo ocorreu como o esperado, e aliás, entregando uma performance leve, descontraída e cheia de ótimas dinâmicas com o público.

Antes do início, o agora novo vocalista do Nevermore brincou com a voz em testes com o seu microfone, mostrando segurança de sobra por ali…. e assim, após a introdução víamos “Narcosynthesis” explodir junto com a galera presente, sendo um dos melhores inícios daquele dia, até pela sua estrutura densa e técnica presente no quarto álbum “Dead Heart in a Dead World” de 2000.

A dinâmica de Jeff Loomis e Jack Cattoi era hipnótica, todos estavam entusiasmados e vidrados nos solos, quase não acreditando que aquilo era real, que tudo estava diante de cada um, aliando ao talento do baixista Semir Özerkan e do baterista Van Williams.

“Enemies of Reality” (faixa-título do ótimo álbum lançado em 2003) deu segmento a outra performance excelente, bem como “The River Dragon Has Come“, sendo um verdadeiro deleite para os fãs mais antigos.

Até o momento era possível perceber o quanto a espera valia a pena, sendo avassaladores na escolha do set, os músicos apenas apresentavam tudo como um verdadeiro pandemônio que todos precisavam participar, e sem dúvida alguma, ninguém ali iria ficar parado.

“Beyond Within” (faixa do terceiro álbum, “Dreaming Neon Black” de 1999) também foi celebrada, mantendo o alto nível técnico e densidade de forma brutal, que ganhou ares ainda mais notáveis por conta da regulagem do som ser mais precisa (para a maioria o segundo dia estava com menos exageros em volume).

Tocando para um verdadeiro fã, faixas como “Inside Four Walls” e “Engines of Hate” (pois é, seu quarto álbum foi amplamente explorado) entregavam uma espécie de sonho realizado, tudo foi incrivelmente bom e infelizmente o fim se aproximava.

Ainda dava tempo para “My Acid Words” e “Born“, ambas presentes em “This Godless Endeavor” de 2005.

De forma geral, tudo o que podiam entregar foi feito, os vocais estavam bem parecidos com o passado, o instrumental coeso deu a segurança que precisavam, os solos viscerais e técnicos estavam intactos… quem assistiu jamais irá esquecer essa apresentação, e eu menos ainda pois a própria banda deu ênfase ao meu story postado durante a apresentação… gratidão por tudo que ocorreu!

 

Setlist:

Intro (Precognition)
Narcosynthesis
Enemies of Reality
The River Dragon Has Come
Beyond Within
Inside Four Walls
Engines of Hate
My Acid Words
Born

 

 

Texto por: Vinny Almeida

Fotos por: M. Hermes 

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