O domingo em Barcelona começou longe dos palcos.

Como os horários do festival permitiam, aproveitamos parte do dia para conhecer Barcelona. Passamos pela Sagrada Família, pelo Mercat de la Boqueria e caminhamos pelo Bairro Gótico.

Barcelona – Sagrada Família – foto Cintia Seidel

Também acompanhamos a movimentação do Tour de France, que naquele fim de semana fazia história ao realizar pela primeira vez o Grand Départ em Barcelona.

Barcelona – Museu do Rock – foto Cintia Seidel

Era uma maneira diferente de viver aquele último dia: durante algumas horas, a cidade estava no centro da nossa atenção. Depois, era hora de voltar ao metrô, carregar a mochila com alguns souvenirs e seguir para Can Zam.

E o terceiro dia ainda reservava alguns dos momentos mais interessantes de toda a cobertura.

DIA 3: PUNK, SURPRESAS E O BRASIL NO ENCERRAMENTO

O domingo começou com Orden Ogan, seguido por Steel Panther, que levaram ao palco propostas muito diferentes, mas igualmente eficientes para uma tarde de festival.

Orden Ogan apresentou seu power metal com músicas como “F.E.V.E.R.”, “Conquest”, “Come With Me to the Other Side”, “Heart of the Android”, “The Order of Fear” e “Gunman”.

Orden Ogan – fonte: Instagram Rock Fest

Steel Panther, por sua vez, apostou no hard rock irreverente que é sua marca registrada, com “Eyes of a Panther”, “Asian Hooker”, “Death to All but Metal”, “17 Girls in a Row”, “Community Property” e “Gloryhole”.

Steel Panther – fonte: Instagram Rock Fest

Depois veio uma das apresentações que mais nos surpreenderam.

Breaking Benjamin

Breaking Benjamin esteve entre os grandes destaques do domingo.

O repertório começou com “I Will Not Bow” e passou por “Until the End”, “Red Cold River”, “Blow Me Away”, “So Cold”, “Polyamorous”, “Dear Agony”, “Something Wicked”, “Breath”, “Awaken”, “Failure”, “Dance With the Devil” e “The Diary of Jane”.

Foi uma apresentação que mostrou a força do repertório da banda e funcionou especialmente bem diante de um público que respondeu com intensidade às músicas mais conhecidas.

Breaking Benjamin – fonte: Instagram Rock Fest

Evaristo e a força do público espanhol

Pouco depois, Evaristo mostrou uma faceta diferente da programação.

Mesmo sem ser necessariamente um nome conhecido por todos os integrantes da nossa equipe antes do festival, bastou a apresentação começar para ficar evidente o tamanho de sua importância para o público espanhol.

A plateia cantou praticamente tudo.

“Salve”, “Come mierda” e “Ellos dicen mierda”, todas ligadas ao repertório do La Polla Records, fizeram parte do set.

A cena era particularmente interessante: em um festival repleto de grandes nomes internacionais, um dos momentos de maior identificação do domingo vinha de um repertório profundamente ligado à história do punk espanhol.

Evaristo – fonte: Instagram Rock Fest

Bad Religion

Bad Religion manteve a energia do domingo em alta.

“Recipe for Hate”, “Them and Us”, “Los Angeles Is Burning”, “Do What You Want”, “21st Century (Digital Boy)”, “Punk Rock Song”, “Sorrow” e “American Jesus” estiveram entre os clássicos apresentados.

A banda entregou exatamente o tipo de show que seu público esperava: rápido, direto, político e construído sobre músicas que continuam relevantes décadas depois de terem sido escritas.

Bad Religion – fonte: Instagram Rock Fest

Powerwolf

Depois veio a mudança completa de atmosfera.

Powerwolf trouxe sua combinação de heavy metal e teatralidade para o palco principal.

“Bless ’em With the Blade”, “Armata Strigoi”, “Amen & Attack”, “Dancing With the Dead”, “Incense & Iron”, “Demons Are a Girl’s Best Friend”, “We Drink Your Blood”, “Sanctified With Dynamite” e “Werewolves of Armenia” estiveram no repertório.

Dom R. Crey ocupou o posto de Matthew Greywolf na guitarra durante a apresentação.

Mais uma vez, o Rock Fest mostrou sua capacidade de mudar completamente de clima sem quebrar a dinâmica do festival.

Powerwolf – fonte: Instagram Rock Fest

The Offspring

Às 23h, foi a vez de The Offspring.

“Come Out and Play”, “All I Want”, “Want You Bad”, “Staring at the Sun”, “Hit That”, “Hammerhead” e “Bad Habit” fizeram parte de uma apresentação construída para um público enorme.

Mas o repertório ainda reservou espaço para algumas surpresas.

A banda passou por “Paranoid”, do Black Sabbath, “Crazy Train”, de Ozzy Osbourne, e “In the Hall of the Mountain King”, mostrando novamente como o Rock Fest conseguia aproximar diferentes universos do rock dentro de uma mesma noite.

The Offspring – fonte: Instagram Rock Fest

Cavalera: uma história brasileira diante do mundo

Quando o  Cavalera entrou no palco já passava da meia-noite.

O encerramento da edição de 2026 ganhou um significado especial para nós.

Max e Igor Cavalera apresentaram o repertório de Chaos A.D. MMXXVI, resgatando uma das fases mais importantes da história do Sepultura.

“Refuse/Resist”, “Slave New World”, “Amen”, “Propaganda”, “Nomad”, “Kaiowas”, “The Hunt”, “We Who Are Not as Others”, “Biotech Is Godzilla”, “Polícia”, “Territory” e “Chaos B.C.” fizeram parte do repertório.

Cavalera – fonte: Instagram Rock Fest

Era um repertório que colocava a história do metal brasileiro no centro de um dos maiores festivais da Espanha.

E havia um detalhe que nos chamou bastante atenção no público.

Muitas pessoas vestiam camisetas do Brasil, mas grande parte delas não era brasileira.

Fã do Cavalera espanhol com camisa do Brasil – foto: Cintia Seidel

Eram fãs dos irmãos Cavalera, do Sepultura e de uma história que nasceu em Minas Gerais, ganhou o mundo e passou a pertencer também a quem descobriu o metal brasileiro muito longe de casa.

Ver aquela quantidade de estrangeiros cantando músicas que ajudaram a colocar o Brasil no mapa do metal foi uma maneira simbólica de terminar a cobertura.

Não era apenas uma banda brasileira tocando na Europa.

Era uma parte da história do nosso país sendo celebrada por uma plateia internacional.

Três dias depois

O Barcelona Rock Fest 2026 terminou depois de três dias em que heavy metal, hard rock, punk, thrash, metalcore e rock alternativo dividiram os mesmos espaços.

Rock Fest impressões – foto Cintia Seidel

Nós acompanhamos bandas que carregam décadas de história e outras que representam gerações mais recentes. Vimos encontros inesperados no palco, como Ralf Scheepers e Chuck Billy ao lado do Accept. Vimos um festival inteiro cantar com os Sex Pistols e Frank Carter. Vimos Helloween transformar seus 40 anos em um espetáculo completo e ainda acabamos com um de seus balões nas mãos.

Vimos Sabaton transformar a madrugada em uma explosão de luz e fogo.

Vimos o público espanhol cantar Evaristo de ponta a ponta.

E vimos os irmãos Cavalera encerrarem o festival carregando uma parte fundamental da história do metal brasileiro.

Também houve tudo aquilo que acontece entre os shows: o calor, os momentos de descanso, os projetos sociais, os encontros de diferentes gerações, os passeios por Barcelona, a movimentação do Tour de France e aqueles pores do sol que pareciam fazer parte da programação.

No fim, é isso que permanece de uma cobertura como essa.

Não apenas os nomes grandes do cartaz, mas as pequenas cenas que acontecem ao redor deles.

Um balão que cai no lugar certo.

Lembrança do Rock Fest – Foto Cintia Seidel

Um público que sabe cada palavra de uma música.

Um convidado inesperado dividindo o palco.

Uma camiseta do Brasil no meio de milhares de pessoas.

E uma cidade inteira acontecendo enquanto, em Can Zam, o rock seguia noite adentro.

Rock Fest impressões – foto Cintia Seidel

Raio X

Barcelona Rock Fest 2026

10ª edição

3 a 5 de julho de 2026

Parc de Can Zam, Santa Coloma de Gramenet, Barcelona, Espanha

Por Cintia Seidel e Tathyana Giannotti

Headbangers Brasil

Leave a comment