Depois de conhecer a estrutura e a proposta do Barcelona Rock Fest, chegou a hora de acompanhar de perto os três dias de música em Can Zam. E os dois primeiros dias atravessaram gerações e estilos muito diferentes, passando pelo hard rock, punk, thrash e heavy metal, até chegar às celebrações especiais de 50 anos do Accept e 40 anos do Helloween.
DIA 1: DO HARD ROCK AO PUNK, COM MEGADETH FECHANDO A NOITE

A sexta-feira começou com Machete Law e seguiu com Blues Pills, trazendo para o palco sua mistura de blues, rock psicodélico e elementos de hard rock. “High Class Woman” e “Devil Man” estiveram entre as músicas executadas.

Na sequência, Tyketto apresentou uma seleção bastante representativa de sua carreira, começando com “Rescue Me” e passando por “Wings”, “Burning Down Inside”, “Higher Than High”, “Strength in Numbers”, “We Rise”, “Reach”, “Bad for Good”, “Lay Your Body Down” e “Forever Young”.

Era uma abertura que já mostrava uma das características da programação do Rock Fest: não havia necessidade de escolher entre estilos muito diferentes. O público podia passar do blues rock ao hard rock melódico e, pouco depois, ao heavy metal.
Pretty Maids e Loudness
Pretty Maids trouxe outro capítulo importante do hard rock europeu.
“Mother of All Lies”, “Kingmaker”, “Back to Back”, “Red, Hot and Heavy”, “Pandemonium”, “Face the World”, “Rodeo”, “Little Drops of Heaven”, “Future World” e “Love Games” formaram o repertório da apresentação.
A presença de clássicos como “Future World” e “Love Games” reforçou a conexão da banda com um público que acompanhou a evolução do hard rock europeu ao longo das últimas décadas.

Depois, Loudness assumiu o palco, mantendo a proposta internacional da programação e representando uma das bandas mais importantes da história do metal japonês.
O repertório passou por diferentes fases da carreira, com músicas como “Crazy Nights”, “Heavy Chains”, “Like Hell” e “S.D.I.” entre os destaques, mantendo aquela combinação característica de heavy metal tradicional, técnica e energia que transformou o Loudness em uma das bandas japonesas mais conhecidas internacionalmente.

Gotthard veio em seguida com seu hard rock de arena, preparando o público para uma das atrações mais aguardadas da noite.
A banda suíça ocupava um espaço estratégico na programação: depois de uma tarde marcada pelo hard rock clássico e antes de dois nomes que representavam lados muito diferentes da história do rock, os Sex Pistols e o Megadeth.
O repertório trouxe clássicos como “Mountain Mama”, “Hush”, “Anytime Anywhere” e “Lift U Up”, reforçando a capacidade da banda de transformar grandes refrões em momentos coletivos de festival.

E então o festival acelerou.
Os Sex Pistols, com Frank Carter nos vocais, fizeram uma apresentação baseada nos grandes clássicos da banda.
A força do show esteve menos na necessidade de apresentar novidades e mais na resposta imediata do público. Canções que nasceram no auge do punk britânico foram cantadas por várias gerações reunidas em frente ao palco.
“Pretty Vacant”, “Bodies”, “God Save the Queen”, “No Feelings”, “Problems” e “E.M.I.” estão entre os clássicos que fazem parte do repertório desta formação, acompanhados por escolhas como “No Fun”, “I’m Not Your Stepping Stone” e “My Way”.
O resultado foi uma grande celebração da história do punk, com Frank Carter assumindo a difícil tarefa de ocupar o microfone de uma das bandas mais importantes do gênero.

Já passava da meia-noite quando Megadeth entrou no palco para encerrar a programação principal da sexta-feira.
A apresentação foi construída sobre uma sucessão de clássicos que dispensam apresentação: “Hangar 18”, “Sweating Bullets”, “Wake Up Dead”, “Mechanix”, “Tornado of Souls”, “Peace Sells”, “Symphony of Destruction” e “Holy Wars… The Punishment Due” estiveram entre os grandes momentos do repertório. A banda também incluiu “Tipping Point” e “Let There Be Shred”, mostrando que a fase atual continua dividindo espaço com a história.

Um dos momentos mais interessantes foi a inclusão de “Ride the Lightning”, do Metallica.
A escolha ganha uma dimensão especial por causa da própria história de Dave Mustaine com o Metallica, transformando a execução em um daqueles detalhes que ganham significado extra para quem conhece a trajetória do músico.
O show terminou por volta de 1h45.
Para quem ainda tinha disposição, o primeiro dia reservava mais uma pequena surpresa: Motörhits, tributo ao Motörhead, apareceu no Rock Tent já na madrugada. A banda conseguiu reunir público diante do palco e prestar sua homenagem a Lemmy e ao legado do Motörhead com o respeito que uma banda desse tamanho exige.
A sexta-feira terminou, portanto, atravessando várias décadas da música pesada sem perder ritmo.
DIA 2: 50 ANOS DE ACCEPT, 40 DE HELLOWEEN E UM SABATON GRANDIOSO
O sábado começou com Dünedain, seguido por Tankard, que levou ao festival seu thrash metal carregado de humor, sem abandonar a agressividade musical.
O repertório do Tankard incluiu “One Foot in the Grave”, “The Morning After”, “Rapid Fire (A Tyrant’s Elegy)”, “Ex-Fluencer”, “Die With a Beer in Your Hand”, “A Girl Called Cerveza”, “Chemical Invasion”, “Zombie Attack” e “(Empty) Tankard”.

Na sequência, Bleed From Within representou a geração mais contemporânea do metal pesado. O repertório passou por músicas como “Hands of Sin”, “Stand Down”, “The Will to Resist”, “Pathfinder”, “Sovereign” e “The End of All We Know”, mostrando uma banda que combina a agressividade do metalcore com uma produção cada vez mais voltada para grandes palcos.
Primal Fear trouxe de volta o heavy metal tradicional, com Ralf Scheepers conduzindo uma apresentação que revisitou alguns dos principais momentos da carreira.
“Final Embrace”, “Nuclear Fire”, “Running in the Dust”, “The End Is Near”, “Chainbreaker” e “Metal Is Forever” estiveram entre as músicas do repertório.

A apresentação ganhou importância adicional porque Ralf ainda voltaria ao palco mais tarde, desta vez como convidado do Accept.
No palco Rock Tent Napalm Death manteve a intensidade em níveis máximos. “I Abstain”, “Suffer the Children”, “You Suffer” e “Scum” estiveram no repertório, ao lado de covers que também funcionaram como homenagens à história do punk e do hardcore, entre eles “Politicians”, do Raw Power, e “Nazi Punks Fuck Off”, do Dead Kennedys.
Com o sol finalmente perdendo força, Testament entrou em cena.
Chuck Billy e companhia apresentaram uma verdadeira seleção de thrash metal, passando por “Into the Pit”, “Electric Crown”, “Sins of Omission”, “Practice What You Preach” e “Over the Wall”.
A apresentação funcionou como uma preparação perfeita para a sequência de gigantes que dominaria a noite.

Accept: 50 anos de história
Em plena turnê comemorativa de seus 50 anos, o Accept apresentou um repertório que percorreu diferentes fases da carreira.
“Metal Heart”, “Teutonic Terror”, “Restless and Wild”, “Breaker”, “Son of a Bitch”, “Princess of the Dawn”, “Pandemic”, “Fast as a Shark”, “Balls to the Wall” e “I’m a Rebel” estiveram entre os destaques.
Mas o grande diferencial da apresentação veio através dos convidados.

Ralf Scheepers, do Primal Fear, voltou ao palco para dividir os vocais em “Fast as a Shark”. Depois, Chuck Billy, do Testament, apareceu para cantar “Balls to the Wall”.
Dois vocalistas que já haviam passado pelo palco naquele mesmo dia voltavam para participar da celebração de meio século do Accept.
Foi um daqueles momentos em que a programação do festival deixou de ser apenas uma sequência de shows e passou a funcionar como uma grande reunião do metal europeu.
Helloween: quatro décadas transformadas em espetáculo
E então chegou o Helloween.
A banda estava em plena celebração de seus 40 anos de carreira, e o show em Barcelona foi construído para representar diferentes capítulos dessa história.
A abertura com “March of Time” já colocava o público dentro da fase clássica da banda. “The King for a 1000 Years” veio na sequência, seguida por “Future World”, “This Is Tokyo”, do álbum Giants & Monsters, “We Burn”, “Twilight of the Gods”, “Into the Sun”, “Ride the Sky” e “Hey Lord!”.

O repertório conseguia, assim, atravessar a história do Helloween sem ficar preso apenas à nostalgia.
Michael Kiske, Andi Deris e Kai Hansen continuavam sendo peças fundamentais dessa formação, permitindo que diferentes períodos da carreira fossem representados no mesmo palco.
“Future World” foi um dos grandes momentos da primeira metade da apresentação, enquanto “Ride the Sky” deu a Kai Hansen um espaço especial para revisitar os primeiros anos da banda.
Depois veio um dos momentos mais interessantes do show.
Kiske e Deris sentaram-se à frente da passarela para um bloco acústico com “In the Middle of a Heartbeat” e “A Tale That Wasn’t Right”, incluindo ainda um pequeno aceno para “Let It Be”, dos Beatles.
Foi uma pausa na grandiosidade da produção antes de a banda voltar a acelerar.
“Heavy Metal (Is the Law)” trouxe Kai Hansen novamente ao centro da cena, preparando o terreno para um dos momentos mais aguardados: “Halloween”.
A música, com sua estrutura extensa e atmosfera teatral, ganhou uma produção à altura da ocasião. O palco foi tomado por elementos visuais que reforçavam o caráter comemorativo do show, enquanto a banda atravessava uma das composições mais importantes de sua trajetória.

E então vieram os clássicos finais.
“Eagle Fly Free”, “Power” e “Dr. Stein” transformaram a reta final em uma grande festa. O encerramento veio com o coro de “Keeper of the Seven Keys”, fechando um espetáculo de aproximadamente duas horas.
Foi justamente durante “Dr. Stein” que os tradicionais balões em formato de abóbora foram lançados sobre o público, desta vez com a identidade visual da comemoração de 40 anos. Um deles acabou vindo parar em nossas mãos.
Para uma equipe de imprensa que também é formada por fãs, foi um daqueles momentos que dificilmente entram na pauta, mas acabam se tornando parte da memória da cobertura.
A foto com o balão ficará como registro de uma noite em que o trabalho e a paixão pela música estiveram literalmente no mesmo lugar.

Sabaton: fogo, luz e história
Pouco depois da meia-noite, Sabaton assumiu o palco para encerrar o sábado.
O repertório foi extenso e percorreu boa parte dos grandes hinos da banda: “Ghost Division”, “Yamato”, “The Red Baron”, “The Last Stand”, “Great War”, “Stormtroopers”, “Christmas Truce”, “Soldier of Heaven”, “Night Witches”, “The Attack of the Dead Men”, “Bismarck”, “Primo Victoria”, “Swedish Pagans”, “Coat of Arms” e “To Hell and Back”.

A produção visual acompanhou a dimensão do repertório.
Luzes, pirotecnia e efeitos de palco fizeram da apresentação um espetáculo grandioso, mantendo o público envolvido até aproximadamente duas da manhã.
Depois de Helloween, era uma forma coerente de terminar o segundo dia: duas bandas com décadas de história, duas propostas completamente diferentes de espetáculo e um público que ainda tinha energia para cantar até a madrugada.

E o domingo ainda guardava uma última noite
Depois de dois dias atravessando diferentes gerações do rock e do metal, ainda faltava o último capítulo da cobertura.
No domingo, além da programação de Can Zam, teríamos tempo para viver um pouco mais de Barcelona antes de voltar ao festival.
E seria justamente essa combinação entre cidade, música e uma atração brasileira muito especial que marcaria o encerramento da nossa cobertura.
Por Cintia Seidel e Tathyana Gianotti.

