Clássicos do Rock e do Heavy Metal seguem atravessando gerações, ganhando novas interpretações e significados ao longo do tempo. No Brasil, diversas bandas se utilizam dessas obras consagradas para homenagear seus ídolos e, ao mesmo tempo, imprimir identidade própria em canções que marcaram a história da música.
O resultado é um encontro entre tradição e renovação, com versões que respeitam a essência original, mas também exploram novas sonoridades e abordagens. A seguir, reunimos dez releituras feitas por bandas brasileiras que mostram como esses hinos continuam vivos e em constante transformação.
Sepultura – Orgasmatron
“Orgasmatron” foi originalmente lançada pelo Motörhead no álbum de mesmo nome, de 1986. Já a versão da faixa gravada pelo Sepultura foi lançada em 1991, como parte do single “Dead Embryonic Cells”, e também integrou algumas edições do álbum “Arise”, lançado no mesmo ano.
Angra – Painkiller
“Painkiller” foi originalmente lançada pelo Judas Priest no clássico álbum homônimo, de 1990. Já a versão da faixa gravada pelo Angra foi lançada oficialmente em 1996, como parte do EP “Freedom Call”.
Shaman – More
“More” é um clássico da banda de rock inglesa The Sisters of Mercy, lançada em 1990 como o primeiro single de seu terceiro álbum, “Vision Thing”. A faixa ganhou uma versão do Shaman, incluída no setlist regular do álbum “Reason”, de 2005.
Dr. Sin – “Have You Ever Seen the Rain”
Originalmente gravada pela banda americana Creedence Clearwater Revival, escrita por John Fogerty e presente no álbum “Pendulum”, de 1970, “Have You Ever Seen the Rain”, regravada por inúmeros artistas, de Bonnie Tyler a Ramones, também ganhou uma versão dos brasileiros do Dr. Sin, presente no álbum auto intitulado de estreia da banda, de 1993.
Àlfar Quest – “Dawn of the Dragonstar”
A Àlfar Quest vem se destacando como um dos nomes em ascensão do power metal brasileiro e, logo em seu segundo single, prestou homenagem a uma banda de grande reconhecimento internacional, mas ainda pouco explorada pelo público nacional, o Twilight Force. A versão escolhida foi “Dawn of the Dragonstar”, um dos principais destaques do repertório dos suecos, originalmente lançada no álbum de mesmo nome, em 2019.
Age of Artemis – “Power”
Reconhecida como uma das bandas mais relevantes do power metal brasileiro, a Age of Artemis sempre manteve viva a conexão com suas influências, transitando de nomes nacionais como Secos e Molhados até gigantes do metal europeu. Um exemplo claro dessa reverência é a versão de “Power”, clássico do Helloween originalmente presente no álbum “The Time of the Oath”, de 1996.
Lybrian – “Aces High”
Com uma sonoridade plural, que transita entre o power, o heavy e vertentes do metal extremo, a Lybrian vem consolidando uma identidade rica e própria, marcada por uma leitura muito particular do gênero. Ainda assim, a banda não deixa de reverenciar os pilares que ajudaram a moldar sua estética, como ao imprimir sua própria abordagem em “Aces High”, clássico do Iron Maiden originalmente lançado no álbum Powerslave, de 1984.
ROCK the LAB – “Simple Man”
Amplamente reconhecida pelas releituras cuidadosas que produz e pela forma como incorpora essas influências à sua própria identidade sonora, a ROCK the LAB demonstra especial sensibilidade ao revisitar grandes clássicos. Entre esses momentos, um dos destaques fica por conta de “Simple Man”, um dos maiores sucessos do Lynyrd Skynyrd, originalmente lançado no álbum (Pronounced ‘Lĕh-‘nérd ‘Skin-‘nérd), de 1973.
Ego Absence – “Hold the Line”
É muito difícil pegar um clássico do tamanho de “Hold the Line”, do Toto, dar uma nova cara a ele e soar tão bem quanto a composição original. Pois foi isso que a Ego Absence conseguiu fazer, imprimindo seu Modern Power Metal à identidade dessa que é uma das músicas mais bonitas de todos os tempos.
Genocídio – “Pictures of You”
Versão improvável para uma banda de Death Metal, a releitura de “Pictures of You” feita pelo Genocídio, originalmente lançada pelo The Cure no álbum “Disintegration”, de 1989, integra o trabalho mais recente da banda brasileira, “Fort Conviction”, de 2024. A gravação estabelece um ponto de equilíbrio entre a atmosfera melancólica e etérea da composição original e a abordagem mais densa e agressiva característica do grupo.
TEXTO DE LUIS FERNANDO RIBEIRO, ESPECIALMENTE PARA O HEADBANGERS BRASIL.
