Um death/thrash que roda o país há 36 anos, muito honesto e com fãs fiéis. Aqueles que se tornam amigos com o passar do tempo. Essa é a descrição do Faces of Death, banda nascida em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, capitaneada pelos irmãos Laurence e Sylvio Miranda, e que hoje se prepara para sua primeira excursão européia.

Foto por: Amanda Basso
Depois de contarem sua história através de várias formações, a encarnação atual conta com Igor “Igão” Nogueira na bateria, Maurício Filho na guitarra, além de Laurence no vocal e guitarra base e Sylvio no baixo.
No último sábado, 26 de setembro, no La Iglesia, presenciamos uma verdadeira festa de despedida entre amigos. Casa cheia, calor condensado, o som dilatando o ouvido, amigos se cumprimentando, brindando… Todos pareciam se conhecer de alguma forma. Você, com certeza, já foi em algum evento onde pessoas te abraçaram como se fosse seu amigo de longa data; esse era o sentimento: comemoração, confraternização.

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A noite começou com o speed/thrash tradicional do Selvageria. Uma banda com pouquinho mais de 20 anos, mas que emula perfeitamente a aura dos anos 80, da descoberta do metal pelos paulistas. Facilmente você encontraria o Selvageria na famosa coletânea SP Metal, lançada pela Baratos e Afins. O estilo de voz que Danilo Toloza (voz e bateria) assume, lembra muito o que foi feito por Rodrigo Esteves, em Vingança, de 1986, da banda carioca Azul Limão.
O moshpit era insano. O público não conseguia ficar parado, cantando… ele pulava, formava uma roda atrás da outra, mostrando que não havia forma melhor de começar a festa. Música após música, a platéia cantava a plenos pulmões “Na Lâmina da Foice”, “Cavaleiro da Morte” e a mais esperada, a homônima, “Selvageria”, de 2017, do álbum “Ataque Selvagem”, essa foi catártica!
Depois de um show de pouco mais de uma hora, uma pausa. A troca de palco precisava acontecer, e a busca por ar fresco e um pouco de silêncio era inevitável. O calor era intenso e o som que estava excessivamente alto chegaram a provocar tontura.

Foto por: Amanda Basso
Então o Faces of Death sobe ao palco. Os donos da festa, o motivo pelo qual todos estavam lá, os donos da alegria a ser compartilhada pela euro trip alcançada.
O primeiro urro de Laurence Miranda foi ouvido do lado de fora do Iglesia, quase como um trovão anunciando a próxima tormenta. A introdução de Priest From Hell ecoa nos p.a’s e logo a emenda com New World Order acontece (e não, não é a NWO, do Ministry). O público parecia saber cada vírgula decor.

Foto por: Amanda Basso
O setlist foi apoteótico! Um clássico enfileirado no outro. E um momento emocionante: o gigante Igor Nogueira sai de seu posto, vem à frente do palco e fala que eles lançariam um single novo quando estivessem na Alemanha, mas que eles o tocariam naquela festa, pois ali era a casa deles, ali estava a família deles. Todos aplaudem, gritam o nome da banda… sentem cada segundo de satisfação por estarem exatamente onde deveriam estar.

Foto por: Amanda Basso
Laurence retoma seu espaço e comenta o contexto da nova música: a revolta com a violência desmedida – casos como os de Suzane Von Richthofen, Alexandre Nardoni foram usados como inspiração – e sem esperança de solução. O líder arranca gritos de ordem e de orgulho do público que mal pisca, esperando pela próxima pedrada. “Blood On Their Hands” é o nome dela! Esse tema é um verdadeiro clamor por justiça, um suspiro de cansaço de ver tudo o que vem acontecendo.
O público se esquece do calor condensado no chão, se esquece da nuca suada, do cheiro de cerveja escorrida, do ar condicionado que não dá conta do serviço, mas música após música eles estão ali, gritando, cantando a letra, até que chega o último grande sucesso, “Terror em Barbacena”, nesse momento o caos se instaura!
O líder agradece a todos os presentes, e, resolve dar mais um presente à audiência fiel: em homenagem às suas origens, “Territory”, clássico absoluto do Sepultura, do álbum “Chaos a.D”, coladinho com “Black Magic”, presente no formador de caráter “Show No Mercy”, do Slayer. Um momento hipnótico!
A banda desembarca em Frankfurt, na Alemanha, na segunda semana de outubro, onde fixará residência, para facilitar a logística da viagem. O Faces of Death passará por Alemanha, Bélgica, França, Espanha, Portugal, Luxemburgo e Holanda.

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SETLIST:
Priest From Hell (Intro)
New World Order
Fucking Human God’s
Usurper of Souls
Blood On Their Hands (live debut)
Evil (intro)
Stronger Than You
It’s Calling Me Out… Suicide
Killer… In the Name of God (intro)
Anno Domini
Terror em Barbacena
Territory (Sepultura)
Black Magic (Slayer)
Texto e fotos por: Amanda Basso

