O terceiro dia do Graspop Metal Meeting 2026 mostrou exatamente por que o festival é considerado um dos encontros mais importantes da música pesada mundial. Em Dessel, diferentes gerações do metal dividiram espaço em uma programação que passeou pelo metal moderno, pelo peso histórico de nomes fundamentais do gênero, por performances teatrais e por experiências audiovisuais que transformaram os palcos em verdadeiros espetáculos.

O sábado reuniu bandas com propostas completamente diferentes, mas que tinham algo em comum: a capacidade de criar momentos únicos diante de uma multidão que já estava completamente entregue à atmosfera do festival.

Entre grandes produções, performances marcantes e apresentações carregadas de personalidade, o terceiro dia do Graspop foi uma verdadeira celebração da diversidade dentro do metal.

South Stage: Architects e Bring Me The Horizon mostram a força da nova geração

O South Stage recebeu dois dos nomes mais importantes da atual geração do metal.

O Architects mostrou mais uma vez por que se tornou uma das bandas mais respeitadas da cena moderna. Com uma apresentação intensa, precisa e emocional, o grupo britânico equilibrou peso e melodias grandiosas, mostrando a evolução de uma sonoridade que conquistou uma legião de fãs ao redor do mundo.

O repertório trouxe momentos marcantes como “Doomsday”, “Black Lungs”, “Gravedigger”, “Impermanence”, “Seeing Red” e “Animals”, faixas que representam diferentes fases da trajetória da banda e evidenciam a capacidade do Architects de unir agressividade e emoção.

A apresentação reforçou que, mesmo dentro de uma cena cada vez mais diversificada, a banda mantém uma identidade própria e uma conexão muito forte com o público.

Encerrando o South Stage, o Bring Me The Horizon entregou um dos grandes espetáculos do sábado.

A banda comandada por Oliver Sykes transformou o palco em uma experiência audiovisual completa, misturando peso, elementos eletrônicos, efeitos visuais e uma produção pensada para grandes multidões.

A abertura com “DArkSide” já mostrou a energia da apresentação, seguida por momentos como “The House of Wolves”, “MANTRA”, “Happy Song” e “Teardrops”, que fizeram o público cantar em coro.

Um dos pontos altos veio com “Kingslayer”, com a participação especial do BABYMETAL, uma colaboração que representa perfeitamente a fase atual do metal: artistas de diferentes universos criando conexões sem barreiras.

 

A reta final com “Can You Feel My Heart”, “Drown” e “Throne” confirmou o tamanho que o Bring Me The Horizon alcançou dentro da música pesada contemporânea.

North Stage: entre legado, inovação e performances inesquecíveis

No North Stage, o Graspop apresentou uma sequência de bandas que representou muito bem a amplitude do festival, reunindo nomes com diferentes trajetórias, estilos e propostas.

O P.O.D. abriu caminho com sua mistura característica de metal, rock alternativo e elementos do hardcore. A banda mostrou que continua mantendo uma conexão muito forte com o público, especialmente em músicas como “Boom”, “Rock the Party (Off the Hook)”, “Satellite”, “Southtown” e “Youth of the Nation”, que transformaram o espaço em uma grande celebração coletiva.

Na sequência, chegou um dos momentos mais aguardados pelos fãs brasileiros: o Sepultura.

Com uma história que ajudou a colocar o Brasil definitivamente no mapa do metal mundial, a banda entregou uma apresentação carregada de peso, emoção e significado. O repertório atravessou diferentes fases da carreira, passando por momentos como “Inner Self”, “All Souls Rising”, “Attitude”, “Refuse/Resist” e “Arise”.

Um dos pontos mais especiais da apresentação foi o momento dedicado à história de “Roots”, com imagens das gravações junto à tribo Xavante, reforçando a importância cultural e artística de um álbum que mudou a trajetória do metal brasileiro.

O público ainda recebeu clássicos como “Ratamahatta” e “Roots Bloody Roots”, em uma celebração que mostrou que o legado do Sepultura continua absolutamente vivo.

Depois de uma apresentação tão histórica, o palco recebeu uma das performances mais particulares do festival: BABYMETAL.

A banda japonesa é uma daquelas atrações que desafiam qualquer tentativa de classificação. A mistura entre metal extremo, elementos pop, coreografias perfeitamente executadas e uma produção visual impecável cria uma experiência única.

O que impressiona no BABYMETAL é justamente o equilíbrio: nada parece improvisado. Cada movimento, cada interação e cada detalhe do show demonstra um nível enorme de preparação.

O repertório trouxe momentos como “BABYMETAL DEATH”, “Distortion”, “PA PA YA!!”, “METALI!!”, “RATATATA”, “Gimme Chocolate!!” e “Road of Resistance”, levando o público a uma apresentação que une peso e espetáculo de maneira muito própria.

Encerrando o North Stage, o Bad Omens confirmou por que se tornou uma das bandas mais comentadas da nova geração.

Com uma sonoridade que mistura metal moderno, atmosferas eletrônicas e elementos alternativos, a banda criou uma apresentação intensa e muito bem construída.

Entre os destaques estiveram “THE DEATH OF PEACE OF MIND”, “CONCRETE JUNGLE”, “Artificial Suicide”, “Like a Villain”, “Just Pretend” e o encerramento explosivo com “Dethrone”.

O crescimento do Bad Omens nos últimos anos ficou evidente diante de uma multidão que acompanhou cada momento da apresentação.

Jupiler Stage: tradição, técnica e o espetáculo absoluto do Avatar

O Jupiler Stage recebeu uma programação que passeou por diferentes vertentes do metal, começando com nomes ligados ao power metal e ao heavy metal tradicional e terminando com uma das performances mais teatrais de todo o festival.

O Primal Fear levou ao palco toda a força do metal alemão, mostrando por que continua sendo uma das bandas mais respeitadas dentro do gênero. Com Ralf Scheepers comandando os vocais com potência impressionante, a apresentação foi marcada por energia, precisão e uma conexão direta com os fãs.

O repertório trouxe faixas como “We Walk Without Fear”, “Destroyer”, “I Am the Primal Fear”, “Nuclear Fire”, “Seven Seals”, “The Hunter”, “Metal Is Forever” e “Running in the Dust”, em uma verdadeira celebração da carreira da banda.

Na sequência, o Orden Ogan trouxe sua identidade épica para o Jupiler Stage. A combinação entre power metal, elementos sinfônicos e uma atmosfera grandiosa criou um dos momentos mais marcantes para os fãs do estilo, mostrando por que a banda conquistou um público tão fiel dentro da cena europeia.

O Sonata Arctica manteve a energia do palco com sua assinatura melódica e emocional. A banda finlandesa, uma das grandes representantes do power metal moderno, entregou uma apresentação marcada por melodias fortes, técnica e uma grande interação com o público.

O Queensrÿche foi responsável por um dos momentos mais especiais para os fãs que acompanham a história do metal.

Com uma carreira fundamental para o metal progressivo e tradicional, a banda mostrou toda sua classe e precisão ao vivo. O repertório passou por momentos históricos como “Queen of the Reich”, “Operation: Mindcrime”, “Warning”, “Revolution Calling”, “Empire” e “Eyes of an Stranger”, reforçando a importância de um catálogo que atravessa gerações.

Mas o encerramento do Jupiler Stage ficou reservado para o Avatar — e a escolha não poderia ter sido mais simbólica.

O que a banda entrega ao vivo vai muito além de um simples show de metal. Johannes Eckerström assume o papel de um verdadeiro mestre de cerimônias, conduzindo o público por uma experiência que mistura música, teatro, humor, absurdo e uma estética que lembra um verdadeiro “circo de horrores”.

O palco Jupiler pareceu pequeno para a grandiosidade da proposta do Avatar. Cada integrante demonstrou um domínio absoluto da performance, sabendo exatamente como ocupar o espaço e transformar cada música em uma cena.

O repertório passou por diferentes momentos da carreira, incluindo “Captain Goat”, “Let It Burn”, “The Eagle Has Landed”, “Bloody Angel”, “The Dirt I’m Buried In”, “Smells Like a Freakshow” e o encerramento com “Hail the Apocalypse”.

Foi uma apresentação que não apenas se assiste, se vive! O Avatar transformou o encerramento do Jupiler em uma experiência visual e sonora difícil de esquecer.

Marquee e Metal Dome: atmosferas diferentes, experiências igualmente marcantes

Enquanto os palcos principais concentravam as grandes multidões, o Marquee e o Metal Dome ofereceram experiências igualmente importantes durante o sábado.

O Lacuna Coil trouxe toda sua identidade sombria e moderna, equilibrando peso, melodias e a presença marcante de Cristina Scabbia. A banda italiana apresentou faixas como “Layers of Time”, “Reckless”, “Blood, Tears, Dust”, “Our Truth”, “Enjoy the Silence” e “Never Dawn”, mostrando por que continua sendo uma das maiores representantes do metal gótico contemporâneo.

O Moonspell levou ao Marquee sua atmosfera única, construída ao longo de décadas de carreira. A banda portuguesa apresentou músicas como “Opium”, “Awake!”, “Extinct”, “Night Eternal”, “Vampiria”, “Alma Mater” e “Full Moon Madness”, criando um dos momentos mais densos e envolventes do dia.

No Metal Dome, o TesseracT proporcionou uma experiência completamente diferente. Conhecida por sua abordagem técnica e pela capacidade de alternar momentos extremamente pesados com passagens atmosféricas, a banda entregou uma apresentação imersiva.

O repertório incluiu momentos como “Concealing Fate”, “Juno”, “Natural Disaster”, “King”, “Legion” e “War of Being”, mostrando toda a complexidade musical que tornou o grupo uma referência dentro do metal progressivo moderno.

Quando a música termina, o Graspop continua: Rock Café e Metal Dome mantêm a energia da madrugada

Uma das grandes características do Graspop Metal Meeting é que a experiência não termina quando os últimos acordes dos palcos principais desaparecem.

Durante o sábado, finalmente tive a oportunidade de conhecer o tradicional Rock Café do festival, um dos espaços mais queridos por quem frequenta o Graspop.

Com o DJ residente Carl comandando a noite, o ambiente se transforma em uma verdadeira celebração da história do rock e do metal. O diferencial está na forma como os clássicos são apresentados: músicas de diferentes gerações acompanhadas pelos respectivos videoclipes, criando uma experiência nostálgica e extremamente envolvente.

Depois do encerramento dos shows, o espaço fica completamente lotado por fãs que ainda querem continuar a festa, cantar juntos e manter viva a energia do festival. Em alguns momentos, a procura é tão grande que uma fila de espera se forma na entrada, mostrando o quanto o Rock Café já se tornou parte da identidade do Graspop.

Paralelamente, a Metal Dome mantém sua própria programação durante a noite, com DJs convidados e uma atmosfera completamente diferente dos palcos tradicionais.

Além da música, o grande destaque do espaço é sua estrutura visual: as projeções em 3D criam cenários tão realistas que chega a ser difícil distinguir o que é imagem e o que é parte física da decoração.

É impossível passar pelo local sem parar por alguns instantes. Muitos fãs aproveitam o momento para fotografar e filmar o ambiente, que se tornou uma das grandes surpresas visuais do festival.

Essa combinação entre música, tecnologia e interação mostra como o Graspop pensa na experiência completa do público — muito além dos shows.

Graspop Metal Meeting 2026 – Raio X do terceiro dia

South Stage

Architects

Destaques do setlist:

“Doomsday”

“Black Lungs”

“Gravedigger”

“Impermanence”

“Seeing Red”

“Animals”

Bring Me The Horizon

Destaques do setlist:

“DArkSide”

“MANTRA”

“Teardrops”

“Kingslayer” (com BABYMETAL)

“Can You Feel My Heart”

“Drown”

“Throne”

North Stage

P.O.D.

Destaques do setlist:

“Boom”

“Rock the Party (Off the Hook)”

“Satellite”

“Southtown”

“Youth of the Nation”

“Alive”

Sepultura

Destaques do setlist:

“Inner Self”

“Attitude”

“Refuse/Resist”

“Arise”

“Ratamahatta”

“Roots Bloody Roots”

BABYMETAL

Destaques do setlist:

“BABYMETAL DEATH”

“PA PA YA!!”

“METALI!!”

“RATATATA”

“Gimme Chocolate!!”

“Road of Resistance”

Bad Omens

Destaques do setlist:

“THE DEATH OF PEACE OF MIND”

“CONCRETE JUNGLE”

“Artificial Suicide”

“Like a Villain”

“Just Pretend”

“Dethrone”

Jupiler Stage

Primal Fear

“We Walk Without Fear”

“Nuclear Fire”

“Seven Seals”

“Metal Is Forever”

Queensrÿche

“Queen of the Reich”

“Operation: Mindcrime”

“Revolution Calling”

“Empire”

“Eyes of a Stranger”

Avatar

“The Eagle Has Landed”

“Bloody Angel”

“The Dirt I’m Buried In”

“Smells Like a Freakshow”

“Hail the Apocalypse”

Marquee

Lacuna Coil

“Layers of Time”

“Blood, Tears, Dust”

“Our Truth”

“Enjoy the Silence”

“Never Dawn”

Moonspell

“Opium”

“Awake!”

“Night Eternal”

“Vampiria”

“Alma Mater”

“Full Moon Madness”

Metal Dome

TesseracT

“Concealing Fate”

“Juno”

“Natural Disaster”

“King”

“Legion”

“War of Being”

O terceiro dia do Graspop Metal Meeting 2026 mostrou que o metal continua sendo um universo em constante transformação. Entre bandas históricas, novos gigantes da cena, performances teatrais e experiências visuais únicas, o festival entregou mais uma jornada impossível de resumir apenas em nomes e músicas.

Foi um dia de celebração, descoberta e daqueles momentos que fazem um festival permanecer na memória muito depois do último acorde.

Texto por: Cintia Seidel

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