Depois de uma abertura marcada pela intensidade dos primeiros shows e pela energia de milhares de fãs ocupando Dessel, a sexta-feira (19) chegou ao Graspop Metal Meeting 2026 mostrando uma das maiores forças do festival: a capacidade de reunir diferentes gerações do rock pesado em uma única celebração.

Com um dia completo de festival já vivido, a rotina em Dessel parecia ainda mais natural. Os caminhos entre os palcos estavam tomados por camisetas de bandas, coletes carregados de patches, bandeiras de diferentes países e grupos de amigos que, entre uma apresentação e outra, compartilhavam histórias, descobertas musicais e a expectativa pelos próximos shows.

O calor continuava sendo um dos grandes desafios da edição. Assim como na quinta-feira, as altas temperaturas exigiam planejamento: muita água, pausas estratégicas e atenção redobrada para conseguir acompanhar uma programação extensa. A estrutura do festival novamente mostrou sua importância, com pontos de hidratação e uma equipe preparada para auxiliar o público durante toda a jornada.

Mas, em um festival como o Graspop, bastava uma guitarra começar a soar para que o foco mudasse completamente. O calor, o cansaço e as longas horas de caminhada ficavam em segundo plano diante daquilo que realmente reunia milhares de pessoas em Dessel: a música.

A sexta-feira trouxe um equilíbrio especial entre passado e presente. Enquanto algumas bandas celebravam décadas de influência e legado, outras representavam novas gerações que continuam expandindo os limites do metal.

No South Stage, a programação trouxe grandes momentos desde o início do dia. Entre os destaques, o Cavalera ocupou uma posição especial para muitos fãs brasileiros e internacionais ao revisitar um dos capítulos mais importantes da história do metal.

Celebrando o legado de “Chaos A.D.”, Max e Igor Cavalera levaram ao palco a brutalidade e a energia que marcaram uma era. A apresentação foi uma verdadeira viagem no tempo, com riffs que continuam extremamente atuais e um público completamente entregue. Músicas como “Refuse/Resist”, “Territory” e “Roots Bloody Roots” mostraram a força de um legado que permanece vivo décadas depois.

Outro momento histórico veio com o Sex Pistols featuring Frank Carter. Mais do que uma apresentação comum, o show carregava o peso de uma banda que ajudou a transformar a música britânica.

Com atitude, irreverência e a urgência característica do punk, a banda levou ao público clássicos que atravessaram gerações. “God Save the Queen”, “Anarchy in the U.K.” e “Pretty Vacant” fizeram milhares de vozes ecoarem pelo festival, mostrando que a energia daquele movimento continua encontrando novos fãs.

No North Stage, o Trivium entregou uma apresentação marcada pela técnica e pela intensidade. A banda norte-americana mostrou por que se tornou um dos nomes mais importantes do metal moderno, equilibrando agressividade, melodias marcantes e uma performance precisa.

O Breaking Benjamin trouxe uma atmosfera diferente ao festival, explorando o lado mais emocional do rock pesado. Com uma base de fãs extremamente fiel, a banda criou momentos de conexão através de músicas que transitam entre o metal alternativo e o hard rock.

Já o Knocked Loose transformou sua apresentação em uma das mais intensas do dia. Com sua mistura de hardcore e metal extremo, a banda entregou uma performance explosiva, com uma plateia completamente entregue mesmo diante do calor que continuava presente em Dessel.

No Marquee, um dos grandes destaques da sexta-feira foi o Cradle of Filth, trazendo ao festival sua atmosfera sombria e teatral, marca registrada da banda ao longo de mais de três décadas de carreira.

Com a presença de palco intensa de Dani Filth e uma sonoridade que mistura black metal, elementos góticos e influências clássicas, a banda entregou uma apresentação que agradou especialmente aos fãs que buscavam uma experiência mais obscura e pesada dentro da programação.

O repertório percorreu diferentes fases da carreira do grupo, equilibrando músicas mais recentes com clássicos que ajudaram a consolidar o nome do Cradle of Filth dentro do metal extremo. A combinação entre a estética elaborada, os vocais inconfundíveis de Dani Filth e a atmosfera criada no palco fez do show um dos momentos mais marcantes do Marquee durante a sexta-feira.

Um dos grandes momentos da sexta-feira aconteceu com o Alter Bridge. A banda trouxe ao palco sua combinação característica de peso, técnica e emoção, conduzida pela poderosa voz de Myles Kennedy e pelo trabalho marcante de guitarra de Mark Tremonti.

O público acompanhou em coro músicas que já se tornaram essenciais na trajetória do grupo, como “Metalingus”, “Blackbird”, “Addicted to Pain” e “Open Your Eyes”. A apresentação reforçou a capacidade da banda de criar momentos grandiosos sem perder a conexão emocional com seus fãs.

Encerrando o South Stage, o Volbeat transformou a noite em uma grande celebração. Misturando heavy metal, rockabilly, punk e influências do rock clássico, a banda dinamarquesa entregou uma apresentação cheia de personalidade.

Michael Poulsen comandou uma plateia que cantou junto em grandes momentos do repertório, incluindo “Lola Montez”, “The Devil’s Bleeding Crown”, “For Evigt” e “Still Counting”. O encerramento com “A Warrior’s Call” mostrou por que o Volbeat continua sendo uma das atrações mais queridas dos grandes festivais europeus.

Ao final da segunda jornada, o Graspop Metal Meeting 2026 já estava completamente estabelecido. Dessel respirava música pesada, com fãs de diferentes países dividindo o mesmo espaço e celebrando diferentes vertentes do metal.

A sexta-feira mostrou que a força do festival está justamente na capacidade de colocar lado a lado bandas lendárias, artistas consolidados e novas gerações que continuam escrevendo a história do rock pesado.

Raio X – Graspop Metal Meeting 2026 | Sexta-feira (19/06)

A sexta-feira apresentou uma programação marcada pelo equilíbrio entre nostalgia e renovação, reunindo punk, metal moderno, hardcore, hard rock e heavy metal clássico em diferentes palcos.

South Stage

Quicksand

Triggerfinger

Cavalera – “Chaos A.D.”

Sex Pistols featuring Frank Carter

Alter Bridge

Volbeat

North Stage

Infected Rain

Mammoth

Trivium

Breaking Benjamin

Knocked Loose

Marquee

Hulder

Bark

Asomvel

Suicidal Angels

Old Man’s Child

Possessed

Death To All

Cradle Of Filth

Jupiler Stage

Thornhill

letlive.

Guilt Trip

Drain

We Came As Romans

Metal Dome

Vower

TX2

Oranssi Pazuzu

Harakiri For The Sky

Elder

Kadavar

Leprous

Principais setlists da sexta-feira

Alter Bridge

Silent Divide

Addicted to Pain

Cry of Achilles

Metalingus

Blackbird

Open Your Eyes

Isolation

Rise Today

Volbeat

The Mirror and the Ripper

Lola Montez

Demonic Depression

Sad Man’s Tongue

The Devil’s Bleeding Crown

For Evigt

Still Counting

A Warrior’s Call

Pool of Booze, Booze, Booza

Trivium

The Sin and the Sentence

In Waves

Down From the Sky

Until the World Goes Cold

Strife

Cavalera – “Chaos A.D.”

Refuse/Resist

Territory

Slave New World

Propaganda

Biotech Is Godzilla

Nomad

We Who Are Not as Others

Manifest

Roots Bloody Roots

Com dois dias completos de festival, o Graspop Metal Meeting 2026 seguia mostrando por que é considerado um dos maiores encontros do metal mundial: uma celebração onde história, presente e futuro da música pesada dividem o mesmo palco.

Texto por: Cintia Seidel

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