Então o nome mais celebrado do Rock Nacional atualmente lança seu quinto disco, chamado Continental, o Black Pantera se mantém fiel ao seu propósito, depois de falarem da Ascensão do povo negro e Perpetuar o grito antirracista e antifascista, chegou a hora de falar não somente do nosso Brasil, que é Continental, mas de, mais uma vez, colocar o dedo da ferida aberta de nosso território inteiro.

Com muito papo reto e boa música, Charles e Chaene da Gama (Vocal e Guitarra, Baixo, respectivamente) e Rodrigo “Pancho” (bateria) estão ainda mais afiados em passar seu recado, sem dó nenhum e sem papas nas línguas. 

Sobre as músicas, elas seguem o padrão da banda, com uma presença maior de Chaene em diversas músicas, dando a sua voz, mas eu vou destacar Negusa Nagast, que eu vejo que ele brilhou demais! O gutural de Charles continua potente e muito gostoso de ouvir e a bateria de Pancho tá ainda mais brutal, com muito mais pegada e peso. Lindo demais.

O disco conta com Participações ótimas, como Chico César em Banzo, que por alguns momentos empresta a sua veia reggae ao Black Pantera, criando uma junção linda, já a rapper Duquesa em Serotonina nos dá uma doçura levemente cínica só dar seu recado, Derrick Green foi super bem aproveitado no veloz Hardcore de Obsoleto, mas, é em Quando Canto  que o Black Pantera, pegando emprestado o termo da juventude atual, “farmou aura” (e não foi pouca), pois Sandra de Sá entregou a eles a melhor canção do disco, essa música é simplesmente incrível, daquelas que merecem tocar em rádio, em tudo e para fechar as participações, a voz incidental de Nilton Santos em Continental, falando de quem fará a história é surreal.

E o Black Pantera ainda leva o continente para um outro lado do planeta, com Yasuke, letra que fala sobre o Samurai Negro que foi levado pelos seus senhores ao Japão e lá se perpetuou, outro continente, sendo que a mesma história que já conhecemos.

Black Pantera mais uma vez conseguiu elevar o nível do jogo, entregando um disco coeso, bem composto, com letras que destacam e expõe a ferida aberta em nosso Continente e parafraseando Nilton Santos: somos nós que faremos a história do futuro e o Black Pantera reafirma a sua presença em todos os livros. Um dos grandes lançamentos de 2026, sem sombra de dúvidas.

NOTA: 5 / 5

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