Nenhuma banda começa como sucesso absoluto, o trabalho determina uma grande parte do reconhecimento, e isso foi o que mais aconteceu durante os primeiros anos do Sepultura.

Formado em 1985 pelos irmãos Max e Iggor Cavalera, Paulo Jr. e Wagner Lamounier (fundador do Sarcófago pouco depois), tiveram uma grande repercussão através de suas apresentações viscerais e densas, cheias de improvisos e muita vontade.

Foto por: Reprodução Internet

A entrada de Jairo Guedz trouxe o que precisavam; os primeiros lançamentos foram gravados ainda com a identidade de Wagner, com o black metal e derivados. O EP “Bestial Devastation” em 1985 e o primeiro álbum completo, “Morbid Visions” de 1986. A sonoridade mais densa e crua surgia também aliada ao chamado death metal (gênero que naquela altura estava se consolidando).

Jairo deu lugar a Andreas Kisser, um músico mais técnico e de idéias ligadas ao cenário que estava cada vez mais popular: o thrash metal! Tudo vinha demonstrando um grande caminho e foi assim que “Schizophrenia” de 1987 surgiu, um disco ainda raivoso mas que mostrava algumas mudanças significativas em sua produção.

O passo maior veio pouco tempo depois com o avassalador “Beneath the Remains” (1989), um álbum extremamente coeso, técnico e que bebia da fonte mais pura da qualidade imposta na época, sendo uma da grandes referências mundiais em mesclar o thrash metal com o death metal moderno sob a batuta de Scott Burns.

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A repercussão gerou um contrato com a gigante Roadrunner Records, turnê com destaque para shows com o Sodom (entre várias sabotagens famosas) e assim, o mundo conhecia um pouco mais do metal brasileiro.

A partir dali, o Sepultura ganhou o mundo com o thrash cru de “Arise” (1991), esbanjando riffs marcantes e potência vocal afiada, produção muito eficiente de Andy Wallace, uma passagem direta para a segunda edição do Rock In Rio (desta vez realizado no Maracanã, naquele mesmo ano), além do grande show na Espanha durante a segunda parte da tour onde registraram o famoso “Sepultura: Under Siege” (Live in Barcelona) gravado no Teatro Zeleste.

 

O próximo passo foi unir o groove metal com raízes brasileiras, elementos bem vivos em “Chaos A.D.” (1993), outro grande marco na carreira, aliando letras de protesto, realidade nua e crua, além de trazer elementos de industrial sob o comando (novamente) de Andy Wallace no Rockfield Studios (localizado no País de Gales).

Por se tratar de um álbum maduro e conceitual, temas politizados também apareceram como em “Refuse-Resist” e seu videoclipe cheio de referências da época, contando com uma homenagem ao seu filho Zyon no início da canção, tendo seus batimentos cardiacos gravados quando ele ainda estava na barriga da mãe (Gloria Cavalera).

 

Mais um momento importante está na instrumental “Kaiowas”, referência direta à tribo indígena Guarani-Kaiowá que realizou um suicido coletivo em massa como protesto contra o governo. A faixa possui violões e percussão densa, gravada de forma ao vivo nas ruínas do Castelo de Monnow Valley, no País de Gales.

 

A consequência foi o merecido reconhecimento mundial; apontados por muitos como o “grande lançamento após o estrondoso ‘The Black Album‘ (1991) do Metallica”, chegando ao mainstream e conquistando categorias importantes na mídia.

O videoclipe de “Territory” venceu o MTV Video Music Awards (VMA) de 1994, prêmio principal daquele ano. Gravado em Israel e na Palestina, trazia fortes imagens sobre os conflitos territoriais e religiosos.

Surgia então o “metal tribal” pouco tempo depois com “Roots” (1996), mostrando que a reinvenção através daquela década era apenas uma tendência seguida por inúmeros nomes, mesmo que alguns tenham se perdido durante o caminho, mas neste caso, acertaram em cheio.

Considerado um dos pais do que viria a ser o famigerado Nu Metal, Max e seus companheiros mesclavam elementos modernos e que formavam uma nova geração de fãs, incluindo ainda mais referências ao Brasil.

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Sob a direção de Ross Robinson (sim, ele mesmo, que popularizou o que rolava na época), criaram uma identidade ainda mais forte, deram margem para inovações como a parceria em “Ratamahatta” com Carlinhos Brown, “Lookaway” com presenças ilustres de Mike Patton (Faith No More), Jonathan Davis (Korn) e DJ Lethal (House of Pain/Limp Bizkit), além das referências indígenas como na arte com o Índio Carajá (retirada de uma antiga nota de cruzeiro) mesclando o “S” tribal aos moldes da banda.

 

“Itsári” foi outro bom exemplo da conexão da banda com as raízes brasileiras, tendo contato direto com a tribo Xavante no Mato Grosso, realizando in loco as gravações.

Além da já citada “Ratamahatta”, “Roots Bloody Roots” e “Attitude” também ganharam grande destaque á época, gerando um dos pontos mais altos da carreira do Sepultura e encerrando em dezembro daquele ano a era Max Cavalera.

No próximo dia 7 de novembro, no Suhai Music Hall (localizada no Shopping SP Market), o Sepultura encerra a sua carreira em alto nível, com uma noite de muita celebração e bandas especiais como abertura.

Lembrando que os ingressos estão esgotados!

 

SERVIÇO:

Sepultura + Krisiun, Metal Allegiance e Sacred Reich

Apresentação: 07/11/2026 (sábado)

Abertura dos portões: 16h

Horário do show: 21h

Local: Suhai Music Hall

Endereço: Shopping SP Market – Av. das Nações Unidas, 22540 – Jurubatuba, São Paulo – SP, 04795-000

Classificação: 16 anos. Menores de 05 a 15 anos, apenas acompanhados dos pais ou responsáveis legais.

 

 

Texto por: Vinny Almeida

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