Para quem frequenta o festival desde sua primeira edição, sabe que durante este período do ano, por algum motivo, faz um sol muito forte em boa parte do dia e acaba virando um dos comentários mais reproduzidos a cada ano, e adivinhem… neste ano também não foi diferente.
Enquanto o trajeto até o Memorial da América Latina parecia ser calmo e relativamente tranquilo; mas ao chegar nas imediações, era possível ver que um pouco da calmaria ia de encontro com filas gigantescas para ter acesso ao complexo.
Muitas pessoas chegando com suas excursões, vários lugares do Brasil (e do restante da América Latina) reunidos em São Paulo para os dois dias de festival; e segundo relatos, houve um grande atraso no acesso do público ao complexo, devido a problemas na ativação dos ingressos. Staff e imprensa não passaram pelos mesmos transtornos.

Ao entrar, foi nítida a felicidade de quem já estava por lá e também pudemos ver a organização sendo feita de forma tranquila, espaços para PCD, Lounge, o acesso a Premium onde foi possível estar quase colados ao palco. Exatamente ao meio-dia, encontramos Marcello Pompeu e o Korzus, em sua nova formação, com a entrada de Jean Patton e Jéssica Falchi no “Ice Stage”.
Boa parte do público ainda estava na rua quando os shows começaram. A questão com os ingressos demorou um tempo acima do esperado, e por conta disso, muitos não conseguiram assistir nem Korzus e nem o Lucifer (shows simultâneos, Ice e Sun Stage). A troupe de Dick e Pompeu, com a energia incrivelmente alta, subiu ao palco, arrebentando desde os primeiros acordes, demonstrando um vigor bastante visível, despejando peso e ótima dinâmica.
O próprio vocalista lamentou a pouca presença de fãs mas também agradeceu a cada um que conseguiu chegar a tempo para apoiar, e realmente, uma pena para quem não viu pois fizeram uma excelente apresentação.

Para cobrir o máximo do festival, corremos para acompanhar no “Sun Stage” a banda Lucifer, um dos nomes mais legais do doom/heavy metal alemão dos últimos tempos, e o que vimos foi uma apresentação sólida, com bastante cadência e não arriscando tanto, entregando uma performance conhecida e também segura.
Entre muitos aplausos e boa recepção, a vocalista Johanna Sadonis demonstrava simpatia e tentava agitar os poucos presentes por ali, tendo um contato em meio a piadas e bom humor.
A nova formação com Claudia González Díaz no baixo, Kevin Kuhn na bateria e as guitarras por Coralie Baier e Max Eriksson parece ter agradado, alguns teceram vários elogios pela apresentação segura, mas de fato ainda era um clima muito morno e inicial do evento, porém, sem muitas queixas de som ou produção.
A presença de público também era pouca daquele lado, mas parecia estar mais espalhado (por assim dizer) afinal, no “Waves Stage” também estavam se apresentando simultaneamente o pessoal da School Of Rock.
Era quase 13:00 e todo mundo esperava assistir um dos grandes nomes do dia, o ótimo Evergrey. O público começou finalmente a entrar com mais rapidez e assim, preenchendo mais espaços da Pista Normal para a apresentação dos suecos.
Apostando em canções novas e clássicos absolutos, Tom S. Englund e sua banda (agora reformulada) mostraram um show hipnótico, cheio de ótimos momentos que marcaram certamente os presentes, apresentando solos técnicos, presença de palco de respeito e ótima dinâmica.
Foi possível perceber que aquele era o primeiro show com uma conexão muito grande, tendo em vista que seus fãs fiéis cantavam juntos e também celebravam cada nota tocada.

Já no “Waves Stage” a banda Sujera apresentava seu metal pesado e denso, tendo sua participação confirmada às vésperas do evento por ter sido campeã da seletiva do chamado “New Blood” (inciativa da Kiss FM com o Grand Prix), garantindo a sua vaga.
No “Sun Stage” o Violator, banda nacional que possui uma legião de fãs fiéis as suas escolhas políticas e sociais, entrava destruindo tudo, mostrando um poder enorme em seu thrash metal visceral, tendo boa resposta de todos.
Pouco depois era a hora do projeto mais inusitado do dia aparecer no “Ice Stage”, o alemão Feuerschwanz com o metal mesclado a tudo que se possa imaginar do mundo medieval, desfilando seus figurinos bem excêntricos (com algumas trocas durante a apresentação) e instrumentos variados.

A recepção foi mista e muitos acabaram ficando com um pé atrás, porém, outros acharam o lado inusitado interessante como um motivo para assistirem, mesmo que a sua versão de “Gangnam Style” do coreano PSY tenha assustado de forma divertida muitos por ali.
Enquanto o meio da tarde se aproximava, no “Waves Stage” chegava a hora do Engineered Society Project, grupo americano que possui pouca divulgação por aqui mas que conseguiu agradar vários presentes, apresentando um metal característico das últimas duas décadas.
Ao fim do show e com pouco atraso, outra grande atração surgia no “Hot Stage“, era a vez do Jinjer subir ao palco e apresentar performances únicas, tendo o público na mão em vários momentos, focando o seu set no mais recente álbum, “Duél” (2025).

Tatiana Shmayluk como sempre mostrava muita desenvoltura e impressionava por sua dinâmica vocal única onde mescla o extremo com o melódico em apenas segundos, parecendo ter um recurso eletrônico de tão natural.
Canções consagradas e outras mais recentes fizeram a alegria de muitos, tendo ótimo feedback e se colocando entre os melhores momentos daquela tarde.
Pouco tempo depois, o Torture Squad apresentava no “Sun Stage” uma performance realmente visceral, apostando em muitos momentos conhecidos com May Puertas ajudando a “quebrar pescoços” a todo instante.
Perto dali, quase no mesmo instante, o “Waves Stage” recebeu o Marenna para uma apresentação de vários sucessos de sua carreira, tendo uma boa aceitação conforme o show transcorreu (acho que o volume estava um pouco acima do normal, mas nada que pudesse comprometer).
Ainda era possível ter fôlego até o fim da tarde? Com certeza… era a hora então de correr para o “Ice Stage” e ver um dos shows mais enérgicos do primeiro dia: o ótimo Killswitch Engage; tocando canções das duas fases de sua carreira, atraindo centenas de fãs que precisavam de um pouco de mosh-pits ao redor da pista.

Para muitos, aquele instante foi um dos pontos mais altos do dia, a energia imposta enquanto que a alegria estampada no rosto a cada riff ou refrão ecoavam o ambiente.
Quando o público se despedia de Jesse Leach ao som de Holy Diver, no “Waves Stage” era iniciado o tributo ao Ozzy Osbourne em grande estilo, e quase simultaneamente, a Crypta chegava no “Sun Stage” com um dos shows mais insanos do início de noite.
Fernanda Lira esbanjava qualidade enquanto a banda entregava riffs intensos, interagindo bastante com o numeroso público presente, buscando um espaço para acompanhar cada faixa.
A guitarrista estadounidense Victoria Villarreal caiu como uma luva, trazendo técnica acima de média em meio às melodias e peso do mais puro death metal.
Voltando ao “Hot Stage” era a hora de um dos pupilos do agora saudoso Ozzy Osbourne entrar em cena com o Black Label Society, o técnico e virtuoso Zakk Wylde não apostou apenas em seus fãs mas também em uma nova geração que buscava encontrar raízes em sua música como um tributo ao seu legado.

De forma geral o show acabou sendo de poucas surpresas, até pelo contexto de um festival importante como este, e claro, não faltaram as homenagens aos irmãos Abbott e também ao seu eterno patrão.
Enquanto acontecia o início do show da banda Seven Spires no “Waves Stage” com vários elogios, outras duas grandes atrações surgiam ao mesmo tempo: o metal sueco do In Flames no “Ice Stage” e o thrash visceral do Tankard no “Sun Stage”.
Como todos sabem, é preciso escolher algumas bandas para prestarmos atenção e a nossa foi ficar perto do famoso “Gothenburg Sound” onde a maioria estava (sem demérito ao Tankard, claro) para curtir aquele metal moderno que influenciou uma geração enorme.
Apesar de várias canções novas, o público apoiou até o fim (muitos ali também fãs que estavam no KSE mais cedo) e também agradeceu por clássicos que surgiram, deixando, de forma geral, uma impressão muito positiva.
O Hangar entrava no “Waves Stage” pouco antes do “Sun Stage” ser invadido por mais um show visceral do Onslaught, e como citei acima sobre as escolhas (essa, de Sofia)… Mesmo com o coração partido, a lógica levou a cobertura para a grade do tão esperado show da noite: o gigante do death metal Arch Enemy.
Nos PA’s logo surgiram “Ace of Spades” do Motörhead, animando a galera, que agora somava um número gigantesco por ser a penúltima atração do dia e o grande headliner, e assim, as primeiras notas da dobradinha que abre o álbum “Khaos Legions” (2011) deixou todos de queixos caídos e ouvidos tapados (sim, o som parecia perfurar os tímpanos de cada um, principalmente se você esteve perto da grade como nós).

Entre clássicos e novos singles, Lauren Hart esbanjava simpatia e em muitos momentos visivelmente emocionada com sua recepção, sem deixar ninguém respirar com sua performance muito técnica e visceral.
Ainda havia tempo do Overdose, banda mineira clássica que influenciou ninguém menos que o gigante Sepultura, tocar no “Waves Stage” encerrando o dia.
E assim, o primeiro dia terminava com muitas alegrias e emoções variadas, muita satisfação por tantos momentos inesquecíveis, e mesmo que alguns exageros tenham sido cometidos (como o volume excessivo de alguns shows) ainda sim foi possível aproveitar inúmeros momentos.
Texto por: Vinny Almeida
Edição de Capa por: Vinny Almeida
Fotos por: M. Hermes


