O sol parecia não dar trégua durante o primeiro dia do Bangers Open Air, aliás, o Hot Stage fez jus àquela tarde tão incrível e quente, e o que tivemos no início da noite? Um dos grandes nomes da guitarra, alguém que esteve entre grandes gênios e acabou se tornando peça fundamental deste universo: Jeffrey Phillip Wiedlandt ou simplesmente Zakk Wylde pisou ao palco em seus 59 anos muito bem vividos (sendo 17 anos deles sóbrio) com muita vontade de mostrar seus clássicos, homenagens e solos definitivos que marcam uma jornada tão completa.

O público estava transitando bastante pelos palcos durante boa parte do tempo, mas todos nós sabemos que certos artistas sempre terão um nicho específico, e neste caso, estamos falando de um cara que conviveu com a família Osbourne por décadas (como é estranho dizer algo sobre Ozzy em conteúdo póstumo, não?!).

No Hot Stage já tínhamos visto Evergrey hipnotizando todos em um show impecável e mais tarde, Jinjer levantando qualquer fã de metal, então agora era a hora de prestarmos atenção em alguém que entrega uma performance muito técnica, justa e com forte influência emocional.

“Funeral Bell” abre o seu set e chama seus fãs mais antigos rapidamente, faixa presente no álbum “The Blessed Hellride” (2003) com bastante peso (previsível para a energia imposta) e assim, ganhando os presentes com muitos riffs interessantes… e logo “Name in Blood” (um dos últimos singles e com ótima recepção) e “Destroy & Conquer” (do álbum “Doom Crew Inc.” de 2021) completam o trio inicial.

Tudo parecia estar ligado ao peso de Zakk e solos cada vez mais técnicos, mesmo que uma parte do som estivesse um pouco prejudicada, mas até ali, todos estavam curtindo sem pensar no amanhã.

“Grimmest Hits” (2018) rendeu “A Love Unreal” onde o peso continuava reinando, bem como as performances conhecidas e implacáveis de um guitarrista que sempre deu “aulas grátis” no palco, e mesmo que não me agrade seus vocais, preciso reconhecer que suas escolhas para aquela tarde/noite estavam afiadas com seus fãs.

“Heart of Darkness” pode até ter chamado atenção de alguns, mas quando “No More Tears” surgiu, foi como uma grande porrada no peito e na alma de cada fã, muita nostalgia envolvida, muitas memórias de um guitarrista em ascenção na época em que performou em um clipe com uma cena de solo repetida a exaustão na década de 90, demonstrando a importância da dupla Zakk/Ozzy.

 

Outro ponto marcante em seus shows está em “In This River” (presente no álbum “Mafia” de 2005), uma franca homenagem a Dimebag Darrell (guitarrista do Pantera assassinado durante show de sua banda, Damageplan, em 2004), fazendo uma metáfora sobre sua partida precoce (um dos momentos em que Zakk mostra sua intimidade, abrindo o coração para compor algo realmente bonito). Vinnie Paul também ganha homenagem ao lado do irmão e assim, o telão mostra ambos em uma conexão direta com o guitarrista, eternos amigos em vida e infinitos em almas.

 

Clássicos como “The Blessed Hellride”, “Set You Free”, “Fire It Up” e a minha predileta, “Suicide Messiah”, renovaram a energia dos headbangers mais antigos, rapidamente reconhecidas e com bastante apelo comercial.

Era chegada mais uma homenagem a Ozzy Osbourne com o simples título de “Ozzy’s Song”, presente no álbum “Engines of Demolition”, outro bom momento do músico onde demonstra total afinidade com a memória do “madman”.

 

Era chegado o fim com “Stillborn”, outro clássico absoluto de sua carreira, encerrando um show verdadeiramente feito para os fãs de heavy metal.

De forma geral, temos um músico que exalta o seu legado a cada ano que passa, apresenta aos mais novo a importância da família que sempre lhe deu tudo e ainda consegue compor novos momentos para sempre manter a chama acesa.

Interessante e bem coeso!

 

Setlist:

Funeral Bell
Name in Blood
Destroy & Conquer
A Love Unreal
Heart of Darkness
No More Tears (Ozzy Osbourne)
In This River
The Blessed Hellride
Set You Free
Fire It Up
Suicide Messiah
Ozzy’s Song
Stillborn

 

 

Texto por: Vinny Almeida

Fotos por: M. Hermes

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