Podemos dizer que o primeiro dia do Bangers Open Air foi muito ligado ao público que buscava o lado alternativo e o extremo, e mesmo que muitas camisetas de nomes clássicos estavam presentes (ou você vai dizer que não viu um fã do Iron Maiden pelos arredores? É como uma pessoa muito especial para mim diz: “estamos em todos os lugares”) ainda assim era possível ver as mesclas variadas de idades e gostos musicais.
Caminhando para o fim da tarde e ainda com muito sol, o “Ice Stage” foi tomado por um público sedento em breakdowns, mosh e muita nostalgia com os americanos do Killswitch Engage, um dos inventores de um estilo extremamente popular e importante para a primeira década de 2000, e mesmo que exista o famoso “ame ou odeie”, o metalcore difundiu vários elementos de coisas que o Nu Metal trouxe na cena anteriormente.
Jesse Leach já não é mais aquele garoto que apenas berrava; ele aprendeu a cantar, ganhou experiência suficiente após sua saída, porém, gravou ótimos registros iniciais como no álbum homônimo de 2000 e “Alive Or Just Breathing” de 2002, em seguida passando por inúmeros projetos como “Seemless”, “The Empire Shall Fall”, “Times of Grace”, “The Weapon”,dentre outras, enquanto Howard Jones o substituía.

Eis que a banda começa a surgir no palco e logo os primeiros acordes brutais de “Fixation on the Darkness” apareciam e ecoavam nas vozes de todos, aliás, essa faixa ganhou notoriedade após Howard gravar sua versão, tecnicamente melhor; porém, este é um clássico absoluto da banda e isso é o que importa!
“In Due Time” (presente em “Disarm the Descent” de 2013) mantém a energia imposta inicialmente como um tiro de canhão no peito, sendo o primeiro single após a volta de Jesse, enquanto que um dos maiores hinos da era Howard aparece em seguida cadenciando tudo, “The End of Heartache” (do disco homônimo de 2004) e que virou trilha sonora dos créditos do filme Resident Evil: O Hóspede Maldito.
É preciso dizer que o KSE até aqui mostrou coisas fáceis de absorver, e mesmo que tenha sido um início para fãs, as canções não deixam de ter um apelo comercial, e claro, tanto no passado quanto atualmente, Adam Dutkiewicz (guitarrista) sempre impôs suas ideias acima de tudo, produzindo, criando o logo, sendo o primeiro baterista e principal influência para a geração que desbravou o breakdown no estilo, além de ajudar nos riffs que hoje são comuns para este nicho com sua inserção na guitarra oficialmente em 2004.
Era chegada a hora de mostrar algo recente, já com Jesse consolidado em sua volta, então “Aftermath” surgiu e, foi dedicada para outro grande nome que mais tarde estaria no mesmo palco, o gigante sueco In Flames.
A faixa está presente em seu mais recente álbum, “This Consequence” (2025) e tem forte influência na mensagem de preservação do planeta, já sonoramente falando, Jesse havia dito que “após ouvir o mais recente álbum dos suecos, sentiu o desafio de fazer algo tão bom quanto alguns de seus ídolos”, e assim saiu a canção citada.
Voltando para a fase Howard, temos outro hit absoluto: a ótima “Rose of Sharyn”, também presente em “The End of Heartache” (2004), deixando todos novamente em um êxtase incrível, formando rodas e muita diversão.

E da mesma era, “This Is Absolution” foi outra canção que ganhou o público com sua cadência conhecida. Agora um adendo: particularmente, acho importante Jesse interpretar o material do Howard, porém, em alguns momentos é nítido como sua veia mais extrema faz com que detalhes não sejam tão parecidos, embora para o contexto do show seja válido.
“Broken Glass”, mais uma faixa do seu último registro, mantém ainda em evidência o peso descomunal enquanto todos quebravam os pescoços em um ritual coreografado, até chegarmos em outro hit de Jesse, a excelente “Hate By Design”, presente em “Incarnate” (2016), uma canção que facilmente agrada pelo seu refrão chiclete e diga-se, sendo uma das melhores performances da banda.
“Forever Aligned” trouxe um ar moderno e também denso, sendo uma das prediletas da galera nessa nova fase, bem como “The Signal Fire” (presente em “Atonement”, lançado em 2019), contendo Jesse e Howard em um lindo dueto, algo raro dentro do metal.
“I Believe” une uma mensagem bonita sobre superação, ter força própria e superar limites com um instrumental coeso e bastante acessível, algo que cativou vários por ali, já em “The Arms of Sorrow” o peso da banda volta e mantém uma linha melódica ainda mais acentuada. Para um festival, a fase Howard sustenta muito do que a banda quer propor. O set é seguro, recheado de clássicos e mínimas apostas em material mais recente.

A sequência “Strength of the Mind” e “This Fire” não deixou ninguém parado, e após porrada atrás de porrada, chegava a balada “My Curse” (olha a fase Howard de novo aí, gente!) e claro, todos cantando como podiam, alguns abraçados (incluindo este que vos escreve), um dos momentos mais importantes do show.
O fim se aproximava, o sol finalmente dava uma trégua e “My Last Serenade” aparecia, um clássico absoluto da primeira fase de Jesse, cantada a plenos pulmões e fechando assim um show incrível e denso em muitos momentos…. mas espera… logo após uma conversa com a plateia, era a hora de fechar de verdade o seu set, e eu ali tenso, porém, esperançoso para conferir o que imaginei e, “Holy Diver” (gravada também na era Howard) fez todos os presentes cantarem até suas vozes sumirem, sendo uma linda homenagem ao eterno “baixinho” Ronnie James Dio.
Não foi a primeira vez que assisti a banda e espero não ter sido a última, mas uma coisa posso afirmar: todos merecem essa experiência, certamente um dos melhores shows do evento, talvez pudessem ter mudado algumas coisas no set mas tocaram tudo o que precisavam, então está tudo certo!
Setlist:
Fixation on the Darkness
In Due Time
The End of Heartache
Aftermath
Rose of Sharyn
This Is Absolution
Broken Glass
Hate By Design
Forever Aligned
The Signal Fire
I Believe
The Arms of Sorrow
Strength of the Mind
This Fire
My Curse
My Last Serenade
Holy Diver (cover de Dio)
Texto por: Vinny Almeida
Fotos por: M. Hermes
