Muito mais um estilo do que uma tendência conduzida pelas modas”

Nota: 4/,5.

Num ano em que grandes bandas lançaram álbuns excelentes, como é o caso de Judas Priest (Redeemer Of Souls), Opeth (Pale Communion), Behemoth (The Satanist), etc… O Mastodon segue em seu caminho absorvendo e transformando a tudo a sua volta. Seu sexto álbum, Once More ‘Round the Sun, enterra definitivamente o amor pelas histórias conceituais e eleva a banda a um estatus de independência que provoca, admiração de uns e desapontamento outros.

Once One “Round the Sun (2014) apresenta a banda flexionando cada vez mais as vocalizações, inclusive, experimentando no sentido de que todos no grupo adicionassem suas vozes a uma música ou outra. Claro que a maioria das músicas continuam sendo cantadas pelo guitarrista Brent Hinds e pelo baixista Troy Sanders, mas agora o guitarrista Bill Kelleher e, em particular, o baterista Brann Dailor ganharam muito mais abertura. E, neste disco, um traço que, particularmente, considero marcante é que a banda nunca pareceu soar tão vibrante e em sintonia. Ao que parece, o grupo ganhou mais unidade e, a partir disso, escreveu músicas mais curtas e simples. O que, para mim, simboliza pura e simplesmente que os caras se libertaram de muitos dos preconceitos aos quais a maioria das bandas está submetida. Támbém é verdade que, em mais do que qualquer outro disco, este está mais acessível no sentido comercial mesmo. Mas talvez seja a hora certa de acordar para uma nova realidade em que não existe mais espaço para radicalismos. Não que as músicas sejam leves ou que tenha baladas, mas, que parece ter havido consenso geral sobre o direcionamento artístico da banda. O que também fortalece o quanto de “foda-se” o grupo manda para a crítica musical. Seu toque típico está mantido, assim como sua preferência por arranjos ecléticos, e outras esquisitices que parece só funcionar com eles. Aliás, é por essas e outras que a música da banda sempre me chegou como uma audição estranha e agradável.

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Em resumo, Once More ‘Round The Sun é um disco temperado com emoções conflitantes, contrastes e reviravoltas que muitas vezes confundem o ouvinte e isso incomoda muita gente, mas que, de um modo geral é desafiador. Por fim, para este que vos escreve, os destaques, são: Feast Your Eyes e Chimes at Midnight, as mais pesadas; Diamond in the Witch House, a mais longa e mais estranha; e Aunt Lisa, a mais dispensável do disco.

Como conclusão, temos que, a julgar por toda atenção que banda vem recebendo da mídia especializada e por toda a produção artística dedicada ao grupo, os caras talvez estejam sujeitos a muito mais pressão do que no passado. Todavia, se a sua música se tornou mais acessível de um lado, de outro, se firmou muito mais como um estilo do que como uma modinha.

> Texto publicado originalmente no blog Esteriltipo.