Depois de atravessar duas perdas profundas, o Foo Fighters retorna com força e propósito em Your Favorite Toy, um álbum que carrega o peso do luto, mas também aponta para um novo caminho criativo.
O disco chega na sequência de But Here We Are, lançado em 2023, quando a banda ainda lidava diretamente com a morte do baterista Taylor Hawkins, em 2022. No mesmo período, Dave Grohl também enfrentava a perda da própria mãe, o que tornou aquele trabalho mais introspectivo, quase como um processo aberto de luto transformado em música.
Durante essa fase, quem assumiu as baquetas foi Josh Freese, um nome experiente, com passagens por bandas como Guns N’ Roses, Devo e A Perfect Circle. Agora, em Your Favorite Toy, a bateria fica por conta de Ilan Rubin, outro músico de peso, conhecido por trabalhos com Nine Inch Nails, Angels & Airwaves e também por sua versatilidade, que atravessa o rock alternativo e o pop, com colaborações com Paramore e Simple Plan.
O novo álbum nasce a partir da faixa título, que acabou funcionando como eixo criativo do projeto. Foi ali que a banda encontrou o direcionamento sonoro que guia o restante do disco. O resultado é um trabalho que alterna momentos de maior vulnerabilidade com passagens mais agressivas, mas sem recorrer ao peso óbvio. Aqui, a agressividade aparece mais na acidez, tanto na sonoridade quanto na produção.
Há uma forte influência estética do grunge, especialmente na textura das guitarras e na abordagem mais crua. A mixagem segue esse caminho, menos polida, mais seca, até deliberadamente flat, criando uma sensação de proximidade, como se a banda estivesse tocando na mesma sala que o ouvinte.
Parte dessa identidade vem do trabalho de Oliver Roman, responsável pela produção e também engenheiro do estúdio Six 606, onde metade do disco foi gravada. A outra metade nasceu em um ambiente ainda mais íntimo, na casa de Dave Grohl, o que reforça esse contraste entre controle técnico e espontaneidade.
Mais do que um simples retorno, Your Favorite Toy funciona como um ponto de inflexão. O Foo Fighters não apenas sobrevive ao luto, mas começa a redesenhar sua própria identidade sonora. É um álbum que olha para trás com respeito, mas que, acima de tudo, sugere que a banda ainda está disposta a se reinventar e explorar novas possibilidades daqui pra frente.
NOTA: 4 / 5
TEXTO POR LUKKA LEITE

