Ex-vocalista da Metamorphose Ambulante, banda carioca dedicada à obra de Raul Seixas, Thebar Ghedes retoma a trajetória autoral ao lado de músicos que já acompanharam nomes como Manu Chao, David Byrne, BNegão, Celso Blues Boy, Baby do Brasil, Pepeu Gomes e Elba Ramalho em álbum que evoca rock dos anos 1980 e 1990 e incorpora influências de blues, MPB e samba
Após décadas de estrada, Thebar Ghedes retoma sua trajetória com o projeto Thebar e a Metamorphose que acaba de lançar um álbum de estreia autointitulado em que transforma experiências de vida em novas composições. O disco já está disponível nos streamings.
O retorno também representa a ousadia de um artista maduro que, mesmo diante de uma indústria musical profundamente transformada, aceita o desafio de explorar novas formas de criação e dialogar com um público em constante mudança.
Com dez faixas — nove inéditas e uma bônus —, Thebar e a Metamorphose aborda temas como condição humana, sociedade, tempo e memória. O repertório parte de referências que atravessam a trajetória de Thebar, mas não se limita à nostalgia: propõe um encontro entre a memória afetiva do rock e a liberdade criativa de quem retorna à música em outra fase da vida.
Thebar e a Metamorfose foi construído ao lado de músicos estrelados que acompanharam nomes como Manu Chao, David Byrne, BNegão e Celso Blues Boy no álbum que evoca a memória do rock dos anos 1970 a 1990 e incorpora influências de blues, MPB e samba. Para ouvir o disco, clique na capa abaixo:
Thebar define sua sonoridade como “free rock”, uma proposta sem amarras de gênero, que parte das referências musicais dos anos 1970, 1980 e 1990 para explorar novas possibilidades criativas, unindo memória, maturidade e reinvenção artística.
“Thebar e a Metamorphose é a própria metáfora do título: a transformação de alguém que viveu intensamente os anos 80 e 90 e retorna hoje com maturidade, autenticidade e verdade artística, sem amarras”.
Da Metamorphose Ambulante ao novo projeto
À frente da Metamorphose Ambulante nos anos 1990, Thebar Ghedes realizou mais de 350 shows pelo Brasil com a banda que durou quatro anos e passou por palcos importantes da cena musical, como o Circo Voador, no Rio de Janeiro, e a Concha Acústica, em Salvador. A banda também participou frequentemente do “O Baú do Raul”, projeto criado por Kika Seixas em homenagem a Raul Seixas.
Nesse período, Thebar cruzou caminhos com nomes importantes da música brasileira, como Frejat, Marcelo Nova, Erasmo Carlos e Sérgio Sampaio. Essas experiências contribuíram para fortalecer sua ligação com o rock nacional e com o universo artístico de Raul.
Dessa fase Thebar resgatou este ano “Chamando Raul”, música inédita por três décadas e que agora chega para marcar os 81 anos do Maluco Beleza e celebrar a relação estreita de Thebar com a obra de Raulzito.
Décadas depois, o desafio é construir uma nova etapa sem depender exclusivamente da trajetória já percorrida. Ao retomar a criação autoral, Thebar aposta em letras inteligentes e provocativas, com metáforas e olhar libertário sobre a condição humana, a sociedade e a tecnologia. Na contramão do consumo musical descartável, sua obra valoriza a palavra como instrumento de reflexão e transformação.
Singles anteciparam o álbum
Antes do lançamento do disco completo, seis faixas foram apresentadas como singles e ganharam videoclipes, que já somam quase 2,5 milhões de visualizações no YouTube: “Jogo de Cartas”, “A Partida”, “Solidão Urbana II”, “O Dom”, “Brigar Pelo Poder” e “Gritos da Prisão”.
Assista Gritos da Prisão:
Assista Solidão Urbana:
As músicas percorrem diferentes aspectos da sociedade e da experiência humana, combinando letras reflexivas e provocativas com melodias envolventes, daquelas que conquistam o ouvinte e permanecem na memória. Os refrães fortes e marcantes se somam a arranjos que, muitas vezes, ganham contornos épicos, com corais e construções sonoras que remetem à tradição do rock de Raul Seixas, sem abrir mão de uma identidade própria. O resultado é um repertório que equilibra conteúdo e musicalidade popular.
Rio recebe shows de estreia
Thebar e a Metamorphose têm duas datas à frente para iniciar seu giro de divulgação. Ambos shows acontecem em janeiro, no Rio. No dia 14 de janeiro de 2027, às 20h, o espetáculo será no Teatro Brigitte Blair, em Copacabana. E no dia 30 de janeiro de 2027, será a vez do Audio Rebel, às 19h, em Botafogo.
Além da música, o espetáculo contará com cenografia imersiva e recursos visuais que integram som, imagem e performance, ampliando a experiência do público e traduzindo a identidade artística do projeto.
Os ingressos para o Brigitte Blair já estão à venda no Sympla: https://bileto.sympla.com.br/event/128836
Os ingressos para o Audio Rebel devem ser reservados em: thebarmetamorphose.com.br
Uma banda de músicos experientes
Ao lado de Thebar Ghedes, o projeto reúne instrumentistas com trajetórias diversas na música brasileira.
Leonardo Gheventer — baixo
Formado pela Universidade Estácio de Sá (UNESA), integrou as bandas Gato de Louça e O Último Reduto. Sua experiência abrange rock, samba e jazz.
Rui Lessa Jr. — bateria
Baterista da cena independente carioca, acompanhou artistas como Carlos Café, Big Gilson, Isidoro Kutno, Alexandre Valladão, Laura Finocchiaro e Mona Villardo. Atualmente, integra a TL-73, banda de Carlos Loffler.
Sandro Lustosa — percussão
Com trajetória nacional e internacional, foi integrante da Blitz e trabalhou com Manu Chao, David Byrne, BNegão, Baby do Brasil, Pepeu Gomes, João Donato e Elba Ramalho. Atualmente, acompanha Thebar Ghedes e BNegão.
Alexandre Valladão — guitarra
Ex-integrante da Metamorphose nos anos 1990, também passou pelas bandas Embromation Society e Veludo. Gravou com Toninho Horta e foi coprodutor do álbum “Indiana Blues”, de Celso Blues Boy, que contou com a participação de B.B. King.
Thebar e a Metamorphose faixa a faixa
Solidão Urbana 2: Reflexão sobre a perda de identidade na sociedade moderna.
Blues da Felicidade: Crítica à desconexão humana causada pelo uso excessivo da tecnologia.
Brigar pelo Poder 2: Faixa potente sobre as desigualdades urbanas e o poder no Brasil.
A Partida: Canção atmosférica floydiana sobre o fim de uma relação e a necessidade de partir.
Gritos da Prisão: Reflexão filosófica sobre a desigualdade social e a posse da terra.
Em algum lugar além: Sobre rompimento amoroso e ruminações.
A arte de amar: “a arte de amar é tão gótica; tão forte; tão lúcida”.
Abrigo: Ombro amigo para suportar as ciladas da vida.
O Dom: Paz interior, otimismo e autoconhecimento.


