Conrad Thomas Lant, o lendário Cronos, vocalista e baixista do Venom, morreu nesta quinta-feira, 1º de outubro de 2026, aos 63 anos. A notícia foi dada através das redes oficiais da banda e, posteriormente, confirmada pelo filho do músico.
Nascido em 15 de janeiro de 1963, Cronos entrou para a história do heavy metal como uma das principais figuras do Venom, banda formada no final dos anos 1970 em Newcastle, na Inglaterra. Ao lado de Jeff “Mantas” Dunn e Anthony “Abaddon” Bray, participou da criação de uma sonoridade que ajudaria a empurrar o heavy metal para territórios muito mais extremos.
Com Welcome to Hell, de 1981, e principalmente Black Metal, de 1982, o Venom estabeleceu uma combinação de velocidade, agressividade, crueza e temática obscura que se tornaria referência para gerações de músicos. O próprio título de Black Metal acabaria batizando um dos gêneros mais importantes surgidos dentro da música pesada.
Cronos foi fundamental para essa identidade. Seu baixo pesado, os vocais rasgados e sua presença de palco ajudaram a transformar o Venom em uma das bandas mais influentes do underground. A influência ultrapassaria o black metal e alcançaria diretamente o thrash, o death metal e praticamente todas as vertentes posteriores do metal extremo.
O Venom mostrou que o peso não dependia necessariamente de perfeição técnica ou de uma produção sofisticada. A crueza, a velocidade, a atitude e a força visual também poderiam ser parte essencial da música. Bandas como Metallica e Slayer foram influenciadas pelo grupo, enquanto gerações posteriores do death e black metal levariam aquelas ideias ainda mais longe.
CRONOS E O BRASIL

A história de Cronos também está ligada a um momento importante do metal brasileiro.
Em dezembro de 1986, o Venom realizou sua primeira turnê pelo Brasil, na chamada Brazilian Assault, ao lado do canadense Exciter. A excursão passou por Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.

Em 5 de dezembro de 1986, em Belo Horizonte, o Venom dividiu o palco com uma jovem banda brasileira que começava a escrever seu próprio capítulo na história do metal: o Sepultura. O grupo mineiro havia lançado naquele ano seu primeiro álbum, Morbid Visions.
A passagem do Venom pelo Brasil aconteceu justamente quando a cena extrema brasileira ainda estava se formando. Por isso, aqueles shows ganharam importância que ultrapassou o simples encontro de uma banda estrangeira com seu público. Foi um dos momentos em que a nova geração do metal brasileiro teve contato direto com uma das bandas que ajudaram a estabelecer as bases do metal extremo mundial.
Cronos voltaria diversas vezes ao país ao longo das décadas, mantendo uma relação especial com o público brasileiro. O Venom retornou em 2009, 2017 e novamente em 2024, quando Cronos continuava à frente da banda.
UM LEGADO QUE ULTRAPASSA O VENOM

A importância de Cronos não está apenas nos discos que gravou. Está principalmente nas bandas que surgiram depois deles.
O Venom ajudou a abrir uma porta para que o heavy metal pudesse ser mais rápido, mais agressivo e mais extremo. O que começou no underground britânico acabou influenciando músicos em diferentes partes do mundo e ajudando a criar novas cenas e novos gêneros.
Cronos permaneceu ligado ao Venom durante quase cinco décadas, atravessando mudanças de formação e diferentes fases da banda. Mesmo nos últimos anos, continuava ativo e à frente do grupo. Em 2026, o Venom ainda seguia produzindo e divulgando seu trabalho.
Seu legado, portanto, não termina com sua morte. Está nos discos do Venom, nas bandas que foram influenciadas por eles e em uma cena de metal extremo que dificilmente seria a mesma sem aquela combinação de peso, velocidade, atitude e irreverência criada pelo trio original.
Para o público brasileiro, fica também a lembrança daquele dezembro de 1986, quando Cronos e o Venom desembarcaram em um país cuja cena extrema ainda dava seus primeiros passos.
Cronos não criou sozinho tudo aquilo que veio depois, mas ajudou a abrir o caminho. E poucas bandas abriram caminhos tão importantes quanto o Venom.
Descanse em paz, Cronos.
Rest in Power!
1963–2026.
Welcome to Hell. Black Metal para sempre.
Texto por: Raphael Arizio






