Existem bandas que levam algum tempo até deixar claras suas referências. Com o Perpetual Requiem, basta uma primeira audição de “Eternal Rains” para perceber que estamos diante de músicos que conhecem muito bem os caminhos mais melancólicos do Metal.
Single de estreia do grupo e primeira amostra do EP An Ocean of Sorrow, previsto para 3 de setembro, “Eternal Rains” apresenta uma sonoridade que caminha principalmente pelos terrenos do Doom e Gothic Metal, apostando em peso, atmosferas sombrias e boas doses de melodia.
E as referências não ficam escondidas. Paradise Lost surge quase imediatamente como uma das comparações mais naturais, enquanto elementos que remetem ao Katatonia também ajudam a localizar o território explorado pelo trio. Mais do que simplesmente reproduzir essa escola, porém, o Perpetual Requiem demonstra entender muito bem sua linguagem, especialmente na maneira como trabalha as harmonias e equilibra passagens mais contemplativas com momentos de maior intensidade.
É justamente na parte melódica que “Eternal Rains” encontra alguns de seus melhores momentos. As guitarras de sete cordas sustentam o peso da composição sem transformar a música em uma sucessão de riffs excessivamente carregados, deixando espaço para que as melodias respirem. Quando o refrão chega, a faixa cresce consideravelmente, ganhando potência sem abandonar o caráter melancólico construído até então.
Outro elemento interessante está na bateria de Fábio Moysés. A produção preserva uma sonoridade bastante orgânica, escolha que combina com a proposta e reforça ainda mais aquela escola clássica do Doom/Gothic Metal que permeia a composição. O resultado foge da bateria excessivamente processada encontrada em boa parte das produções modernas e contribui para a personalidade da gravação.
A banda ainda encontra espaço para experimentar. A participação de Carlos Cassius no trombone de vara é certamente uma escolha pouco convencional dentro do gênero, mas aparece integrada à atmosfera da composição em vez de funcionar simplesmente como uma excentricidade colocada no arranjo para chamar atenção.
Essa busca por diferentes texturas parece ser uma característica que o Perpetual Requiem pretende desenvolver ainda mais em An Ocean of Sorrow. Além do trombone presente no single, o EP contará com cello, teclados, violões e slide guitar espalhados pelas quatro composições.
Apesar de ser um projeto novo, experiência definitivamente não falta aos envolvidos. Fernando Boccomino assume vocais e guitarra, Marco Nunes fica responsável por guitarra, baixo e vocais, enquanto Fábio Moysés completa a formação na bateria. Entre os três há passagens por nomes como ChaosFear, Genocídio, Critical Mass e Sacrifix, bagagem que ajuda a explicar a segurança apresentada já nesta primeira gravação.
Produzida pelo próprio Perpetual Requiem, com mixagem e masterização de Marco Nunes no Tori Studios, “Eternal Rains” é uma estreia bastante competente. A proximidade com algumas de suas principais influências ainda é evidente, sobretudo com Paradise Lost, mas isso também estabelece com clareza o ponto de partida escolhido pela banda.
Para quem sente falta daquele Metal pesado, melancólico e atmosférico que fez escola principalmente através do Doom e Gothic Metal, o Perpetual Requiem chega falando uma língua bastante familiar. E quando encontra espaço para suas melodias e deixa o refrão crescer, “Eternal Rains” mostra que existe potencial para que o trio, a partir dessas referências, encontre progressivamente sua própria voz.
An Ocean of Sorrow será lançado em 3 de setembro e contará com quatro faixas: “Eternal Rains”, “Bitter Past”, “An Ocean of Sorrow” e “The Pleasure of Freedom”.
TEXTO POR LUKKA LEITE – TEAM EUROPA

