E no meio do horário de almoço, com o estádio ainda longe de encher, o Maestro regeu sua banda com a destreza de Beethoven, e a rebeldia de Richie Blackmore, às 13:45, Yngwie Malmsteen sobe ao palco.
Não é segredo para ninguém que o músico sueco está no seleto grupo dos maiores nomes das 6 cordas, mas é claro que isso não define somente essa característica, afinal, sua influência é nítida ainda nos dias atuais com tantos guitarristas seguindo o seu legado.
A guitarra, com certeza poderia ser ouvida na sonda Artemis, que está passeando na órbita lunar. Dizer que o instrumento estava alto, é pouco. Era possível sentir as notas na boca do estômago!
Uma banda muito bem colocada, com músicos experientes, começa a fazer uma orquestração para que Malmsteen faça seu primeiro improviso, quase testando a lendária Fender Stratocaster Creme no palco.

Algumas discussões foram levantadas durante o show, como por exemplo: “por que Yngwie direcionou seu show para o lado virtuose, sabendo que sua discografia engloba ótimos hits, que explodiriam a plateia?” Forever One seria uma opção, Dreaming também, que ficou famosa na voz de Joe Lynn Turner, Heaven Tonight… e eu citei apenas 3 possibilidades de uma lista maravilhosa composta no decorrer de mais de 40 anos de carreira. Definitivamente, Malmsteen fez uma “masterclass”, não um “show de festival”.
A falta de emoção em alguns momentos manteve o show frio e sem muita interação do público. Era uma apresentação muito específica, que não foi capaz de conquistar novos adeptos. Não sou capaz de dizer que o Maestro performou mal, apenas não executou sua obra mais acessível ao público geral.

Rising Force surge como mágica, para a felicidade de quem estava esperando por ela. O telão ficou estampado por pessoas com o semblante de “essa eu conheço!”, depois disso, poucos momentos chamaram a atenção: Into Valhalla teve uma introdução orquestrada muito bem feita e chegou a ensaiar um entusiasmo, mas não passou disso; Far Beyond the Sun teve solo e melodia cantados a plenos pulmões. E quando o sueco resolveu emendar o solo de Bohemian Rhapsody, do clássico “A Night at the Opera”, de 1975, do Queen, olhos se marejaram; Smoke on the Water, em homenagem ao seu ídolo particular, Ritchie Blackmore, em sua época clássica no Deep Purple, também fez o público se agitar. Black Star foi a última emoção da audiência e a última atenção que foi prestada no palco.

Yngwie Malmsteen fez um show exemplar para um aluno de conservatório, ou para outro músico. O Allianz Parque não estava cheio ainda, mas os que assistiram à “masterclass”, presenciaram, talvez, o único momento em que a música erudita e o heavy metal se encontraram.
Setlist
Rising Force
Top Down, Foot Down
No Rest for the Wicked
Soldier
Into Valhalla
Baroque And Roll
Relentless Fury
Now Your Ships Are Burned
Wolves at the Door
Concerto #4 / Adagio / Far Beyond the Sun / Bohemian Rhapsody
Fire and Ice
Evil Eye
Smoke on the Water (Deep Purple cover)
Trilogy Suite Op: 5
Overture
Badinerie / Black Star
I’ll See the Light Tonight
Texto por: Amanda Basso
Fotos por: Ricardo Matsukawa












