Categoria: Resenhas

  • Resenha: Pearl Jam – Gigaton – (2020)

    Resenha: Pearl Jam – Gigaton – (2020)

    Foram sete anos que se passaram desde que o Pearl Jam se enveredou em algum material novo. Somente agora em 2020 a banda, uma das remanescentes da cena de Seattle, traz o seu mais novo trabalho, o disco “Gigaton“. O décimo primeiro registro chega pela Monkeywrench Records/Republic Records, no Estados Unidos e via Universal Music Group, na distribuição internacional. 

    O guitarrista Mike McCread, havia dito que o trabalho seria algo “experimental e confuso“. As palavras causaram curiosidade no mínimo, principalmente ao primeiro single dar as caras, mas não é exatamente isso que vemos. Quem abre é “Who Ever Said” evocando a banda em seu tom mais clássico e Vedder sendo Vedder e o Pearl Jam sendo o Pearl Jam. A faixa é ágil e traz arranjos de teclados que mostram de forma ainda acanhada que veremos novidades ao seu longo. “Superflood Wolfmoon” segue a linha da faixa anterior, continua bastante ágil e direta, com um solo interessante. Em “Dance of the Clairvoyants” é que o experimentalismo dá as caras com mais força. A levada soa como um flerte na música eletrônica que lembram bandas indie mais recentes, porém, com um selo do PJ por cima. Pode causar certa estranheza aos fãs mais ardorosos ou antigos da banda, o que sempre acontece nessas questões, mas se trata de uma faixa muito boa, com um refrão muito bem encaminhado e flui muito bem e Vedder parece super a vontade nessa vibe

    Quick Escape” traz o rock de volta, e aqui o lado grunge dá as caras com força. O baixo marcado aparece nos versos, Vedder traz sua voz chorosa em algumas partes e o refrão explode em coros de vozes e um momento cheio de presença e se torna uma das mais marcantes do trabalho todo. “Alright” é bem calma, serena, aquelas baladas que Eddie se esbalda e embala sem muitas modificações, mas bem interessante de se acompanhar. “Never Destination” segue cadenciada, num ritmo mais pegajoso e versos agitados, um solo bem bacana e uma levada de rock tradicional que a banda sempre implica ao seu som. 

    Take The Long Way” é daquelas faixas que surgem para completar o disco, apesar do ótimo solo que traz, um dos mais bem executados por aqui, além da ótima ponte que dá as caras. “Buckle Up” é outra que é bastante branda, outra balada, mas que não traz o charme de outras horas, sendo mais um momento bem morno na passagem do disco. “Retrograde” ainda continua na linha mais leve, mas dessa vez as coisas soam bem melhores e ótimas linhas de harmonia surgem ali e cativa o ouvinte em pouco tempo e é dona de mais um refrão bem chiclete, ma tão bom quanto o restante. Já no seu encerramento, “River Cross” surge toda dramática, com poucos detalhes e um grande destaque à Vedder que mesmo em dias atuais se mostra um ótimo cantor e não deve em nada aquele menino de vinte e poucos anos surtado no palco. 

    Ao fim “Gigaton” não é uma reviravolta na vida de ninguém, nem muito menos no fã do Pearl Jam. Os sete anos não foram lá tão criativos ou inovadores assim e por vários momentos, parecem um pouco cansados do que fazem, porém, o PJ é o que é e sabemos que a banda sabe criar música, então, não espere uma revolução sonora, mas aproveite como mais um momento dos caras. 

    NOTA: 3/5

    LINE UP:

    Eddie Vedder — vocal e guitarra
    Jeff Ament — baixo e backing vocal 
    Stone Gossard — guitarra e backing vocal
    Mike McCready — guitarra
    Matt Cameron — bateria

    TRACK LISTING:

    1. Who Ever Said
    2. Superblood Wolfmoon
    3. Dance Of The Clairvoyants
    4. Quick Escape
    5. Alright
    6. Seven O’Clock
    7. Never Destination
    8. Take The Long Way
    9. Buckle Up
    10. Come Then Goes
    11. Retrograde
    12. River Cross

  • Resenha: Tesla  – Five Man London Jam (2020)

    Resenha: Tesla – Five Man London Jam (2020)

    Revivendo o formato acústico.

    A banda de Sacramento, Califórnia, Tesla visitou o icônico estúdio de gravação Abbey Road Studios, em Londres, Inglaterra, em junho de 2019, para um evento musical,  onde foi capturado a banda tocando suas músicas mais clássicas como “Love Song” ,”What You Give“,”Signs” e “We Can Work It Out“, além da recente “California Love Song“, do seu último álbum “Shock“. Tudo foi gravado e filmado em alta definição, e tal material recebeu o nome de “Five Man London Jam“, como uma homenagem ao seu aclamado álbum acústico ao vivo, “Five Man Acoustical Jam“, lançado em julho de 1990. O Tesla despojado de “Five Man Acoustical Jam” foi um sucesso instantâneo que coincidiu com o aumento pela procura pelo formato unplugged, que foi muito explorado pela MTV americana durante os anos 90. Desde então, o conjunto ganhou platina nos EUA com esse trabalho.

    Os anos aperfeiçoaram sua arte e a banda soa musicalmente muito firme e determinada. Para o Tesla, expor seu estilo hard rock de suas músicas em uma arena acústica, tem um significado todo especial e tenta abordar as coisas de uma maneira diferente, voltando para as demos originais e um padrão mais enraizado.

    Desde abertura com ‘Cummin’ Atcha ‘Live / Truckin’ a banda consegue impor seu som com facilidade e talento, agregando harmonia, ritmo e blues com uma pitada de sotaque country. O vocalista Jeff Keith soa como Steven Tyler nos anos 70, mas com uma voz bem áspera, que combina perfeitamente com o material e traz toda uma  autenticidade ao estilo musical do Tesla.

    No ano passado, o próprio Jeff Keith, disse ao The Metal Voice do Canadá sobre “Five Man London Jam“: “Foi feito nos estúdios da Abbey Road. Dá para imaginar isso? Nos divertimos muito por estar na estrada há mais de 30 anos, assim como nos divertimos quando estávamos nos estúdios de Abbey Road, onde The Beatles e outras grandes bandas gravaram. Somos felizardos por viver assim“.

    Five Man London Jam” estará disponível em vários formatos, incluindo Blu-ray, vinil com 2LPs, CD e digitalmente. O single de “What You Give” já está disponível para download e os demais formatos serão disponibilizados em 27 de março próximo.

    Se você for fã do Tesla vai comprar sem pensar duas vezes eu sei, e caso não conheça a banda, mas goste do estilo acústico que foi tão explorado nos anos 90 e anda meio que esquecido, pode ser uma boa pedida. A banda possui ótimos músicos, a produção é de primeira e todos os hits estão à disposição. Vale a pena conferir.

    Nota: 4/5

    Tracklist:

    1. Cumin’ Atcha Live / Truckin’
    2. Tied To The Tracks
    3. We Can Work It Out
    4. Signs
    5. What You Give
    6. California Summer Song
    7. Forever Loving You
    8. Miles Away
    9. Paradise
    10. Call It What You Want
    11. Stir It Up
    12. Into The Now
    13. Love Song
  • Flagelo – Vale De Horrores (2018)

    Flagelo – Vale De Horrores (2018)

    COMPOSIÇÕES INSPIRADAS, TALENTO E AGRESSIVIDADE”

    NOTA: 3,5/5.

    A BANDA

    Fundada em meados do ano de 1995 na cidade de Fortaleza/BRA, a Flagelo é uma veterana da estrada e tem muita história a ser resgatada. A banda surgiu numa época em que o Metal ainda engatinhava na cidade. Nitidamente influenciada pela escola germânica (Sodom, Destruction e Kreator) a banda também incorpora elementos do metal americano (Exodus, Possessed , Death) e brasileiro (sepultura, sarcófago, Holocausto)  todos em sua eras antigas. A formação que gravou o disco conta com Elineudo Morais (vocal), André Noronha (guitarra), Anderson Nunes (guitarra), Léo Peixe (baixo) e Pedro Lima (bateria).

    O ÁLBUM

    O disco tem 10 músicas distribuídas em 39 minutos e podemos dizer que o que aqui se houve é um Thrash Metal “old school” baseado no que as escolas acima citadas têm de melhor. Desde a escolha dos timbres, passando pelo vocal à la Mile Petroza (em menor escala) até o baixo virtuoso de Léo, que em muitos momentos remete ao clássico Individual Thought Patterns, do Death. Em igual proporção, também vem à mente outro clássico do passado, Endless Pain, do Kreator. Mas duas coisas, particularmente chamaram minha atenção: o riff da faixa Necrofilia que em muito se assemelha ao de Shadows Of Hate, do Cerberus (extinta banda de Fortaleza) e o fato de a banda cantar em português, coisa que parecia não fazer muito sentido noutras épocas, mas que agora se mostrar funcional, verdadeiro e – porque não dizer – até um diferencial. A despeito de suas influências, é possível ver que a banda tem identidade e consegue imprimir seu estilo em todas as faixas do álbum. Com composições inspiradas, talento e agressividade, os músicos lançaram um grande álbum que parece não ter recebido a merecida atenção de boa parte dos fãs. Por fim, Vale de Horrores é um álbum feito sob medida para adeptos do metal old school, mas deve agrada r aos fãs da música agressiva de um modo geral.

     

    O QUE TEM DE BOM?
    1. A produção/gravação é boa;
    2. As composições são matadoras;
    3. A duração do disco está na medida certa.

    O QUE PODERIA SER MELHOR?

    1. O disco foi produzido com baixo orçamento e mesmo assim, conseguiram um bom resultado. Imagina o que teriam feito com mais grana.

    SPOTIFY:

  • Tool – Fear Inoculum (2019)

    Tool – Fear Inoculum (2019)

    “As pessoas irão amar ou odiar pelos mesmos motivos”

    Nota: 4/5.

    Tool foi fundado em 1990 na cidade de Los Angeles/Califórnia. A formação atual conta com o baterista Danny Carey, o guitarrista Adam Jones, o vocalista Maynard James Keenan e o baixista Justin Chancellor.

    No início, sua música continha mais elementos do heavy metal, mas logo passaram para algo mais alternativo. A principal marca da banda é o esforço para unificar numa mesma expressão a experimentação musical, as artes visuais adicionada de uma mensagem de evolução pessoal que continua  até hoje.

    13 anos após o lançamento do último álbum, muitos perderam a esperança de que a banda retornasse com algo inédito. Aos que perseveraram, podemos dizer que Fear Inoculum é o justo retorno para os investimentos depositados em espera e fé.

    Depois de muitas reviravoltas e do consequente tempo perdido, como restabelecer o elo entre o que a banda significou e o que ela pretende ser? Bom, a idade chega para todos e, nesse caso, certamente influenciou positivamente. Depois de tantas intempéries Keenan amadureceu com dignidade e as transformações ocorridas na sua vida pessoal estão refletidas no seu modo de compor.

    Nesse contexto, “Fear” é pode ser entendido como o disco em ele [James] mais confiou nos próprios instintos e no coração. Assim, a principal conseqüência disto para este trabalho, é que as pessoas irão amá-lo ou odiá-lo pelos mesmos motivos. Mas, no fundo, nada disso importa. O lançamento é uma boa oportunidade para reaprender a ouvir música, buscando identificar detalhes e nuances. E por falar nisso… Por fim, O que temos aqui é um álbum de música progressiva que foge ao estereotipo “Metal”. Justamente por isso, surge como algo inovador. Aliás, diferente de tudo que ouvi neste ano – até agora! É um trabalho ao mesmo tempo cerebral e emotivo em que a banda consegue transmitir sentimentos diversos e palpáveis. Nesse momento, depois de várias audições, o vejo como sério candidato a melhor disco do ano. De qualquer forma, é cedo para abstrair os muitos segredos aqui contidos. Então, creio que as rugas só se mostrarão verdadeiramente depois de algum tempo e distanciamento.

    O que tem de bom?

    A banda tem muitos méritos e o maior deles é o de operar de forma independente a do mercado e isso se reflete claramente na forma de compor. Por isso podemos dizer que aqui há [1] uma comunicação perfeita entre os músicos, que se mostram orientados pelo mesmo ideal de liberdade; [2] essa liberdade se exprime na música como efeito da autonomia para experimentar de uma forma consciente; [3] essa tomada de consciência, por sua vez, levou a banda a conseguir amarrar as músicas com nós quase indissolúveis.

    O que poderia ser melhor?

    Esse trabalho foi tão esperado pelos fãs que muitos diziam que era bom antes mesmo de ouvi-lo. Não nego sua importância para o momento atual, mas aconselho ouvi-lo de forma consciente. Nesse sentido, [1] um disco com duração média de 60min já seria bom o bastante, pois 96min é demais para qualquer álbum, por mais inovador que seja; e [2] faixas como Litanie contre la Peur e Chocolate Chip Trip (por exemplo) tem claramente a função de prolongar a duração do disco, embora façam sentido no contexto da obra.

    Spotify:

  • Asmodeus – Parabellum (2018)

    Asmodeus – Parabellum (2018)

    “FRAGMENTOS DE UMA ÉPOCA EM QUE TUDO ERA MAIS DIFÍCIL E MAIS APAIXONANTE”

    NOTA: 3,5/5.

    A BANDA

    Inspirada na primeira geração de bandas de metal extremo internacional, Asmodeus é uma banda de Death Metal surgida em Fortaleza/Brasil no começo dos anos 80. A banda é adepta de uma vertente que se convencionou chamar de Old School, mas o som é Thrash / Death Metal com influências de nomes como Venon, Possessed, Celtic Frost e Sepultura (antigos). Sobre este último, podemos relacionar o fato de as letras serem cantadas em portguês. Fizeram algumas apresentações na época de sua fundação, mas decidiram parar as atividades e se mantiveram ausentes por todo o período compreendido entre 1986 e 2015, ou seja, quase 30 anos. Pelo simbolismo que o nome representa, nada seria mais digno do que retornar num momento em que a música, de um modo geral, sofre um processo de intoxicação tecnológia. E o maldito retorno se deu com a seguinte formação: Elineudo Morais (vocal), Fábio Morcego (guitarra), Anderson Frota (baixo) e Acacio Vidal (bateria).

    O ÁLBUM

    Contendo oito faixas e aproximadamente 30 minutos, Parabellum deve agradar bastante aos fãs do metal praticado por Bathory, Venon e Apocalyptic Raids.  Mas o dito vale para o amantes do Heavy Metal em geral. O som dos caras é agressivo, sujo, baixo e com uma forte tendência  para o lado necro da força. A despeito da simplicidade das composições, as músicas têm variação e grande apelo junto aos adeptos daquele tipo de metal original dos anos 80. Sobre isto, é notório que o grupo quis manter a atmosfera daquela época presente neste lançamento e assim o fez estabelecendo, portanto, uma marca sonora. Se você costuma adotar referências como forma de se introduzir nos aspectos mais íntimos de uma obra nova, deve notar que Parabellum guarda muitas similaridades como Sonho Maníaco, do Korzus Antes do Fim, do Dorsal Atlântica, seja por ser cantado em nossa língua materna, seja por cauda dos timbres ou da produção. O que aqui se ouve/vê é metal old school em todas as suas cores e tons, por isso, afirmo que é impossível que o ouvinte não se sinta imediatamente transportado para uma época em que tudo era mais difícil, mas também, mais apaixonante. Na opinião deste que vos escreve os destaques, em ordem de importância, são: 1) Pobre Diabo2) Guerra e 3) Escravos do Mal.

     

    O QUE TEM DE BOM?

    1) A atmosfera oitentista, que é a marca dessa nova fase da banda;

    2) A duração do álbum foi assertiva em tempos de Streaming.

    O QUE PODERIA SER MELHOR?

    1) A escolha dos timbres graves somada a sujera sonora, embora proposital, fez com que a banda perdesse em termos de potência;

    2) A produção/gravação é média.

    SPOTIFY:

  • Resenha: Candlemass – The Pendulum EP (2020)

    Resenha: Candlemass – The Pendulum EP (2020)

    Mestres do Doom retornam com “The Pendulum”.

    Os magos da destruição retornam com “The Pendulum”, um EP com faixas não utilizadas das sessões das gravações do álbum “The Door to Doom”. O  novo trabalho do Candlemass estará disponível na próxima sexta-feira, 27 de março via Napalm Records. Eles sempre merecem muita atenção, pois existem inúmeras bandas que foram inspiradas por esse grupo desde o clássico “Epicus Doomicus Metallicus” em 1986 e claro, possuem um lugar entre os grandes do metal.

    Começamos com a faixa-título, onde os vocais de Johan Längquist são dramáticos e inspirados por uma seção rítmica muito pesada. As linhas de baixo são sensacionais. Já “Snakes of Goliath” que tem muitas influências do Black Sabbath dos primeiros discos, e é outro exemplo de o quanto esses suecos podem soar pesados.

    Sub Zero” é uma faixa instrumental acústica, como um intervalo devido a sua brevidade. Em “Aftershock” a difusão do som tem muita profundidade e, novamente, o baixo de Leif Edling é o destaque predominante.

    Porcelain Skull” com sua guitarra psicodélica e criativa chama atenção, e realça o trabalho dos vocais que se encaixam perfeitamente no contexto do instrumental. E encerrando temos “The Cold Room” com sua tristeza e melancolia extremas, fazendo jus ao seu título.

    Com o EP “The Pendulum”, o Candlemass prova que continua forte dentro do cenário do Doom Metal. A banda mantém seu som característico sem se sentir restrita ou obsoleta. O vocalista Johan Längquist se encaixou muito bem dentro da proposta e mantém a banda honesta. E o resultado é uma coleção melodias que poderiam muito bem fazer parte do material do seu lendário início.

    Nota: 4/5

     Track list:

     

    1. The Pendulum

    2. Snakes of Goliath

    3. Sub Zero

    4. Aftershock

    5. Porcelain Skull

    6. The Cold Room

     

    Banda:

    Leif Edling – Baixo

    Mats  Björkman – Guitarra

    Jan Lindh – Batera

     Lars Johansson – Guitarra

    Johan Längquist – Vocais

  • Soen – Lotus (2019)

    Soen – Lotus (2019)

    “Fazendo justamente aquilo que se espera, porém, de uma forma brilhante”

    Nota: 4,5/5.

    Soen é um supergrupo de metal progressivo da Suécia, composto por músicos que ganharam fama em bandas de metal extremo. A formação original era composta pelo ex-baterista do Opeth, Martin Lopez , o ex-baixista do Death, Testament e Sadus, Steve Di Giorgio , o vocalista do Willowtree, Joel Ekelöf e o guitarrista Kim Platbarzdis.

    Os mais atentos já notaram que a banda é notoriamente influenciada por nomes como Opeth, Tool e Katatonia, apenas para citar os três nomes cujas características sonoras estão mais presentes nos álbuns anteriores do grupo. Aliás, tanto Congnitive quanto seu sucessor, Tellurian , foram produzidos por David Bottrill, que já trabalhou com o Tool.

    A banda abraçou-as suas influências e delas se apropriou. Eu não sei se falam abertamente ou mesmo se têm consciência disto, mas de qualquer forma, a sua música tem tanta personalidade que todos podemos concordar que a criatura aprimorou a fórmula descoberta pelos seus criadores. A sua musicalidade é inquestionável. Tudo se encaixa naturalmente e músicas como Opponent, Martyrs e Covenant mostram como Soen está comprometido com tal fórmula. Lotus quase atinge a marca de uma hora de duração, como de costume. Contudo, diferentemente da maioria dos discos que já ouvi esse ano, não me senti cansado ou aborrecido ao longo das 9 faixas em seus 54 minutos. À propósito, penso que se trata  de verdadeira fruição quando o sentimento mais presente numa audição é o prazer de ouvir as músicas até o fim e, mais do que isto, sentir-se curioso quanto ao que virá nos próximos segundos. A formação que gravou o disco conta com Martin Lopez (bateria), Joel Ekelöf (vocal), Lars Åhlund (teclados), Stefan Stenberg (baixo) e Cody Ford (guitarra). Acho que podemos falar de Lotus, como sendo um bom sucessor de Lykaia, oferecendo momentos que o superam e momentos que apontam para um futuro previsível, mas de modo algum, IMUTÁVEL. O grupo não apresentou algo inovador – ao contrário – fez justamente aquilo que dele se espera. Mas o fez de uma forma brilhante!

    O que tem de bom?

    O equilíbrio entre passagens mais calmas e conturbadas, apesar dos conflitos fornecerem o contraponto ideal para que a obra seja relevante. Nesse sentido, [1] O álbum é revigorante, pois tem o poder de evocar sentimentos de força e beleza ao final de cada faixa; [2] Lascivious, Martyrs e Rival não são meros destaques. São clássicos cheios de variações inspiradas.

    O que poderia ser melhor?

    É difícil apontar algo que diminua a força ou a beleza desse disco, mas como nada é perfeito, vamos lá: [1] River, apesar de estar conectada com o conceito geral do álbum, é demasiado melosa e, aos 44 minutos, se coloca como o primeiro ponto de – digamos – “atenção” da audição em virtude do alto grau de melosidade que emana; [2] Outro ponto de atenção é que por mais de uma vez, tive a sensação de dejavu, como se as faixas fossem uma mesma canção, só que, dividida em 9 partes.

    SPOTIFY:

  • Darkside – Fragments of Madness… At The Gates of Time (2018)

    Darkside – Fragments of Madness… At The Gates of Time (2018)

    “UMA BANDA PRA SE VER E OUVIR AO VIVO”

    Nota: 4/5.

    A BANDA

    Fundada em 1991, a banda é uma das pioneiras do heavy metal no estado do Ceará. No mesmo ano de sua formação, no qual o país ensaiava sua abertura econômica, – e isso mudaria muito as coisas no micro-cosmos do rock local. Numa época marcada por uma espécie de romantismo insipiente (as coisas eram mais difíceis, mas isso era compensado com doses cavalares de paixão pela arte e de amor pelo Heavy Metal. Nesses quesitos, a Darkside sempre se destacou e, hoje, prestes a completar seus 30 anos de história, a banda pode ser considerada uma das melhores do país no estilo. Umas da coisas mais importantes sobre os músicos é que são uma banda pra se ver ao vivo. A qualidade, agressividade e energia de suas performances é quase palpável.

    O ÁLBUM

    Fragments of Madness… At The Gates of Time, o álbum, que coroa os esforços despendidos em três décadas de atividades pode muito bem simbolizar um tributo à superação das adversidade e à persistência de Tales Groo, líder e fundador da banda. O álbum trás releituras atualizadas das músicas gravadas em duas demo-tapes que circularam o país na primeira metade dos anos 90. Uma das coisas mais curiosas sobre esse álbum é que o seu processo de gravação foi marcado pela participação de vários ex integrantes da banda. Até ser concluído, as seções de estúdio foram executadas por nada menos do que 3 bateristas, 3 baixistas e 5 guitarristas que ajudaram a dar uma cara nova para as canções do passado.  Com relação às músicas, a primeira demo Fragments of Time (1991), continha as músicas Hare Krishna, Suicide, Spiral Zone e Fragments of Time. A segunda, Gates to Madness (1993), Intro/Storms, Gates to Madness, Inferno, The Guardian e Blessed by the Dark. O resultado final é um heavy/thrash executado de forma muito competente e energética, sendo por isso, um dos melhores lançamentos do ano de 2018. A formação que gravou o disco contou com Marcelo Falcão (Voz), Tales Groo (Guitarra), Anderson Menezes (Guitarra), Kaio Castelo (Baixo) e Bosco Lacerda (Bateria). Após a gravação, Vinicius Dorneles substituiu Anderson Menezes numa das guitarras.

    O QUE TEM DE BOM?

    1) As composições são excelentes;

    2) A qualidade da gravação é boa e

    3) O álbum serviu para manter a banda na ativa.

    O QUE PODERIA SER MELHOR?

    1) Ao tracklist poderia ter sido adicionado pelo menos uma música inédita. Nem que fosse á título de faixa bonus.

    SPOTIFY:

  • Resenha: Testament – Titans Of Creation (2020)

    Resenha: Testament – Titans Of Creation (2020)

    Testament – Titans Of Creation (2020)

    Uma aula de thrash metal.

    A linhagem e a nobreza de uma banda são dadas por seus bons discos, pelos seus fãs e por seu sucesso alcançado com esforço. Em “Titans Of Creation”, sua 13ª produção, o Testament fortalece sua missão em um nível invejável para muitos.

    Política, questões sociais, histórias de horror, o álbum aborda temas distintos com conhecimento e reflexão. E manter a mesma formação da produção anterior, há quatro anos, é uma conquista com um valor  inestimável nestes dias de constantes mudanças. A gravadora NUCLEAR BLAST permanece apostando na banda, para que ela  continue com o sucesso e fama que conquistaram pelo seu esforço incomparável.

    A paulada “Children Of The Next Level” abre o CD com todos os instrumentos precisos, boas mudanças de ritmo e rifes que proporcionam acordes harmoniosos. O refrão é formidável. Sem tempo para respirar temos “WWIII“, com seu título referente a uma hipotética Terceira Guerra Mundial. Acordes grossos e compactos com distorções devastadoras, sem restrições para aniquilar quem a ouve.

    Dream Deceiver” tem a intenção de esmagar nossos tímpanos com um refrão melódico e intenso. O solo de guitarra de Skolnick é digno de ser apresentado como lição obrigatória em todas as aulas de música, onde jovens guitarristas queiram aprender sobre mudanças de ritmo e habilidade. Logo em seguida chega a vez de “Night Of The Witch”, que foi a prévia desta produção, com Chuck Billy mandando ver em um conjunto de agudos monstruosos.

    City Of Angels”, com o baixo introdutório de Di Giorgio, apresenta um tema muito variável e mutante, devido aos arpejos das guitarras e aos tons dos vocais descompromissados, bem no estilo ‘Testament‘ do final dos anos 80 começo dos 90. Em “Ishtar’s Gate” novamente o baixo assume uma presença notável e que rife meus amigos. Outra vez aquela sensação de estar nos áureos tempos de “Souls of Black” vem à mente. E que sensação boa é essa. Sem palavras.

    Symptoms” é mais cadenciada e destaca os acordes que, devido à sua simplicidade, a torna especial. Na sequencia “False Prophet” apresenta ritmos básicos de thrash metal, onde o destaque é o ‘destruidor de bumbos‘, Mr. Hoglan. Canção sólida com guitarras gêmeas muito criativas em sua execução.

    The Healers” começa com rifes que podem ser denominados como o ‘modelo Testament’ de fazer thrash. Em meio a incríveis distorções a letra fala sobre terapia medicinal. Uma nova introdução de baixo em “Code Of Hammurabi” e depois é pé no fundo, quinta marcha e toda força a frente falando a respeito da dinastia babilônica e a lei de Talião, o conhecido “olho por olho, dente por dente ”.

    Curse Of Osiris” possui intensidade nas harmonias em todos os instrumentos, com os vocais de Billy flertando com as modulações do Death/Black Metal por alguns instantes. E terminamos com “Catacombs” em um clima muito teatral recheado de teclados e coros.

    A banda de Berkeley, um dos pilares do thrash made in Bay Area, formada em 1983 sob o nome de Legacy, continua devastando tudo o que encontra pelo caminho até hoje. Permanecem atuais sem perder suas raízes. E eu não tenho medo algum em afirmar que esse será, provavelmente, o melhor álbum do thrash metal de 2020.

    Nota: 5/5

    Banda:

    Eric Peterson – Guitarra

    Chuck Billy – Vocais

    Alex Skolnick – Guitarra

    Gene Hoglan – Batera

    Steve Di Giorgio – Baixo

    Tracklist:

    1. Children Of The Next Level
    2. WW III
    3. Dream Deceiver
    4. Night Of The Witch
    5. City Of Angels
    6. Ishtars Gate
    7. Symptoms
    8. False Prophet
    9. The Healers
    10. Code Of Hammurabi
    11. Curse Of Osiris
    12. Catacombs

  • Opeth – In Cauda Venenum (2019)

    Opeth – In Cauda Venenum (2019)

    “Não apenas uma obra musical, mas também, literária”

    Nota: 5/5.

    A BANDA

    Fundada em 1990 na cidade de Estocolmo/SWE, O Opeth tem o death metal em seu DNA. Mas por um capricho puramente humano rompeu com esta cadeia genética mudando sua música radicalmente. Em poucos anos a banda mudou sua música como da água para o vinho, saindo de uma música radical e para algo progressivo e melódico.

    Entre as várias formações o vocalista, guitarrista e compositor, Mikael Åkerfeldt tem sido a única constante na banda. E, tal como Chuck Schudnder (Death), é a mente criativa a frente do grupo.

    Watershed (2008) foi o último disco em que a banda se utilizou daquele qué é considerado o principal recurso estético do death metal: os vocais gulturais. Desde então, tem avançado continuamente num dos campos mais perigosos para músicos e ouvintes pouco experimentados, o rock progressivo.

     

    Mesmo quando era considerada uma banda death metal, Opeth nunca obedeceu cegamente as convenções do estilo e, ao abandonar as vocalizações da música extrema, Åkerfeldt cometeu um dos atos de rebeldia mais arriscados do universo Metal nos últimos anos. Principalmente porque ocorreu livre de pressões por aumento de público e/ou de mercado.

    In Cauda Venenum é um álbum conceitual e foi originalmente escrito na língua materna da banda durante um ano “sabático” para Åkerfeldt. Mas acabou sendo em duas versões, uma no idioma original (sueco) e outra no inglês. A expressão “In Cauda Venenum” tem orígem no latim e traduz-se por “cauda venenosa”, que significa algo como “surpresa indesejada no final”. Todas as canções giram em torno desse conceito que conta um drama do ponto de vista de alguém que presencia ou tem consciência dos fatos, mas sem neles interferir.

    [1] Garden of Earthly Delights uma introdução composta de sons sinistros que criam o clima para que [2] Dignity adquira um brilho especial. A narrativa se inicia numa festa de final de ano, quando algo trágico acontece; [3] Heart in Hand é a primeira música de trabalho e, nela, surgem os primeiros elementos de uma trama que envolve inveja, luxúria e pacto de morte; [4] Em Next of Kin a história se desenrola nos levando a crer que tal tragédia – a mesma tragédia – se repente num círculo vicioso; [5] Lovelorn Crime revela que uma pessoa conhece o segredo. Para proteger os demais, ela sofre resignadamente todas as consequências; [6] Em Charlatan surgem os efeitos da culpa: a revolta, a negação e o desejo de vingança contra Deus. [7] Universal Truth é sobre a verdade oculta que perpetua a tragédia numa espécie de ritual maligno; [8] The Garroter é o momento exato da tragédia em que o escolhido é atingido com um golpe de faca na garganta; [9] Continuum o narrador onisciente fala em primeira pessoa e se assume como o protagonista da história. Ele tem uma decisão a tomar e ela pode mudar o destino de todos os envolvidos; [10] All Things Will Pass, que encerra o álbum, é o momento mais sublime de toda a audição. Para acabar com o círculo vicioso, ele decide dar cabo da própria vida. E assim o faz, ressignificando uma jornada de sofrimentos com a cura obtida por meio da própria morte. Por fim, Åkerfeldt, na figura de líder, foi sozinho, o responsável pela criação desta obra. Fazendo isso, confirmou uma hipótese que antes só existia em tese: “ele cria algo que primeiramente o agrade, e depois, que agrade aos interessados”. Ocorre que até o momento todas as suas decisões tem se mostrado acertadas o suficiente para manter, felizes, os fãs. Portanto, não acho apropriado julgá-lo por isso. Ao contrário, acho justo creditá-lo por fazer de In Cauda Venenum, não apenas uma obra musical, mas também, literária.

    O QUE TEM DE BOM?

    A construção foi idealizada de modo a quebrar os padrões métricos e estéticos da música comercial. Isto indica que: [1] além de não estar preocupado em agradar ao grande público, a banda conseguiu [2] fazer inovações relevantes musical e conceitualmente falando. Mas o melhor de tudo é que, de uma forma ou de outra, [3] nenhuma canção te deixará num estado de completa indiferença.

    O QUE PODERIA SER MELHOR?

    [1] Lovelorn Crime é uma música feita pra tocar no rádio e, apesar, de estar conectada ao conceito, musicalmente não acrescenta muito ao álbum; [2] Charlatan é uma grande música, mas o arranjo dos teclados é desnecessário.

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