Categoria: Resenhas

  • Resenha: Marko Hietala – Pyre of the Black Heart – (2020)

    Resenha: Marko Hietala – Pyre of the Black Heart – (2020)

    Resultado de imagem para marko hietala pyre of the bandTRACK LISTING:
    1. Stones

    2. The Voice Of My Father
    3. Star, Sand And Shadow
    4. Dead God’s Son
    5. For You
    6. I Am The Way
    7. Runner Of The Railways
    8. Death March For Freedom
    9. I Dream
    10. Truth Shall Set You Free

    Marko Hietala, um dos nomes que integram o Nightwish e também conhecido pelo seu trabalho com seu irmão no Tarot, ano passado se enveredou pelo caminho da carreira solo mostrando a mente criativa que é e trazendo uma outra visão de seu trabalho. Este ano, Hietala trouxe a versão americana do trabalho, “Pyre of the Black Heart“, que é a versão de “Mustan Sydämen Rovio“, originalmente lançado em finlandês e distribuído pela Nuclear Blast.

    Nesta obra, atuando como cantor e compositor, além de baixista nas gravações, Marko explora caminhos diferentes, traz uma veia mais melódia, com alguns traços do hard rock e um pouco do rock progressivo também, que já fica evidente na abertura com “Stones“, que marca a identidade da ótima voz e com um violão muito bem dedilhado. Não diferente em “The Voice of My Father”, que é melódica e melancólica, com uma ponte muito boa, carregada e densa com um ótimo trabalho vocal. 

    Star, Sand and Shadow” tem seu começo um tanto viajado com barulho eletrônicos e cai num momento que nos joga em alguns traços dos anos 80, para virar uma música mais cadenciada, com toques de tempos quebrados. “Dead God’s Son” é algo mais próximo das empreitadas de Hietala no Nightwish, é muito bem preparado o pré refrão e o cerne da canção é forte e poderoso. “For You” é a baladona do disco, em seus primeiros versos há uma aproximação aos momentos mais melódicos do saudoso Warrel Dane do Nevermore, é a faixa mais longa do disco e é um tanto climática, nos envolvendo na audição e o mesmo continua em “I Am the Way“, o mesmo clima com temas eletrônicos, para em seguida explodir numa faixa com bom cadenciamento e boas melodias da banda e de Hietala, que vai do falsete ao mais agressivo com grande naturalidade. 

    Runner of the Railways” é rock dos bons, com o traço nacional do país casa, ótimas linhas de bateria de Anssi Nykänen e sacadas que flertam com o progressivo e com a música regional, o ótimo solo das teclas é puro charme. Ainda se segue em “Death March for Freedon” que tem um ritmo mais swing, com a guitarra de Tuomas Wäinölä muito bem executado numa das melhores faixas do disco, das que cativam fácil, na primeira audição. 

    I Dream” traz o lado mais calmo de volta, e como o nome sugere, parece mesmo a trilha de um sonho que começa branda e aos poucos vai se aglomerando para seu final ter um clima mais carregado e com um teclado ditando seu tom. Encerrando, “Truth Shall Set You Free” que parece música de algum filme de época. 

    Conforme sua vontade, ambas as versões do disco são de bom grado e trazem um bom trabalho, mais intimista e direto que outros nomes, manem por isso algo menor, a qualidade continua ali e com certeza irá te trazer boas sensações com os seus fones de ouvido. Aproveite essa hora de música e curta!

    NOTA: 3,5/5

    LINEUP:

    Marko Hietala – vocal/baixo
    Tuomas Wäinölä – guitarra
    Vili Ollila – teclado
    Anssi Nykänen – bateria

     

     

  • Resenha: Don Dokken  –  Solitary (2020)

    Resenha: Don Dokken – Solitary (2020)

    Don Dokken  –  Solitary (2020)

    Um relançamento para os fãs.

    Don é o dono da voz por trás de álbuns mega platinados com músicas clássicas do hard rock dos anos 80 como “Breaking The Chains“, “In My Dreams“, “Dream Warriors” e muitas outras. Sua banda, o Dokken, nunca teve um reconhecimento significativo em nosso pais, principalmente se levarmos em consideração o sucesso que alcançaram em sua terra natal, os EUA. E apesar dos muitos problemas internos, os quebra pau entre Don e o virtuoso guitarrista George Lynch são lendários, a banda ainda está na ativa. Hora com a formação clássica, hora faltando algum integrante, mas hoje o assunto é um CD solo de Don.

    Foi em 2008, que Don Dokken lançou “Solitary” pela primeira vez. Época complicada, pois foi quando a pirataria com os downloads gratuitos e ilegais causou um declínio nunca visto antes nas vendas e distribuição de CDs, causando nos mercados uma mudança completa. Esse foi um dos motivos, que fez o álbum estar disponível exclusivamente para compra apenas nos locais dos shows, em datas acústicas selecionadas para uma turnê em 2008 junto ao Queensryche. As cópias tiveram uma prensagem bem limitada e sem nenhuma distribuição. No entanto, recentemente pedidos feitos pelos fãs nas redes sociais convenceram Don a relançar o disco. Agora, foi lançado pela primeira vez em todos os formatos, com três faixas bônus, além de uma bela edição limitada em vinil vermelho. Se seu bolso permitir, essa é versão que eu recomendo.

    O álbum é praticamente todo acústico, incluindo músicas originais e releituras de gravações de outras pessoas como o muito conhecido tema do filme Titanic, “My Heart Will Go On”, aquela canção grudenta originalmente interpretada por Celine Dion

    A voz de Don realmente brilha ao longo dessas gravações, principalmente por estar dentro da sua zona de conforto, o estúdio, trazendo uma paixão ardente e emoção suave. A faixa de abertura “In the Meadow” define de cara o caminho que o disco vai tomar e pode ser apreciada por sua tranquilidade. “Jealous” é um cover de uma música do compositor pop inglês Labrinth, que ficou muito boa. Já “Ship Of Fools” faz o talento do baixista Tony Franklin (ex-The Firm, ex-Blue Murder) e do baterista Vinnie Colaiuta (ex-Frank Zappa) aparecer com destaque, em uma atmosfera totalmente anos 70.

    Agora que “Solitary” teve seu lançamento de forma adequada, os fãs podem garantir suas cópias no formato em que escolher, e completar sua coleção. Em minha opinião este álbum é comum. Não é tão bom e, no entanto, nada é tão ruim. Don deve lançar outro álbum solo ainda este ano. Nos resta saber se será nessa linha, ou quem sabe, ele nos surpreende de verdade com um novo discão como o ótimo “Up From the Ashes” de 1990”. Vamos esperar…

    Nota: 3/5

    Track List:

    1. In The Meadow
    2. I’ll Never Forget
    3. Where The Grass Is Green
    4. Jealous
    5. Ship Of Fools
    6. You Are Everything
    7. Venice
    8. Sarah
    9. My Heart Will Go On
    10. The Tragedy
    11. Someday
    12. All That Love Can Be

     

  • Resenha: Sons of Apollo – MMXX – (2020)

    Resenha: Sons of Apollo – MMXX – (2020)

    Resultado de imagem para sons of apollo mmxx

    TRACKLIST:

    01. Goodbye Divinity (7:16)
    02. Wither To Black (4:48)
    03. Asphyxiation (5:09)
    04. Desolate July (6:11)
    05. King Of Delusion (8:49)
    06. Fall To Ascend (5:07)
    07. Resurrection Day (5:51)
    08. New World Today (16:38)

    O Sons of Apollo surgiu em 2017 como uma banda que prometia, pois trazia um time de peso em sua formação. Mike Portnoy e Derek Sherinian, ambos ex-Dream Theater, Ron Bumblefoot Thal, ex-Guns’N’ Roses, Billy Sheehan ex-Mr. Big e atual The Winery Dogs e o vocalista Jeff Scott Soto completando o supergrupo. O disco de estreia “Psychotic Shymphony” trouxe boas ideias e uma boa recepção, porém sua execução não era de toda bem alinhada, havia ali certo desencontros.
    Em 2020 chega o momento para a banda trazer seu segundo trabalho e a chance de consertar pequenos erros que apareceram na estreia e, será que eles realmente conseguiram o feito?

    Goodbye Divinity” é quem abre e após seu começo enjoadinho, as coisas entram em forma e seguem um rumo que pode trazer certas comparações com um outro trabalho que mais tarde falo. Os riffs são muito bem trabalhado e há um bom groove e sem muitos exageros. O refrão é bastante melódico e agrada fácil. A próxima, “Wither to Black” é mais concisa e tem uma pegada clássica misturada à bastante peso. O solo aqui é bem executado e bem encaixado e há boas linhas da cozinha que soam muito alinhadas.

    Asphyxiation” é outra bastante pesada e tem os versos divididos por Soto e Portnoy nas vozes. Há um solo de teclado e ainda no começo do disco, vemos que Sherinian insiste em usar aquele mesmo e único efeito chato do primeiro trabalho soando repetitivo e fácil de enjoar. “Desolate July”, a balada que foi divulgada com seu vídeo é uma bonita homenagem ao baixista do Adrenaline Mob, David Z, que morreu em 2017. A balada é bem construída e Soto tem pleno domínio da voz nesse momento mais calmo e encaixa perfeitamente com a proposta.

    King of Delusion” começa ao som de um piano muito bem executado e dando um clima soturno à canção. Quando a banda entra temos um dos melhores momentos do disco com uma faixa certeira e com cada detalhe fazendo diferença. Brilhante o trabalho da guitarra que soa precisa e a bateria de Portnoy dá um baita charme no andamento. “Fall to Ascend” começa sem deixar o ritmo cair com a bateria à todo vapor e muito bem conduzida pelo baixo de Sheehan. Todos aqui brilham de verdade e a dobradinha de músicas é muito boa.

    Chegando um pouco mais morna “Resurrection Day” é boa, mas não acrescenta muito ao que foi ouvido até então. O final fica ao cargo de “New World Today”, uma longa faixa com mais de 15 minutos, mas que na verdade não tem muita coesão em se manter por todo esse tempo, onde o que vale mesmo são seus minutos finais.

    Então se o disco responde a pergunta do início do texto? Sim, e a resposta é não! A banda não corrige propriamente os erros de seu debut, pois ainda estão ali passagens desnecessárias e o citado efeito chato de teclado e talvez o defeito mais grave desse segundo trabalho, podendo ser algo à ter vindo acontecer de forma indireta, mas há uma certa tentativa de se recriar o que já foi feito lá atrás quando Mike Portnoy ainda estava com o Dream Theater, especificamente o disco “Train of Thought“, onde vários momentos aqui se assemelham ao disco de 2003. Mas nem tudo é desperdiçado, há ótimos momentos mais concisos e diretos que acertam mais do que a estreia e mostra que a banda ainda pode amadurecer e num terceiro trabalho realmente darem o tiro certo.

    NOTA: 3/5

    LINEUP:

    Jeff Scott Soto – vocais
    Ron “Bumblefoott” Thal– guitarra
    Billy Sheehan  – baixo
    Derek Sherinian  – teclados
    Mike Portnoy – bateria/vocal

  • Facada – Nenhum Puto de Atitude (2017)

    Facada – Nenhum Puto de Atitude (2017)

    “UM MONSTRO DE SETE CABEÇAS”

     NOTA: 4/5.

    A BANDA

    A banda está na ativa desde 2003 quando cometeu seus primeiros atentados sonoros que despejavam seu som simples, rápido, pesado e cru. Desde então lançou uma boa quantidade de álbuns (Indigesto (2006), O Joio (2010), Nadir (2013), Primitive (Split com Stheno, 2017), Nenhum Puto de Atitude (2017) e Quebrante (2018). Apesar de jovem, conquistaram o respeito dos fãs e viajaram por  todo o país espalhando sua mensagem de caos. O grupo é formado por James (baixo e vocais), Dangelo (bateria), Danyel (guitarra) e Ari (guitarra). A banda se apresenta como um trio visto que Arí vive na Alemanha há muitos anos.

    O ÁLBUM

    Nenhum Puto de Atitude é um monstro de 7 (sete) cabeças no qual cada uma representa uma atitude musical distinta. Para ilustrar, separamos tais atitudes por estilo: 1) Death Metal: Unleashed (Where No Life Dwells), The Endoparasites (Day Of Carcass), Headhunter D.C. (Death Vomit), Sarcófago (Deathtrash); 2) Thrash Metal: Dorsal Atlântica (Dor); 3) Black Metal: Blasphemy (War Command), Impaled Nazarene (Coraxo); 4) Hardcore: Bad Brains (Sailin’ On), Mukeka Di Rato (Maconha), Misfits (Demonomania / Hybrid Moments), Ratos De Porão (Traidor), Hüsker Dü (Obnoxious); 5) Grunge: Nirvana (Tourette’s); 6) Grindcore: Napalm Death (Cause And Effect), Rot (Rubbish Country) e 7) Rock Brasil: Titãs (Igreja). E esse monstro acabou sendo um dos lançamentos mais legais e surpreendentes daquele ano. O projeto do álbum foi muito bem pensado e executado. E a ideia da banda em fazer um álbum de covers pode demonstrar uma autoconsciência muito clara de próprio potencial e serve de alerta para a necessidade de interagir mais com o cenário internacional. O disco não foi lançado no Brasil e as poucas cópias que vieram não foram suficientes para quem quis.  Nenhum Puto talvez tenha conseguido criar divisas intercambiáveis com o mercado europeu que podem gerar frutos num futuro qualquer. Mas mesmo que as portas da gringa ainda não tenham sido abertas para a banda, esse disco já merece figurar entre os clássicos do estilo no Brasil.

    O QUE TEM DE BOM?

    1. A simplicidade do projeto e a versatilidade conseguida pela banda;
    2. A bela arte da capa, que parafrasea o antológico álbum de estreia do Secos e Molhados (por Vitor Willemann).

    O QUE PODERIA SER MELHOR?

    1. Temos que ter em mente que tudo sempre pode ser melhorado. Neste caso, há apenas pormenores do processo de produção/gravação.

    BANDCAMP:

  • Resenha: Assassin – Bestia Immundis  (2020)

    Resenha: Assassin – Bestia Immundis (2020)

                                                                     Assassin – Bestia Immundis (2020)

    Com os olhos abertos para o futuro.

    Já vou logo adiantando que se você começou a ler essa critica esperando um novo “The Upcoming Terror” quero te lembrar em não estamos mais em 1986. Que a cena alemã do Thrash Metal nasceu nos anos 80 todo mundo sabe disso. Mas o que muitos esquecem é que Sodom, Kreator e Destruction só foram reconhecidos como bandas de Thrash Metal, após cada um chegar ao seu terceiro ou quarto lançamento, quando a evolução tornou suas músicas muito mais técnicas. Era comum tratar essas lendas em 1985 como bandas de Power Metal e não Thrash. E é isso que faz na opinião dos fãs, e de muita gente que gosta do estilo, afirmar que a primeira banda de Thrash Metal alemã são os ‘thrashers’ de Düsseldorf.

    Polêmicas a parte, essa banda que nunca teve a vida muito fácil acaba de lançar “Bestia Immundis“. As características fundamentais do estilo estão lá cravadas em todas as 11 faixas, além da banda ter resgatado muitos de seus elementos dos seus dias de glória nos anos 80, como as estruturas harmônicas, que eram comuns em seus dois primeiros discos.

    As músicas de “Bestia Immundis” são uma paulada e parecem incrivelmente espontâneas. O álbum é brutal, desagradável – no bom sentido – rápido e feroz. Seja os com rifes mortais em “The Swamp Thing” ou rasgando solos como em “Chemtrails – Parte II“. Inegavelmente, na abordagem teutônica, não há um momento de descanso disponível, e na boa, descansar para que?

    Podemos facilmente destacar também o ritmo rápido de “How Much Can I Take?”, o crossover que é “Hell’s Work is Done”, e o incrível peso e velocidade de “Shark Attack”. Todas modernas e sem precisar se submeter a nenhuma mistura com os gêneros musicais mais ‘atuais’, que ao invés de agregar, comprometem o estilo musical de uma maneira irreparável na grande maioria das vezes.

    É claro que alguns ainda estarão com os olhos para o passado, exigindo que a banda faça o mesmo. Mas o Assassin quer mostrar com “Bestia Immundis” que eles podem viver no presente sendo honestos com suas origens e sem perder o foco para o futuro. E para uma banda que já viveu tantas dificuldades, lembrando que passaram 17 anos sem nenhum lançamento, essa tarefa é muito tranquila.  

    Nota: 4/5

    Banda:

    Ingo “Crowzak“ Bajonczak – vocais

    Jürgen “Scholli“ Scholz – Guitarra

    Frank Blackfire – Guitarra

    Joachim Kremer – Baixo

    Björn Sondermann – Batera

     

     

    Tracklist:  

    1.Swamp Thing

    2.How Much Can I Take?

    3.No More Lies

    4.Not Like You!

    5.The Wall

    6.Hell’s Work Is Done

    7.The Killing Light

    8.Shark Attack

    9.War Song

    10.Chemtrails – Part I

    11.Chemtrails – Part II

  • Resenha: Kreator – London Apocalypticon: Live At The Roundhouse (2020)

    Resenha: Kreator – London Apocalypticon: Live At The Roundhouse (2020)

            Kreator – London Apocalypticon: Live At The Roundhouse (2020)

    O monstro teutónico arrasa Londres.

    O Kreator mais uma vez dá uma aula de thrash metal intransigente e brutal neste excelente disco ao vivo. E o local escolhido não é qualquer um. O The Roundhouse de Londres foi construído em 1846 como um galpão ferroviário, e na metade do século 20 se tornou um importante centro de artes cênicas e concertos. Foi o local favorito para apresentações de varias bandas desde então, como Jeff Beck, Motörhead e Ramones.

    A escolha das faixas é muito sólida, e convenhamos, montar uma seleção com as opções que a discografia do Kreator possuiu não é uma tarefa das mais fáceis. Porém a banda conseguiu equilibrar entre os clássicos e as mais recentes, até por que os discos recentes são excelentes, coisa que nem todos os medalhões daquela época conseguem realizar.

    Após uma introdução atmosférica, “Enemy of God” explode o cenário e é seguido intensamente por “Hail to the Hordes“. Daí não teve mais volta. Mille Petrozza incentivando a multidão no verdadeiro estilo germânico a transformar o The Roundhouse em um “massacre”, mas com muito estilo. Esta apresentação teve todo o requinte de um evento de teatral elaborado, com pausas obrigatórias entre os atos para dar ao público tempo para se recuperar e respirar.

    Mas como se trata do Kreator você pode esperar energia bruta e adrenalina desenfreada no lugar de interpretações perfeitas e também uma pequena quantidade de história do metal, pois a banda ajudou a escrever várias paginas. Como não gritar e levantar as mãos ao som de “Flag Of Hate” e “Pleasure To Kill“? O auge do thrash dos meados dos anos 80 sendo relembrado pela própria banda, que soa muito mais clara, mas nem um dia mais velha.

    Eu já tive a oportunidade de assistir Mille e Ventor em algumas ocasiões ao lado de diferentes asseclas, e nunca me decepcionei. Esse ‘ao vivão’ faz jus ao legado desses alemães, que já no lançamento do clássico “Endless Pain“, mostrou a poderosa cena thrash metal da Bay Area americana, que haveria competição forte chegando pelos lados do leste do Atlântico também.

    Compre sem pensar duas vezes para completar sua coleção de CDs da banda e se o bolso permitir pode investir na edição tripla com DVD pois a Nuclear Blast caprichou. São mais duas pauladas para você  apreciar e destruir seu pescoço com os shows filmados no Masters of Rock em 2017 e Live in Chile de 2018.

    Nota: 4,5/5

    Banda:

    “Mille” Petrozza – Vocais, Guitarra

    Sami Yli-Sirniö – Guitarra

    Christian Giesler – Baixo

    Ventor – Batera

    Track-list:

    1. The Four Horsemen/Choir Of The Damned
    2. Enemy Of God
    3. Hail To The Hordes
    4. Awakening Of The Gods
    5. People Of The Lie
    6. Gods Of Violence
    7. Satan Is Real
    8. Mars Mantra
    9. Phantom Antichrist
    10. Fallen Brother
    11. Flag Of Hate
    12. Phobia
    13. Hordes Of Chaos
    14. The Patriarch
    15. Violent Revolution
    16. Pleasure To Kill
    17. Apocalypticon

  • Spiral Guru – Void (2019)

    Spiral Guru – Void (2019)

    “Despretensioso, conciso e consciente”

    NOTA: 3,5/5.

    A BANDA

    Spiral Guru é uma banda fundada em meados de 2013 na cidade de Piracicaba. Formada por Samuel Pedrosa (guitarra), José Ribeiro Jr. (baixo e backing vocals), Alexandre Garcia (bateria) e Andrea Ruocco (vocal). A banda se define como “Stoner Rock” – definição esta, que se me permitem os músicos, discordo. Apesar das temáticas voltadas à ficção científica, vida extraterrestre e do som remeter às bandas dos anos 70, eu particularmente os percebo mais encaixados no heavy metal mais épico com uma leve tendência para o Doom Metal. Como comparativo, uma banda que posso citar é Smoulder.

    O ÁLBUM

    De 2014 pra cá, a banda lançou uma série de EPs que criaram as bases para o seu álbum de estréia. VOID contem 9 faixas distribuídas em 39 minutos. Nele, os músicos demonstram personalidade e conseguem imprimir um estilo que contraria as próprias influências (de acordo com o citado no release), o que, para todos os efeitos, é bom! A produção, independente, é boa e os músicos souberam fazer o seu trabalho de forma muito satisfatória. Todos têm méritos, mas a vocalista Andrea Ruocco se destaca pelos vocais claros e bem cantados. E o principal é que, sendo uma produção independente, podemos dizer que o grupo atingiu o equilíbrio quanto à forma e ao conteúdo. Mais do que isso, peso e melodia estão bem alinhados e, considerando os recursos, tiveram muito cuidado com os detalhes. VOID é um trabalho despretensioso, conciso, mas realizado de forma muito consciente. Despretensão para uma banda jovem é certamente uma qualidade, mas para quem almeja uma carreira internacional, talvez, ser um pouco mais pretensioso não seja uma atitude ruim. Além do mais, o trabalho é feito com muito cuidado e honestidade. Por fim, a música aqui contida não é exatamente original, mas o grupo consegue se diferenciar dentro do nicho de que participa e isto é um indicativo do caminho a seguir. Aliás, particularmente, acredito que a banda está no rumo certo, devendo apenas acreditar no próprio esforço e persistir.

    O QUE TEM DE BOM?

    Se ouvir com atenção, perceberá que o álbum tem muitos elementos adjacentes que circundam a obra e dizem muito a respeito da musicalidade da banda. Isso pode ser facilmente comprovado em canções como Oracle, Mindfulness (a mais progressiva do álbum) e Holy Moutain (cujo riff principal lembra Holy Dive, do Dio).

    O QUE PODERIA SER MELHOR?

    A música contida em VOID não é exatamente original, mas é notório que os músicos têm potencial para ir além.

    SPOTIFY:

  • Resenha: Amberian Dawn – Looking For You (2020)

    Resenha: Amberian Dawn – Looking For You (2020)

    Amberian Dawn – Looking For You (2020)

    Querendo estar entre os melhores.

    Formado em 2006 Amberian Dawn encarou muitos altos e baixos nos últimos 14 anos. Fortalecidos com o passar do tempo, o grupo lançou oito bons álbuns e se esforçou em criar sua própria identidade. Misturando uma infinidade de referências e influências, mas sempre ancorado no Symphonic Metal e suas características.

    O CD “Looking For You”, que foi lançado via Napalm Records em 31 de janeiro, é um álbum dominado por teclados e pelos encantos da vocalista Capri Virkkunen. Com um instrumental muito afiado, o Amberian Dawn transmite uma classe e determinação, usando a experiência de quem entra em jogo para vencer. Viajar pelo mundo e compartilhar os palcos com bandas grandes dentro desse estilo como Epica e Kamelot permitiu que o Amberian Dawn aprimorasse sua arte com perfeição.

    A faixa “United“, repleta de sintetizadores, abre o disco de forma que eu só consigo classificar como dançante. Eu particularmente gosto mais de rifes, velocidade e peso, sou old school, mas aqui não cabe meu gosto pessoal. Quando se propõe a fazer uma crítica, você precisa analisar o que é apresentado de forma imparcial. E o que o Amberian Dawn faz é muito técnico, bem feito e atinge os seus objetivos. “Eternal Fire Burning” também possui aquele teclado característico de grupos de disco music dos anos 70, só que com um solo de guitarra bem encaixada na canção.

    A faixa título, “Looking for You”, mergulha de vez em uma atmosfera abafada, como se você estivesse em uma ‘rave’ antes de começar com seu refrão a impulsionar toda plateia a dançar outra vez. Capri Virkkunen interpreta de forma única a letra que fala sobre tristeza e solidão. Logo na sequencia os sintetizadores se fazem predominantes em “Two Blades“, mas novamente os vocais de Virkkunen merecem destaque, pois ela estabelece um ritmo cativante que obriga a lhe dispensar toda atenção.

    Daí vem a próxima faixa e o mundo vira de cabeça para baixo. Jogando tudo o que veio antes de lado, entra à pomposa “Symphony Nr. 1 Part 3 – Awakening”, que traz um convidado prá lá de especial: Fabio Lione (ex-Rhapsody Of Fire). É como se do nada um pedaço dos trabalhos produzidos na Broadway aparecessem no meio do disco. O Amberian Dawn mistura seu Symphonic Metal com naipes de metal e cordas para criar uma apresentação épica digna de um tapete vermelho.

    Chegando quase na metade do disco é hora de voltar à receita que garante que tudo vai dar certo, pois os sintetizadores estão de volta, assim como o talento acima da média de Virkkunen. Essa moça é capaz de cantar qualquer coisa, com uma simplicidade e desenvoltura raras.

    A banda para encerrar o álbum apresenta a instrumental “Au Revoir”, e uma faixa bônus, a remasterização de “Cherish My Memory“. É um final adequado para um disco que busca motivar e inspirar, enquanto coloca um sorriso no rosto do ouvinte.

    Como eu disse, não importam minhas preferências pessoais, mas sim o trabalho proposto pelos músicos. E quanto a isso não tem nada a se discutir. Os fãs irão adorar e o Amberian Dawn está dando um passo certo rumo ao reconhecimento ainda maior dentro do estilo que abraçou.

    Nota: 4/5

    Banda:

    Capri Virkkunen –  Vocal

    Emil Pohjalainen – Guitarra

    Tuomas Seppälä – Teclados

    Jukka Hoffren – Baixo

    Joonas Pykälä-aho – Batera

    Track list:

    1. United
    2. Eternal Fire Burning
    3. Looking For You
    4. Two Blades
    5. Symphony Nr. 1 Part 3 – Awakening
    6. Go For A Ride
    7. Butterfly
    8. Universe
    9. Lay All Your Love On Me
    10. Au Revoir
    11. Cherish My Memory

  • Resenha: Ian Parry – In Flagrante Delicto (2020)

    Resenha: Ian Parry – In Flagrante Delicto (2020)

                         Ian Parry – In Flagrante Delicto (2020)

    Combinando paixão pela música com fatos verdadeiros.

    Mesmo este sendo apenas o seu quinto disco solo, a voz de Ian pode ser encontrada em inúmeros álbuns em sua extensa carreira com passagens por bandas como Vengeance e Elegy, isso só para citar duas.

    In Flagrante Delicto” lida com a questão dos resíduos plásticos e tóxicos na grande mídia e é um assunto que Ian leva muito a serio. Depois de passar mais de uma década escrevendo e compilando músicas para melhor ilustrar esse problema, o desejo de Ian é simplesmente conscientizar as pessoas sobre o que está acontecendo à sua maneira através da música.

    Musicalmente falando o disco é uma mistura de hard rock com teclados e guitarra, muito melódico com grandes momentos de AOR. Contando com o talento e o apoio de músicos do calibre de Patrick Rondat; Timo Somers (Delain/Vengeance); Casey Grillo (Kamelot/Queensrÿche), Imre Daun (Brian Robertson Band); Andreas Lill (Vanden Plas); Barend Courbois (Blind Guardian); Torsten Reichert (Vanden Plas) entre outros. Não se trata de um álbum pesado (particularmente eu não estava esperando algo mais heavy mesmo), mas sim uma demonstração perfeita de que sua garganta poderosa continua afiada.

    Parry habilmente tece sua voz através de grandes canções como “Wish“, “Fool’s Paradise” e “Fly“, sendo essas as que mais me chamaram atenção no CD. É com muita categoria e talento que Ian narra suas ideias, sonhos e mensagens. A produção acompanha o nível das composições com muito cuidado em todos os detalhes. Louve-se o excelente trabalho do produtor Martin Kronlund, que fez ótimos serviços com as bandas HammerFall e Firewind.

    In Flagrante Delicto” é um novo capítulo na fenomenal carreira de Ian Parry, que ao combinar paixão por sua música e fatos verdadeiros, criou um ótimo álbum de rock melódico. Os fãs de longa data ficarão agradavelmente surpresos com esse novo álbum.

    Nota: 3,5/5

    Track list:

    1. Spaceman
    2. Travellers (Across The Unknown Universe)
    3. In Flagrante Delicto
    4. Fool’s Paradise
    5. Impulse
    6. Ingenious
    7. Wish
    8. Fly
    9. The Day We Stop Dreaming
    10. So Far So Good

     

    Banda:

    Ian Parry – Vocal

    Músicos convidados:

    Stephan Lill – guitarra

    Patrick Rondat – guitarra

    Mario Zapata – guitarra

    Joshua Dutrieux – teclados

    Jeroen van der Wiel – teclados

    Barend Courbois – baixo

    Torsten Reichert – baixo

    Marcel van der Zwam – baixo

    Imre Daun – batera

    Casey Grillo – batera

    Garry King – batera

    Andreas Lill – batera

  • Burning Witches – Hexenhammer (2019)

    Burning Witches – Hexenhammer (2019)

    Burning Witches – Hexenhammer (2019)

    Curte um autêntico heavy metal old school? Pois lhes apresento o quinteto feminino suíço, Burning Witches. Composto por Seraina (vocal), Romana (guitarra), Sonia (guitarra), Jay (baixo) e Lala (bateria), o grupo acaba de lançar o seu novo álbum “Hexenhammer”, no Brasil limitado em apenas 300 cópias, pelo selo Shinigami Records, que com o sucesso do bem sucedido álbum de estreia fez com que a banda ganhasse bastante atenção do público e da mídia especializada, tornando-se uma sensação repentina.

    “Hexenhammer”, apresenta 12 faixas (entre elas o cover de Holy Diver, Dio), além de 2 bônus track (‘Self Sacrifice’ e acústica ‘Son’t Cry My Tears’), todas baseada por um conceito único, o livro “Malleus Maleficarum” (traduzido para português como Martelo das Feiticeiras ou Martelo das Bruxas) que é um livro escrito em 1484 e publicado em 1486 que se tornou uma espécie de “manual contra a bruxaria.

    A produção do material fica por conta de V.O. Pulver (Pro Pain, Destruction, Nervosa, Pänzer) e a lenda Schmier (Destruction). Sonoramente em relação ao antecessor a banda de forma positiva teve uma ótima evolução, nesse disco as mescla feitas pelo grupo exalta todo o potencial e instrumental bem executado e os vocais de “Seraina” chega a lembrar um pouco de Doro Pesch e Rob Halford (Judas Priest). Destaco faixas como “Lords Of War”, “Open Your Mind”, “Maiden of Sterling” e “Hexenhammer”. Sem dúvida alguma é um ótimo disco para os apreciadores do bom e velho heavy metal. É uma boa pedida!

     

    Tracklist:
    1. The Witch Circle
    2. Executed
    3. Lords of War
    4. Open Your Mind
    5. Don’t Cry My Tears
    6. Maiden of Steel
    7. Dungeon of Infamy
    8. Dead Ender
    9. Hexenhammer
    10. Possession
    11. Man-Eater
    12. Holy Diver
    13. Self Sacrifice (bônus)
    14. Don’t Cry My Tears (acoustic) (bônus)

    Formação:
    Seraina (Vocal)
    Romana (Guitarra)
    Sonia (Guitarra)
    Jay (Baixo)
    Lala (Bateria)

    NOTA: 4/5