Categoria: Resenhas

  • A festa do Wacken no Brasil tá com o line-up anunciado

    A festa do Wacken no Brasil tá com o line-up anunciado

    “Party On Wacken 2026” acontecerá simultaneamente em 35 países e terá edição brasileira em São Paulo, realizada pelo Bangers Open Air

    Wacken Open Air, um dos maiores e mais respeitados festivais de heavy metal do mundo, celebra seus 35 anos em 2026 com uma iniciativa inédita e histórica. Intitulado Party On Wacken 2026, o evento acontecerá simultaneamente em 35 países, levando a atmosfera única do festival alemão para diferentes partes do planeta. O anúncio oficial foi feito no dia 17 de fevereiro, por meio dos canais oficiais do festival.

    Reconhecido como um dos principais símbolos da cultura metal global, o Wacken Open Air reúne anualmente dezenas de milhares de fãs na pequena vila de Wacken, na Alemanha. Agora, pela primeira vez, o festival expande sua celebração de aniversário para uma experiência global, conectando fãs, artistas e comunidades em uma grande homenagem à sua trajetória.

    Party On Wacken 2026 levará ao público internacional shows ao vivoativações especiaisfestas temáticas e conteúdos oficiais que traduzem o espírito do festival. Cada país terá sua própria edição, adaptada à cena local, mas integrada a uma celebração global que reforça a união da comunidade metalhead.

    No Brasil, o evento será realizado pelo tradicional Bangers Open Air, com produção da HonorSounds, e acontecerá no dia 18 de abril de 2026, na Audio, em São Paulo. A edição brasileira reunirá quatro nomes fundamentais do metal nacional: KrisiunKorzusThe Troops of Doom e The Mist, representando diferentes gerações e vertentes do gênero.

    A edição nacional promete uma celebração intensa e representativa, destacando a força do metal brasileiro e sua relevância no cenário internacional. O Brasil, reconhecido mundialmente por sua base de fãs apaixonada e por sua cena consolidada, desempenha um papel importante na história e na expansão global do Wacken.

    Essa relação vem sendo construída desde 2001, com o apoio da revista Roadie Crew, que atua como ponte entre o festival alemão e o público brasileiro há mais de duas décadas. Essa parceria contribuiu significativamente para fortalecer os laços entre o Wacken Open Air e o Brasil, consolidando o país como um dos territórios mais relevantes para o metal no mundo.

    Ao todo, 35 países participarão do Party On Wacken 2026, incluindo Alemanha, Brasil, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Espanha, Japão, Austrália, México, Argentina, Chile e diversos outros territórios da Europa, Ásia, África e América Latina, conforme anunciamos mais cedo, aqui.

    Mais do que uma celebração, o Party On Wacken 2026 representa um novo capítulo na história do festival, expandindo sua presença global e reafirmando o heavy metal como uma linguagem universal que conecta culturas, gerações e comunidades ao redor do mundo.

    SERVIÇO – PARTY ON WACKEN 2026 | EDIÇÃO BRASIL

    Data: 18 de abril de 2026 (sábado)

    Local: Audio
    Cidade: São Paulo – SP
    Abertura dos portões: 14h

    Atrações:
    Krisiun
    Korzus
    The Troops of Doom
    The Mist

    Realização: Bangers Open Air
    Produção: HonorSounds

    Ingressos:
    Disponíveis em: https://www.clubedoingresso.com/evento/partyonwacken2026

    Clientes Bangers Open Air têm 20% de desconto com o cupom BANGERS20.
     

    SOBRE O WACKEN OPEN AIR
    Fundado em 1990, na pequena vila de Wacken, na Alemanha, o Wacken Open Air se tornou o maior e mais importante festival de heavy metal do mundo. Ao longo de mais de três décadas, o evento construiu uma reputação sólida ao reunir os maiores nomes do gênero e fãs de todos os continentes, consolidando-se como um verdadeiro símbolo da cultura metal global.

    SOBRE O BANGERS OPEN AIR
    Criado no Brasil, o Bangers Open Air rapidamente se consolidou como um dos principais festivais de heavy metal da América Latina, reunindo grandes nomes internacionais e relevantes representantes da cena nacional. Reconhecido por sua curadoria criteriosa, estrutura de alto nível e forte conexão com o público, o festival proporciona uma experiência completa aos fãs, celebrando a diversidade e a força do metal em suas diferentes vertentes. Desde sua criação embasado em suas raízes europeias, o Bangers Open Air vem fortalecendo o Brasil como um dos territórios mais importantes para o gênero no cenário global, consolidando-se como uma referência entre os grandes eventos de metal do mundo.

    https://bangersopenair.com/

  • Classic Review: Bolt Thrower – The IV Crusade (1992)

    Classic Review: Bolt Thrower – The IV Crusade (1992)

    The IVth Crusade (O peso da guerra, do som e da história)

    The IVth Crusade é um álbum que não deve ser consumido de forma casual. Ele exige atenção, paciência e disposição para encarar seu peso conceitual e sonoro. Trata-se de um disco que transforma o death metal em narrativa histórica, crítica moral e experiência sensorial.

    É importante, aqui, voltarmos o olhar para o ponto central do álbum: a crítica implícita às guerras travadas em nome de algo supostamente “sagrado”. Há uma ironia brutal nesse processo — a violência praticada contra aqueles que, muitas vezes, professavam a mesma fé. O Bolt Thrower consegue fazer com que essa contradição ecoe diretamente na música, que soa como um lamento pesado sobre a futilidade do conflito humano.

    O álbum sustenta uma sonoridade coesa, baseada em riffs densos, andamentos médios e lentos, e baterias executadas como um motor constante, implacável, quase mecânico — reforçando a ideia da guerra como uma máquina de destruição humana. A atmosfera é sombria e opressiva, transmitindo uma sensação de tensão contínua, como se o conflito jamais tivesse fim. Os vocais de Karl Willets soam como a voz de alguém que já viu demais. Guturais arrastados e carregados de peso reforçam o conceito central do álbum: não há heroísmo, não há redenção, apenas a constatação brutal da violência legitimada por ideologias e crenças.

    A escolha da arte de capa é cirúrgica. A obra do romancista Eugène Delacroix, A Entrada dos Cruzados em Constantinopla (1840), retrata a brutalidade da Quarta Cruzada na cidade, em 12 de abril de 1204. Delacroix não se detém em um triunfo glorioso, mas enfatiza o sofrimento dos conquistados e o caos da cena, refletindo uma abordagem crítica da violência histórica — um espelho visual perfeito para o conteúdo do álbum.

    Outro aspecto fundamental para compreender The IVth Crusade é observar onde e como nasce o Bolt Thrower. Nos anos 1980, a Inglaterra vivia sob o governo de Margaret Thatcher. Apenas entre 1979 e 1983, o governo eliminou cerca de 1,7 milhão de empregos na indústria de manufatura, destruindo de forma permanente a antiga classe trabalhadora industrial. É nesse contexto que o Bolt Thrower surge, em 1986, na cidade de Coventry, no coração industrial da Inglaterra, em West Midlands. Uma cidade marcada por profunda transição econômica, pelo desmonte de estruturas públicas e pelo auge da reestruturação industrial da era Thatcher.

    O ambiente era de decadência: fábricas fechando, jovens sem perspectivas, bairros inteiros assumindo um aspecto de cidade fantasma, imersos em recessão e desalento social. Paralelamente, o mundo vivia a intensificação da Guerra Fria e da ansiedade nuclear. O medo de uma destruição total não era abstrato — era real e constante. A ameaça de uma guerra nuclear permeava o cotidiano, refletida em produções culturais da época, como os filmes Threads e The Day After, que expunham sem filtros essa paranoia coletiva. Esse clima de colapso iminente dialoga diretamente com o peso existencial que atravessa o álbum.

    Por fim, The IVth Crusade se encerra com uma das faixas mais marcantes do disco, ao menos do meu ponto de vista: “Through the Ages”. A música cita diversas guerras ocorridas ao longo da história, sustentada por uma atmosfera densa e riffs cadenciados e ondulantes, que fazem o ouvinte habitar plenamente esse peso sonoro.

    É um confronto direto com a incerteza, em que o riff não apenas soa — ele oprime. O ouvinte sente simultaneamente o peso da música e o peso do mundo, como se a história estivesse se desenrolando em tempo real.

    The IVth Crusade é brutal não por espetáculo, mas por consequência. Talvez seja exatamente por isso que este álbum permaneça tão relevante: ele não celebra a guerra — ele a condena através do som.

    NOTA: 4 / 5

    TEXTO POR HECTOR CRUZ

  • Uma noite verdadeiramente emo com o retorno do My Chemical Romance ao Brasil

    Uma noite verdadeiramente emo com o retorno do My Chemical Romance ao Brasil

    Na noite de 6 de fevereiro de 2026, o My Chemical Romance entregou ao público brasileiro um dos momentos mais emocionantes da sua aguardada turnê Long Live: The Black Parade em São Paulo, no Allianz Parque com realização das produtoras 30e e Move Concerts, com patrocínio do banco Santander. Os muitos fãs presentes enfrentaram uma chuva longa, mas nem isso fez os fãs se afastarem do palco, ou de um bom lugar para prestigiar o MCR jamais que fazia 18 anos que eles não visitavam o Brasil. A banda americana voltou a pisar em solo brasileiro em grande estilo e a segunda apresentação foi descrita por muitos fãs e críticos como uma experiência visceral, íntima e cheia de nostalgia, todo mundo precisa pelo menos uma vez na vida assistir o show do My Chemical Romance.

    O estádio estava tomado por uma mistura de gerações: quem viveu a adolescência nos anos 2000, agora adulto, cantando ao lado de jovens fãs que descobriram a banda depois do retorno às turnês. A energia foi alta desde os primeiros acordes até o encerramento, com momentos de euforia coletiva, lágrimas e abraços compartilhados entre estranhos que, por algumas horas, sentiram o mesmo pulsar emocional, ainda em alguns setores os fãs tiveram a oportunidade de levar para casa um cartão postal que remete a turnê da banda, distribuído na entrada do estádio.

    A noite começou com a banda britânica The Hives fazendo a abertura com seu punk rock explosivo e aquele contraste perfeito para preparar o público para a teatralidade e intensidade do MCR

    O repertório da noite misturou tributo e surpresa: a banda revisitou os clássicos atemporais e mostrou versatilidade ao incluir faixas tocadas poucas vezes ou raramente ao vivo. As arquibancadas e a pista eram tomadas por roupas pretas, delineadores carregados, bandeiras do Brasil erguidas acima da multidão e cartazes com mensagens de agradecimento alguns simples, outros profundamente pessoais. Em muitos rostos, a maquiagem borrada denunciava lágrimas que vinham sem aviso, especialmente nos momentos mais emotivos do show.

    FOTOS DO THE HIVES POR @BMAISCA

    O show do My Chemical Romance é pensado quase como um espetáculo em dois atos, com climas bem definidos e isso fica especialmente claro nessa turnê.

    Primeira parte: o ritual e a narrativa

    A primeira parte do show funciona como um mergulho conceitual. A banda entra em cena com uma atmosfera mais densa e teatral, conduzindo o público por uma narrativa contínua. As músicas são apresentadas em sequência planejada, com pouca interrupção para falas, criando a sensação de que o público está assistindo a uma obra completa, não apenas a um apanhado de sucessos.

    Nesse momento, a iluminação é mais dramática, os arranjos soam precisos e a emoção vem de forma quase contida — melancólica, intensa, às vezes angustiante. É a parte do show que pede atenção total, silêncio respeitoso nos trechos mais sensíveis e entrega emocional profunda. Muitos fãs descrevem esse início como um “ritual coletivo”, em que cada música puxa memórias e sentimentos guardados há anos.

    Segunda parte: catarse e comunhão

    Já a segunda parte do show marca uma virada clara de energia. O clima fica mais solto, explosivo e celebrativo. Aqui, entram as músicas mais agressivas, dançantes e populares, aquelas que transformam a pista e as arquibancadas em um coro ensurdecedor. A banda interage mais com o público, há mais movimento no palco e uma sensação de libertação toma conta do estádio.

    É nesse momento que o show vira catarse: pulos sincronizados, gritos, lágrimas misturadas com sorrisos. O público deixa de apenas acompanhar e passa a conduzir parte da energia da apresentação. Canções mais antigas e queridas aparecem como presentes para os fãs, reforçando o vínculo emocional construído ao longo de décadas.

    O efeito do contraste

    O impacto do espetáculo vem justamente desse contraste. A primeira parte prepara o terreno emocional; a segunda permite que tudo aquilo seja liberado de uma vez. Juntas, elas transformam o show em uma experiência completa introspectiva e explosiva, dolorida e libertadora exatamente como a música do My Chemical Romance sempre foi para quem estava ali.

    Momentos que marcaram para sempre 

    Um dos pontos altos foi a apresentação de To the End, canção raramente incluída em setlists ao redor do mundo e que neste show ganhou destaque especial, provocando aplausos que pareciam infinitos.

    O público também celebrou a energia visceral de sucessos como Na Na Na e I’m Not Okay (I Promise), enquanto momentos mais introspectivos, como Disenchanted, criaram uma atmosfera quase cinematográfica como se cada luz e nota musical pintasse a emoção de um público que aguardava há quase duas décadas por esse reencontro. 

    Ao final da noite, a certeza era uma só: o My Chemical Romance realizou um espetáculo que não foi apenas um show, mas uma celebração emocional de histórias de vida, de identificação e de música que transcende o tempo. 

    TEXTO POR CYNTHIA LEMBKE

    TODAS AS FOTOS DO MY CHEMICAL ROMANCE POR @ANENDFOR

  • Resenha: Between The Buried And Me – The Blue Nowhere (2025)

    Resenha: Between The Buried And Me – The Blue Nowhere (2025)

    Desde quando eu ouvi o Between The Buried And Me pela primeira vez, eu já sabia que estava frente a frente a um nome no qual conquistaria o seu espaço de forma muito rápida e isso se dá muito pois a banda que, tem uma qualidade incrível, não fica presa somente dentro do que se espera de quem toca Progressivel Metal, eles vão além e vão além com muita qualidade. Os flertes com Jazz, Música Circense Metal Extremo fazem deles únicos.

    E a banda dentro dessa personalidade única conta com músicos que fazem acontecer, o renomado baterista Blake Richardson é um dos grandes nomes da banda, mas seus companheiros, Tommy Giles Rogers Jr., que dá uma aula em como usar seu vocal agressivo de forma nada genérica e ainda emular diferentes “vozes” em diversas passagens de suas músicas, escreve uma parte extremamente importante do código genético pro “BTABM”, una a esse código o bom gosto do guitarrista Paul Waggoner e a técnica mostruosa no baixo de Dan Briggs, que também com muita sabedoria costura toda a banda, formando um som único. Uma banda no qual você sempre se surpreenderá ouvindo suas composições.

    Mesmo com a infeliz saída do guitarrista Dustie Waring a banda continuou e The Blue Nowhere prova que, os anos de carreira moldaram esse time de forma magistral, pois é um disco com composições maravilhosas, que são exatamente aquilo que se espera ao ouvir a banda, imprevisibilidade, técnica, variações, agressividade, tudo isso dentro de um liquidificador com muito tempero de qualidade e ao experimentar, você, inconscientemente se delicia esperando mais e vem uma nova onda de qualidade e ao pensar que acabou, não, eles te surpreendem de novo… Que banda!! 

    Esse disco é simplesmente perfeito, do início ao fim e entendo porquê diversos fãs colocaram ele em posição de destaque em suas listas de melhores no final de ano, mais do que merecido. Ouçam The Blue Nowhere, deliciem-se com uma banda que irá te surpreender da primeira a última música, do primeiro minuto ao último, com músicas ímpares, somente ouçam esse disco, perfeito!! 

    FORMAÇÃO

    Tommy Giles Rogers Jr.: vocal, teclados
    Paul Waggoner: guitarra
    Dan Briggs: baixo, sintetizadores, teclados
    Blake Richardson: bateria

    LINK PARA COMPRA: SHINIGAMI RECORDS

    NOTA: 5 / 5

  • Resenha: Malevolence – Where Only The Truth Is Spoken (2025)

    Resenha: Malevolence – Where Only The Truth Is Spoken (2025)

    A Inglaterra sempre foi um celeiro extremamente fértil de bandas e isso nem precisa muito ser comentado, mas nos dias mais atuais o som pesado inglês tem representantes ótimos e o Malevolence é um desses nomes no qual, você que curte um som  moderno, pesado e bem trabalhado, deveria começar a considerar a dar atenção.

    Seu disco de 2025, Where Only Truth is Spoken é um exemplo de como o cenário do Metalcore pode ser diversificado e pode conquistar, até mesmo, os fãs mais “radicais” dentro do estilo, pois aqui, temos um disco que tem riffs ótimos, providos pelos guitarristas Josh BainesKonan Hall, com solos bem trabalhados também, coisa que não é tão normal dentro do cenário.

    A sábia variação vocálica de Alex Taylor é um ponto que me chamou muito a atenção, ele sabe varias com perfeição do agressivo para o limpo, com partes faladas e cantadas, sempre mandando o recado do disco e se você quer entender mais do que o disco trata, leia o que o próprio vocalista fala sobre o disco: “A história por trás de cada música vem de experiências vividas, e não apenas de palavras sem sentido escritas no papel. Não se trata apenas de raiva ou agressividade; há muito peso nas letras de todo o álbum, seja abordando lutas pessoais, o estado do mundo ou os altos e baixos da vida.”

    A base rítmica da banda, com o baixo competente de Wilkie Robinson e a bateria muito bem conduzida por Charlie Thorpe completam esse lançamento incrível e músicas como Born To The Leech que abre o trabalho magistralmente, já dando aquele tapa de luva de pelica na gente, nos convoca para uma audição mais atenta do material, que segue ótimo com Trenches, Counterfeit, Salt The Wound e o ponto alto dele, que é In Spite, essa que conta com o vocal de Randy Blythe (Lamb Of God) que a combinação das vozes soa incrível!

    Malevolence com esse lançamento com certeza começa a escrever um novo caminho em sua carreira, que poderá impulsioná-los para um direcionamento ainda melhor e muito melhor, uma banda no qual eu aconselho a todos a ouvirem, eu mesmo passarei a fazer isso com maior frequência.

    FORMAÇÃO

    Alex Taylor: Vocal
    Charlie Thorpe: Bateria
    Josh Baines: Guitarra
    Konan Hall: Vocal/Guitarra
    Wilkie Robinson: Baixo

    LINK PARA COMPRA: SHINIGAMI RECORDS

    NOTA: 4,5 / 5

  • Resenha: Glenn Hughes – Chosen (2025)

    Resenha: Glenn Hughes – Chosen (2025)

    Já pararam pra agradecer em terem nascido em um tempo com tanto artista de qualidade? Tem vezes que me pego pensando muito nisso e essas vezes geralmente são ouvindo uma boa música, ou um disco incrível e essa pergunta me veio exatamente ao final de ouvir esse petardo chamado Chosen.

    Foram nove anos sem novidades, mas quando estamos falando de Glenn Hughes, nada além de excelência é esperado e no auge dos seus 74 (bem vividos) anos, esse gigante nos presenteia com um disco que é simplesmente um deleite auditivo. 

    Ao lado do seu companheiro de longa data, Soren Andersen, Glenn mais uma vez nos entrega um disco incrivel de Hard Rock, com faixas lotadas de groove, melodias belíssimas e que parecem terem sido esculpidas de forma milimétrica. O vocalista que também toca baixo, faz com que a bateria de Ash Sheehan trabalhe ferozmente e ele consegue entregar um trabalho acima do nível! Os teclados de Bob Fridzema completam tudo, dando um tom melódico maravilhoso e até uma leveza a mais, quando necessário.

    Pois quando Glenn resolve visitar o bom e velho Rock, ele o faz de forma agressiva e enérgica e ao mesmo tempo nos entrega baladas que tocam direto a nossa alma e a sua voz é simplesmente perfeita para isso. Impossível não dizer que a audição completa de Chosen é praticamente obrigatória. Um clássico!!

    FORMAÇÃO

    Glenn Hughes – Vocal/Baixo
    Soren Andersen – Guitarra
    Ash Sheehan – Bateria
    Bob Fridzema – Teclados

    LINK PARA COMPRA: SHINIGAMI RECORDS

    NOTA: 5 / 5

    Foto por Edu Lawless
  • Resenha: Suffocation – Blood Oath (Relançamento 2025)

    Resenha: Suffocation – Blood Oath (Relançamento 2025)

    Esses Estadunidenses, oriundos do Brooklyn desde sua estreia até o momento nunca deixaram a desejar e com isso é uma regra para o Suffocation, que sempre foi sinônimo de qualidade dentro do Death Metal e com Blood Oath não foi nada diferente, um disco que sobreviveu bem ao teste do tempo, sendo hoje uma referência, dentro de uma discografia já incrível.

    Com músicas que até o momento são executadas ao vivo, como Dismal Dream ou Pray For Foprgiveness esse disco marca a saída do baterista Mike Smith da banda, que entregou um disco incrível quando se trata de agressividade e destreza em seu kit, com blastbeats bem intensos e levadas bem emcaixadas para o que cada faixa desse disco pede. O seu companheiro, Derek Boyer não faz por mesmo, entregando linhas de baixo insanas e que brincam com os riffs insanos da lenda Terrance Hobbs, que com Guy Marchais, fazem das guitarras pontos ótimos no disco e a voz da lenda Frank Mullen te conduz para o lindo mundo do Metal Extremo com uma paixão única.

    A gravação é outra maravilha, sendo gravado por Joe Cincotta no FullForce Recording Studios, eles captaram e conseguiram entregar uma sonoridade que remete ao “oldschool”, sem parecer uma simples entrega a nostalgia barata, mas sim algo que deveria ser. Um trabalho de referência para uma banda de referência, obrigatório para os fãs do estilo.

    FORMAÇÃO

    Frank Mullen – Vocal
    Terrance Hobbs – Guitarra
    Guy Marchais – Guitarra
    Derek Boyer – Baixo
    Mike Smith – Bateria

    LINK PARA COMPRA: SHINIGAMI RECORDS

    NOTA: 4 / 5

  • Resenha: Suotana – Ounas II (2025)

    Resenha: Suotana – Ounas II (2025)

    Suotana é uma banda Finlandesa e que não nega, em nada a gigante influência aos seus conterrâneos do Children Of Bodom, pois aqui temos um disco legal, mas extremamente próximo do supracitado nome. Ounas II vem dar continuidade à história que começou em 2023, com a primeira parte do disco.

    Esse é um belo lançamento, dentro do proposto pela banda, um som bem redondo no que diz o Melodic Death Metal, nada de mais, nada menos do que o perfeito e necessário para um belo disco, mas aí existe um grande problema, a comparação e ela fica até meio que, impossível de não acontecer.

    O vocal de Tuomo, as guitarras de Ville e Pasi, os teclados de Tommi, a linha melódica adotada por Rauli Alaruikka no baixo e Rauli Juopperi na bateria ficam muito próximas ao que os compatriotas fizeram no início da carreira, fazendo que as suas composições, mesmo que bem boas, soem uma cópia do que um dia foi feito.

    Faixas como Foreverland, The Crowned King Of Ancient Forest, Twilight Stream poderiam estar facilmente em Hatebreeder (segundo disco do Children Of Bodom) e isso é tão verdade que, no final do disco, a banda resolve homenagear Alexi Laiho e companhia com uma bela versão para a própria Hatebreeder. Um disco interessante, mas que não tem nada de realmente inovador nele, mas tem qualidade.

    FORMAÇÃO

    Tuomo Marttinen: Vocal
    Ville Rautio: Guitarra
    Pasi Portaankorva: Guitarra
    Tommi Neitola: Teclados
    Rauli Alaruikka: Baixo
    Rauli Juopperi: Bateria

    LINK PARA COMPRA: SHINIGAMI RECORDS

    NOTA: 3 / 5

  • Beyond The Black, SetYøurSails e Seraina Telli ao vivo em Berlim: uma noite de contrastes, intensidade e poder feminino

    Beyond The Black, SetYøurSails e Seraina Telli ao vivo em Berlim: uma noite de contrastes, intensidade e poder feminino

    Algumas noites de show ficam marcadas não apenas pela música, mas pelo que elas representam. Essa foi uma delas. Em meio ao frio cortante de janeiro, onde a sensação térmica em Berlim beirava os 12 graus negativos, entre atrasos de turnê, mudanças de line-up e meses de expectativa, o que se viu no palco foi muito mais do que uma sequência de apresentações: foi um encontro poderoso de mulheres que comandam, lideram e transformam a cena heavy metal atual — cada uma à sua maneira.

    Abrindo a noite, Seraina Telli mostrou logo de cara que não estava ali para cumprir tabela. Ao lado do baterista Mike Malloth, ela tomou o palco com uma presença magnética, misturando hard rock moderno, atitude punk e uma estética visual que parecia saída de um conto de fadas contemporâneo. As flores gigantes iluminadas, o verde intenso das luzes e sua figura (cabelos azul-esverdeados, roupas coloridas, postura firme) criaram um universo próprio, quase onírico.

    O que mais me chamou atenção, porém, foi como Seraina ocupa o espaço sem pedir licença. Sua voz transita com naturalidade entre tons rasgados e passagens melódicas, enquanto sua comunicação direta com o público quebra qualquer distância logo nos primeiros minutos. Não é apenas potência sonora, é identidade, é narrativa, é a segurança de quem sabe exatamente quem é no palco. Um início de noite que aqueceu o público não só do frio, mas da previsibilidade.

     

    Se Seraina trouxe cor e fantasia, o SetYøurSails entrou para demolir tudo. Com Jules Mitch à frente, a banda assumiu o papel mais pesado da noite sem qualquer hesitação. Aqui não há delicadeza: há confronto, catarse e urgência. Jules não canta apenas, ela comanda, provoca e puxa o público para dentro do caos controlado que é o show da banda.

    Seus vocais, alternando entre screams cortantes, growls profundos e falas agressivas, são acompanhados por uma presença de palco feroz. Mas o impacto vai além da música. Há um posicionamento claro, explícito, contra racismo e sexismo, que dá ainda mais peso ao discurso artístico do SetYøurSails. É women power sem verniz: direto, político e absolutamente necessário. Mesmo para quem não é fã de metalcore, é impossível sair indiferente.

     

    E então veio o momento mais aguardado da noite. Beyond The Black entrou em cena como quem sabe exatamente o tamanho que ocupa hoje na cena europeia, e muito disso passa pela força da vocalista Jennifer Haben. Vestida de preto, ela domina o palco com uma elegância quase serena, mas nunca frágil. Sua voz impressiona não só pela técnica impecável, mas pela capacidade de alternar entre suavidade e intensidade sem perder emoção.

    Depois da brutalidade do metalcore, Jennifer soa quase etérea, mas isso não significa menos poderosa. Pelo contrário. Há algo de profundamente inspirador em ver uma mulher comandando um palco desse porte com tanta segurança. Ela simplesmente é. Canções como “Break the Silence”, “Hysteria” e “Ravens” ganham ainda mais peso ao vivo, especialmente quando as icônicas asas douradas surgem no palco, transformando o momento em algo simbólico: vulnerabilidade e poder coexistindo na mesma imagem.

    O que mais me tocou foi como os temas do novo álbum (solidão, desconexão, polarização) ganham um caráter quase íntimo ao vivo. Quando Jennifer fala sobre a perda dos tons de cinza nas relações humanas, não soa como discurso ensaiado, mas como um convite real à reflexão. E quando o público canta junto em “In the Shadows” ou no final com “Hallelujah”, fica claro que Beyond The Black já ultrapassou há muito o status de banda: é um espaço de pertencimento. Recentemente, resenhamos o mais novo álbum da banda, “Break the silence” e você pode conferir aqui.

    Três bandas, três mulheres à frente, três formas muito diferentes de exercer liderança no palco. E todas igualmente potentes. Seraina Telli mostrou que fantasia, autenticidade e força caminham juntas. Jules Mitch provou que agressividade também pode ser um ato político e libertador. Jennifer Haben reafirmou que sensibilidade e domínio não são opostos, mas aliados.

  • VOWWS e Kim Dracula transformam a República da  Música em Lisboa numa noite de contraste e catarse

    VOWWS e Kim Dracula transformam a República da Música em Lisboa numa noite de contraste e catarse

    Antes de tudo, fca o agradecimento à Free Music por recepcionar novamente a Headbangers Brasil para mais uma cobertura e resenha direto de Lisboa.

    A República da Música, em Lisboa, recebeu uma noite onde o contraste foi a grande força: primeiro, o mergulho sombrio e intimista do VOWWS; depois, a explosão teatral e imprevisível do Kim Dracula, num show que fugiu de qualquer molde convencional.

    Abrindo a noite, o duo australiano VOWWS entregou exatamente o tipo de experiência que não precisa de excessos para prender atenção: luzes escuras, clima obscuro, presença discreta e uma atmosfera quase ritualística, daquelas que parecem puxar o público pra dentro do som.

    A reação deixou claro que parte da plateia já conhecia bem aquela estética — e era visível que o público que mais vibrou parecia um pouco mais velho, familiarizado com referências góticas e com o dark alternativo que o VOWWS conduz com naturalidade.

    Mesmo com um set mais contido e intimista, foi uma apresentação bem aceita, com músicas fortes e
    identidade própria, especialmente em faixas como “Structure of Love II”, “Blood’s on Fire” e “Hurt You”, que soaram como trilha perfeita para preparar o terreno do que viria depois.

     

    Mas o que veio depois não foi apenas uma troca de ritmo — foi praticamente um novo universo. Kim Dracula mostrou em Lisboa por que é tratado como um fenômeno à parte dentro do segmento
    alternativo: antes mesmo do primeiro impacto da banda, o show começou com uma intro teatral, quando o vocalista entrou pela pista, cortando o público ao meio por uma trilha aberta no centro, marchando com postura de comando, vestido como um capitão rumo ao palco.

    E, quando fnalmente assume seu lugar, a banda já entra com uma energia absurda, como se não existisse “aquecimento”: era ataque direto.

    A apresentação se sustentou em intensidade total e carisma de arena… dentro de um clube. E esse foi um dos pontos mais fortes: a sensação era de proximidade real. Kim Dracula falava, reagia, provocava e comandava o ambiente, como se já conhecesse cada rosto na plateia — e o público devolvia na mesma moeda, mantendo o show em ebulição do início ao fim.

    Musicalmente, o set foi um desfile de mudanças rápidas de clima, peso e humor, e dois momentos viraram gatilhos coletivos imediatos: a versão de “Even Flow” (Pearl Jam) e o cover de “Paparazzi” (Lady Gaga), que transformaram a casa num só coro, com gritos e celulares erguidos como se fossem hits autorais.

    No meio desse caos organizado, ainda houve espaço para o saxofonista brincar com a plateia, puxando temas conhecidos e trazendo aquele tipo de detalhe inesperado que reforça o quanto o show do Kim Dracula não se limita a “tocar músicas”, mas sim construir momentos.

    No fm, o que fcou foi a sensação de ter visto duas propostas opostas funcionando perfeitamente na mesma noite: VOWWS abriu com sombra e elegância, e Kim Dracula fechou com espetáculo, presença e imprevisibilidade.

    Lisboa saiu com a certeza de que aquela estreia não foi só um show — foi um acontecimento.

    TEXTO POR LUKKA LEITE
    FOTOS POR NAYARA SABINO