Categoria: Resenhas

  • D.R.I. e Ratos de Porão dão aula de Crossover no Circo Voador

    D.R.I. e Ratos de Porão dão aula de Crossover no Circo Voador

    O Circo Voador então, mais uma vez, abre as portas para o peso e velocidade, ontem recebendo o clássico D.R.I. (Dirty Rotten Imbeciles), que retornou ao Brasil e juntos da instituição Ratos de Porão, celebraram ambas seus 40 anos de carreira, com shows simplesmente avassaladores!

    Mas como no Rio a produção do evento ficou a cargo da clássica Tomarock Produções, a noite teve dois atos de abertura, e entre uma banda e outra, entre as trocas de palco, a nossa colaboradora, a DJ Cammy, aquecia a galera com uma seleção de músicas clássicas, dentro do que as bandas apresentariam em palco, melhorando ainda mais a nossa noite.

    Antes dos shows principais e vamos começar pela primeira banda, a Minissaia é um quarteto carioca que executa um Punk Rock bem redondo e descente.

    Composto por quatro meninas, a banda Riot Girl, não poupou esforços para entregar um ótimo show, mas, era visível a emoção das meninas em estarem naquele palco e também o nervosismo, que deve ter pego elas, pois o decorrer do show delas alguns problemas pontuais aconteceram, mas ainda assim, conseguiram entregar um belo show. 

    Logo após a rápida troca de palco, o Pavio sobe ao palco, depois da colocação de um banco no palco e uma piada do produtor Luciano Paz, que é sempre o mestre de cerimônias dos seus eventos, a banda vem e a Cynthia Tsai (bateria), João Mugrabi (baixo), Pedro Vieira (guitarra) Marcelo Prol (vocal) sobem ao palco arrasando. 

    Pra quem já viu o Pavio em palco, sabe que a banda se movimenta muito, mas o vocalista Marcelo está se recuperando de uma cirurgia no joelho, o que o limitou muito e mesmo assim, o cara entregou demais pra galera presente. Era visível o joelho inchado e mesmo assim, ele quase não parava. A banda entregou ainda mais, vendo o esforço de seu vocalista. Músicas do recém lançado EP Soberania Popular e outras de seu repertório foram executadas perfeitamente. Uma banda competente e que sempre entregam um show acima do nível, que showzaço.

    Depois desse showzaço chegaria a hora de vermos o Ratos de Porão, sempre um show incrível, mas ontem teríamos um membro diferente, já que o guitarrista e fundador da banda, Jão, se acidentou e está em recuperação, o guitarrista Maurício Nogueira subiu ao palco, ao lado de Gordo, Boka e Juninho para entregarem um baita showzaço e mesmo com Gordo passando um pouco mal, a banda entregou, mais uma vez, uma apresentação ótima, mas dessa vez temos que colocar alguns pontos. 

    Mauricio é um exímio guitarrista, mas em diversos momentos do show não se ouviam a sua guitarra, esse problema foi o mais latente ontem, mas, pra mim, o estilo dele tocar não casou com a máquina Crossover, em diversos momentos eu sentia falta de algum detalhe aqui e ali, sabemos que casa ser humano é único e seus estilos também, mas senti muita falta de detalhes que fazem a música maior, possivelmente o jeito de cada um, o estilo de tocar, tudo isso me fez sentir uma falta enorme de ver o Jão em palco, mas ainda assim, tivemos um ótimo show do Ratos de Porão.

    Alterta Antifascista, Amazônia Nunca Mais, Solidão e diversos outros clássicos foram executados no show de ontem, que, apesar dessa falta nas guitarras, a bateria de Boka tava perfeita, aquele tiro certeiro, Juninho e seu baixo largando mais e mais timbres estalados e Gordo, que ainda entrega o caos pela sua garganta, fizeram valer a química única entre Circo Voador e Ratos de Porão.

    FOTOS POR ADRIANA DE ALMEIDA

    Então era chegada a hora dos estadunidenses do D.R.I. subir pela primeira vez no palco do Circo Voador e entregar o seu clássico Crossover, mais uma vez, ao Rio de Janeiro e a banda entregou um belo show. Uma constatação é que, incrivelmente, os problemas no som da guitarra do Ratos desapareceram, o som do D.R.I. estava soberbo e Spike Cassidy (guitarra), Kurt Bretch (vocal), Greg Orr (baixo) e Danny Wilker (bateria) entregaram um ótimo concerto.

    Como a banda não tem, literalmente, nenhum disco novo, desde Full Speed Ahead, lançado em 1995, já sabíamos que a banda iria trocar diversos sons de sua carreira, mas eles, mesmo sendo ótimos, em nada empolgaram a maior parte do público, tendo a presença daquela galera que já estava agitando antes, mas para o resto presente, não foi empolgante o bastante, para transformar o Circo Voador naquele “caos gostoso” que geralmente é.

    Mesmo com essa apatia da maior parte do público, músicas como The Five Year Plan, Who Am I?, Beneath The Wheel, Thrashard, Violent Pacification foram bem executadas, fazendo dessa visita da banda bem divertida, mas o público ficou bem apático, o que me entristece um pouco. 

    Uma sexta feira ótima para lavar a alma de todos que investiram nesse tempo de qualidade. Agradecemos a Tedesco Midia, Tomarock Produções e Maraty pela confiança em nodso trabalho. 

  • Resenha: Via Doloris – Guerre et Paix (2026)

    Resenha: Via Doloris – Guerre et Paix (2026)

    O Via Doloris é a criação do multi-instrumentista Gildas Le Pape, que após passar pelo Satyricon 1349, resolveu dar vida a suas ideias e visões musicais

    Guerre Et Paix é o resultado concreto de suas ideias, que unem diversas linhas do Metal Extremo em um som bem interessante, tendo o próprio gravado os instrumentos e contando com a bateria do lendário Frost, que traz ao disco toda a qualidade necessária para a execução das composições de Gildas.

    No disco temos influências claras do Black Metal, que vem de sua experiência, mas também passagens com forte presença da dissonância oriundas do Post Rock, riffs e passagens que vem do Folk, criando uma conjunção interessante, todas elas muito bem pensadas e usadas.

    As sete composições do disco são complexas e ao mesmo tempo muito boas em ouvir, a abertura do disco com Communion vem com a força e rispidez do Black Metal Norueguês, mas a sequência com a música Un Franc Soleil, que é cantada em francês, já vem mostrando a sua influência Post-Rock bem forte, a ótima For The Glory mostra com maior veemência toda a complexidade e qualidade apresentada por Gildas.

    O disco será lançado nessa sexta-feira, via Seasons Of Mist e caso tenha te interessado, se atente a esse belíssimo disco, que irá chamar atenção de muitos ouvintes pelo mundo, complexo e agradável, com nuances bem pessoais e muito bem trabalhadas, esse é o Via Doloris em seu lançamento.

    Tracklist:
    1. Communion (06:29)
    2. Un Franc Soleil (06:58)
    3. Omniprésents (07:26)
    4. For The Glory (07:38)
    5. Ultime Tourment (10:12)
    6. Visdommens Vei I (07:11)

    7. Visdommens Vei II (02:05)

     

    Line-up:
    Gildas le Pape — Lead Vocals, Choirs, Guitars, Bass
    Frost — Session Drums

     

    NOTA: 4 / 5

  • Válvera Lança Unleashed Fury Numa Festa com Amigos, Família e Fãs

    Válvera Lança Unleashed Fury Numa Festa com Amigos, Família e Fãs

    No sábado, 28 de fevereiro, o Válvera lançou, em grande estilo, seu último álbum Unleashed Fury, e mostrou ao seu público fiel, que estão mais que prontos para essa nova tour com o Drowning Pool.

    Foi uma festa linda, na aconchegante Burning House, que contou com o suporte de 3 Pipe Problem, Debrix, The Heathen Scythe, Flagelador, Laboratori e o próprio Válvera fechando a noite, com participação da lenda nacional, Marcello Pompeu, vocalista do pilar, Korzus. A casa abriu seus portões pontualmente às 18h, como previsto. Antes das 19h, 3 Pipe já estava no palco aquecendo o público.

    As bandas levaram um público considerável, naquela noite confusa – ora gelada, ora com uma brisa agradável – e pronta para algo além. O staff da casa estava afiado na troca dos palcos! Debrix ao vivo antes das 20h… E sabe o que me encantou muito? A quantidade de estilos diferentes dentro de uma mesma festa, e todo mundo aproveitando e respeitando como se não houvesse amanhã. A ventilação, praticamente, não dava conta da alegria do público – muitos moshpits abertos e aproveitados com sucesso! Outro intervalo, bandas se cumprimentam, platéia interessada no merchandising… Evento standard. De repente um clima sombrio e denso invade a Burning House (o que significa um uso exagerado de máquina de fumaça) The Heathen Scythe na área, tocando sucessos de sua, ainda curta, carreira. Agradou bastante, inclusive na hora em que as luzes da casa apagaram repentinamente, e o guitarrista Bruno Luiz continuou com o solo, sem enxergar um palmo à sua frente.

    The Heathen Scythe on Stage – Foto por: Niponik

    Nesse ínterim, Glauber Barreto, frontman do Válvera, e eu, trocamos poucas palavras. E, em meio ao falatório e músicas altas, ele se disse “muito feliz e ansioso pra tocar”. Quando se cria um evento desses, cada detalhe é cuidadosamente escolhido, e com as bandas não seria diferente. Laboratori subiu ao palco e o transformou numa área de muito protesto com suas letras que fazem pensar muito. Um hardcore muito próximo e muito bom de curtir. O público aproveitou: rodas abertas, mulheres, crianças, homens… todos em perfeito equilíbrio e união, como é o certo! 

    Laboratori on stage – Foto por: Mazzei.br

    Agora uma mudança: sem aviso prévio, a banda Flagelador foi colocada para fechar o festival.

    A casa enche ainda mais (não sei como foi possível, pois já estava cheia), uma pequena introdução de “Necropolis” e o Válvera aparece no palco como mágica, mandando a inédita “Unleashed Fury”; aceitação incrível! Boa parte do público cantava o novo hino da banda, que lançou o disco nas plataformas de streaming em 30 de janeiro deste ano. Intro de “Crashing Down” começa e já emenda com “What I Left Behind”, ambas do novo álbum. E aqui algo de outro mundo aconteceu: et’s apareceram para curtir a festa! Algumas pessoas vestidas de extraterrestres apareceram não se sabe de onde, e abriram uma roda do tamanho da casa. Foi memorável.

    Marcello Pompeu on stage

    Mas as presenças incríveis não pararam por aí. Glauber fala de quanto algumas pessoas foram importantes na trajetória da banda, e com isso, anuncia Marcello Pompeu para a próxima música, que tem sua participação, “Reckoning Has Begun (Remix)”, emendando o clássico “Correria”, do Korzus, que botou a galera pra pular, inclusive o mezanino, e quase derrubar a casa.

    Voltando à programação normal, “The Damn Colony”, a pedrada do disco “Cycle of Disaster”, de 2020, começa e, no meio do mosh pit, nasce um crowd surfing. Um garoto carregado e surfando na galera… Com certeza a cena está garantida por mais alguns anos!

    A clássica “The Traveller”, do álbum “Back to Hell”, de 2017, também marcou presença, o que me deixou muito feliz, particularmente por ser a minha favorita, e responsável por me deixar tão curiosa em assisti-los ao vivo.

    Mesmo o último álbum de inéditas do Válvera, antes do atual Unleashed Fury, ter sido em 2020, “Cycle of Disaster “, a banda não se deixou esquecer. Singles foram lançados, um deles em 2025, “Crawl to the Dawn”, apareceu no set. Ao lado de Ale Malerba, este hino ficou ainda maior! A banda agradece, todos falam um pouco, contam da estrada até ali, todos os desafios e apoios e, antes que a emoção tomasse conta de vez, “Demons of War”, também do álbum “Back to Hell”, encerrou uma apresentação que contou a história de uma banda que não desistiu mesmo quando a adversidade apareceu.

    Com a casa um pouco mais vazia, Flagelador fez a vez do headliner e encerrou a noite com o sarrafo bem alto. E um sábado que tinha tudo para ser “apenas” uma festa, se transformou numa verdadeira homenagem aos heróis do underground brasileiro.

     

    SETLIST VÁLVERA:

    Intro – Necropolis

    Unleashed Fury

    Crashing Down 

    What I Left Behind 

    Reckoning Has Begun (Remix) – Marcello Pompeu 

    Correria (Korzus)

    The Damn Colony 

    The Traveller 

    Crawl to the Dawn

    Demons of War

     

     

    Texto e fotos do show por: Amanda Basso 

    Fotos de capa: Leonardo Benaci

  • Resenha: Orbit Culture – Death Above Life (2025)

    Resenha: Orbit Culture – Death Above Life (2025)

    Orbit Culture, o quarteto sueco que vem crescendo exponencialmente no Undergroud. Mundial, mostrando versatilidade e qualidade em unir o Metal Extremo e moderno, desafiando convenções e mostrando diversas possibilidades.

    A banda na ativa desde 2013 e foi tomada em Eksjö vem chamando atenção desde seus primeiros lançamentos e Death Above Life não é diferente, um disco que apresenta uma gravação e masterização excelente, bem moderna, mas com aquele ar orgânico, mesmo usando o que tem de melhor na tecnologia, entregando algo bem único para as sua composições. 

    Em todo o disco, vemos como Niklas e Richard sabem trabalhar e dividir bem suas funções, com bases solidas, que unidas ao baixo de Fredrik e a precisão da bateria de Christopher, faz do som deles diferenciado.

    As dez faixas do disco apresentam o que temos de melhor na composição moderna, com momentos extremos e passagens melódicas bem construídas, que não são enfadonhas, como em Hydra, The Tales Of War Inside The Waves, mas tem um destaque máximo a faixa título do disco, Death Above Life é uma pedrada impetuosa, cheia de peso, com um riff que não deixa nada parado, aquela que é impossível se manter parado, ou mesmo não repetir a audição da mesma.

    E flertando com diversos sub-generos do Metal e fazendo tudo isso de forma muito caprichada, faz de Death Above Life do Orbit Culture um disco necessário para você que gosta de modernidade, peso e muito bom gosto!

    LINK PARA COMPRA: SHINIGAMI RECORDS

    NOTA: 5 / 5

    FORMAÇÃO

    Niklas Karlsson – Vocal, Guitarra
    Fredrik Lennartsson – Baixo
    Richard Hansson – Guitarra
    Christopher Wallerstedt – Bateria

  • Resenha: Megadeth – Megadeth (2026)

    Resenha: Megadeth – Megadeth (2026)

    Megadeth, a banda que marcou uma geração inteira de Thrashers com lançamentos acima da média, mas alguns vacilos em sua carreira, lança aquele que promete ser o último disco da vida do filho prodígio de Dave Mustaine, o nome por trás de tudo.

    Para o disco final da banda, tivemos reformulações, com a entrada do baixo de James Lomenzo e a guitarra de Teemu Mäntysaari e o baterista Dirk Verbeuren conduziu mais uma vez o coração da banda.

    Já quero começar a dizer que temos um belo disco aqui, nada demais, então se você que está lendo achou um dos melhores discos deles, saiba que nem de longe o homônimo é isso tudo, temos aqui um disco que homenageia toda a carreira da banda, desde a influência Punk em I Don’t Care, que carrega uma letra infantil demais, as partes rápidas de guitarras, em Let There Be Shred, o clássico Thrash que abre o disco em Tipping Point, todas boas canções, mas que não salvam e nem elevam tanto assim o disco para ser considerado o melhor lançamento da banda.

    Quando falamos de uma banda com uma estrada que possui títulos como Endgame, Rust In Peace, Youthnasia, Killing Isy Business, o critério e pedido tem que ser muito maior e o último disco da banda entrega qualidade, sendo que nada que chegue nem perto desses álbuns citados.

    Para uma carta de despedida, ele poderia ter sido muito maior do que ele é, mas o impacto de ser última vez pesa e por isso esse album será eternamente lembrado, uma pena, mesmo sendo um bom disco, essa despedida poderia ter sido muito melhor.

    NOTA: 3 / 5

    FORMAÇÃO

    Dave Mustaine – Vocal/Guitarra
    Teemu Mäntysaari – Guitarra
    James LoMenzo – Baixo
    Dirk Verbeuren – Bateria

    LINK PARA COMPRA: SHINIGAMI RECORDS

  • Muita emoção e intensidade com uma noite de Bryan Adams na Vibra SP

    Muita emoção e intensidade com uma noite de Bryan Adams na Vibra SP

    O dia 7 de março de 2026, foi marcado por uma verdadeira viagem no tempo ao som de um dos maiores nomes do rock mundial. O cantor canadense Bryan Adams transformou o palco da Vibra São Paulo em um grande encontro entre gerações, reunindo fãs para uma apresentação intensa, emocionante e repleta de sucessos que marcaram décadas.

    A passagem pela capital paulista aconteceu logo após o artista se apresentar na cidade do Rio de Janeiro e integra a turnê Roll With The Punches Tour, que traz ao Brasil uma mistura equilibrada entre novas músicas do seu mais recente e trabalho mesclando com clássicos que consolidaram a carreira do artista.

    Desde os primeiros minutos, Adams deixou claro que a noite seria especial. Fugindo do tradicional, ele iniciou o espetáculo em um pequeno palco montado no meio da plateia, surpreendendo o público e criando uma atmosfera de proximidade imediata. O gesto foi recebido com entusiasmo pelos fãs, que se viram literalmente ao lado de um dos artistas mais icônicos do rock.

    Carismático e cheio de energia, o cantor demonstrou porque continua sendo um tão admirado ao redor do mundo. No palco principal, quatro microfones distribuídos estrategicamente permitiram que ele se movimentasse constantemente pelo cenário e mantendo um diálogo contínuo com o público.

    Outro detalhe que ajudou a transformar o espetáculo em uma experiência imersiva foi o uso de pulseiras luminosas entregues na entrada do evento, que iluminaram a arena durante diversos momentos do show. O clima de celebração ganhou ainda mais força durante a execução da faixa-título da turnê, quando um grande dirigível em formato de luva de boxe foi lançado sobre a plateia, flutuando entre os fãs enquanto a música ecoava pelo espaço. Em outro momento divertido da noite, um carro inflável “passeou” sobre o público durante a canção “So Happy It Hurts”, arrancando sorrisos e aplausos.

    Clássicos e mais clássicos 

    Mas foi quando os primeiros acordes dos clássicos começaram a soar que a Vibra São Paulo se transformou em um enorme coro coletivo de fãs novos e veteranos. Músicas como Summer of ’69, Heaven, Please Forgive Me, (Everything I Do) I Do It for You e This Time foram cantadas em por milhares de vozes, criando momentos de pura emoção.

    Outros sucessos como Somebody, Shine a Light, 18 Til I Die e Back to You também fizeram parte do repertório, mostrando a força de um catálogo musical que atravessa gerações pelo mundo. Além das trilhas sonoras dos filmes Spirit (Here I Am) e Don Juan DeMarco (Have You Ever Really Loved a Woman?)

    Um dos pontos mais intensos da apresentação aconteceu com Run to You música que o próprio Adams revelou ser sua favorita. A execução foi explosiva e levantou a plateia, encerrando o momento com o público completamente entregue à energia do show.

    Durante quase duas horas, Bryan Adams conduziu uma apresentação marcada por emoção, nostalgia e muita interação. Entre risadas, histórias, momentos intimistas e explosões de rock, o artista mostrou que mais de quatro décadas de carreira não diminuíram em nada sua paixão pelo palco.

    Ao final da noite, a sensação entre os fãs era de privilégio. Mais do que um simples concerto, o que aconteceu na Vibra São Paulo com patrocínio da Mercury Concerts foi uma celebração única de música e da conexão que poucos artistas conseguem manter com seu público ao longo do tempo.

    Se a resposta calorosa dos brasileiros serve como termômetro, uma coisa é certa: sempre que Bryan Adams voltar ao país, encontrará plateias prontas para cantar cada verso ao seu lado.

    TEXTO POR CYNTHIA LEMBKE

    Fotos por Ricardo Matsukawa/Mercury Concerts

  • Resenha: Before The Dawn – Cold Flare Eternal (2025)

    Resenha: Before The Dawn – Cold Flare Eternal (2025)

    Uma união de músicos experientes do cenário finlandês não poderia resultar em nada menos que um baita disco. É exatamente isso que encontramos em Cold Flare Eternal, o recém-lançado álbum do Before The Dawn. O trabalho une diversas influências para nos levar de volta aos contos da Carélia — um tema já clássico e consolidado no gênero —, mas aqui com a tradicional roupagem extrema e melódica da região.

    Contando com músicos que possuem passagens por nomes como Wolfheart, Swallow the Sun e Hinayana, o Before The Dawn retorna apenas dois anos após seu último esforço para entregar um disco coeso e de audição extremamente fácil. Essa fluidez, inclusive, chega a ser assustadora: as doze faixas passam tão naturalmente que, quando você percebe, o álbum já terminou. No entanto, ele não passa sem deixar marcas, pois mesmo sendo uma audição “direta ao ponto”, é possível encontrar momentos em que o disco realmente brilha.

    As transições entre passagens de grande força e melodias únicas são pontos altíssimos aqui. Contudo, essa facilidade de audição também traz um contraponto: o álbum parece soar como um “bloco único”. A similaridade nas composições acaba dando a entender que uma faixa ainda não terminou quando a próxima já começou. O disco corre tranquilamente, mas esbarra nessa falta de variação entre os temas.

    Apesar disso, é necessário destacar o desempenho individual. Tuomas Saukkonen guia a banda na bateria com blast beats e ritmos muito bem trabalhados, enquanto o baixo de Pyry Hanski surge como um destaque à parte, preenchendo com maestria os espaços durante os solos de Juho Räihä. Juho, por sua vez, entrega riffs imponentes, embora por vezes similares demais entre si. Já o vocal de Paavo Laapotti é um verdadeiro espetáculo: alternando entre o gutural e o melódico, o vocalista traz tudo com uma força e um carisma únicos.

    Em suma, Cold Flare Eternal é um belo disco de Melodic Death Metal. Ele trabalha dentro de uma estética clássica, mas ao entregar muitas semelhanças com o que já conhecemos e carecer de uma “personalidade própria” mais forte, corre o risco de ser visto como “apenas mais um” em um cenário tão concorrido.

    FORMAÇÃO

    Tuomas Saukkonen – Bateria
    Paavo Laapotti – Vocal
    Juho Räihä – Guitarra
    Pyry Hanski – Baixo

    LINK PARA COMPRA: SHINIGAMI RECORDS

    NOTA: 3 / 5

  • Resenha: Death Angel – Relentless Retribution (Relançamento 2025)

    Resenha: Death Angel – Relentless Retribution (Relançamento 2025)

    O ano era 2010. O Death Angel havia anunciado recentemente o retorno às atividades e lançado dois grandes discos, colocando-os novamente no mapa do Thrash Metal mundial. Após o sucesso de seus antecessores, Relentless Retribution nasceu com a missão de consolidar, de uma vez por todas, o retorno da banda — caso contrário, o grupo poderia amargar um ostracismo precoce. A consolidação veio na forma de um disco que é, no mínimo, espetacular.

    Com uma leve mexida na formação, o “coração pulsante” da banda sofreu alterações: a chegada de Damien Sisson no baixo e Will Carroll na bateria. Eles se uniram a Mark Osegueda, Ted Aguilar e Rob Cavestany para criar um álbum que não deixa pedra sobre pedra quando o assunto é música de qualidade.

    Relentless Retribution finca de vez o nome do Death Angel no topo. O disco é lotado de composições marcantes, como “Truce”, que conta com a participação do produtor Jason Suecof. Outra colaboração memorável é a do duo Rodrigo y Gabriela, que traz o violão flamenco para o metal em “Claws in So Deep”. Mas o trabalho não vive apenas de participações; faixas como “River Of Rapture”, “I Chose the Sky” e a belíssima “Volcanic” — que, mesmo sendo instrumental e baseada em violões, traz um momento belíssimo ao álbum — além da violenta “Absence Of Light”, fazem deste disco um ponto altíssimo na carreira de consolidação do quinteto.

    É impossível não notar a performance impecável de Mark Osegueda; ele canta com o coração em cada estrofe. O trabalho de guitarras de Rob e Ted é primoroso, com riffs agressivos, complexos e solos certeiros que mostram como a experiência da dupla faz a diferença. Além disso, a entrada de Will e Damien na “cozinha” trouxe um novo vigor e uma dinâmica muito maior ao som do grupo. Assim, Relentless Retribution tornou-se um item obrigatório na coleção de qualquer fã de Thrash Metal.

    FORMAÇÃO

    Mark Osegueda – Vocal
    Ted Aguilar – Guitarra
    Rob Cavestany – Guitarra
    Damien Sisson – Baixo
    Will Carroll – Bateria

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    NOTA: 4 / 5

  • Resenha: Diamond Head – Live And Electric – UK Tour 2022 (2025)

    Resenha: Diamond Head – Live And Electric – UK Tour 2022 (2025)

    Os veteranos do Diamond Head registraram seu retorno triunfal à Inglaterra em 2022, resultando no álbum Live and Electric. O disco é um registro de respeito para uma das bandas mais seminais do cenário e, pelo que ouvimos, eles não estão nem perto de uma “aposentadoria”.

    Gravado em diversas cidades do país, o trabalho mostra exatamente como se faz um belíssimo show de Heavy Metal. O lendário guitarrista e líder da banda, Brian Tatler, ao lado de seu time — Rasmus (vocal), Karl (bateria), Paul (baixo) e Andrew “Abbz” (guitarra) — prova por que o grupo continua influenciando os maiores nomes do Metal até hoje. O disco apresenta um peso descomunal, não deixando pedra sobre pedra.

    A captação sonora está excelente. Embora saibamos que álbuns ao vivo costumam passar por ajustes posteriores em estúdio, a sensação de “estar no show” foi preservada. Clássicos como “The Prince” e a poderosa “Belly of the Beast” são executados com velocidade e força impressionantes. Vale destacar também “The Messenger”, que ganhou uma versão ao vivo formidável.

    Outras faixas indispensáveis são “It’s Electric”, “Helpless” e a icônica “Am I Evil?”, que encerra o álbum em grande estilo. As músicas receberam uma roupagem moderna, mas que respeita totalmente o legado histórico do Diamond Head — uma atualização de altíssimo nível.

    Particularmente, sou um grande fã de discos ao vivo. Mesmo com as edições técnicas comuns ao formato, acredito que eles são capazes de empolgar o ouvinte de forma genuína, transmitindo exatamente o que esperar de uma performance da banda. Um registro impecável!

    FORMAÇÃO

    Brian Tatler – Guitarra
    Rasmus Bom Andersen – Vocal
    Karl Wilcox – Bateria
    Andrew “Abbz” Abberley – Guitarra
    Paul Gaskin – Baixo

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    NOTA: 4 / 5

  • Resenha: Fallujah – Xenotaph (2025)

    Resenha: Fallujah – Xenotaph (2025)

    Após o bem recebido Empyrean, o Fallujah retorna com mais um excelente disco de Progressive Death Metal. Podemos afirmar que Xenotaph é um álbum consistente e coeso, que traduz perfeitamente a visão de Kyle Schaefer (vocal e programação). Inspirado no livro “Filhos de Duna” (Children of Dune), de Frank Herbert, o trabalho mergulha o ouvinte em uma experiência de peso, técnica e extrema qualidade.

    Com mudanças na formação — a chegada de Sam Mooradian nas guitarras e do baterista Kevin Alexander —, Kyle, Scott e Evan entregam uma obra ainda mais complexa. A execução é tão fluida que a audição se torna agradável mesmo diante de variações rítmicas intrincadas e temas densos. Faixas como as memoráveis “The Crystalline Veil”, “Labyrinth of Stone” e “A Parasitic Dream” transcendem o gênero convencional, proporcionando uma imersão sonora única por meio de sua técnica apurada.

    Além destas, a faixa “Kaleidoscopic Waves” é outro destaque que aprofunda o mergulho no universo de Duna. Kyle alterna força e suavidade com maestria, equilibrando um gutural imponente e vocais limpos meticulosamente trabalhados. A nova dupla de guitarras, formada por Scott e Sam, realiza um trabalho impecável, dosando solos melódicos com riffs constantes. Enquanto isso, Evan e Kevin compõem o coração pulsante da máquina, entregando blast beats certeiros e viradas precisas. O baixo mantém uma presença marcante durante todo o disco, garantindo um preenchimento sonoro robusto e sem lacunas.

    Somado a uma capa que é uma verdadeira obra de arte, Xenotaph é um álbum formidável. O Fallujah segue consolidando seu espaço com composições sóbrias e maduras. É uma banda que merece toda a atenção possível e, se você aprecia essa vertente do metal, precisa conhecer este som.

    FORMAÇÃO

    Kyle Schaefer – Vocal, Programação
    Scott Carson – Guitarra
    Sam Mooradian – Guitarra
    Evan Brewer – Baixo
    Kevin Alexander – Bateria

    NOTA: 4,5 / 5

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