Categoria: Resenhas

  • Resenha: Behemoth – The Shit Ov God (2025)

    Resenha: Behemoth – The Shit Ov God (2025)

    Simplesmente um dos maiores e mais falados nomes atualmente dentro do cenário Extremo Mundial, os poloneses do Behemoth sempre lançam discos incríveis e até mesmo inesquecíveis, que, infelizmente não acontece em The Shit Ov God.

    Mas, se ao ler isso, você está achando que o décimo terceiro disco da banda é ruim, muito pelo contrário, temos aqui um disco consiso e consistente, dentro da fórmula adotada pela banda, desde o lançamento do gigante The Satanist, um disco de Black Metal com momentos de pura rispidez e velocidade, mas com um groove altamente latente e muito bem composto e executado.

    Para quem acompanhou a última passagem da banda pelo nosso Território (cobertura aqui) sabe como a banda entrega qualidade e uma execução extremamente alta, em todo o show e ver as músicas de seu disco novo em palco provam duas coisas:

    1 – A execução delas é impar e não deixa nenhuma dúvida em como a banda é competente.
    2 – Infelizmente elas não funcionam tão bem em palco.

    Sendo que, isso, não é para ser dito aqui, pois aqui o foco é The Shit Ov God, que, mostra uma banda redonda e certa no que faz. Todas as músicas carregam uma personalidade fortíssima, o DNA inalterado e com muito peso. A sinergia de Nergal com seus companheiros Inferno Orion é algo único e que mantém toda essa banda perfeita, mas, o resultado final de The Shit Ov God, é um disco que está imortalizado, mas que, com o tempo, possa vir a ser esquecido, o que é uma pena.

    LINK PARA COMPRA: SHINIGAMI RECORDS

    NOTA: 4,5 / 5

    FORMAÇÃO

    Adam ’Nergal’ Darski:Vocal, Guitarra
    Zbigniew ’Inferno’ Promi?ski: Bateria, Percussão
    Tomasz ’Orion’ Wróblewski: Baixo, Backing Vocals

    Músico convidado

    Patryk ’Seth’ Sztyber: Guitarra, Backing Vocals

     

  • Resenha: Wednesday 13 – Mid Death Crisis (2025)

    Resenha: Wednesday 13 – Mid Death Crisis (2025)

    Essa é uma banda no qual com certeza passaria completamente desapercebida por mim, mas o Wednesday 13 chama atenção, primeiro pelo seu visual, bem inspirado em uma estética com referência gótica e de horror pessoal e o quinteto Estadunidense mostra um som altamente divertido e fácil de ouvir.

    A produção que ficou a cargo de Alex Kane (Life, Sex & Death, Enuff Z’Nuff, Antiproduct) deu vida a proposta da banda, em ter um disco bem pesado e muito bom de ouvir, as letras que tem uma carga de “sangue e horror” grande, se confundem com um instrumental mais “pra cima”, fazendo da audição do disco se tornar uma festa do horror, o que não é nem de longe ruim, pelo contrário, é super bem vindo e muito obrigado por isso!

    As guitarrras, tocadas por Wednesday 13, Ashes Jack Tankersley estão ótimas, bem sincronizadas e com riffs marcantes, a cozinha de Mike Dupke Troy Doebbler conduzem a banda com uma pegada muito forte e ao mesmo tempo super dinâmica, o ponto fraco em si, pelo que ouvi, é o vocal de Wednesday 13, que fica bem genérico e mesmo ele sabendo usar bem as suas cordas vocais, ficou bem comum e nada muito diferente do que pede e esse seria um belo diferencial.

    Mid Death Crisis tem bons momentos e uns altamente passáveis, mas Blood Storm é um desses grandes momentos, com uma pegada levemente Motorhëad, aquele Rockão bem debochado e contagiante, outra boa música é Rotting Away que tem uma levada ótima e, com certeza, Xanaxtasy é outra com um destaque gigante nesse disco, que te entrega um tempo muito bom e diversão a seus ouvidos. Vale a pena o confere na banda, caso você não conheça.

    FORMAÇÃO

    Wednesday 13 – Vocal, guitarra
    Jack Tankersley – Guitarra
    Troy Doebbler – Baixo
    Mike Dupke – Bateria
    Ashes – Guitarra

    LINK PARA COMPRA: SHINIGAMI RECORDS

    NOTA: 3,5 / 5

  • Resenha: Ghost Bath – Rose Thorn Necklace (2025)

    Resenha: Ghost Bath – Rose Thorn Necklace (2025)

    Ghost Bath é a visão do artista Dennis Mikula para como ele recebe tudo no que vive nesse mundo e ele entrega de forma sofrida, depressiva e altamente ríspida, essa é a melhor explicação para o que é a sua banda, mas em Rose Thorn Necklace o artista resolveu se despir completamente.

    Em um disco ainda mais ríspido do que seu anterior, com uma gravação bem calcada no clássico Lo-Fi, estética que dá a característica ao Black Metal e trabalhando tons dissonantes, esse disco é uma afirmação ao sofrimento, à depressão e as mazelas no qual estamos vivendo, as nove faixas lhe obrigam a repensar como estamos vivendo.

    As instrumentais Needles e a ótima Thinly Sliced Heart Muscle, te preparam para a explosão das suas subsequentes Dandelion Tea e Throat Cancer, respectivamente. Músicas que exploram as sombras e escancaram o véu desse mundo pútrido no qual Dennis Mkula te guia. Ele te faz ver como tudo está deteriorado, em tons dissonantes, passagens eletrônicas que não te trazem prazer, mas sim desconforto e desafinações que lhe dão um estranhamento necessário para entender a sua obra.

    Esse é um disco altamente focado para quem já gosta do estilo e conhece a banda, caso queria conhecer eles, ouça-o com calma e atenção, para assim conseguir absorver toda essa gama de informação no qual ele entrega, bela obra.

    FORMAÇÃO

    Nameless (Dennis Mikula) – Vocais, Guitarra, Baixo, Piano, Sintetizadores
    Mike Heller: Bateria (estúdio)

    NOTA: 3,5 / 5
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  • Resenha: Grave Digger – Clash Of The Gods (Relançamento 2025)

    Resenha: Grave Digger – Clash Of The Gods (Relançamento 2025)

    Impossível falar de Heavy Metal sem passarmos pelos Alemães do Grave Digger, banda clássica do estilo, com uma longeva carreira e que até os dias de hoje, colocam cabeças a serem balançadas em seus concertos e discos gravados ao longo desses quarenta e seis anos de carreira. Mas hoje iremos focar no ano de 2012, quando a banda lança o disco Clash Of The Gods.

    Na época de seu lançamento, no hoje, distante ano de 2012, esse disco foi recebido muito bem e vale citar que sim, justo ter sido, pois serei sincero a todos, o Grave Digger nunca foi uma banda no qual eu pararia para ouvir, mas, Clash Of The Gods muda isso e prova que envelheceu bem demais e resiste a prova do tempo.

    O disco é bom demais, os riffs  e solos de Axel Ritt são incríveis, a cozinha de Jens Becker Stefan Arnold dão um show a parte, carregando com potência o disco inteiro, viradas e levadas dentro do estilo da banda são ímpares, mas o icônico vocal de Chris Boltendahl é a personalidade para a banda, quando se ouve a sua voz, você é jogado para o universo dessa banda incrível!! 

    Esse disco tem uma vibração e energia muito inerentes para o que a época pedia, mas até hoje é altamente empolgante retornar ao conteúdo de Clash Of The Gods e se você quer saber o porquê de ouvir esse discaço, ouça com calma Medvsa, God Of Terror, Home At Last, Hell Dog Call Of The Sirens e se agradeça por ter tomado essa escolha. Um disco incrível, que vai me fazre revisitar a carreira da banda e possivelmente consertar um erro.

    FORMAÇÃO

    Chris Boltendahl – Vocal
    Stefan Arnold – Bateria
    H.P. Katzenburg – Teclados
    Jens Becker – Baixo
    Axel Ritt – Guitarra

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    NOTA: 4,5 / 5

  • Resenha: Gorefest – False / Erase (The Ultimate Collection – 2025)

    Resenha: Gorefest – False / Erase (The Ultimate Collection – 2025)

    Essa é a junção perfeita da pasagem do Death Metal visceral e único do Gorefest, que em False atinge um nível incrível para o início do seu DeathRock super bem estruturado e competente, a banda sofreu um pouco nessa transição, muitos não entenderam (ou preferiram simplesmente não entender), mas os holandeses mantiveram a sua qualidade e impetuosidade sonora, mesmo nessa transição, muito bem feita, diga-se de passagem.

    False, lançado originalmente em 1992, é um disco extremamente aclamado pelos fãs e crítica, sendo ele um compêndio de boas composições, falar de False é meio que chover no molhado, pois é um disco agressivo, bem elaborado e altamente recomendado até mesmo para os que desejam iniciar na trilha do “Metal Morte”. The Glorious Dead, Reality – When You Die, State Of Mind, Get a Life, False, o disco inteiro é um clássico atrás do outro!!

    Em Erase, o Gorefest decide começar a migrar o seu som, mas sem deixar de entregar a qualidade no qual eles tinham apresentado ao mundo da música pesada e o que se ouve é um disco consiso, pesado e com um bom gosto no qual tem de ser destacado. O disco originalmente lançado em 1994 é um petardo sonoro, com riffs e levadas viciantes, impossíveis de passar sem, pelo menos, ter aquele arrepio prazeroso de uma palhetada perfeita. Low, Erase, Fear, I Walk My Way, uma das mais belas composições da banda, Goddes In Black, todas essas são ímpares.

    Mas estamos falando da The Ultimate Collection, aonde a Nuclear Blast Records nos encheu de faixas bônus incríveis e não é diferente em False EraseNo False, faixas da Promo de 1992 e o Live Misery entram como bônus do lançamento e em Erase temos o EP Fear, que entrega composições maravilhosas e duas canções antes não lançadas, como a maravilhosa Autobahn e a versão orquestrada e ao vivo de Goddess In Black, que está incrivelmente linda!

    Esse digipack feito pela Shinigami Records merece destaque, edição linda, de qualidade, a impressão tá maravilhosa e o acabamento dos discos ótimos, um trabalho primoroso para o nível do lançamento no qual estamos lidando aqui, tenham esse material em suas coleções, não irão se arrepender, em nada.

    FORMAÇÃO

    Ed Warby – Bateria
    Frank Harthoorn – Guitarra
    Jan-Chris de Koeijer – Baixo, Vocal
    Boudewijn Bonebakker – Guitarra

    LINK PARA COMPRA: SHINIGAMI RECORDS

    NOTA: 4,5 / 5

  • Resenha: Gorefest – Soul Survivor/Chapter 13 (The Ultimate Collection – 2025)

    Resenha: Gorefest – Soul Survivor/Chapter 13 (The Ultimate Collection – 2025)

    Os holandeses do Gorefest estiveram sempre um pouco a frente ao seu tempo e a mudança sonora percebida em sua discografia prova isso, a acertada decisão de sua gravadora, a Nuclear Blast Records em, relançar seus discos em belíssimas edições duplas prova como a banda merece respeito.

    Na The Ultimate Collection, os discos foram, sabiamente reunidos em pacotes em Digipack lindos, com uma arte gráfica com a qualidade merecida e a Shinigami Records lançou eles de forma tão bela quanto em nosso país, hoje entrego a vocês a dica para quem curte um Death/Rock de respeito, já que Soul Survivor Chapter 13 são discos que, em seu lançamento, não foram bem recebidos, já que a banda tinha se estruturado no cenário com um Death Metal impetuoso e direto, mas já ouvíamos o que temos nesses discos.

    Soul Survivor tem uma pegada bem mais Rocker do que Chapter 13, o que mostra como eles até sentiam a vontade de entregar muita qualidade. Em Soul Survivor, além do belo disco, com músicas como Forty Shades, hoje um “clássico” da banda, Bood Is Thick, Demon Seed e outras faixas, ele contém o EP Freedom e algumas faixas demo do disco, que trás a crueza da preparação do disco.

    Já no Chapter 13, além do belo disco, que trás canções ótimas como a faixa título, All Is Well, Nothingness, The Idiot, a versão também conta com as demos, uma versão remixada não antes lançada de Chapter 13 e músicas ao vivo, gravadas no Dynamo Festival, de 1996, festival esse que era de extrema importância naqueles tempos, realizado na Holanda.

    Essa é uma edição no qual eu recomendo a todos que sejam fãs do Gorefest ter em casa, pra completar a coleção, ou manter ela atualizada, mas se você não conhece a banda, pode cair dentro sem medo nenhum, dois discos de qualidade ilibada!!

    FORMAÇÃO:

    Ed Warby – Bateria
    Frank Harthoorn – Guitarra
    Jan-Chris de Koeijer – Baixo, Vocal
    Boudewijn Bonebakker – Guitarra

    LINK PARA COMPRA: SHINIGAMI RECORDS

    NOTA: 4 / 5

  • Resenha: Kreator – Krushers Of The World (2026)

    Resenha: Kreator – Krushers Of The World (2026)

    Thrash veterano, produção moderna e violência sonora em estado máximo

    Após mais de quatro décadas de carreira, o Kreator segue provando por que é um dos nomes mais sólidos e respeitados do thrash metal mundial. Krushers Of The World, décimo sexto álbum de estúdio da banda alemã, entrega exatamente o que se espera de um gigante do gênero: agressividade, peso, identidade e relevância, sem soar repetitivo ou acomodado.

    Gravado no Fascination Street Studios, na Suécia, o disco conta com produção de Jens Bogren, que consegue equilibrar com precisão o impacto moderno com a essência clássica do Kreator. O resultado é um álbum encorpado, poderoso e extremamente bem resolvido sonoramente. As guitarras soam afiadas e densas, a bateria é orgânica e explosiva, o baixo aparece com presença real na mixagem e os vocais de Mille Petrozza mantêm sua fúria característica, sem excessos artificiais.

    A arte de capa, assinada por Zbigniew Bielak, complementa perfeitamente o conteúdo musical. Sombria, detalhista e carregada de simbolismo, a ilustração reforça o clima de confronto, caos e dominação presente nas letras, mostrando mais uma vez o cuidado do Kreator em tratar o visual como parte fundamental da obra.

    Faixa a faixa

    Seven Serpents

    A abertura do álbum já estabelece o tom da obra. A música cresce de forma quase ritualística antes de explodir em riffs cortantes e andamento firme. Mille surge imponente nos vocais, conduzindo a faixa com autoridade e agressividade. Uma introdução forte, que prende o ouvinte logo nos primeiros segundos.

    Satanic Anarchy

    Thrash direto e sem concessões. Rápida, agressiva e extremamente eficiente, a música aposta em riffs simples, mas certeiros, sustentados por uma bateria que empurra tudo para frente. O refrão é daqueles feitos sob medida para o público cantar junto nos shows.

    Krushers Of The World

    A faixa-título aposta em um andamento mais cadenciado e pesado, criando um clima quase marcial. O refrão funciona como um verdadeiro hino, pensado para grandes palcos, reforçando a sensação de união e força coletiva que permeia o álbum.

    Tränenpalast

    Um dos momentos mais atmosféricos do disco. A música investe em uma abordagem mais sombria e cinematográfica, com variações vocais e camadas densas que ampliam o espectro sonoro do álbum. Mesmo sendo um respiro, mantém o peso emocional elevado.

    Barbarian

    Thrash metal em sua forma mais crua. Riffs rápidos, bateria impiedosa e vocais cuspidos com fúria. Não há espaço para sutileza aqui — é agressão direta, remetendo ao Kreator mais clássico, mas com a precisão adquirida ao longo dos anos.

    Blood Of Our Blood

    A faixa equilibra agressividade e melodia com eficiência. O peso permanece intacto, mas o refrão cresce de forma mais emocional, criando um momento de impacto coletivo e conexão com o ouvinte.

    Combatants

    Com andamento mais contido, a música segue uma linha quase marchante. O groove é sólido e constante, mantendo a tensão sem recorrer à velocidade extrema. Funciona como uma transição estratégica dentro do álbum.

    Psychotic Imperator

    Uma das faixas mais intensas do disco. Variações de tempo, riffs em sequência frenética e uma sensação constante de caos controlado. O Kreator explora aqui seu lado mais agressivo e técnico, mantendo o ouvinte em alerta do início ao fim.

    Deathscream

    Curta, veloz e brutal. Um ataque concentrado de thrash metal, direto e urgente, sem espaço para excessos ou respiros. Funciona como um golpe rápido e certeiro antes do encerramento.

    Loyal To The Grave

    O álbum se encerra com um clima quase triunfal. A estrutura mais aberta permite que o refrão se destaque, criando uma sensação de celebração e respeito à trajetória da banda e à relação com seus fãs. Um fechamento forte e emocionalmente satisfatório.

    Krushers Of The World mostra um Kreator confiante, feroz e totalmente consciente de sua importância. O álbum não tenta reinventar o thrash metal, mas reforça como o gênero ainda pode soar relevante, pesado e empolgante quando executado por quem realmente sabe o que está fazendo. Com produção impecável, composições sólidas e identidade visual marcante, este é um dos trabalhos mais consistentes da fase moderna da banda.

    NOTA: 5 / 5

  • Classical Review: Obituary – Cause of Death (1990)

    Classical Review: Obituary – Cause of Death (1990)

    O álbum que transformou peso em identidade e ajudou a definir o death metal como o conhecemos

    Lançado em 1990, Cause of Death não é apenas o segundo disco do Obituary. É o momento em que a banda da Flórida encontra sua forma definitiva, abandona qualquer resquício de indecisão e entrega um trabalho que se tornaria referência absoluta no death metal. Mais denso, mais sombrio e mais técnico que Slowly We Rot, o álbum elevou o nome do Obituary ao mesmo patamar de gigantes da cena extrema.

    Gravado no lendário Morrisound Studios e produzido por Scott Burns, Cause of Death tem um som encorpado, sujo e opressor, daqueles que parecem sair direto de um pântano. Aqui, o Obituary não busca velocidade constante ou virtuosismo exagerado: o foco é o peso esmagador, os riffs cadenciados e uma atmosfera sufocante que acompanha o ouvinte do começo ao fim.

    Faixa a faixa: peso, podridão e identidade

    A abertura com “Infected” já deixa claro que o disco não vai aliviar. O riff inicial é arrastado, quase rastejante, criando tensão antes da música ganhar corpo. John Tardy entra com seus vocais guturais inconfundíveis, mais próximos de um urro primal do que de qualquer canto tradicional. É uma introdução perfeita para o clima do álbum: obscuro, claustrofóbico e brutal.

    “Body Bag” segue aprofundando essa sensação, apostando em riffs simples, porém extremamente eficazes. Aqui, o Obituary mostra que não precisa de complexidade excessiva para soar devastador. O groove pesado e a bateria marcante fazem da faixa um dos primeiros clássicos do disco.

    Em “Chopped in Half”, a banda apresenta um de seus maiores hinos. O riff principal é imediatamente reconhecível e se tornou presença obrigatória nos shows ao longo das décadas. A música alterna momentos mais lentos com explosões de violência sonora, criando uma dinâmica que se tornaria marca registrada do grupo.

    “Circle of the Tyrants”, cover do Celtic Frost, é uma escolha certeira. O Obituary transforma o clima já sombrio da música original em algo ainda mais grotesco e arrastado, praticamente assumindo a canção como se fosse sua. É uma homenagem que também funciona como declaração de influência e respeito às raízes do metal extremo.

    “Dying” traz um dos lados mais pesados do álbum, com riffs que parecem esmagar lentamente o ouvinte. A bateria de Donald Tardy dita o ritmo com precisão, enquanto as guitarras criam camadas densas, reforçando a sensação de decadência que permeia o disco.

    “Find the Arise” apresenta uma variação maior de andamento, mesclando momentos mais rápidos com passagens lentas e sufocantes. É uma faixa que evidencia o crescimento técnico da banda, sem abandonar a brutalidade crua que define o Obituary.

    Em “Cause of Death”, faixa-título, o grupo entrega uma das músicas mais atmosféricas do álbum. O clima é quase ritualístico, com riffs que se repetem de forma hipnótica, reforçando a sensação de desespero e inevitabilidade da morte.

    “Memories Remain” mantém o peso em níveis extremos, apostando em uma estrutura simples, mas eficiente, enquanto “Turned Inside Out” fecha o álbum de forma brutal, retomando a agressividade direta e deixando claro que Cause of Death não é um disco feito para agradar, mas para marcar.

    O impacto e o legado

    Mais de três décadas depois, Cause of Death continua sendo um manual de como fazer death metal pesado, sujo e autêntico. O disco influenciou incontáveis bandas, ajudou a solidificar a cena da Flórida e mostrou que o gênero podia ser brutal sem perder identidade.

    Para muitos fãs, este é o melhor álbum da carreira do Obituary. Para outros, é simplesmente um dos maiores clássicos do death metal mundial. Independente do rótulo, Cause of Death segue intocável — um monumento à podridão sonora que ajudou a moldar a história do metal extremo.

    Obituary no Brasil – Turnê 2026

    O Obituary retorna ao Brasil em fevereiro de 2026 como parte de uma turnê que celebra mais de três décadas de carreira e a força eterna de discos fundamentais como Cause of Death e Slowly We Rot. A passagem pelo país contempla cinco capitais, reforçando a relação visceral da banda com o público brasileiro.

    A expectativa é de sets focados nos clássicos, com presença garantida de hinos que moldaram o death metal mundial, executados com a brutalidade e a precisão que transformaram o Obituary em uma instituição do gênero.

    Datas confirmadas:

    20/02 – Belo Horizonte (MG)
    21/02 – São Paulo (SP)
    22/02 – Curitiba (PR)
    24/02 – Rio de Janeiro (RJ)
    25/02 – Brasília (DF)

    Mais do que uma turnê, essa é uma celebração da podridão sonora em seu estado mais puro. Para os fãs, é a chance de testemunhar ao vivo uma das bandas mais influentes da história do death metal — do jeito que tem que ser: alto, pesado e sem concessões.

    NOTA: 5 / 5

    TEXTO POR RAPHAEL ARIZIO

  • Corrosion of Conformity Deixa a São Paulo em Chamas!

    Corrosion of Conformity Deixa a São Paulo em Chamas!

    Show marcou o retorno da banda ao Brasil após oito anos, com casa lotada, calor extremo, discurso político e clássicos celebrados pelo público.

     

    Fotos: Izabel Santa Fé

     

    O Corrosion of Conformity passou por São Paulo no último sábado (17) para um show intenso na Burning House, encerrando a etapa brasileira de uma extensa turnê pela América Latina. A apresentação marcou o retorno da banda ao país após oito anos de ausência, desde a última passagem, em 2018, e confirmou a força de um grupo que segue extremamente querido pelo público.

    A resposta dos fãs foi imediata: o anúncio do show gerou grande repercussão e resultou em ingressos esgotados. Falar que a casa estava lotada é pouco: a Burning House atingiu sua capacidade máxima, o que acabou expondo uma série de problemas estruturais que impactaram diretamente à experiência da noite.

    Inicialmente, a turnê latino-americana do Corrosion of Conformity estava prevista para setembro, mas foi remarcada para janeiro de 2026. A mudança ocorreu após o grupo receber o convite para integrar a turnê norte-americana que reúne Judas Priest e Alice Cooper, programada para o segundo semestre do ano. A alteração de datas, anunciada pela produtora Dark Dimensions, acabou aumentando ainda mais a expectativa do público brasileiro, que aguardou meses pelo retorno da banda.

    Fotos: Izabel Santa Fé

    Com o ar-condicionado quebrado e a circulação de ar comprometida, o calor tornou-se um fator quase tão presente quanto o som no palco. A temperatura interna facilmente ultrapassou os 40 graus, e nem os ventiladores espalhados pelo espaço, nem o equipamento posicionado na parte traseira da casa, deram conta da situação. Muitas pessoas optaram por se refugiar no fumódromo, e até mesmo o camarote, normalmente mais confortável, se tornou um ambiente sufocante, com o público que reclamava e suava excessivamente.

    Diante das críticas, a staff da casa se manifestou publicamente por meio de um vídeo publicado no Instagram, pedindo desculpas e explicando os problemas enfrentados naquela noite. O desconforto, no entanto, não se limitou à plateia: a própria banda demonstrou incômodo com o calor extremo durante a apresentação.

    https://www.instagram.com/reel/DTqksCCET4-/?utm_source=ig_web_copy_link

    Apesar das condições adversas, o Corrosion of Conformity entregou uma performance sólida e potente. Pepper Keenan comandou o show com vocais firmes e presença, sempre muito simpático e interativo com a plateia, ele conseguiu fazer com que todos gritassem e o acompanhassem, enquanto a linha baixo de Bobby Landgraf soava dominante. Na bateria, Stanton Moore se manteve preciso sustentando o peso do repertório mesmo sob o calor extremo, ao lado das guitarras afiadas de Woody Weatherman, que ajudaram a construir a densidade característica da banda ao vivo. 

    Entre uma música e outra, o grupo fez comentários sobre o atual momento político, como eles mesmos disseram que tocam “Vote With a Bullet” de quatro em quatro anos. O público apoiou a banda e comentaram muito sobre esse momento, enquanto os integrantes faziam uma pausa para descansar. A plateia reagia a cada música com gritos e reverência, prontamente correspondidos pela banda, em uma troca intensa e respeitosa, marcada pela memória afetiva e pela nostalgia. Certamente um show memorável e mágico para os fãs que esperaram por tanto tempo.

    Fotos: Izabel Santa Fé

    O setlist equilibrou diferentes fases da carreira, com espaço tanto para faixas menos óbvias quanto para momentos de catarse coletiva. Músicas como “Who’s Got the Fire” foram recebidas com entusiasmo imediato, com o público levantando isqueiros, cantando em uníssono. Clássicos incontornáveis como “Albatross” e “Clean My Wounds”, deixados para o final, selaram o show com um coro massivo e braços erguidos, esse repertório privilegiou faixas com andamento mais pesado, que combinou diretamente com o clima abafado da casa e com o momento social evocado pela banda. 

    Lembrando que em entrevista concedida ao The Sonic Road Podcast, divulgada em dezembro do ano passado, o baixista Bobby Landgraf detalhou os planos do Corrosion of Conformity para 2026. Segundo o músico, a banda deve realizar uma turnê pelos Estados Unidos ao lado do Clutch, prevista para abril, seguida por uma série de datas europeias entre junho e julho. Landgraf também confirmou que o próximo trabalho de estúdio do grupo, sucessor de No Cross No Crown (2018), será um álbum duplo. Ao comentar o processo de gravação, o baixista destacou a experiência de trabalhar com o baterista Stanton Moore (Galactic), descrevendo um clima de energia renovada em estúdio e atribuindo a Moore a incorporação de uma abordagem mais funk e pesada ao som clássico do C.O.C., sem perder sua identidade claro.

    Entre calor extremo e músicas inesquecíveis, o Corrosion of Conformity experimentou a sua relação com o Brasil novamente, seguindo viva e intensa. Foi um show desconfortável em muitos sentidos, mas também intenso, daqueles que ficam marcados não apenas pela música, mas pela experiência coletiva levada ao limite.

     

     

    Setlist – Corrosion of Conformity (Latin America Tour 2026)

    1. Bottom Feeder
    2. King of the Rotten
    3. Seven Days
    4. Señor Limpio
    5. Wiseblood
    6. Who’s Got the Fire
    7. My Grain
    8. Shake Like You
    9. It Is That Way
    10. 13 Angels
    11. Vote With a Bullet
    12. Albatross
    13. Clean My Wounds

     

    Texto e Fotos do Corpo da Resenha por: Izabel Santa Fé

    Fotos da Galeria e da Capa: Daniel Agapito (@dhpito)

  • Cobertura: Imperial Triumphant em São Paulo

    Cobertura: Imperial Triumphant em São Paulo

    Tem shows que fazem você se deslocar por horas de estrada para ter um momento de pouco mais de uma hora e mesmo assim, valer tudo! Assim foi a experiência no qual tive nessa sexta-feira, ao assistir a primeira vez do Imperial Triumphant em São Paulo ontem, na Burning House, casa pequena e localizada na região de Água Branca.

    A casa pequena e aconchegante até recebeu ontem a tour do Cynic e Imperial Triumphant e, com um ótimo atendimento do público, os Nova Iorquinos abriram os trabalhos. O jingle Goldstar anuncia a entrada da banda, que com suas vestes e máscaras, que remetem a uma opulência decadente, começam o seu show com Lexington Delirium, mostrando o porque a banda não é mesmo para qualquer um, insanidade, técnica e muito experimentalismo fluem de forma natural nas mãos desse Power Trio que impressiona na execução de suas composições.

    Gomorrah Nouveaux chega e mantém o nível técnico altíssimo e a execução da canção foi impar.

    Devs Ex Machina lembra um pouco a fase mais inicial da banda que, entrega uma brutalidade ímpar, além da impetuosidade técnica, algo que foi permqnente ao longo do seu show. Logo depois, podemos falar que essa é um “clássico” da banda, Transmission To Mercury arranca não somente os berros mais fortes, mas também reafirma que, a banda sabe o que faz e mesmo estendendo as suas canções, como se fosse uma bela Jam Session da insanidade, eles sabem o que fazem e sim, tivemos um prosseco sendo estourado em palco e os mais afortunados ainda beberam um pouco da libação oferecida, que ali representa a opulência de uma sociedade decadente. O público vive um misto de atenção e devoção, pois além de estarmos todos ali, atônitos com a qualidade da apresentação, as músicas demandam dessa devoção ao momento.

    Outra ótima canção foi tocada, Chernobyl Blues é executada e vejo alguns olhos a marejar, esses mais atentos e um trompete com faíscas é trazido ao palco, esse que foi usado para arrancar tons mais insanos do baixo, e a banda não perdoaria, estendendo mais a canção e entregando tanto, para um público já conquistado. Hotel Sphinx e Industry Of Misery caem como uma bomba na galera, levantando e conquistando de vez o público lá presente e cravando a banda de vez no coração de todos os presentes, que se falavam em como a banda é incrível em palco.

    Em todos os momentos de comunicação, o guitarrista e vocalista Zachary Ezrin usa um efeito de voz, que liga o seu microfone em sua guitarra, então ele meio que “tocava” a sua voz em suas mãos.

    Para encerrar a sua apresentação, Swarming Opulence é tocada e leva o público ao ecstasy mais extremo, até um moshpit surge, coisa que, até dado momento, para mim, seria impossível, mas aconteceu! E a música foi executada como todas em seu set, em um nível de perfeição, técnica e precisão ímpar. Que show meus queridos e queridas leitores, que show! 

    Logo após o Cynic tocaria, mas ficou impossível de vê-los, dado o horário do meu retorno para o Rio e eu tenho certeza que a banda fez uma ótima apresentação.

    Dito isso, essa foi realmente uma apresentação que valeu a pena demais as horas de estrada, um show que abre o ano de 2026 com uma qualidade ímpar, o “sarrafo” ficou bem alto depois de vêr o Imperial Triumphant ao vivo. 

    Queremos agradecer à Caveira Velha pela confiança em nosso trabalho e permitir que pudéssemos trazer esse texto a vocês.