Projeto em turnê-tributo com ex-integrantes do Death lotou o Carioca Club e celebrou os álbuns Spiritual Healing e Symbolic.

Com a casa cheia e pontualidade exemplar, o Death To All subiu ao palco do Carioca Club, em São Paulo, no último sábado (24), para um show que foi muito além de uma simples apresentação: tratou-se de uma celebração emocionada da obra e do legado de Chuck Schuldiner, fundador do Death e um dos nomes mais influentes da história do death metal.

Desde os primeiros acordes, a organização da equipe chamou atenção, com som bem equilibrado e execução precisa. O vocalista Max Phelps entregou uma performance impressionante, mantendo as notas firmes e respeitando a identidade vocal de Chuck, emocionando todos presentes e evocando a mesma sensação de ouvir os clássicos em suas gravações originais, sem soar como mera imitação.

A banda estava em estado impecável. O baixo de Steve DiGiorgio soava limpo e poderoso, com linhas evidentes e cheias de personalidade. A bateria de Gene Hoglan foi um espetáculo à parte, precisa, pesada e técnica, sustentando com maestria a complexidade dos arranjos. Os solos de guitarra, assim como toda a percussão, encaixaram perfeitamente, reforçando a grandiosidade do repertório que está em comemoração.

O público respondeu à altura da entrega no palco, com muita satisfação. O Carioca Club estava completamente cheio, com fãs de diferentes gerações, muitos vestindo camisetas clássicas do Death, cantando cada música do início ao fim. A energia era constante: rodas se formavam, punhos eram erguidos e os gritos acompanhavam cada virada de bateria e solo de guitarra. O ambiente lembrava uma celebração coletiva, marcada por respeito, emoção e nostalgia.

Visivelmente emocionado e extremamente animado, DiGiorgio interagiu bastante com o público ao longo da noite. Em um dos momentos mais marcantes, o baixista perguntou quantas pessoas estavam assistindo ao Death To All pela primeira vez, e recebeu uma resposta calorosa da plateia. Em seguida, revelou que a banda pretende retornar ao Brasil no próximo ano, possivelmente com mais datas. A primeira passagem do Death to All pelo país havia ocorrido em 2014.

Em outro momento, DiGiorgio declarou seu amor por tocar em São Paulo e no Brasil, o que foi recebido com gritos, aplausos e emoção visível no público, que cantava, pulava e mantinha uma conexão intensa com a banda no palco.

“A razão disso é imortalizar e celebrar a vida e o legado de Chuck Schuldiner.

É sobre o que ele escreveu, sobre o seu legado, e estamos aqui para carrega-lo para vocês curtirem. Vamos tocar várias das músicas que o Chuck escreveu para vocês. Com um longo set.” — Comentou DiGiorgio.

Com pouco mais de duas horas de duração, o show foi inesquecível para os fãs presentes, que relembraram com carinho a trajetória de Chuck Schuldiner e a importância do Death para a evolução do metal extremo.

O Death To All é um projeto/turnê-tributo formado por ex-membros do Death, atualmente com Gene Hoglan (baterista em Individual Thought Patterns, de 1993, e Symbolic, de 1995), Steve DiGiorgio (baixista em Human, de 1991, e Individual Thought Patterns), Bobby Koelble (guitarrista em Symbolic), além de Max Phelps (Exist, ex-Cynic) na guitarra e nos vocais.

A turnê brasileira celebra ao vivo os álbuns Spiritual Healing e Symbolic, que completam 35 e 30 anos desde seus lançamentos na década de 1990. As apresentações aconteceram entre os dias 20 e 25 de janeiro, passando por Porto Alegre, Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte, com produção da Overload.

Lançado em março de 1995 pela Roadrunner Records, Symbolic marcou uma transição importante no som do Death, mantendo o death metal técnico, mas incorporando mais melodias, progressividade e estruturas elaboradas. Faixas como “Crystal Mountain”, “Symbolic”, “Perennial Quest”, “Empty Words” e “1,000 Eyes” seguem como pilares desse período.

Spiritual Healing, de 1990, representou um afastamento das temáticas gore dos primeiros discos, passando a abordar questões sociais como tele-evangelismo, genética, doenças mentais e deficiência física. Musicalmente, o álbum apresentou riffs mais técnicos, variações de tempo e maior equilíbrio entre agressividade e melodia.