Mesmo após três décadas e meia de estrada e com o nome devidamente gravado no panteão do metal mundial, o Cryptopsy demonstra que sua fome é inesgotável. Após o aclamado As Gomorrah Burns dominar as listas de melhores do ano em 2023, os ícones canadenses do death metal acabam de anunciar uma nova conquista: o álbum mais recente, An Insatiable Violence, foi oficialmente indicado ao JUNO Award 2026 (o equivalente canadense ao Grammy).
Esta é a segunda indicação consecutiva da banda na categoria Álbum de Metal/Hard Music do Ano. Em 2024, eles levaram a estatueta para casa e, agora, competem ao lado de nomes como Counterparts, Despised Icon, Silverstein e Unreqvited.
“Vencer o JUNO em 2024 foi um marco enorme em nossa carreira de trinta anos. Estamos honrados em estar ao lado de bandas tão talentosas que estão expandindo os limites da música pesada”, declarou a banda.

Caos sob controle e evolução técnica
Lançado pela Season of Mist, An Insatiable Violence consolida o lugar do Cryptopsy no topo da hierarquia do death metal. O disco foi escrito em meio à intensidade da turnê Death to All, um desafio inédito para o grupo.
O baterista Flo Mounier, frequentemente comparado a atletas olímpicos pela sua velocidade, traz novas técnicas e dinâmicas, incluindo passagens de “gravity blast” que elevam o som da banda a um novo patamar de brutalidade. Já o vocalista Matt McGachy entrega sua performance mais visceral, explorando guturais ainda mais profundos e “sujos”, influenciado pela rotina exaustiva de shows.
Uma crítica social distópica
Para além da técnica, o álbum carrega um conceito denso. Segundo McGachy, as letras são um comentário sobre a sociedade atual e nossa relação tóxica com algoritmos e redes sociais — uma visão filtrada por influências contraculturais como as de J.G. Ballard e do cineasta David Cronenberg.
Um dos grandes destaques para os fãs de longa data é a participação especial de Mike DiSalvo na faixa “Embrace the Nihility“, resgatando uma era clássica da banda como um verdadeiro “easter egg” para os seguidores mais fiéis.
Homenagem a Martin Lacroix
A vitória e a nova indicação também carregam um tom emocional. A arte da capa de An Insatiable Violence foi criada pelo falecido Martin Lacroix, ex-vocalista e amigo próximo da banda. “Gostaríamos muito que ele estivesse aqui para compartilhar este momento conosco. Descanse em paz, irmão”, homenageou o grupo.
Com uma turnê europeia em andamento e o reconhecimento da crítica, o renascimento artístico do Cryptopsy prova que, mesmo após 30 anos, eles ainda são a força mais vil e relevante do death metal extremo.
Sobre o Cryptopsy
Com mais de 30 anos de uma trajetória histórica, os inovadores do death metal de Montreal, Cryptopsy, estão de volta. O nono álbum de estúdio da banda, An Insatiable Violence, tem lançamento marcado para o dia 20 de junho de 2025 pela gravadora Season of Mist.
Referenciados no metal extremo por clássicos como Blasphemy Made Flesh (1994) e a obra-prima None So Vile (1996), a banda parece ter encontrado uma marcha ainda mais potente. O novo disco é a continuação direta do aclamado As Gomorrah Burns (2023), consolidando o plano da banda de entregar material inédito a cada dois anos.
Curiosamente, a maior parte do novo álbum foi escrita enquanto a banda estava em turnê com o projeto Death to All. “Foi uma façanha. Flo [Mounier] e Chris [Donaldson] realmente se superaram”, afirma o vocalista Matt McGachy.
O álbum promete algumas das passagens mais rápidas já gravadas pelo grupo. O virtuoso baterista Flo Mounier — comparado por McGachy a um atleta olímpico — incorporou técnicas de treinamento de resistência à sua performance, trazendo inclusive os raros gravity blasts para as novas faixas.
“Desenvolvi novas técnicas que facilitam ir ainda mais rápido. Meu foco agora está na dinâmica, no toque da caixa, naquele estalo específico”, explica Mounier entre risos.
Matt McGachy também eleva seu nível, entregando guturais tão profundos que rivalizam com nomes como George “Corpsegrinder” Fisher. Uma das grandes surpresas para os fãs é a participação de Mike DiSalvo na faixa “Embrace the Nihility”.
“Decidimos que, se fôssemos nos ‘copiar’, seria melhor trazer o original”, brinca McGachy. “Somos grandes fãs da era DiSalvo, e a voz dele no álbum é um ultra ‘easter egg’ para os fãs”.
Conceitualmente, An Insatiable Violence é uma crítica à sociedade moderna e à nossa relação tóxica com os algoritmos das redes sociais, sob uma ótica inspirada por David Cronenberg e J.G. Ballard.
McGachy descreve uma metáfora sombria que deu origem ao título: um ciclo vicioso onde o indivíduo trabalha o dia todo para consertar uma máquina que, à noite, o tortura — e ele ama isso. O álbum aborda desde o vício digital até fenômenos perturbadores da internet, como o mukbang.
A arte da capa carrega um peso emocional imenso, tendo sido criada pelo saudoso Martin Lacroix, ex-vocalista da banda. Para o Cryptopsy, a obra é uma forma de compartilhar este novo momento de sucesso com o amigo que partiu. “O sorriso perfeito dele diria tudo. Descanse em paz, irmão”, declarou a banda em nota oficial.
