Show contou com aberturas de Mr. Bungle e A Day To Remember e percorreu diferentes fases da carreira da banda americana.

O Avenged Sevenfold se apresentou no Allianz Parque, em São Paulo, no último sábado (31) em uma noite marcada por casa cheia, produção grandiosa e forte resposta do público. Com abertura do Mr. Bungle e do A Day To Remember, o evento reuniu milhares de fãs e consolidou mais uma passagem marcante da banda pelo Brasil, sendo o maior show solo de sua história, diante de um público estimado em 50 mil pessoas, segundo anúncio feito pelo próprio M. Shadows durante a apresentação. Antes de chegar a São Paulo, o Avenged Sevenfold passou por Curitiba, onde também se apresentou com casa cheia. 

O acesso ao Allianz Parque exigiu paciência do público. A produção e a organização do estádio adotaram um procedimento de revista rigoroso, com o objetivo de impedir a entrada de sinalizadores e outros objetos proibidos. As filas se estenderam por longos trechos, chegando próximo ao Terminal Barra Funda, e provocaram atrasos no fluxo de entrada, gerando reclamações de parte dos presentes.

A noite começou com o Mr. Bungle, que manteve sua proposta experimental e provocativa. O grupo chamou atenção logo nos primeiros minutos de apresentação, especialmente quando o vocalista Mike Patton se declarou “macumbeiro” e entoou “Laroyê”, gesto que foi recebido com entusiasmo e surpresa pela plateia. A performance dividiu opiniões, mas cumpriu o papel de criar um clima imprevisível e fora do convencional, misturando muitos covers. Com Scott Ian ausente desta série de shows pela sua agenda, a guitarra ficou sob da presença ilustre de Andreas Kisser, do Sepultura, e em homenagem ao metal brasileiro veio com “Refuse/Resist”, arrancando gritos do público.

Entre outros momentos, “Habla Español o Muere” se traduziu em “Speak Portuguese or Die”, enquanto Mike Patton surpreendeu com o cover de “Hopelessly Devoted to You” e a uma paródia do refrão de ”All By Miself” entoando um “Tomar no Cú, divertindo os fãs.

Na sequência, o A Day To Remember subiu ao palco incendiando o Allianz Parque com uma produção ótima, que impressionou pelo apelo visual, com uso de pirotecnia, confetes, luzes e fumaça além de músicos entrosados e constantemente em movimento, que agradou muito o público. Em interações, a banda destacou que aquele era o maior show de sua carreira no Brasil, em clima de celebração. A apresentação cumpriu com eficiência seu papel de aquecer o público para a atração principal.

Quando o Avenged Sevenfold entrou em cena, a resposta foi imediata. O setlist passeou por diferentes fases da carreira da banda, equilibrando músicas mais antigas com faixas recentes. A apresentação começou com “Game Over” e “Mattel”, faixas do álbum Life Is But a Dream…, que dá nome à turnê, introduzindo o clima mais experimental da fase atual da banda. A energia cresceu rapidamente com “Afterlife” e “Chapter Four”, preparando o terreno para “Hail to the King” que representou o aceno mais claro ao metal tradicional, com a bandeira do Brasil em mãos, M. Shadows dedicou a música aos fãs brasileiros. Durante a execução da música, um sutiã foi arremessado ao palco e acabou posicionado no pedestal de Synyster Gates, arrancando reações do público. 

Também chamaram atenção faixas menos óbvias do repertório, como “Gunslinger”, semibalada de influência country que nunca foi lançada como single, e “Buried Alive”, música de estrutura mais progressiva que cresce gradualmente até um trecho final mais pesado. Um dos pontos altos emocionais veio com “Seize the Day”, cantada praticamente inteira pelo público em um coro uníssono enquanto Synyster Gates acompanhava. Em seguida, “So Far Away”, tradicionalmente dedicada a The Rev, trouxe um momento de comoção em meio ao estádio lotado. Além de clássicos como “Bat Country” e “Nightmare”, que aprofunda essa fórmula com maior dramaticidade.

A participação do público foi um elemento central da noite. Do início ao fim, o estádio se manteve em constante movimento, da arquibancada as duas pistas, com fãs cantando em coro, pulando e abrindo rodas em diferentes pontos. A banda frequentemente deixava o público assumir os vocais, transformando o show em uma verdadeira experiência para quem aguardava ansiosamente.

O encerramento contou com músicas longas em sequência, como “Save Me” e “Cosmic”, antes de “A Little Piece of Heaven”, cujo tom irônico e teatral foi ressaltado pelo próprio M. Shadows, que brincou com a letra da canção, que versa sobre necrofilia. Os fãs muito emocionados e satisfeitos ovacionaram por minutos a banda ao se despedirem. Saindo do Allianz com os rostos felizes.

Apesar do esquema de segurança reforçado, dois episódios envolvendo sinalizadores ocorreram no início do show do Avenged Sevenfold. Em ambas as situações, seguranças agiram de forma rápida e agressiva, contendo, agredindo e expulsando as pessoas envolvidas. Os episódios não interromperam a apresentação, mas repercutiram nas redes sociais ao longo da noite pela violência. O vocalista chegou a paralisar o show três vezes para que os bombeiros pudessem ajudar pessoas que passavam mal na pista, que estava abarrotada.

Durante o show, M. Shadows destacou a relação especial da banda com o país, afirmando que o Brasil ocupa o “número um no coração” do Avenged Sevenfold. O vocalista também ressaltou o prazer de tocar para o público brasileiro e afirmou que a banda pretende retornar ao país em futuras turnês.

Com produção visual bem estruturada, execução técnica e forte conexão com os fãs, o Avenged Sevenfold entregou um show que marcou sua relevância no cenário do metal internacional e consolidou mais um capítulo marcante de sua trajetória no Brasil, sendo uma apresentação histórica e emocionante para todos os fãs.