“SEM MOSTRAR PIEDADE”

Nota: 5/5.

O ano era 1995. Com a implantação do Plano Real no Brasil, no ano anterior, as coisas finalmente pareciam melhorar. Os efeitos desse plano econômico podiam ser percebidos em muitos aspectos da vida prática. No campo no Metal, ficou mais fácil comprar discos e os shows começaram e ocorrer com mais frequência. Em Fortaleza/CE, o primeiro programa de rádio dedicado ao Rock/Metal era o AÇÃO 107, na Universitária FM. No começo era muito comum ouvir Tormentor no background. E por falar nisso, Slayer, ao lado de Kreator, é uma das bandas com maior apelo junto aos fãs locais. E… ouvir Slayer no rádio era algo muito especial. Por isso, o Ação 107 foi muito importante para quem, como eu, começou a ouvir rock naquela época.

Foi o referido programa que me introduziu no som do Slayer e, em especial, no disco Show no Mercy. O Slayer sempre dominou a técnica de fundir suas influências do Punk com as do Metal e assim criou uma sonoridade única. Também conta o fato de que é uma das poucas bandas cujo estilo permaneceu praticamente inalterado por muito tempo, assim como sua popularidade, pois mesmo havendo se aposentado dos palcos, a banda ainda reina absoluta entre os discípulos da música extrema. Show no Mercy é um disco em que os elementos do punk fluem de uma forma natural e e espontânea. A música é cruel e a energia contida nesse material é fora do comum. Uma demonstração de que os caras tinham muito tesão pelo metal. Aqui é possível perceber a  mesma animosidade que o Venom mostrou em Welcome to Hell (1981). Só que, melhor produzido e muito mais agressivo. Eles  preferiam riffs em ritmo acelerado e agudos, muitos agudos vocais. Embora o Venom tenha lançado as bases do estilo, é por causa de bandas como Slayer (e dos outros três grandes) que o Thrash Metal ganhou popularidade no mundo inteiro.

A alma suja do Slayer era personificada nos quatro maníacos Tom Araya (baixo / vocal), Kerry King (guitarra), Jeff Hanneman (guitarra) e Dave Lombardo (bateria).

Post originalmente publicado no blog Esteriltipo