O portão do Allianz Parque abre às 10 da manhã, em ponto, e o público corre para conseguir bons lugares. Esse é o Monsters of Rock começando. O sol já bronzeava como quem vai à praia, mas nada impediu as pessoas que, corajosamente, se prepararam para aproveitar a maratona de mais de 12 horas de música.
O dia começou com Walcir Chalas, dono da tradicional Loja Woodstock Rock Store, apresentando o evento, além de anunciar o renomado radialista Eddie Trunk, que foi convidado para introduzir cada banda que todos assistiriam. E foi a mesma empolgação para os novatos ingleses do Jayler, passando pelos pais do southern rock, Lynyrd Skynyrd, finalizando com os grandes headliners da noite, Guns N’ Roses. Mesmo pique, mesma alegria, isso com certeza contagiou a todos!
Você gosta de Led Zeppelin? Se em algum momento esses ingleses já fizeram a sua cabeça, os meninos do Jaylervão conquistar seu coração. Mas fique com a mente livre e não pense numa cópia, mas numa inspiração, assim como o Greta Van Fleet,Wolfmother, Kingdom Come e tantos outros já foram.
Os caçulas do evento subiram ao palco meio-dia, precisamente. Pontualidade britânica!
O estádio estava vazio, perto de toda a sua capacidade. Mas as pessoas que já haviam se acomodado em seus lugares, presenciaram energia, calor, entusiasmo e uma aura anos ‘70 que dava vontade de colocar flores nos cabelos. O setlist do Jayler foi bem parecido com o show anterior, na Audio Club, na festa warmup para o festival.
Nitidamente a banda era um mistério para a plateia, mas a aceitação foi imediata. Músicas empolgantes com alguns solos de Tyler Arrowsmith, mesclou psicodelia com técnica e muito feeling.
A abertura com Down Below causou um bom impacto e fez a plateia levantar para dançar. No Woman, o maior sucesso da banda até agora, fez os mais novos grudarem na grade, para gritar o nome de James Bartholomew, o Robert Plant desta geração.
Riverboat Queen contou com um solo inspirado e repleto de harmônicas, o que me lembrou muito Eddie Van Halen, grande professor dessa técnica. A audiência estava na mesma vibração, como se estivessem ligados. Já Lovemaker contou com a apresentação da banda e demonstrações de talento de cada membro. I Believe to My Soul, clássico do imortal Ray Charles, recebeu uma roupagem bem identitária.
The Rinsk é onde os ingleses se soltam e transformam o site num pandemônio, onde todos os tipos de improvisos e performances foram feitas. Quase 10 minutos de pura loucura e criatividade!
Alguns minutos para a troca de palco, e enquanto a equipe corre em cima do palco, Walcir Chalas volta ao centro para aquecer o público para o próximo show. E o que assistiríamos agora era o Dirty Honey: os novos reis da Califórnia. Um DNA made in Van Halen, Marc LaBelle capitaneia esse grupo com a destreza e o carisma de quem recriou o hard rock nos dias de hoje. Uma banda de pouco mais de 10 anos, que estreia na América do Sul com um tremendo sucesso e grande aceitação.
Dirty Honey também tocou na festa da Audio Club, num show que contou com o lançamento de Lights Out, música que não havia sido tocada ao vivo ainda. O clima daquela quinta-feira se repetiu no sábado do Monsters of Rock, que trouxe uma verdadeira festa para o estádio.
Rock N’ Roll Damnation, clássico do Ac/DC, do disco Powerage, de 1978, entra nos PA’s para aquecer a plateia, para que todos estejam no clima da festa, tiro certeiro!
O setlist tem seus pontos altos em California Dreamin’, emendada com Heartbraker, que mesmo não sendo tão conhecidas pela audiência, seu ritmo contagiou a todos. Don’t Put Out the Fire conta com Marc LaBelle performando no meio do público. No festival, ele simplesmente desceu do palco e cantou alguns momentos com o público; na quinta-feira foi um pouco diferente: espaço menor, menos pessoas… Marc simplesmente pegou uma cadeira, pediu para que as pessoas fossem passando, uma a uma, até que chegasse ao meio da pista, depois dessa manobra, o vocalista desceu e comandou um coro uníssono.
No Monsters, Lights Outveio junto com um solo frenético e harmônico de John Notto, mostrando todas as suas influências históricas, que, surpreendente remontam até Glenn Hughes!
A mais esperada do set, When I’m Gone, a trilha de Minecraft levantou a arquibancada; encerrando em grande estilo com Rolling 7s.
Esses garotos trouxeram um frescor muito grande para a cena mundial, uma renovação justa e interessante. Se eles se tornarão os grandes Monstros do Rock, só o tempo dirá.
E no meio do horário de almoço, com o estádio ainda longe de encher, o Maestro regeu sua banda com a destreza de Beethoven, e a rebeldia de Richie Blackmore, às 13:45, Yngwie Malmsteen sobe ao palco.
Não é segredo para ninguém que o músico sueco está no seleto grupo dos maiores nomes das 6 cordas, mas é claro que isso não define somente essa característica, afinal, sua influência é nítida ainda nos dias atuais com tantos guitarristas seguindo o seu legado.
A guitarra, com certeza poderia ser ouvida na sonda Artemis, que está passeando na órbita lunar. Dizer que o instrumento estava alto, é pouco. Era possível sentir as notas na boca do estômago!
Uma banda muito bem colocada, com músicos experientes, começa a fazer uma orquestração para que Malmsteen faça seu primeiro improviso, quase testando a lendária Fender Stratocaster Creme no palco.
Algumas discussões foram levantadas durante o show, como por exemplo: “por que Yngwie direcionou seu show para o lado virtuose, sabendo que sua discografia engloba ótimos hits, que explodiriam a plateia?”Forever One seria uma opção, Dreaming também, que ficou famosa na voz de Joe Lynn Turner, Heaven Tonight… e eu citei apenas 3 possibilidades de uma lista maravilhosa composta no decorrer de mais de 40 anos de carreira. Definitivamente, Malmsteenfez uma “masterclass”, não um “show de festival”.
A falta de emoção em alguns momentos manteve o show frio e sem muita interação do público. Era uma apresentação muito específica, que não foi capaz de conquistar novos adeptos. Não sou capaz de dizer que o Maestro performou mal, apenas não executou sua obra mais acessível ao público geral.
Rising Force surge como mágica, para a felicidade de quem estava esperando por ela. O telão ficou estampado por pessoas com o semblante de “essa eu conheço!”, depois disso, poucos momentos chamaram a atenção: Into Valhalla teve uma introdução orquestrada muito bem feita e chegou a ensaiar um entusiasmo, mas não passou disso; Far Beyond the Sunteve solo e melodia cantados a plenos pulmões. E quando o sueco resolveu emendar o solo de Bohemian Rhapsody, do clássico “A Night at the Opera”, de 1975, do Queen, olhos se marejaram; Smoke on the Water, em homenagem ao seu ídolo particular, Ritchie Blackmore, em sua época clássica no Deep Purple, também fez o público se agitar. Black Starfoi a última emoção da audiência e a última atenção que foi prestada no palco.
Yngwie Malmsteen fez um show exemplar para um aluno de conservatório, ou para outro músico. O Allianz Parque não estava cheio ainda, mas os que assistiram à “masterclass”, presenciaram, talvez, o único momento em que a música erudita e o heavy metal se encontraram.
Setlist
Rising Force
Top Down, Foot Down
No Rest for the Wicked
Soldier
Into Valhalla
Baroque And Roll
Relentless Fury
Now Your Ships Are Burned
Wolves at the Door
Concerto #4 / Adagio / Far Beyond the Sun / Bohemian Rhapsody
Com a fan base bem representativa no Brasil, pode-se dizer que Halestorm, com certeza foi um dos shows mais esperados do Monsters of Rock. E quando Eddie Trunk perguntou se estávamos prontos para a banda, eu não imaginava que eu REALMENTE precisaria.
A tour nEveresttrouxe um set recheado de hits e agradou bastante o público e crítica, considerado por muitos, o melhor show do festival. Sinceramente, achei esse título bastante superestimado; não que a banda não seja boa, não que a performance deles não seja empolgante, mas tudo foi muito exagerado.
Lzzy Hale, sem dúvidas, é um acontecimento. E a banda sabe disso, tanto que, propositalmente ela é o destaque isolado, fazendo com que o restante da banda possa, tranquilamente, ser trocada, sem que o público perceba. Isso fica nítido quando, muitas vezes, a guitarra e a voz de Lzzy estavam mais altas que a bateria. Aliás, essa estava com uma afinação tão grave que, constantemente, o som insistia em embolar. Mas talvez esses sejam detalhes que eu estivesse percebendo por causa do meu lugar.
O show abre com a poderosa Fallen Star, que chega com Lzzy cantando no máximo! O público responde muito bem!
Muitos sorrisos e gritos de “Brasil, nós te amamos!” durante os solos das músicas. E Mz. Hyde, presente em “The Strange Case of…”, segundo disco da banda, de 2012. O Allianz Parque, em peso, cantou. Era um show para os mais novos, mas foi apreciado por um estádio já mais cheio (mas ainda não na sua totalidade). E antes da metade da apresentação, o Halestorm tocava seus maiores hits: I Miss the Misery e Love Bites (So do I).
A banda tem uma performance energética, como se todos estivessem ligados no 220. Joe Hottinger fez seus solos e improvisos de forma bem criativa e animada. Uma pena a guitarra dele não estar um pouco mais alta, a base de Lzzy, muitas vezes se sobressaiu.
Watch Out chegou ao palco para fazer o estádio tremer. E ao final dessa música, Hale começa a conversar com seu público, falando diretamente, como se olhasse nos olhos de cada um. A identificação e admiração passa a ser totalmente compreensível. Like a Woman Can traz uma banda mais introspectiva, com a vocalistanos teclados. A reação da plateia foi imediata e emocionante, além de ter sido uma quebra de clima bem grande, afinal, todos estavam eufóricos, e de repente, grupos abraçados e pessoas chorando apareciam nos telões.
I Get Offse torna uma explosão e uma obra de destaque 100% Lzzy Hale, onde, além de seguir com seu teclado, o trovão de sua voz chega ao ápice. Dentro do improviso de I Get Off, Lzzy canta Crazy On You, clássico de ‘75 do Heart. E esses melismas e solfejos com o drive potente que lhe é característico, são constantes e apresentados em cada interlúdio. Se é legal de encarar? Vai de gosto. Eu acho um pouco exagerado, mas nada impossível de assistir. Lzzy é fã dos grandes artistas do hard rock dos anos 70 e 80; já declarou amor a Tom Keifer, frontman do Cinderella, inclusive gravando ao seu lado, a power ballad Nobody ‘s Fool. E ele é o rei do interlúdio épico, com a diferença de que Tom não usa esse recurso em todas as músicas.
Familiar Taste of Poison veio como um trecho para emendar com Rain Your Blood on Me. Freak Like Me veio para derrubar o estádio pela última vez, arrematando com Wicked Ways. I Gave You Everything foi a balada que abraçou o Allianz Parque para um doce e grandioso até logo!
O artista independente MENANDRO apresenta ao público o single EP “If Regrets Could Kill”, um trabalho autoral que mergulha em temas como relações abusivas, amadurecimento emocional e o peso das lembranças. O projeto conta com três faixas e cerca de 14 minutos de duração, consolidando uma estética intimista e ao mesmo tempo densa.
A faixa-título, “If Regrets Could Kill”, conduz o ouvinte por uma reflexão sobre o fim turbulento de um relacionamento marcado pela imaturidade. A canção aborda o olhar retrospectivo de quem, já mais maduro, encara os próprios erros e reconhece os arrependimentos como parte de um processo de aprendizado — ainda que irreversível. A versão presente no single traz uma mixagem distinta da versão que integra o álbum, reforçando nuances emocionais diferentes dentro da mesma composição.
Já “Moon”, terceira faixa do EP, funciona como um desfecho melancólico e contemplativo. A música revisita memórias do momento final de um relacionamento, transformando pequenos detalhes em gatilhos emocionais. A imagem da lua cheia, presente no último encontro, simboliza o encerramento inevitável e carrega a atmosfera de despedida que permeia a faixa.
O processo criativo das canções reforça o caráter espontâneo do projeto. “If Regrets Could Kill” foi composta de forma quase instantânea: a ideia surgiu durante um banho e, em poucos minutos, já estava estruturada com versos e refrão. “Moon”, por sua vez, nasceu a partir de versos escritos anos antes, sendo finalizada posteriormente em estúdio, também de maneira intuitiva, como se já estivesse pronta no subconsciente do artista.
Musicalmente, o trabalho dialoga com referências clássicas e contemporâneas. Na faixa principal, destacam-se influências do rock britânico e da construção de backing vocals inspirados em The Beatles, The Beach Boys e John Frusciante. Já “Moon” apresenta uma sonoridade mais atmosférica, com ecos de Radiohead e David Bowie, evocando uma despedida sombria e cinematográfica.
Totalmente concebido de forma independente, o EP evidencia o caráter multifacetado de MENANDRO, que assina composição, produção musical, arranjos, gravação, mixagem, masterização e identidade visual. A gravação foi realizada no estúdio Potato Unicorn, com participação de Rafael Guazzelli na bateria, e lançamento pelo selo Potato Unicorn Records.
Com “If Regrets Could Kill”, MENANDRO entrega um trabalho confessional e sensível, que transforma experiências pessoais em uma narrativa universal sobre perdas, memória e reconstrução emocional.
Mais que palavras, a banda capitaneada pelo virtuoso guitarrista Nuno Bittencourt, Extreme, trouxe ao palco do Monsters of Rock, no último dia 4 de abril, energia, peso e muitos clássicos, muito além das famosas baladas de voz e violão.
No meio tarde, exatamente às 16:45, junto com uma rápida chuva torrencial, que serviu para refrescar e resfriar muita gente, Gary Cherone subiu ao palco para cantar It (‘s a Monster), faixa clássica do renomado Pornograffitti, segundo álbum da banda, de 1990, enquanto Nuno Bettencourt, Pat Badger e Kevin Figueiredo faziam uma introdução vigorosa, o que foi bem interessante, já que o público vinha da energia do show do Halestorm.
A expressão de surpresa no rosto das pessoas era impagável, ao perceberem que Extremeera muito mais que More Than Words e Hole Hearted, embora fossem, visivelmente, as mais aguardadas.
A chuva forte foi até o final do hit Decadence Dance, que fez a plateia pular e aproveitar o show como antigamente, sem gravações, pelo menos na pista. Cherone, no alto de seus 64 anos, tem uma performance invejável, com joelhos melhores que os meus, beirando os 40 ou os seus, provavelmente. Quantos agachamentos e pulos “sussurros” no ouvido do público… Garyé um frontman para não se pôr defeito; e é mágico como tudo te remete a uma lembrança, pois toda aquela forma de ocupar o palco, dançando e pulando, me lembrou sua fase (odiada) no Van Halen (que a mim, agrada), ou sua homenagem ao Queen.
#REBEL entra no palco já com uma fina garoa, tornando possível para o público registrar algum trecho do show. A cada música, Garyse mostrava satisfeito, mas pouco falante. Era como se estivesse se poupando. Mas Nuno assumia a função de “conversador”, talvez o fato dele ser português ajudasse, pois não existia a barreira da língua. E Nunoconversou muito, principalmente a cada interlúdio, onde ele colocava um metrônomo e mostrava seu virtuosismo, muitas vezes num violão, mas sem ser maçante. E, embora a internet compartilhe à exaustão trechos de More Than Words, onde o guitarrista se cala, deixando o público cantar, em diversos momentos, percebemos inserções de genialidade nas músicas; pequenos improvisos clássicos (inclusive nesta “simples” voz e violão), onde tudo ganha um toque a mais de beleza, sem exageros.
Em pequenas demonstrações, Nuno Bittencourt mostrou o quanto é subestimado pela mídia especializada, o quanto ele não é lembrado em listas de melhores do mundo que, frequentemente, aparecem por aí. Este show, este pequeno fragmento da carreira desse artista, mostra o quanto todos foram injustos com ele. Voltando ao show, entre conversas e solos de violão, Play With Me ganhou luz com Kevin Figueiredo fazendo um pequeno solo e, depois, fazendo todo o Allianz Parque colaborar em We Will Rock You!
Am I Ever Gonna Change surge com Cheronecontando o quanto estava feliz por estar ali, naquela grande festa. O público se animou bastante, e se viu contagiado pela energia do show. Neste momento, o sol já brilhava novamente, e quase não havia provas de que em algum minuto tivemos um temporal. Thicker Than Blood passa tão rápido, que quase não foi percebida, aliás, o show pareceu ser bastante rápido!
O palco apaga as poucas luzes que o decoram, um violão folk todo decorado é entregue ao Nuno (ou Cleo, como muita gente insistiu em gritar). Antes de qualquer som, o virtuose brinca com o público, falando que a primeira vez em que estiveram no Brasil, em 1992… de repente, ele mesmo interrompe o pensamento e pergunta: “quem esteve no nosso show em ‘92?”, muita gente se manifesta positivamente. O guitarrista sorri e fala em tom de piada “pois estamos velhos, então vamos tocar uma música velha, que tocamos naquele show!” A intro de Hole Hearted é testada, como num jogo despretensioso… será que era agora? O show parecia estar no início ainda… mas era ela, sim. Os primeiros acordes da introdução novamente e dignamente tocados, e aqui aconteceu a primeira canção 100% cantada pelo público, durante o show do Extreme. Realmente Gary Cherone não teve trabalho, pois enquanto a plateia cantava integralmente a letra, Patfazia as partes mais altas e Nunofez o que ele sempre faz. Foi ali a primeira vez que muitos tiveram a oportunidade de ver Kevin Figueiredo com mais detalhes, pois ele veio para a frente do palco com bumbo e meia-lua, para fazer sua percussão, novamente como o Queenem 39.
Midnight Express aparece para nos informar que o show caminha para a sua parte final, e é quase impossível entender como passou tão rápido! Havia uma certa preocupação do público, que não tinha visto “Rest in Peace” ainda, um clássico absoluto da banda, presente no terceiro disco de ‘92, Three Sides to Every Story. Confesso que eu também esperei por essa…
Flight of the Wounded Bumblebee, fez barulho com a plateia, que respondeu a altura. Mas depois dessa música, Bittencourt senta, conversa um pouquinho, recebe um novo violão e mostra mais um pouquinho de todo o seu talento. E no meio desse interlúdio, o português chama Gary Cherone ao palco e diz “agora eu preciso da ajuda do meu amigo, e de vocês também!”. A plateia sabia o que estava para acontecer, e muitos começaram a se emocionar ali (eu, por exemplo). Então Gary, toma o microfone e sussurra: “More Than Words!”. Sim, o momento que todos estavam esperando, aconteceu, aquelas simples notas, que nas mãos de Nuno Bittencourt se transformam, magicamente, em história, aconteceu. Cheronenão precisava cantar, mas cantou. Cantou como quem canta com amigos, abraçados, marcando o momento para sempre. E eu, que sempre fui uma das pessoas que compartilhou o vídeo dessa música, repetindo, exaustivamente, a mesma legenda “é brega, mas eu amo”, realizei o sonho de ter o meu próprio registro desse tema para compartilhar. Todo o estádio filmou, todo o estádio abraçou até quem não conhecia, todo o estádio acendeu suas luzes e, mesmo de dia, a mágica surgiu. Que momento! Ao final da música, o vocalista agradece, visivelmente emocionado, afinal, quem diz mais do que palavras querem dizer, sempre se emociona com o que elas oferecem para sentir.
Get the Funk Out e Risefinalizam com o astral lá em cima, o que não foi um show, mas uma catarse, com direito a lágrimas, chuva e muito amor.
Setlist
It (‘s a Monster) Decadence Dance #REBEL Play With Me (with Queen’s “We Will Rock You” intro) Am I Ever Gonna Change THICKER THAN BLOOD Hole Hearted Midnight Express Flight of the Wounded Bumblebee More Than Words Get the Funk Out RISE
Sabe quando você conhece muitas músicas de uma mesma banda, mas não a ponto de comprar a discografia dela? Este é o caso de parte dos fãs do Lynyrd Skynyrd no Brasil. Mas para quem achou que o público se acanharia diante de um setlist que abrangeria 62 anos de história, se enganou, pois a banda mais resistente do mundo, desfilou seus clássicos, um a um, e fez todo mundo cantar e dançar no Allianz Parque.
Às 18:20, noite recém chegada, os PA’s tocavam Panama, clássico do Van Halen, que a banda usa para esquentar a plateia. Lynyrd Skynyrd no palco, a história da música comandando uma verdadeira festa, bem na frente dos seus olhos: Workin’ For MCA abre os trabalhos de forma animada e dançante, enquanto Johnny, o caçula dos irmãos Van Zant saúda a todos, como quem chega de visita. Todo o estádio, surpreendente, respondeu muito bem: dançou, cantou, brindou… o clima era de celebração!
What’s Your Nameembalou a “roda” mais diferente que eu já presenciei: ninguém batendo cabeça, mas um espaço para um baile. Foi muito divertido. Então, o primeiro super hit começou – That Smell! E é incrível como era possível perceber as famílias aproveitando o show juntas. Sabe aquela situação de “olha a música que o vovô gosta!” era satisfatório perceber esse reconhecimento no olhar da nova geração. Essa música levantou o estádio ainda mais, era como um êxtase! I Need You é o blues que conseguiu alguns feitos: casais agarrados, público geral abraçado, como se estivesse entoando um hino, além de ter sido a primeira música da banda a ganhar as luzes dos celulares.
Acredito que esse tenha sido o show mais diferente do Monsters of Rock, porque ele não tinha aquela energia caótica de artistas como Halestorm, ou até o que prometia ser o do Guns N’ Roses (e foi), Lynyrd Skynyrd trouxe para o Allianz Parque um quê de baile, de festa do interior, com quentão e histórias de família. Johnny Van Zant conversa com a plateia o tempo todo, perguntando se todos estão aproveitando bem sua cerveja e a boa música, e recebe de volta, gritos e letras cantadas a plenos pulmões, fato evidenciado em Gimme Back My Bullets, que é o puro suco do southern rock, com uma guitarra swingada e bem embasada pelo piano.
Um detalhe interessante é que, embora esse tenha sido o show “mais leve” do festival, o engenheiro de som, simplesmente “ligou o botão do dane-se” e deixou o volume dos senhores nas alturas. Estava mais alto que a guitarra do Yngwie Malmsteen, muito mais alta que a guitarra e a voz da Lzzy Hale (que muitas vezes se sobrepôs à bateria) e superior ao metrônomo de improviso de Nuno Bittencourt.
Para a entrada do próximo clássico, Johnnyfaz uma brincadeira com as backingvocals, enquanto conversa com o público como quer que aquele dia seja especial, e, Saturday Night Special começa com audiência animada e bem receptiva; cerveja na mão, braço erguido, cantando o que soubesse… um evento a parte. E essa energia seguiu nas três músicas seguintes: Down South Jukin’, Still Unbroken e The Needle and the Spoon. Então, a emocionante Tuesday’s Gone, que foi dedicada ao último membro original da banda, Gary Rossington, guitarrista que faleceu em 2023, mas que a banda não deixa de relembrar. Esse momento foi muito emocionante, pois Johnnypede para que todos levantassem seus copos e suas mãos, para saudar alguém muito especial para a família Lynyrd Skynyrd. E para seguir com a emoção lá no alto, o hino que o brasileiro ama: Simple Man. Quando os primeiros acordes começam, a bandeira do Brasil aparece grandiosa nos telões, como uma grande homenagem ao país que os estavam abraçando. Ela foi um capítulo a parte. É lindo olhar para o lado e perceber que aquela música tocou a pessoa de algum jeito único. As pessoas miravam o palco, como quem assiste à própria história passar pelos olhos. Acredito que ela seja a mais esperada, a unânime, que agrada a todos; desde aquele senhor que chorou a morte de Ronnie Van Zant, ao garoto que conheceu esta poesia na voz de Jensen Ackles, astro da epopeia Supernatural. O Allianz Parque iluminado com o celulares, inundado com as lágrimas do público e Johnnyquase não cantou. São Paulo escolheu sua nova “Love of My Life”.
Gimme Three Steps, outro hit do primeiro disco, que faz uma piada com a difícil pronúncia do nome da banda, tira a plateia do transe e abre a pista de dança novamente. O mesmo entusiasmo segue para o clássico Call Me The Breeze, que é um cover de JJ Cale, músico que ficou famoso pelas composições Cocaine e After Midnight, ambas conhecidas na voz de Eric Clapton. E ainda no clima mais animado, Sweet Home Alabama (e eu sei que você leu este nome no ritmo do refrão)! O ápice do final do show. Incrível como numa apresentação tão recheada de hits, um em especial, é capaz de cativar toda a audiência. Acredito que Simple Man tenha sido esse hino, mas outra grande obra estava chegando.
Johnnyagradeceu, disse que tinha feito um dos shows mais bonitos de sua carreira, e as primeiras notas da longa e emocionante Free Bird começavam. Junto com ela, um vídeo nos telões, mostrando os grandes nomes da cena que nos deixaram. O Maestro Andre Matos foi lembrado, assim como Paul Di’Anno, Ace Frehley, Eddie Van Halen, Neil Peart, Ozzy Osbourne… e todo o Lynyrd Skynyrd original. O Van Zant Caçula para de cantar e Ronnieassume o posto, levando todo o estádio às lágrimas.
Para cada pessoa um show tem um significado diferente: umas acham uma “curtição”, outras enxergam como a realização de um sonho, e outras um acontecimento histórico. Para mim, essa foi a minha graduação. A formatura de um curso que eu comecei aos dois anos, sentada no colo do meu pai, ouvindo ele me contar as histórias de cada disco que ele me mostrava. Pronounced ‘Lĕh-‘nérd ‘Skin-‘nérd, 1973, foi um deles!
Setlist
Panama (Van Halen) Intro Video Workin’ for MCA What’s Your Name That Smell I Need You Gimme Back My Bullets Saturday Night Special Down South Jukin’ Still Unbroken The Needle and the Spoon Tuesday’s Gone Simple Man Gimme Three Steps Call Me the Breeze Sweet Home Alabama Free Bird
Se você pensou que Axl Rose e companhia, “apenas”, desfilaram seus clássicos para a alegria de todo o tipo de fã, se enganou. A banda, que está habituada a trocar o set durante a mesma turnê, decidiu não seguir a máxima dos festivais de tocar somente as mais conhecidas, mas incluir algumas músicas para agradar aquele “gunner” adormecido lá nos anos ‘90. E assim, além de trabalhos mais recentes, como Nothin’ e Atlas, do single lançado em 2025 e Perhaps, 2023, o público pôde se deleitar com Dead Horse, Bad Obsession e Bad Apples(que não aparecia nos palcos desde 1991).
O público vinha de uma maratona de quase 10 horas de música ininterrupta, encarando um sol de bronzear qualquer um e uma chuva de lavar a alma (e trazer algum resfriado, por que não?), sem perder o pique; se respeitando, num ambiente bem familiar, com uma faixa etária impossível de classificar: tivemos crianças e adolescentesem seu primeiro show (que não tinha uma galinha pintada ou um casal que faz músicas com violão e sucatas), adultos “ratos de festivais” e pais e avós que saíram para curtir uma tarde musical, afinal, o lineup, como vimos até aquí, permitiu isso.
Por volta das 20:30, alguns vídeos começam a passar no telão; o (ainda) Allianz Parque começa a gritar como se não houvesse amanhã. Na verdade foram gritos, choro, uma felicidade desesperada por saber o que estava por vir. “You know where a fuckin’ you are?[…]” os primeiros acordes emendando o grito que já não era tão alto, tão forte, mas carregava toda a fúria do legado de uma banda que nunca desaprendeu o que dizer. “[…] You’re in the jungle, baby […]” e Welcome to the Jungle dá seus primeiros passos no palco com toda a audiência pulando. Pessoas da arquibancada diziam senti-la balançar. Essa é a força e o peso da história. Axl Rose não precisou se dar ao trabalho de cantar, os súditos saudaram seus reis de onde estavam.
E com Slashpresente na formação, era possível tocar músicas de sua carreira fora do Guns, então, por que não Slither, hit aclamado do explosivo Velvet Revolver. Agora tudo era possível, tanto que ela estava lá no começo do set, segunda a ser tocada. Para aqueles que falam “ah, mas a voz do Axl está péssima, parece o Mickey…”é sério que você vai pagar uma média de 800 reais para reclamar disso? Não faz sentido! Ele faz valer cada centavo que o fã investe para vê-lo: um show de mais de duas horas, para um senhor na casa dos 60 que já abusou do próprio corpo de todas as formas possíveis; músicas diferentes no set, para todo mundo ser agradado; tour gigantesca em cada país… e a contagem segue. Óbvio que a voz dele não é como 40 anos atrás, mas você é? Depois dessa defesa, vamos com o restante do show!
Duffao centro do palco, com aquele riff que todos nós conhecemos desde ‘87, It’s So Easy começa e claro que todos cantariam juntos – público, Axle Duff. Era como um sonho. Axlé consciente de que sua voz mudou consideravelmente, e seu drive que rasgava a carne mais resistente também se foi, mas ele tem novos subterfúgios que não prejudicam o show, muito menos sua performance: a banda fica um pouco mais evidente, enquanto o seu agudo mais frágil parece sumir na multidão. Mas, incrivelmente ele continua correndo o palco, interagindo com todos os integrantes, não apenas os originais, o que é muito bom, mostrando que ele não esquece de quem esteve ao seu lado sempre, caso do guitarrista Richard Fortus, membro da banda desde 2002. Uma pausa para a banda, finalmente, conversar com a plateia, que gritava a plenos pulmões a cada palavra. E então, o primeiro cover que já é considerado autoral surge: Live and Let Die. Famoso clássico de Sir Paul McCartney, na era Wings, Guns N’ Roses popularizou essa pedrada em 1991, com o lançamento do megalomaníaco Use Your Illusions.
Depois de toda a correria de senhor William, luzes que piscaram e dançaram tão intensamente, que seriam capazes de te hipnotizar, Slashsobe numa pequena elevação, ao centro do palco e começa um pequeno improviso, que emenda com os primeiros riffs displicentes de Mr Brownstone. E mesmo com todo o trava línguas presente na letra, todos cantaram! O público parecia não acreditar, mesmo àquele que acompanha a banda em todas as suas passagens pelo país, mesmo àquele que não estava presenciando aquele cataclisma pela primeira vez. Era o vhs do show de Tokyo 92 acontecendo na sua frente; foi como ver Slashcom sua camiseta do Pepe Le Pew com sua guitarra mockingbird vermelha. Era a mágica da lembrança ganhando forma. Minha primeira falta de ar aconteceu neste momento: Bad Obsession! Eu olhei para os lados e vi menos pessoas felizes com essa escolha, mas quem sabia de fato, o que estava acontecendo, estava pulando no colo do amiguinho.
Rocket Queen chega depois de uma pequena apresentação do baterista Isaac Carpenter, tornando todo o Allianz Parque feliz de novo, com esse clássico indiscutível. E depois de tanta alegria, um fôlego: Perhapsacontece. A plateia não trata esse futuro clássico com o mesmo entusiasmo, mas é normal, comparando com que estava acontecendo até então. Ela ainda não faz parte da memória afetiva, dos fãs, mas futuramente…
Axl Rose vem ao centro e começa a falar com a plateia, de como estava satisfeito em estar de volta e como era bom ver que todos estavam cantando e se divertindo, então, ele daria mais um motivo para isso e, num andamento um pouco mais rápido que o normal, Slashcomeça Dead Horse, mais uma responsável pela minha asma dar as caras, e mais uma responsável por, novamente, dividir o público. Então, ao final desta, Rosebrinca, dizendo estar afim de dançar Macarena, e entra em cena Double Talkin’ Jive. Para quem não entendeu a piada, ambas possuem um apelo latino. E trocadilhos infames à parte, Nothin’ chega sem causar nada, nenhuma emoção aparente, acredito que também seja o caso dela não remeter a nenhuma lembrança nostálgica. Porque, no final das contas, é isso: Guns N’ Roses nos transporta para lugares muito especiais em nossas vidas; uma banda que tem um trabalho atual competente, mas que vive, majoritariamente, de seu legado. Meio do show e não percebemos o tempo passar. E olha que estou falando de mais de uma hora de duração, aqui! O Exterminador do Futuro aparece no telão e Carpenterdestrói sua bateria com a introdução de You Could Be Mine, e a plateia volta para a mão de Axl Rose.
Cenas de Rebeldia Indomável, clássico filme de 1967, aparecem no telão e sabemos que aquele assobio triste e sombrio começaria. Civil War, melancólica, triste e explosiva passa o recado para todos aqueles que seguem matando a sua população a troco de um poder efêmero e quase imaginário.
Já para manter a homenagem a Ozzy Osbourne, como Axl Rose prometeu na despedida Back to the Beginning, embora todos esperassem Sabbath Bloody Sabbath, como vinha acontecendo, Junior’s Eye, presente em Never Say Die!, de ‘78.
Para os fãs, ou gunners, como eu citei no começo, essa intro já valeria a música toda, Only Women Bleed, hit de Alice Cooper, de ‘75, surge com uma luz fantástica, destacando Slashao centro do palco, com sua lendária Gibson SG Double Neck. Senhoras e senhores, Knockin’ On Heaven’s Door (mais uma música de Bob Dylan que fez sucesso com outra voz). Mais uma vez, uma mescla do vhs do show do Tokyo Dome de ‘92, com cenas do Rock in Rio ‘91. Foi como me enxergar pequena, sentada no sofá, chorando com essas fitas no vídeo cassete, e minha mãe dizendo que não aguentava mais o escândalo todo.
Emoção à parte, New Rosetraz Duffaos vocais principais, nesse cover do The Damned, presente no álbum “The Spaghetti Incident?”. E quem achou que “Axl envelheceu, está mais maduro, não vai trocar de roupa durante o show, quebrou a cara!” Teve troca de roupa o tempo todo. Pois depois de um figurino mais sequinho, mais cheiroso, Williamapresenta a banda e Atlassobe ao palco, mantendo a empolgação que o baixista deixou. Mas agora era a vez dele, que segundo Axl, é seu parceiro desde 1986, Slashcomeça seu solo. Não foi longo, foi melodioso e sem muitos improvisos com escalas mirabolantes e velocidade da luz, como havíamos presenciado na mesma tarde com Yngwe Malmsteen e Nuno Bittencourt. Mas algo acessível, ainda mais sabendo o que caminhava para acontecer: a introdução das introduções. Sweet Child O’ Mine, a responsável por fazer você, o seu amigo, a mãe e a avó deles conhecerem Guns N’ Roses. Público uníssono! Um avião supersônico não causaria o barulho que esse estádio fez. Luzes dos celulares acesas, uma massa sonora que você era capaz de sentir bater no peito. Lágrimas e mais lágrimas nos olhos felizes daquele público satisfeito (e nos meus também).
E eu juro que pensei que a emoção daria uma normalizada, até o momento em que Roseapresenta Dizzy Reed, que eu, até então, não havia notado a presença. Estrangedaparece como uma punhalada no peito. Aquele pedido de socorro que tocou toda uma geração, que foi a resposta à insatisfação com a própria existência, estava ali. E como fã é maluco, balões de golfinhos apareceram perto da grade, em referência a um trecho do clipe. Axlsorri para essa interação da plateia. Confesso que, neste exato momento, durante a execução dessa música, meu chão não existiu, aliás, nada existiu: apenas a banda e eu! Mais uma vez eu acreditei na quebra de emoção, quando, ainda durante a fala de Axl, Isaac Carpenter começa a bater no seu cow bell, me fazendo ficar totalmente descrente. Não, eles não fariam isso, mas fizeram. Bad Apples, que não aparecia num set desde a turnê de divulgação do Use Your Illusions, surgiu! E é interessante perceber como esse tipo de música faz bem para o Axl. Ela estava mais cadenciada, e, por ter um tom médio, deixa o vocalista mais confortável com o próprio desempenho.
Mais uma troca de roupa e, sem perceber, o piano entra em cena. Bom, já sabemos o que esperar, né? November Rain. A chuva já tinha refrescado e resfriado parte do público, mas, além das luzes dos celulares, o céu pintava estrelas brilhantes e uma lua gigantesca para dar ares de obra de arte a essa carta romântica de despedida. O final do show se aproximava e, ao mesmo tempo que estávamos em êxtase pela experiência, o desespero de saber que o tempo estava acabando e 4 músicas, tradicionais em shows, faltavam, num lugar que só caberiam duas. E uma delas apareceu aqui, o apito do trem soou, e Nightraincomeçou. Pista e arquibancada unidas num só pulo, nem parecia que já havia passado mais de duas horas de show. E antes de começar aquela que encerra todo set, Axlbrinca “where is Izzy?” e faz com que todos repitam que ninguém se importa. Paradise City trouxe o fim da festa e o apagar das luzes, junto com a catarse de um show incrível e a decepção de alguns por não poder abraçar seu par ao som de Patiencee Don’t Cry.
Como eu disse lá no comecinho, esse show foi para agradar aos fãs, principalmente os seus filhotes criados em 1987, seus gunners, que gastaram mesadas e dinheiro de lanches de escola em revistas Bizze Som Três, e passaram anos admirando pôsteres e sonhando com seu ídolo. Eu me incluí nesse meio. E, embora hoje a minha praia seja um pouquinho diferente, a Amanda de 9 anos realizou seu sonho de encontrar o amor de sua vida, e acabou emprestando sua emoção para a Amanda de 39 contar a todos como essa história aconteceu.
Setlist
Welcome to the Jungle Slither It’s So Easy Live and Let Die Mr. Brownstone Bad Obsession Rocket Queen Perhaps Dead Horse Double Talkin’ Jive Nothin’ You Could Be Mine Civil War Junior’s Eyes Knockin’ on Heaven’s Door New Rose Atlas Slash Guitar Solo Sweet Child o’ Mine Estranged Bad Apples November Rain Nightrain Paradise City
Depois de 21 anos de elegibilidade, o Iron Maiden, finalmente, é incluído no Hall da Fama do Rock N’ Roll. Hoje, a instituição fez seu anúncio, incluindo em seu acervo, além da Donzela, Oasis, Billy Idol, Sade, Phill Collins e muitos outros.
A regra para a indicação é: o álbum de lançamento da banda deve ter, no mínimo, 25 anos completos, ou seja, eles estavam no páreo desde 14 de abril de 2005. A banda foi indicada em 2021, 2023 e agora, 2026. Mas desde 2011 o Iron Maiden figura entre o BPI, o Hall da Fama do Reino Unido.
Em 2022, depois da inclusão do Judas Priest à instituição, Rob Halford deu uma entrevista à Loudwire, dizendo que “o reconhecimento do Iron Maiden é muito tardio” e ele não entende como a banda ainda não estava lá. Ainda completa “quando você está realmente no Hall da Fama… você recebe um voto… e o Maiden receberá o voto do Priest, sem dúvida”. Tom Morello, Paul Stanley também já fizeram o seu apelo.
Em 2018, Bruce Dickinson chegou a dizer que, em caso de adição da banda ao Hall da Fama, ele não aceitaria, pois “não acredita que o rock seja um mausoléu”. Ainda no mesmo ano, em entrevista à Metal Hammer, o chefe Steve Harris disse, de maneira mais moderada que “não era contra a indicação, mas nunca deu tanta importância”. Mas, como será que a banda reagirá à inclusão?
Rod Smallwood emitiu uma nota hoje, assim que a instituição Hall da Fama do Rock N’ Roll anunciou suas escolhas: “gostaríamos de agradecer ao Hall da Fama do Rock and Roll por nos incluir (e aos ex-membros que fizeram parte da nossa história) na lista de homenageados de 2026. O Iron Maiden sempre priorizou o relacionamento com nossos fãs acima de tudo, incluindo prêmios e reconhecimentos da indústria. No entanto, é sempre bom ser reconhecido e homenageado por quaisquer conquistas dentro da indústria musical! Também parece apropriado que a banda seja homenageada no Hall da Fama do Rock and Roll este ano, enquanto continuamos as comemorações do nosso 50º aniversário com a turnê mundial Run For Your Lives, que passará pelas Américas e outros continentes. Gostaríamos também de parabenizar os outros homenageados de 2026 e estender nossa gratidão, como sempre, aos nossos fãs por sua lealdade, perseverança e apoio por mais de 50 anos! Nos vemos em algum lugar na turnê.”
A cerimônia de premiação do Hall da Fama do Rock N’ Roll será transmitida pelo canal @abc e @disneyplus em dezembro, com data a confirmar.
O Iron Maiden vem ao Brasil para dois shows em 25 e 27 de outubro, no Allianz Parque (que até lá terá outro nome), com abertura da banda Alter Bridge e ingressos disponíveis para ambas as data.
Formada em 1991 sob o comando de Terje Vik Schei, o Green Carnation se destaca por sua veia acentuada no Prog. Metal com boas pitadas de Doom e Art Rock.
Tendo como experiência a passagem pelo gigante Emperor, formou seu próprio som através de belas melodias e muita dedicação, sendo o mais recente álbum “A Dark Poem, Part II: Sanguis”(2026), a sua segunda amostra de uma trilogia bem interessante que em um futuro breve ganhará a sua parte final.
O lançamento acontece amanhã, 3 de abril, em todo o mundo, mas no Headbangers Brasil você conhece um o disco destrinchado e com uma ideia do que esperar deste novo trabalho! E como em toda resenha, as notas são dadas de acordo com a bagagem musical de cada redator, logo, a sua opinião pode ser totalmente diferente. Como padrão da casa, cada música recebeu nota de 0 a 5, tendo a nota final definida pela média de todas elas.
O registro inicia com a ótima e arrastada “Sanguis”, um ótimo exemplo de Prog/Doom da atualidade, mantendo os níveis de serotonina no alto, diria até com um desenvolvimento sombrio, tendo como base uma mescla de nuances do passado (vide os teclados) ao mesmo tempo que finca seu pé no lado atual de produções épicas.
Por ser a abertura do álbum e possuir melodias densas, aspectos com uma atmosfera bastante convidativa, acredito que uma nota 4está de bom tamanho.
“Loneliness Untold, Loneliness Unfold” deixa um clima soturno no ar, saindo um pouco daquele início mais arrastado e caminhando para algo mais introspectivo, porém, dentro desse tipo de energia é válido, sendo quase um “grande interlúdio” para o terceiro ato (por assim dizer).
Tendo como base uma temática mais melancólica, é justo que a faixa alcance a nota 3, o que não é nada ruim, mas ao meu ver, cai um pouco o punch esperado após o primeiro ato.
“Sweet to the Point of Bitter”retorna à densidade do início, tendo linhas marcantes de uma “cozinha eficiente” (preste atenção nas linhas do baixo) e claro, outra boa performance vocal desenvolvida, mantendo o ouvinte em uma vibe bastante conhecida da última década no gênero (cadê os fãs de Enslaved e Katatonia?).
Seu andamento aliado às melodias muito bem elaboradas merecem uma nota 5, uma faixa verdadeiramente boa e que faz jus à qualidade dos envolvidos.
“I Am Time”é puramente Prog. Metal, mas carrega consigo elementos de outros grandes nomesdo lado melódico como o já citado Katatonia e também Amorphis, o que já lhe garante uma boa aceitação (deixando claro que tudo aqui é bastante acessível, sem soar forçado ou como uma fórmula).
Agradável a cada nota, torna-se indispensável caso você escolha apenas uma faixa para dar play, o trabalho das guitarras claramente impecável possui um cuidado muito nítido em cada nuance, flertando com os vocais que crescem na medida certa.
Impossível não dar uma nota 5 para mais um grande trabalho como este.
“Fire in Ice”suaviza um pouco as ambientações e inclui marcações características de bandas como o Queensryche em Empire (1990) mas claro, com a sua roupagem própria (preste atenção nos sintetizadores) e sua personalidade criativa.
Este é o ponto certo para você analisar o quanto a criatividade de ambos foi explorada, e que isso demonstra qual aspecto você leva em conta… dito isto, reafirmo: este trabalho é de extremo bom gosto!
Facilmente uma das melhores faixas da banda, seja pela sua ótima dinâmica entre o lado mais leve de seus vocais ou pelo instrumental que cria ótimos momentos, é merecido uma nota 5.
“Lunar Tale”fecha o registro com uma verdadeira balada, clima soturno, vibe que desperta emoções diferentes a cada momento, um trabalho vocal muito interessante (como citado antes, não vemos ninguém forçando algo, tudo soa naturalmente e livre, o que traz essa leveza acentuada).
O instrumental também ganha uma roupagem adequada, finalizando de forma plausível e de bom gosto, merecendo uma nota 4.
Acredito que, assim como a primeira parte dessa trilogia tenha repercutido bastante (sendo incluída entre os melhores álbuns de 2025), aqui temos um ótimo candidato a figurar nos destaques do ano entre as mídias especializadas.
Resumindo, acredito que A Dark Poem, Part ll: Sanguis, é uma verdadeira aula de tudo o que o prog metal vem fazendo nesses últimos anos, logo, é fácil encontrar muitas influências de outros trabalhos que você provavelmente já ouviu, mas mantendo uma identidade única. Green Carnation mostra que é possível beber na mesma fonte e não fazer uma cópia de tudo o que já foi feito.
Nota do álbum: 4,3
Aproveite para já garantir o Pré-Save e ouvir amanhã!
Um dos formadores do Manowar, o guitarrista Ross Friedman, The Boss, morreu ontem, 26 de março, em decorrência de esclerose lateral amiotrófica (ELA).
The Boss, como era conhecido na cena, descobriu a doença há pouco mais de um mês, por causa de episódios de perda de firmeza nas mãos e nas pernas. Antes da descoberta da ELA, os médicos chegaram a desconfiar de pequenos AVC’s. Todos os exames foram feitos, juntamente à fisioterapia para fortalecimento dos membros; diagnóstico cravado no final de fevereiro: esclerose lateral amiotrófica.
Em 4 de março, uma vaquinha virtual foi feita para que fãs e amigos do mundo todo pudessem ajudar no tratamento de Ross, pouco mais de US$38.000,00foi arrecadado, equivalente a 96% do objetivo. A vaquinha ainda estava aberta quando o guitarrista faleceu.
Reprodução: Facebook
Através de suas redes, a família de Friedman se pronunciou: “É com profunda tristeza que anunciamos o falecimento de Ross ‘The Boss’ Friedman, do Bronx, que faleceu ontem à noite após lutar contra a ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica).
Um guitarrista lendário e pai amado, sua música e espírito impactaram fãs ao redor do mundo tanto quanto vocês o impactaram. Somos gratos pela demonstração de amor e apoio que todos vocês nos deram ao longo de sua carreira e, especialmente, nestes últimos meses.
Sua música significava tudo para ele e sua guitarra era sua fonte de vida. Essa doença insidiosa lhe tirou isso.
Seu legado com The Dictators, Manowar, Ross the Boss Band e outras colaborações viverá para sempre em nossos corações e ouvidos.”
Mas você sabe o que é Esclerose Lateral Amiotrófica, ou ELA? É uma doença neurodegenerativa, ou seja, ela destrói neurônios motores, é progressiva e irreversível. Os primeiros sinais, geralmente, são as fraquezas musculares nas mãos e nas pernas e pés, facilmente confundidas com outras implicações cerebrais (como o AVC, por exemplo), exatamente como aconteceu com Ross.
A equipe do Headbangers Brasil se solidariza com a família e com todos os fãs desse grande ídolo, ao redor do mundo.
Rest in Power, Ross!
Para amenizar a saudade dessa lenda, uma playlist pra saudar um ídolo que nos deu tanto!