Listas sempre geram polêmica. A intenção aqui não foi reunir os melhores discos de cada banda, nem tampouco listá-los do melhor para o pior (por isso preferi pôr em ordem cronológica), mas sim fazer um apanhado de álbuns que definiram a sonoridade de um subgênero do hard rock conhecido como AOR (Adult Oreiented Rock, ou rock orientado para adultos). Se algum disco de sua preferência ficou de fora, ou se você não considera algum disco citado aqui como pertencente ao estilo, ótimo, faça sua lista e envie pra gente.

Obviamente alguns discos ficaram de fora, pois é praticamente impossível listar tudo de forma completa. Esses 20 álbuns são discos que considero essenciais para quem quer iniciar no estilo, entender o que á AOR e conhecer discos e artistas que muitas vezes não são tão populares entre os fãs de rock. Há artistas que começaram no AOR e depois mudaram seu som e vice versa. Há inclusive artistas que muitos sequer sabem que faziam parte do universo Hard Rock, assim como outros que não tinham a ver com o estilo no início de suas carreiras e abraçaram o estilo depois, portanto, ouçam sem preconceito e deliciem-se a cada audição.

  • 1976 – Boston – Boston

Considerado por muitos o marco zero do estilo, esse disco (que completa 50 anos esse ano) pavimentou o caminho para que bandas como Journey, Reo Speedwagon, entre outras, tivessem um lugar ao sol na década seguinte. Destaque para o super clássico More Than A Feeling, que abre magistralmente o disco. Os vocais de Brad Delp são um espetáculo a parte e a liderança de Tom Scholz ajudou a criar um novo subgênero dentro do hard rock. Impossível falar de aor sem citar esse álbum.

  • 1977 – The Grand Illusion – Styx

No auge dos experimentos progressivos o Styx resolveu se aventurar na seara aor. Depois de 2 discos inserindo-se no estilo (o bom Equinox de 1975 e o maravilhoso Crystal Ball de 1976) , a banda atingiu o estrelado com esse disco, graças a canções como Come Sail Away e Fooling Yourself (The AngryYoung Man), além da icônica faixa título. As guitarras de Tommy Shaw são um show a parte, com solos e riffs inspiradíssimos e a voz de Dennis DeYoung no auge de sua forma. The Grand Illusion é um discaço de aor, lançado na década anterior ao boom do estilo, o que mostra a coragem e a ousadia do Styx.

  • 1980 – Hi Infidelity – Reo Speedwagon

Em 1980 o Reo Speedwagon (cujo nome foi retirado de uma marca de caminhão) era apenas uma banda comum de hard rock. Porém ao lançar esse álbum tudo mudou. Capitaneado pela bela balada Keep On Loving You (que atingiu o primeiro lugar nas paradas americanas), o grupo chegou ao seu ápice comercial com um disco que é o puro suco do aor: vocais técnicos em canções emblemáticas, teclados criando climas cativantes, guitarras bem encaixadas embebidas em riffs certeiros, baixo gorduroso e bateria na medida.

  • 1981 – 4 – Foreigner

Unanimidade entre fãs do estilo, o Foreigner já era um grupo de sucesso quando adentrou os anos 80, porém aqui a coisa mudou de patamar. Puxado pela clássica Waiting For A Girl Like You, a banda lançou um disco que não apenas manteve o nível de seus antecessores, como também elevou o patamar, não apenas da própria banda, mas do estilo aor como um todo. O disco inteiro é uma coleção de hinos de arena na poderosa voz de Lou Gramm, com destaques para a pedrada Night Life, o hino Juke Box Hero e a lindíssima Break It Up.

  • 1984 – Vital Signs – Survivor

Após o estrondoso sucesso de Eye Of The Tiger, o Survivor alcançou o estrelato e a tranquilidade necessária pra investir pesado na sonoridade aor. Com o talentoso Jimi Jamison nos vocais no lugar de Dave Bickler, a banda lançou em 1984 o disco considerado por muitos a epítome do estilo. Todas as faixas possuem o clima típico de arena, o que torna esse álbum primordial pra quem deseja entender o que é aor em sua mais pura forma. O destaque fica por conta de I Can’t Hold Back, High On You, Broken Promises e The Search Is Over, porém o disco inteiro é uma obra prima do estilo.

  • 1985 – Everybody’s Crazy – Michael Bolton

Bem antes de se tornar uma espécie de Roberto Carlos americano e direcionar sua carreira a um público romântico e carente ávido por baladas, Michael Bolton era uma das maiores vozes do hard rock. Com o Blackjack, ao lado de Bruce Kulick (ex-guitarrista do Kiss), Michael já havia dado provas de seu amor pelo rock, mas nos anos iniciais de sua extensa carreira solo, sua voz rouca deu vida um dos álbuns mais fantásticos dentro do universo aor. Abrindo com uma cacetada intitulada Save Our Love (que traz Bruce Kulick nas guitarras), o álbum traz Bolton como o público das fms nunca viu: visceral, cru e enérgico, em nada lembrando aquele artista que regravou When A Man Loves A Woman (gravada primeiramente por Percy Sledge). A prova disso são canções do calibre de Desperate Heart e You Don’t Want Me Bad Enough, além da faixa título. O destaque fica por conta dos arranjos de Mark Mangold e Terry Brock (ex vocal do Giant e do Strangeways) para os backing vocals.

  • 1986 – Raised On Radio – Journey

 Mesmo sendo o marco inicial das polêmicas e tensões dentro da banda (por conta da liderança imposta por Steve Perry), o primeiro álbum sem o baixista original Ross Valory é um belíssimo disco de aor. Músicas como Girl Can’t Help It deixam o acento pop evidente, o que foi um dos motivos para que a banda ficasse insatisfeita com o resultado final. Apesar disso, canções como Positive Touch, Suzanne e a balada I’ll Be Alright Without You são belas oportunidades para quem deseja conhecer mais do estilo. Depois desse disco a banda experimentaria um hiato de 10 anos, que culminaria no lançamento de um disco e a demissão de Steve Perry para nunca mais retornar.

  • 1986 – Indiscreet – FM

Como o próprio nome da banda sugere, esse disco é daqueles pra rolar inteiro no rádio. No Brasil, aliás, há tempos atrás as rádios costumavam fazer isso, dando aos ouvintes a chance de conhecer discos inteiros das bandas que curtiam. Ao comemorar 40 anos desse disco, o FM atualmente encontra-se em turnê tocando-o na íntegra, o que já mostra a importância do disco em questão. A sonoridade é aor até a medula, com todos aqueles teclados e guitarras que você já conhece. A emoção ganha forma em canções repletas de sentimento e lirismo, como I Belong To The Night, Frozen Heart, Alibi, Love Lies Dying e That Girl (regravada no mesmo ano pelos conterrâneos do Iron Maiden). Praticamente desconhecidos no Brasil, com esse disco a banda dos irmãos Overland imprimiu de vez seu nome no aor mundial, consolidando-se como um dos maiores nomes do estilo.

  • 1986 – Thrill Of A Lifetime – King Kobra

Carmine Appice já havia mostrado a que veio quando o King Kobra lançou seu disco de estréia, mas foi com esse segundo álbum, com destaque na voz do jovem Mark Free (sempre ele), que a banda emplacou seu maior hit, Iron Eagle (Never Say Die), na trilha sonora do filme Águia de Aço. A sonoridade era uma mescla perfeita do hard rock farofento de bandas como Mötley Crüe com o aor de bandas como Foreigner, tudo permeado por linhas melódicas cativantes e letras divertidas e inspiradas. Outros destaques do disco são Feel The Heat, Overnight Sensation e a faixa título.

  • 1986 – Power – Kansas

O disco mais hard do Kansas tem doses pontuais de aor, resultando num álbum simplesmente brilhante. O disco marcou o retorno do vocalista Steve Walsh e a saída de Kerry Livgren, guitarrista e principal compositor, que deu lugar a ninguém menos que Steve Morse. A parceria rendeu músicas poderosas como Silhouetes In Disguise, Power e All I Wanted, porém o público progressivo torceu o nariz, considerando a sonoridade do disco um afastamento do estilo original da banda com intuitos puramente comerciais. Na verdade, comercialmente o disco não chegou a vender tanto, mas o som que a banda imprimiu aqui faz desse álbum algo impossível de ser ignorado.

  • 1987 – Excess All Areas – Shy

Com os vocais marcantes do saudoso Tony Mills (que também cantou no TNT), e um sucesso coescrito com Don Dokken (a música Break Down The Walls), o Shy é mais uma banda injustiçada que lançou um disco imprescindível para o estilo. O disco traz ainda uma composição em parceria com Michael Bolton, a enérgica Emergency, que abre o disco, além da belíssima balada When The Love Is Over. Os refrões são um charme a parte do disco, como prova a agitada Can’t Fight The Nights.

  • 1988 – Alien – Alien

Impulsionados pela participação na trilha sonora do clássico trash The Blob (A Bolha Assassina, em português), com a música Brave New Love, os suecos do Alien tem em seu álbum de estréia um verdadeiro clássico do estilo aor. Os destaques são as faixas Tears Don’t Put Out The Fire, além de Go Easy e a power ballad Wings Of Fire.

  • 1989 – Loud n’ Clear – Signal

Após sair do King Kobra, Mark Free colocou pra fora todos os seus sentimentos numa obra que beira o sublime de tão bela. O Signal lançou apenas este disco, o que é uma pena. Já que se trata do mais puro aor com todos os seus elementos característicos: aquela tecladeira típica, guitarras melodiosas com intervenções pontuais e os vocais sofridos de Mark no auge de sua forma. Impossível conhecer o estilo aor sem passar por esse disco, e consequentemente, por Mark. Destaque para a bombástica abertura com Arms Of A Stranger, a popíssima My Mistake e a linda balada Could This Be Love, além de You Won’t See Me Cry, com uma letra que com certeza mostra aos fãs de Marília Mendonça o que é sofrência com estilo.

  • 1989 – Benny Mardones – Benny Mardones

Impulsionado pelo relançamento do hit Into The Night, Benny Mardones lançou um dos discos mais essenciais para o estilo aor. Alternando entre pancadas na orelha como Close To The Flame e For A Little Ride e baladas como How Could You Loved Me, Benny reuniu um time de estrelas para o disco. Participam do álbum músicos como Michael Thompson nas guitarras, Jeff Porcaro na bateria, Mark Mangold nos teclados, entre outros, resultando num clássico das fms sem abrir mão do rock n’ roll. Destaque fica por conta da voz rouca e grave de Mardones, o que cria um contraste bacana entre as bandas do estilo, que normalmente prezam por vocais agudíssimos.

  • 1989 – Last Of The Runaways – Giant

Após sair do White Heart (uma banda cristã tremendamente injustiçada), Dann Huff e seu irmão David soltaram uma verdadeira pérola do estilo. Com músicas que se tornaram hinos do estilo como I’m A Believer e a sufocante I’ll See You In My Dreams, esse álbum é um marco do aor, necessário e imprescindível. Outros destaques são It Takes Two, Stranger To Me e No Way Out.

  • 1989 – Repeat Offender – Richard Marx

Reunindo uma verdadeira constelação de músicos de estúdio, Richard Marx, que já havia composto para vários músicos de hard rock, (incluindo o maior hit da girl band Vixen, Edge Of Broken Heart), lançou esse que é considerado por muitos seu melhor trabalho. Puxado pela balada Right Here Waiting, que fez enorme sucesso mundo afora, o disco traz doses cavalares de aor e melodic hard rock, como Satisfied, Angelia e Heart On The Line. Gente do calibre de Bill Champlin (tecladista do Chicago), Steve Lukather (Toto), Michael Landau (guitarrista de Rod Stewart, Michael Jackson, entre outros), Michael Omartian (Christopher Cross), Randy Jackson ( ex baixista do Journey) e Nathan East (Baixista de Eric Clapton, entre outros) deu vida a um dos discos mais emblemáticos do estilo, conquistando fãs de rock e também de pop. Disco perfeito pra quem não conhece o estilo aor e acha que Richard é apenas um carinha de mullets que canta músicas românticas.

  • 1989 – Walk In The Fire – Strangeways

O terceiro disco dos escoceses do Strangeways vem pra firmar de vez a banda no cenário aor mundial. Nesse disco estão algumas das canções aor mais emblemáticas do estilo, ainda que desconhecidas do grande público. Refrões como o de Where Are They Now são perfeitos pra todo mundo cantar junto, numa grande arena, assim como Danger In Your Eyes, Talk To Me e a faixa título. Terry Borck entrega vocais potentes e carregados de emoção, o que torna a audição desse álbum uma imersão sem volta no universo aor.

  • 1990 – Beyond Belief – Petra

Considerado por muitos, inclusive este que vos escreve, como o maior disco de aor no white metal, esse álbum parece uma coletânea devido a sua quantidade de hits. Desde baladas como Love e Prayer, passando por canções como Armed And Dangerous, What’s In A Name e o clássico Creed, o Petra conquistou todos os prêmios possíveis com esse que é quase uma unanimidade entre fãs de aor. John Schlitt está avassalador em suas vocalizações e esse disco está entre os mais importantes do aor mundial. Perfeito para conhecer o estilo aor dentro de uma perspectiva cristã.

  • 1993 – Long Way From Love – Mark Free

Sempre achei esse disco um irmão gêmeo de Loud n’ Clear, do Signal, tanto por sua sonoridade quanto pela incrível capacidade que Mark possui de compor temas belíssimos dentro do universo aor/melodic rock. Aqui estão algumas das canções mais “arena” do estilo, o que torna esse álbum quase uma unanimidade entre fãs de hard rock/aor e uma obrigação para quem quer conhecer mais e se aprofundar no estilo. Músicas como Someday You’ll Come Running To Me (cover do FM), Stranger Among Us e o hino dos divórcios The Last Time fazem desse álbum um dos mais importantes do estilo. Sinceramente, nem dirija a palavra a quem diz conhecer aor e não curtir esse disco.

  • 2008 – H.E.A.T. – H.E.A.T.

Uma verdadeira explosão sonora. Essa foi a impressão que tivemos quando o H.E.A.T. surgiu no cenário. Dave Dalone (guitarras) e Jona Tee (teclados) formam uma dupla imbatível de compositores, como provam canções como There For You, Cry, Keep On Dreaming e Never Let Go. O vocal de Kenny Leckremo é outro ponto positivo, remetendo aos medalhões do gênero. Disco não menos que essencial.