O álbum que transformou peso em identidade e ajudou a definir o death metal como o conhecemos

Lançado em 1990, Cause of Death não é apenas o segundo disco do Obituary. É o momento em que a banda da Flórida encontra sua forma definitiva, abandona qualquer resquício de indecisão e entrega um trabalho que se tornaria referência absoluta no death metal. Mais denso, mais sombrio e mais técnico que Slowly We Rot, o álbum elevou o nome do Obituary ao mesmo patamar de gigantes da cena extrema.

Gravado no lendário Morrisound Studios e produzido por Scott Burns, Cause of Death tem um som encorpado, sujo e opressor, daqueles que parecem sair direto de um pântano. Aqui, o Obituary não busca velocidade constante ou virtuosismo exagerado: o foco é o peso esmagador, os riffs cadenciados e uma atmosfera sufocante que acompanha o ouvinte do começo ao fim.

Faixa a faixa: peso, podridão e identidade

A abertura com “Infected” já deixa claro que o disco não vai aliviar. O riff inicial é arrastado, quase rastejante, criando tensão antes da música ganhar corpo. John Tardy entra com seus vocais guturais inconfundíveis, mais próximos de um urro primal do que de qualquer canto tradicional. É uma introdução perfeita para o clima do álbum: obscuro, claustrofóbico e brutal.

“Body Bag” segue aprofundando essa sensação, apostando em riffs simples, porém extremamente eficazes. Aqui, o Obituary mostra que não precisa de complexidade excessiva para soar devastador. O groove pesado e a bateria marcante fazem da faixa um dos primeiros clássicos do disco.

Em “Chopped in Half”, a banda apresenta um de seus maiores hinos. O riff principal é imediatamente reconhecível e se tornou presença obrigatória nos shows ao longo das décadas. A música alterna momentos mais lentos com explosões de violência sonora, criando uma dinâmica que se tornaria marca registrada do grupo.

“Circle of the Tyrants”, cover do Celtic Frost, é uma escolha certeira. O Obituary transforma o clima já sombrio da música original em algo ainda mais grotesco e arrastado, praticamente assumindo a canção como se fosse sua. É uma homenagem que também funciona como declaração de influência e respeito às raízes do metal extremo.

“Dying” traz um dos lados mais pesados do álbum, com riffs que parecem esmagar lentamente o ouvinte. A bateria de Donald Tardy dita o ritmo com precisão, enquanto as guitarras criam camadas densas, reforçando a sensação de decadência que permeia o disco.

“Find the Arise” apresenta uma variação maior de andamento, mesclando momentos mais rápidos com passagens lentas e sufocantes. É uma faixa que evidencia o crescimento técnico da banda, sem abandonar a brutalidade crua que define o Obituary.

Em “Cause of Death”, faixa-título, o grupo entrega uma das músicas mais atmosféricas do álbum. O clima é quase ritualístico, com riffs que se repetem de forma hipnótica, reforçando a sensação de desespero e inevitabilidade da morte.

“Memories Remain” mantém o peso em níveis extremos, apostando em uma estrutura simples, mas eficiente, enquanto “Turned Inside Out” fecha o álbum de forma brutal, retomando a agressividade direta e deixando claro que Cause of Death não é um disco feito para agradar, mas para marcar.

O impacto e o legado

Mais de três décadas depois, Cause of Death continua sendo um manual de como fazer death metal pesado, sujo e autêntico. O disco influenciou incontáveis bandas, ajudou a solidificar a cena da Flórida e mostrou que o gênero podia ser brutal sem perder identidade.

Para muitos fãs, este é o melhor álbum da carreira do Obituary. Para outros, é simplesmente um dos maiores clássicos do death metal mundial. Independente do rótulo, Cause of Death segue intocável — um monumento à podridão sonora que ajudou a moldar a história do metal extremo.

Obituary no Brasil – Turnê 2026

O Obituary retorna ao Brasil em fevereiro de 2026 como parte de uma turnê que celebra mais de três décadas de carreira e a força eterna de discos fundamentais como Cause of Death e Slowly We Rot. A passagem pelo país contempla cinco capitais, reforçando a relação visceral da banda com o público brasileiro.

A expectativa é de sets focados nos clássicos, com presença garantida de hinos que moldaram o death metal mundial, executados com a brutalidade e a precisão que transformaram o Obituary em uma instituição do gênero.

Datas confirmadas:

20/02 – Belo Horizonte (MG)
21/02 – São Paulo (SP)
22/02 – Curitiba (PR)
24/02 – Rio de Janeiro (RJ)
25/02 – Brasília (DF)

Mais do que uma turnê, essa é uma celebração da podridão sonora em seu estado mais puro. Para os fãs, é a chance de testemunhar ao vivo uma das bandas mais influentes da história do death metal — do jeito que tem que ser: alto, pesado e sem concessões.

NOTA: 5 / 5

TEXTO POR RAPHAEL ARIZIO