Na noite de 6 de fevereiro de 2026, o My Chemical Romance entregou ao público brasileiro um dos momentos mais emocionantes da sua aguardada turnê Long Live: The Black Parade em São Paulo, no Allianz Parque com realização das produtoras 30e e Move Concerts, com patrocínio do banco Santander. Os muitos fãs presentes enfrentaram uma chuva longa, mas nem isso fez os fãs se afastarem do palco, ou de um bom lugar para prestigiar o MCR jamais que fazia 18 anos que eles não visitavam o Brasil. A banda americana voltou a pisar em solo brasileiro em grande estilo e a segunda apresentação foi descrita por muitos fãs e críticos como uma experiência visceral, íntima e cheia de nostalgia, todo mundo precisa pelo menos uma vez na vida assistir o show do My Chemical Romance.
O estádio estava tomado por uma mistura de gerações: quem viveu a adolescência nos anos 2000, agora adulto, cantando ao lado de jovens fãs que descobriram a banda depois do retorno às turnês. A energia foi alta desde os primeiros acordes até o encerramento, com momentos de euforia coletiva, lágrimas e abraços compartilhados entre estranhos que, por algumas horas, sentiram o mesmo pulsar emocional, ainda em alguns setores os fãs tiveram a oportunidade de levar para casa um cartão postal que remete a turnê da banda, distribuído na entrada do estádio.
A noite começou com a banda britânica The Hives fazendo a abertura com seu punk rock explosivo e aquele contraste perfeito para preparar o público para a teatralidade e intensidade do MCR.
O repertório da noite misturou tributo e surpresa: a banda revisitou os clássicos atemporais e mostrou versatilidade ao incluir faixas tocadas poucas vezes ou raramente ao vivo. As arquibancadas e a pista eram tomadas por roupas pretas, delineadores carregados, bandeiras do Brasil erguidas acima da multidão e cartazes com mensagens de agradecimento alguns simples, outros profundamente pessoais. Em muitos rostos, a maquiagem borrada denunciava lágrimas que vinham sem aviso, especialmente nos momentos mais emotivos do show.
FOTOS DO THE HIVES POR @BMAISCA
O show do My Chemical Romance é pensado quase como um espetáculo em dois atos, com climas bem definidos e isso fica especialmente claro nessa turnê.
Primeira parte: o ritual e a narrativa
A primeira parte do show funciona como um mergulho conceitual. A banda entra em cena com uma atmosfera mais densa e teatral, conduzindo o público por uma narrativa contínua. As músicas são apresentadas em sequência planejada, com pouca interrupção para falas, criando a sensação de que o público está assistindo a uma obra completa, não apenas a um apanhado de sucessos.
Nesse momento, a iluminação é mais dramática, os arranjos soam precisos e a emoção vem de forma quase contida — melancólica, intensa, às vezes angustiante. É a parte do show que pede atenção total, silêncio respeitoso nos trechos mais sensíveis e entrega emocional profunda. Muitos fãs descrevem esse início como um “ritual coletivo”, em que cada música puxa memórias e sentimentos guardados há anos.
Segunda parte: catarse e comunhão
Já a segunda parte do show marca uma virada clara de energia. O clima fica mais solto, explosivo e celebrativo. Aqui, entram as músicas mais agressivas, dançantes e populares, aquelas que transformam a pista e as arquibancadas em um coro ensurdecedor. A banda interage mais com o público, há mais movimento no palco e uma sensação de libertação toma conta do estádio.
É nesse momento que o show vira catarse: pulos sincronizados, gritos, lágrimas misturadas com sorrisos. O público deixa de apenas acompanhar e passa a conduzir parte da energia da apresentação. Canções mais antigas e queridas aparecem como presentes para os fãs, reforçando o vínculo emocional construído ao longo de décadas.
O efeito do contraste
O impacto do espetáculo vem justamente desse contraste. A primeira parte prepara o terreno emocional; a segunda permite que tudo aquilo seja liberado de uma vez. Juntas, elas transformam o show em uma experiência completa introspectiva e explosiva, dolorida e libertadora exatamente como a música do My Chemical Romance sempre foi para quem estava ali.
Momentos que marcaram para sempre
Um dos pontos altos foi a apresentação de To the End, canção raramente incluída em setlists ao redor do mundo e que neste show ganhou destaque especial, provocando aplausos que pareciam infinitos.
O público também celebrou a energia visceral de sucessos como Na Na Na e I’m Not Okay (I Promise), enquanto momentos mais introspectivos, como Disenchanted, criaram uma atmosfera quase cinematográfica como se cada luz e nota musical pintasse a emoção de um público que aguardava há quase duas décadas por esse reencontro.
Ao final da noite, a certeza era uma só: o My Chemical Romance realizou um espetáculo que não foi apenas um show, mas uma celebração emocional de histórias de vida, de identificação e de música que transcende o tempo.
TEXTO POR CYNTHIA LEMBKE
TODAS AS FOTOS DO MY CHEMICAL ROMANCE POR @ANENDFOR




































