A relação do Obituary com o público brasileiro sempre foi intensa, e ela será renovada em grande estilo em breve. A tour que celebra os 35 anos do clássico álbum Cause of Death (1990), inicialmente adiada, finalmente ganhou novas datas confirmadas para fevereiro de 2026. O giro passará por cinco capitais brasileiras: Belo Horizonte, São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro e Brasília, prometendo apresentações históricas de uma das bandas mais sólidas da história do death metal.
Mais do que uma comemoração nostálgica, essa turnê é a prova de que o Obituary segue relevante, pesado e fiel à própria identidade. Por isso, este Além do Óbvio propõe um mergulho em músicas que ajudam a entender a evolução real da banda, fugindo dos hits mais previsíveis e valorizando faixas que mostram como o grupo construiu sua sonoridade única ao longo das décadas.
1) Suffocation
Álbum: Slowly We Rot (1989)
“Suffocation” representa o Obituary em seu estado mais cru e instintivo. A música não busca impacto pela velocidade, mas pela sensação constante de aperto e pressão. Os riffs são simples, quase primitivos, repetidos até criar um efeito hipnótico e desconfortável. A bateria acompanha esse clima com uma cadência direta, enquanto o vocal de John Tardy soa mais como um elemento caótico do que como uma linha tradicional. É death metal feito para sufocar, não para impressionar.
2) Memories Remain
Álbum: Cause of Death (1990)
Aqui o Obituary começa a entender o poder do controle. “Memories Remain” desacelera para esmagar, explorando riffs arrastados e uma atmosfera densa que pesa mais pelo clima do que pela agressividade direta. A música soa quase ritualística, mostrando uma banda que já não depende apenas da crueza, mas sabe usar o espaço, o silêncio e a repetição para construir tensão.
3) Corrosive
Álbum: The End Complete (1992)
“Corrosive” é um exemplo claro do Obituary no auge do domínio de sua linguagem. O riff principal se repete de forma insistente, criando um desgaste psicológico no ouvinte — exatamente como algo corrosivo deveria agir. Não há pressa, nem variações exageradas: a força da música está em sua persistência. É death metal que funciona quase como uma máquina, avançando lentamente e sem piedade.
4) Killing Victims Found
Álbum: World Demise (1994)
Uma das faixas mais agressivas dessa fase. “Killing Victims Found” traz um Obituary mais direto, com riffs mais cortantes e uma bateria mais incisiva. O clima é menos arrastado e mais urgente, refletindo um período em que o death metal enfrentava mudanças e retrações. A banda responde com violência sonora e convicção.
5) Platonic Disease
Álbum: Back from the Dead (1997)
Aqui o Obituary mergulha em um território mais sombrio e introspectivo. “Platonic Disease” é lenta, pesada e quase claustrofóbica, com riffs que parecem se arrastar sobre o ouvinte. É uma música que não busca impacto imediato, mas constrói um peso profundo, quase sufocante, mostrando uma banda disposta a explorar o lado mais denso de sua sonoridade.
6) Slow Death
Álbum: Frozen in Time (2005)
Após um longo período longe dos estúdios, o Obituary retorna com uma música que soa como um manifesto. “Slow Death” reafirma tudo o que a banda sempre representou: riffs gigantes, groove esmagador e um senso de peso que vem da simplicidade. A produção mais moderna apenas potencializa a brutalidade, sem descaracterizar a essência clássica.
7) Minds of the World
Álbum: Inked in Blood (2014)
“Minds of the World” apresenta um Obituary maduro e seguro de si. A música alterna momentos mais diretos com partes arrastadas, criando dinâmica sem perder peso. Há um clima quase reflexivo aqui, tanto musicalmente quanto na forma como os riffs se desenvolvem. É a prova de que a banda soube envelhecer sem perder identidade.
8) Loathe
Álbum: Ten Thousand Ways to Die (2016)
Curta, seca e extremamente agressiva. “Loathe” aposta na eficiência total: riffs diretos, estrutura enxuta e impacto imediato. Não há espaço para excessos ou ornamentações — é brutalidade concentrada. Representa bem a fase recente do Obituary, focada em força ao vivo e comunicação direta com o público.
9) End It Now
Álbum: Obituary (2017)
“End It Now” soa quase como um soco. A música é rápida, ríspida e sem concessões, mostrando um Obituary mais urgente do que nunca. O vocal de John Tardy é agressivo e direto, enquanto os riffs cumprem sua função com precisão cirúrgica. É death metal sem gordura.
10) Weaponize the Hate
Álbum: Dying of Everything (2023)
Uma das faixas mais opressivas da fase mais recente. “Weaponize the Hate” trabalha o ódio como atmosfera, com riffs arrastados e um clima constante de tensão. Não é uma música explosiva, mas sim esmagadora, construída para pressionar o ouvinte do início ao fim — exatamente como o Obituary sempre soube fazer.
Conclusão
O Obituary nunca foi uma banda de excessos técnicos ou mudanças radicais. Sua força sempre esteve na consistência, no domínio absoluto do groove e na capacidade de criar músicas pesadas usando estruturas simples, mas extremamente eficazes.
Essa seleção deixa claro que ir além do óbvio no Obituary é entender como a banda construiu sua identidade faixa a faixa, álbum a álbum, sem se desviar de sua essência. Com a turnê comemorativa dos 35 anos de Cause of Death finalmente chegando ao Brasil em fevereiro de 2026, o público terá a chance de testemunhar não apenas um show histórico, mas a celebração de uma carreira marcada por peso, coerência e longevidade real no death metal.

