O Além Do Óbvio de hoje será um pouco diferente. Não falarei de uma banda específica, mas farei um apanhado de canções que possuem riffs memoráveis, fugindo do lugar comum.
Várias bandas clássicas possuem músicas obscuras, e parte do status dessas canções se deve a própria falta de interesse de parte dos fãs em deixar um pouco de lado as canções mais batidas pra poder ouvir coisas mais raras.
A intenção dessa lista não é eleger os melhores riffs, e sim elencar riffs que mereciam muito mais fama do que realmente alcançaram.
Também não coloquei em ordem cronológica. Com vocês, uma lista de riffs um pouco mais obscuros, de bandas que todos conhecemos e às vezes deixamos passar.
Exciter – Kiss (Lick It Up 1983)
Ofuscada pela faixa título, a música de abertura desse álbum é o Kiss flertando com o heavy metal em seu estado mais bruto. O riff cortante de Vinnie Vincent, casa perfeitamente com a bateria de Eric Carr, tudo colaborando para a explosão de energia característica de Paul Stanley. O refrão ganchudo mostra que os mascarados eram muito mais do que uma banda marqueteira, e que sabiam fazer rock n’ roll pra valer. Um riff absolutamente devastador.
Fake – Mötley Crüe (New Tattoo 2000)
O Mötley já havia provado sua capacidade de fazer riffs monstruosos antes, mas o que se ouviu nessa faixa foi o equivalente a uma pedrada na cara. Com afinação mais baixa e uma pegada que poderia muito bem fazer parte de Dr Feelgood, os “santos de L.A.” mostraram na virada do milênio que não estavam de brincadeira. Escrita por Nikki Sixx e seu parceiro de Sixx:A.M. James Michael, a letra conta de uma maneira raivosa tudo que Nikki aprontou em Hollywood: noitadas com atrizes, drogas, gastação de rios de dinheiro e todos os excessos cometidos por ele e sua gangue. Uma autobiografia destrutiva com um riff absurdamente pesado, refletindo bem o jeito Mötley de ser.
The Whole World’s Gonna Know – Mr Big (Bump Ahead 1993)
Em 1993 o Mr Big lançou um de seus discos mais famosos, que contava com essa maravilhosa faixa. O riff, característico de Paul Gilbert, não fugiu dos padrões: a estética sonora do hard rock estava intacta com esse riff dinâmico, pulsante e cheio de vida. Uma faixa esquecida até mesmo pela banda, com um riff correto e hard rock até a medula.
Love On The Rocks – Poison (Open Up And Say…Ahh! 1988)
Os reis da farofa não poderiam ficar de fora. Essa música possui tudo aquilo que os anos 80 poderiam oferecer em matéria de rock: diversão, descompromisso e um frescor adolescente que funciona bem até hoje. O riff dessa canção por si só já é capaz de colocar todo mundo pra dançar, o que faz com que deixemos de lado as limitações técnicas de C.C. Deville.
One Good Lover – Ratt (Dancing Undercover 1986)
Outro exemplo de canção forte com riff avassalador completamente esquecida. Pancada na orelha, com destaques para a insana dupla de guitarristas composta por Warren DeMartini e Robbin Crosby (autor do riff e parceiro de Stephen Pearcy na composição).
Keep Pushin’ – Reo Speedwagon (R.E.O. 1976)
O classic rock do Reo Speedwagon já havia angariado fãs com seus discos anteriores, mas o lançar esse álbum, o único single possuía um riff deliciosamente agradável de escutar. Uma pena que a banda seria esquecida como banda de rock mais tarde, sendo associada eternamente a suas baladas aor. Esse riff em questão mostra uma veia zeppeliana, cortesia de Kevin Cronin, que é também o vocalista principal da banda.
Chain Reaction – Journey (Frontiers 1983)
Após atingir o ápice comercial com Don’t Stop Believin’, do disco anterior (o clássico Escape, de 1981), o Journey voltou à cena com Frontiers. Após 4 singles de sucesso, dificilmente alguém prestaria atenção nas outras faixas, o que é uma pena. Chain Reaction é uma excelente canção, com riff pesado e agressivo, além de refrão arrasa quarteirão, onde o Journey prova aos ouvintes que definitivamente não é uma banda apenas de baladas.
Locomotive – Guns n’ Roses (Use Your Illusion II 1991)
Fora um vídeo divulgado no famoso dvd do Japão, que englobava os shows do Guns na UY Tour em terras nipônicas, essa canção pesadíssima quase nunca foi tocada ao vivo. Os riffs de Slash são agressivos e cheios de nuance, assim como o vocal de Axl, esbanjando feeling. A violência sonora dessa canção a colocaria ao lado de canções clássicas como You Could Be Mine e Welcome To The Jungle, porém inexplicavelmente a banda parece não apreciá-la muito. Ouça o riff e tire suas próprias conclusões.
Hey God – Bon Jovi (These Days 1995)
Em plena era grunge, o queridinho da mulherada lançou seu disco mais maduro e sério. Com letras reflexivas, Bon Jovi deixou o ar festeiro de lado lançando These Days, um trabalho magnífico que abre com uma canção supreendentemente pesada como Jon jamais havia feito até aquele momento. Com letra questionadora, Hey God possui um riff simples e direto, como se nos forçasse a entender suas dúvidas e lamúrias. O resultado foi uma canção com riff estupendo de seu fiel escudeiro até então, o sensacional Richie Sambora.
Heart Of Stone – Europe (The Final Countdown 1986)
Obviamente, estando num disco que continha Cherokee e Rock The Night, além da balada Carrie e da faixa título, essa faixa não iria conseguir chamar a atenção merecida. Uma caso de injustiça acabou por enterrar de vez uma excelente canção, com riff absurdamente subestimado de John Norum.
I’ve Had Enough (Into The Fire) – Kiss (Animalize 1984)
A faixa de abertura do disco Animalize mostra que quando o Kiss cismava de pesar a mão, o fazia com maestria. Rapidez, técnica e um refrão absurdamente contagiante tornam uma canção boa, mas o riff destruidor é o que nos prende desde o início nessa excelente faixa. Uma pena que a inspiração do disco tenha ficado para algumas faixas apenas.
The Oath – Kiss (Music From The Elder 1981)
O disco mais esquisito do Kiss (talvez perdendo apenas para o fraquíssimo Carnival Of Souls), traz essa pedrada com riff de heavy metal, pesado e agressivo. Parecendo um prenúncio de Creatures Of The Night, a música é uma das poucas coisas que se salva em The Elder, principalmente por causa de seu explosivo riff.
Get The Fuck Out – Skid Row (Slave To The Grind 1991)
Dispostos a provar que não eram apenas uma banda com vocalista bonitinho, o Skid Row lançou uma tijolada em forma de disco em 1991. E essa controversa e hedonista canção (que aborda de maneira nada respeitosa um encontro casual), possui um dos riffs mais espetaculares da curta trajetória discográfica da banda.
Hole In My Wall – Warrant (Dog Eat Dog 1992)
Versando sobre voyeurismo, a letra narra a perspectiva de alguém que observa um casal tendo relações sexuais através de um buraco na parede, descrevendo a cena com forte carga sexual e metafórica. Seu riff cadenciado captura bem o que o observador quis retratar em sua letra, prendendo a atenção devido a sua estética sonora pesada e densa.
Jamie’s Cryin’ – Van Halen (Van Halen 1978)
O primeiro disco do Van Halen foi um marco guitarrístico, porém um dos riffs mais bacanas da banda é também um dos mais simples. Com essa sonoridade e essa sequencia de acordes Eddie e seus comparsas parecem ter tido a intenção de recriar sua própria You Really Got Me (The Kinks), que aliás também está presente no disco numa versão muito superior à original.
Draw The Line – Aerosmith (Draw The Line 1977)
Apesar de ter feito algum sucesso na época, essa música caiu no esquecimento dos fãs e da banda, o que é uma pena visto que se trata de um dos melhores riffs de Joe Perry. Dançante e com todos os elementos que fizeram do Aerosmith uma das maiores bandas do universo, esse riff que permeia quase toda a canção é deliciosamente empolgante, sacana e combina perfeitamente com a letra que retrata o momento conturbado e “vida-lôca” da banda na época.
Pushed To The Limit – UFO (Walk On Water 1995)
Marcando o retorno do guitarrista alemão Michael Schenker à banda, assim como o retorno do tecladista Paul Raymond e do baterista fundador Andy Parker, o UFO lançou um dos discos mais marcantes de sua carreira. A faixa em questão possui um riff vibrante e caótico, no melhor estilo Michael Schenker.
Flip The Switch – Rolling Stones (Bridges To Babylon 1997)
Uma das melhores aberturas de disco da história se deve a esse riffaço de Keith Richards. Num disco diferente (pra dizer o mínimo), ainda é possível encontrar boas partes de guitarras como nesse riff, que mostra que os velhinhos nunca perderam a mão na hora de compor rock n’ roll e sair por aí detonando.
I Need Love – Deep Purple (Come Taste The Band 1975)
Num disco em que o Purple mergulhou fundo na disco music, Tommy Bolin e David Coverdale compuseram essa pérola aqui. Dançante, sacolejante e com riff absurdo de tão perfeito, a música praticamente nunca foi tocada ao vivo, resultando num injusto esquecimento por parte dos fãs e da própria banda. O riff dessa música é uma verdadeira aula de bom gosto e de como unir o rock n’ roll ao soul e manter sua dignidade artística intacta.
TEXTO POR DIOGO FRANCO
