Lançado em um momento decisivo da carreira do Dimmu Borgir, Puritanical Euphoric Misanthropia é frequentemente citado como um marco do Black Metal Sinfônico. No entanto, também é o álbum que escancara uma ruptura profunda com os fundamentos estéticos e atmosféricos do black metal tradicional, ruptura essa que, para muitos ouvintes, não soa como evolução, mas como descaracterização.

Um dos principais pontos de crítica desde sua época de lançamento foi a produção excessivamente comercial. O som é tecnicamente impecável, porém distante da aspereza e da crueza intencional que sempre fizeram parte do Black Metal. O lo-fi nunca foi sinônimo de amadorismo, mas de escolha estética. Em Puritanical Euphoric Misanthropia, essa escolha é abandonada em favor de um acabamento que dilui a atmosfera obscura.

O álbum também marca um afastamento significativo do Black Metal mais convencional, incorporando de forma dominante elementos industriais e orquestrações sinfônicas grandiosas e, porque não dizer, exageradas. Para parte do público da época, isso soou como um movimento calculado de ampliação de mercado e que rendeu ao disco, ainda hoje, a alcunha de extremamente voltado ao comercial. A sensação não é de transição orgânica, mas de reposicionamento.

A faixa “Puritania” se tornou emblemática nesse debate. Vocais eletronicamente distorcidos, com estética quase futurista, na minha opinião soam irritantes e artificiais. O uso excessivo de recursos eletrônicos atua muito mais como artifício sonoro do que como linguagem artística, o que enfraquece e diminui o impacto atmosférico.

Há uma repetitividade estrutural perceptível onde. Por exemplo, as músicas IndoctriNation, The Maelstrom Mephisto e Absolute Sole Right, possuem a mesma estrutura e são extremamente parecidas, em partes que soam mais como uma cacofonia carregada de teclados virtuosos que cansam alguns ouvintes. Parece que é a mesma música ouvida três vezes. A grandiosidade constante, sem variação dinâmica real, acaba transformando o épico em monotonia.

Para ouvidos mais aguçados, é perceptível que a bateria excessivamente presente ofusca outros instrumentos, assim como o excesso de teclados rápidos. A compressão intensa apresenta um álbum no limite dos volumes e com pouca dinâmica. É um disco que impressiona no impacto imediato para não puristas, o que não é meu caso. Não consegui ouvir mais que uma vez, eu confesso. 

É inegável que Puritanical Euphoric Misanthropia possui alta qualidade técnica, arranjos complexos e uma visão ambiciosa. Para muitos, trata-se de uma obra-prima do Black Metal Sinfônico. Para outros é o momento em que o Dimmu Borgir troca ritual por espetáculo.

Conclusão: um álbum importante na discografia da banda, sem dúvida, mas também um divisor de águas que marca o afastamento definitivo de uma essência mais obscura do estilo. 

Na minha opinião, BOMBA!
TEXTO POR OPUS MORTIS.