Lançado em 22 de junho de 1993, Covenant é o terceiro álbum de estúdio do Morbid Angel é um dos registros mais influentes da história do Death Metal. Esse álbum marca a estreia da banda na gigante Warner Music (através do selo Earache/Warner), tornando-os um dos primeiros grupos de death metal a assinar com uma gravadora de grande porte, o que ajudou a levar o gênero a um público mais amplo.

Produzido por Flemming Rasmussen (conhecido por seu trabalho em Ride the Lightning e Master of Puppets do Metallica), Covenant combina a brutalidade característica do Morbid Angel com uma produção mais polida, sem perder a atmosfera sombria e demoníaca que a banda sempre cultivou.

Após o sucesso underground de Altars of Madness (1989) e Blessed Are the Sick (1991), o Morbid Angel já era visto como uma força inovadora no death metal. No entanto, Covenant elevou a banda a um novo patamar, consolidando seu som brutal e técnico em um momento em que o death metal estava ganhando força no mainstream. Foi um dos primeiros álbuns do gênero a ter videoclipes transmitidos na MTV (God of Emptiness e Rapture), algo impensável para um estilo tão extremo e até então visto como inacessível.

Análise Faixa a Faixa

1. Rapture
O álbum abre com um hino de agressividade, até hoje admirada por sua técnica e execução. A bateria avassaladora de Pete Sandoval e os riffs cortantes de Trey Azagthoth criam uma faixa que encapsula a essência do Morbid Angel: velocidade, técnica e atmosfera sombria. A letra fala sobre a ascensão do caos e da decadência espiritual, um tema recorrente na obra da banda.

2. Pain Divine
Com uma estrutura mais direta e feroz, esta música aborda a dor como um poder transcendental. As guitarras soam como uma parede de som, enquanto o vocal de David Vincent alterna entre gritos demoníacos e um tom mais declamado.

3. World of Shit (The Promised Land)
Uma crítica mordaz à corrupção e ao vazio das promessas religiosas. A faixa desacelera em comparação com as anteriores, destacando riffs pesados e um groove macabro que prenuncia o lado mais experimental do álbum.

4. Vengeance Is Mine
Com um dos riffs mais rápidos do álbum, a música fala sobre retribuição e vingança com uma intensidade quase ritualística. A performance de Pete Sandoval aqui é um espetáculo à parte, com blast beats precisos e intensos.

5. The Lion’s Den
Essa faixa explora a batalha entre a fé e a racionalidade, evocando imagens de martírio e dominação espiritual. Musicalmente, apresenta uma abordagem mais cadenciada, com solos dissonantes que reforçam a sensação de angústia.

6. Blood on My Hands
Uma das músicas mais brutais do álbum, com uma estrutura complexa e mudanças de tempo alucinantes. A letra mergulha em temas de culpa, violência e a perda da humanidade, reforçando a atmosfera sombria do disco.

7. Angel of Disease
Curiosamente, essa música foi escrita antes mesmo do Altars of Madness, mas só apareceu em Covenant. Talvez por pertencer ao período mais embrionário da banda e do próprio gênero, tem uma pegada mais thrash metal e direta, com um solo de guitarra frenético e um vocal mais rasgado, remetendo aos primórdios da banda.

8. Sworn to the Black
Um dos momentos mais pesados do álbum. A faixa exalta a devoção ao lado obscuro, com riffs hipnóticos e um clima quase ritualístico. O contraste entre as partes mais lentas e explosões rápidas cria uma tensão constante.

9. God of Emptiness
Um clássico absoluto do Morbid Angel e talvez a faixa mais icônica do álbum. Diferente de tudo que veio antes, é uma peça densa, lenta e atmosférica. A letra evoca a submissão ao vazio e ao poder sombrio, e a performance vocal de David Vincent, alternando entre o gutural profundo e um tom quase teatral, dá à música um ar cerimonial. O clipe dessa faixa foi um marco, ajudando a banda a alcançar novos públicos.

Covenant não é apenas um dos álbuns mais importantes do Morbid Angel, mas um divisor de águas para todo o death metal. Ele provou que era possível unir brutalidade extrema com uma produção sofisticada e alcançar uma audiência global sem comprometer a essência do gênero.

Além disso, o álbum pavimentou o caminho para que outras bandas extremas fossem notadas por grandes gravadoras, expandindo os limites do death metal para além do underground. O Morbid Angel, com Covenant, não só solidificou sua posição como um dos pilares do gênero, mas também redefiniu o que era possível para uma banda extrema em termos de sucesso comercial e reconhecimento crítico.

NOTA: 5 / 5

TEXTO POR JULIANO MATTOS