Nós, da Headbangers Brasil, estivemos no Hard Club, na cidade do Porto, em Portugal, para acompanhar o aguardado show do HammerFall no dia 22/01, em uma celebração épica de power metal no Hard Club (cidade do Porto). 

-Um agradecimento especial à Free Music por nos recepcionar e tornar possível esta cobertura.-

A noite começou com uma cena clássica para quem vive concertos: fila tranquila, expectativa lá em cima e aquela energia contida que antecede o primeiro riff. Havia também um ingrediente extra de emoção, afinal o HammerFall não se apresentava em Portugal há cerca de 10 anos, o que tornou essa passagem pelo Porto ainda mais especial para os fãs locais.

A calmaria inicial, porém, foi quebrada por mais uma investida da chamada Depressão Ingrid, fenômeno climático que provoca queda acentuada de temperatura e chuvas intensas. No Porto, isso significou frio e chuva pesada, obrigando o Hard Club a abrir as portas alguns minutos antes do previsto.

A primeira banda a subir ao palco foi a portuguesa Revolution Within, que entregou um set curto, direto e extremamente eficiente. Foram cerca de 30 minutos de entrega visceral, com uma energia crua e agressiva que caiu perfeitamente bem na noite. A resposta do público foi imediata, especialmente na linha de frente, onde se via claramente uma plateia já familiarizada com a banda, acompanhando com atenção e reagindo com entusiasmo aos momentos mais explosivos do show.

Na sequência, foi a vez do Tailgunner, special guest do HammerFall, e a atmosfera mudou completamente. Entrou em cena um heavy metal com forte senso de tradição, mas carregado de sangue novo e confiança.

Com uma apresentação visualmente marcante, muito bem sincronizada e cheia de carisma, a banda segurou o público com facilidade durante cerca de uma hora. 

O set serviu também como vitrine da fase atual, com músicas como “Midnight Blitz”, “White Death”, “Shadows of War”, “Tears in Rain”, “Barren Lands & Seas of Red”, “Eulogy” e “Guns for Hire”. Foi o aquecimento perfeito para o que estava por vir, com um Hard Club cada vez mais cheio, mais quente e mais disposto a cantar cada refrão.

Quando o HammerFall finalmente subiu ao palco, a resposta do público foi imediata. A banda abriu com “Avenge the Fallen”, deixando claro desde o primeiro segundo que não estava ali para entregar um show morno. O impacto foi direto, com refrão gigante, coro coletivo e aquela atmosfera épica que sempre foi uma marca registrada do grupo.

A sequência do set manteve o ritmo alto e foi construída como uma passagem sólida por diferentes fases da carreira. O repertório equilibrou músicas mais recentes com faixas que já se tornaram símbolos absolutos do power metal. Mesmo sem focar em um álbum específico, o setlist entregou exatamente o que qualquer fã espera de um show do HammerFall: energia constante, hinos certeiros e um senso de espetáculo que não depende de excessos.

Clássicos como “Renegade”, “Heeding the Call”, “Glory to the Brave” e “Hearts on Fire” trouxeram o peso emocional e o lado mais lendário do repertório, enquanto outras músicas ajudaram a dar dinamismo e variedade à apresentação.

Um destaque à parte foi a forma como a banda dominou o palco com naturalidade. Cada integrante teve seus momentos de brilho, sem nunca quebrar a unidade do espetáculo. O guitarrista Oscar Dronjak é praticamente um personagem. Ele não precisa se esforçar para chamar atenção, simplesmente vive o show do jeito dele, e isso soma demais à experiência.

Joacim Cans, vocalista, conduziu a noite com autoridade absoluta. Além de cantar com força e segurança, comandou o público com carisma e presença do início ao fim. Em um dos momentos mais marcantes do concerto, desceu do palco, foi até a grade, cantou colado na primeira fila e deixou o microfone com o público por alguns segundos. A cena resumiu perfeitamente o clima da noite, íntimo, caloroso e coletivo.

Tecnicamente, o show também foi impecável. Mesmo na grade, onde muitas vezes o som costuma estourar ou embolar, a sonoridade estava clara, bem equilibrada e definida. Para quem assistiu mais afastado do palco, a experiência provavelmente foi ainda mais confortável, com uma mixagem mais aberta e envolvente.

No fim, o HammerFall fez aquilo que sabe fazer como poucos: transformar um concerto em celebração. A reta final foi pensada para levantar punhos, cantar junto e sair sem voz, com a certeza de que tudo valeu a pena. O Porto recebeu uma apresentação de alto nível, cheia de energia e entrega, com uma banda que continua funcionando ao vivo como uma verdadeira máquina e com um público que respondeu à altura até o último refrão.

Se a chuva tentou atrapalhar no começo, ela só reforçou o contraste. Do lado de fora, o frio e o caos. Lá dentro, uma noite de power metal de verdade, intensa, impecável e inesquecível.

 

Por: Lukka Leite
Fotos: Nayara Sabino
Headbangers Brasil – Time Europa