Tem shows que fazem você se deslocar por horas de estrada para ter um momento de pouco mais de uma hora e mesmo assim, valer tudo! Assim foi a experiência no qual tive nessa sexta-feira, ao assistir a primeira vez do Imperial Triumphant em São Paulo ontem, na Burning House, casa pequena e localizada na região de Água Branca.

A casa pequena e aconchegante até recebeu ontem a tour do Cynic e Imperial Triumphant e, com um ótimo atendimento do público, os Nova Iorquinos abriram os trabalhos. O jingle Goldstar anuncia a entrada da banda, que com suas vestes e máscaras, que remetem a uma opulência decadente, começam o seu show com Lexington Delirium, mostrando o porque a banda não é mesmo para qualquer um, insanidade, técnica e muito experimentalismo fluem de forma natural nas mãos desse Power Trio que impressiona na execução de suas composições.

Gomorrah Nouveaux chega e mantém o nível técnico altíssimo e a execução da canção foi impar.

Devs Ex Machina lembra um pouco a fase mais inicial da banda que, entrega uma brutalidade ímpar, além da impetuosidade técnica, algo que foi permqnente ao longo do seu show. Logo depois, podemos falar que essa é um “clássico” da banda, Transmission To Mercury arranca não somente os berros mais fortes, mas também reafirma que, a banda sabe o que faz e mesmo estendendo as suas canções, como se fosse uma bela Jam Session da insanidade, eles sabem o que fazem e sim, tivemos um prosseco sendo estourado em palco e os mais afortunados ainda beberam um pouco da libação oferecida, que ali representa a opulência de uma sociedade decadente. O público vive um misto de atenção e devoção, pois além de estarmos todos ali, atônitos com a qualidade da apresentação, as músicas demandam dessa devoção ao momento.

Outra ótima canção foi tocada, Chernobyl Blues é executada e vejo alguns olhos a marejar, esses mais atentos e um trompete com faíscas é trazido ao palco, esse que foi usado para arrancar tons mais insanos do baixo, e a banda não perdoaria, estendendo mais a canção e entregando tanto, para um público já conquistado. Hotel Sphinx e Industry Of Misery caem como uma bomba na galera, levantando e conquistando de vez o público lá presente e cravando a banda de vez no coração de todos os presentes, que se falavam em como a banda é incrível em palco.

Em todos os momentos de comunicação, o guitarrista e vocalista Zachary Ezrin usa um efeito de voz, que liga o seu microfone em sua guitarra, então ele meio que “tocava” a sua voz em suas mãos.

Para encerrar a sua apresentação, Swarming Opulence é tocada e leva o público ao ecstasy mais extremo, até um moshpit surge, coisa que, até dado momento, para mim, seria impossível, mas aconteceu! E a música foi executada como todas em seu set, em um nível de perfeição, técnica e precisão ímpar. Que show meus queridos e queridas leitores, que show! 

Logo após o Cynic tocaria, mas ficou impossível de vê-los, dado o horário do meu retorno para o Rio e eu tenho certeza que a banda fez uma ótima apresentação.

Dito isso, essa foi realmente uma apresentação que valeu a pena demais as horas de estrada, um show que abre o ano de 2026 com uma qualidade ímpar, o “sarrafo” ficou bem alto depois de vêr o Imperial Triumphant ao vivo. 

Queremos agradecer à Caveira Velha pela confiança em nosso trabalho e permitir que pudéssemos trazer esse texto a vocês.