O Circo Voador então, mais uma vez, abre as portas para o peso e velocidade, ontem recebendo o clássico D.R.I. (Dirty Rotten Imbeciles), que retornou ao Brasil e juntos da instituição Ratos de Porão, celebraram ambas seus 40 anos de carreira, com shows simplesmente avassaladores!

Mas como no Rio a produção do evento ficou a cargo da clássica Tomarock Produções, a noite teve dois atos de abertura, e entre uma banda e outra, entre as trocas de palco, a nossa colaboradora, a DJ Cammy, aquecia a galera com uma seleção de músicas clássicas, dentro do que as bandas apresentariam em palco, melhorando ainda mais a nossa noite.

Antes dos shows principais e vamos começar pela primeira banda, a Minissaia é um quarteto carioca que executa um Punk Rock bem redondo e descente.

Composto por quatro meninas, a banda Riot Girl, não poupou esforços para entregar um ótimo show, mas, era visível a emoção das meninas em estarem naquele palco e também o nervosismo, que deve ter pego elas, pois o decorrer do show delas alguns problemas pontuais aconteceram, mas ainda assim, conseguiram entregar um belo show. 

Logo após a rápida troca de palco, o Pavio sobe ao palco, depois da colocação de um banco no palco e uma piada do produtor Luciano Paz, que é sempre o mestre de cerimônias dos seus eventos, a banda vem e a Cynthia Tsai (bateria), João Mugrabi (baixo), Pedro Vieira (guitarra) Marcelo Prol (vocal) sobem ao palco arrasando. 

Pra quem já viu o Pavio em palco, sabe que a banda se movimenta muito, mas o vocalista Marcelo está se recuperando de uma cirurgia no joelho, o que o limitou muito e mesmo assim, o cara entregou demais pra galera presente. Era visível o joelho inchado e mesmo assim, ele quase não parava. A banda entregou ainda mais, vendo o esforço de seu vocalista. Músicas do recém lançado EP Soberania Popular e outras de seu repertório foram executadas perfeitamente. Uma banda competente e que sempre entregam um show acima do nível, que showzaço.

Depois desse showzaço chegaria a hora de vermos o Ratos de Porão, sempre um show incrível, mas ontem teríamos um membro diferente, já que o guitarrista e fundador da banda, Jão, se acidentou e está em recuperação, o guitarrista Maurício Nogueira subiu ao palco, ao lado de Gordo, Boka e Juninho para entregarem um baita showzaço e mesmo com Gordo passando um pouco mal, a banda entregou, mais uma vez, uma apresentação ótima, mas dessa vez temos que colocar alguns pontos. 

Mauricio é um exímio guitarrista, mas em diversos momentos do show não se ouviam a sua guitarra, esse problema foi o mais latente ontem, mas, pra mim, o estilo dele tocar não casou com a máquina Crossover, em diversos momentos eu sentia falta de algum detalhe aqui e ali, sabemos que casa ser humano é único e seus estilos também, mas senti muita falta de detalhes que fazem a música maior, possivelmente o jeito de cada um, o estilo de tocar, tudo isso me fez sentir uma falta enorme de ver o Jão em palco, mas ainda assim, tivemos um ótimo show do Ratos de Porão.

Alterta Antifascista, Amazônia Nunca Mais, Solidão e diversos outros clássicos foram executados no show de ontem, que, apesar dessa falta nas guitarras, a bateria de Boka tava perfeita, aquele tiro certeiro, Juninho e seu baixo largando mais e mais timbres estalados e Gordo, que ainda entrega o caos pela sua garganta, fizeram valer a química única entre Circo Voador e Ratos de Porão.

FOTOS POR ADRIANA DE ALMEIDA

Então era chegada a hora dos estadunidenses do D.R.I. subir pela primeira vez no palco do Circo Voador e entregar o seu clássico Crossover, mais uma vez, ao Rio de Janeiro e a banda entregou um belo show. Uma constatação é que, incrivelmente, os problemas no som da guitarra do Ratos desapareceram, o som do D.R.I. estava soberbo e Spike Cassidy (guitarra), Kurt Bretch (vocal), Greg Orr (baixo) e Danny Wilker (bateria) entregaram um ótimo concerto.

Como a banda não tem, literalmente, nenhum disco novo, desde Full Speed Ahead, lançado em 1995, já sabíamos que a banda iria trocar diversos sons de sua carreira, mas eles, mesmo sendo ótimos, em nada empolgaram a maior parte do público, tendo a presença daquela galera que já estava agitando antes, mas para o resto presente, não foi empolgante o bastante, para transformar o Circo Voador naquele “caos gostoso” que geralmente é.

Mesmo com essa apatia da maior parte do público, músicas como The Five Year Plan, Who Am I?, Beneath The Wheel, Thrashard, Violent Pacification foram bem executadas, fazendo dessa visita da banda bem divertida, mas o público ficou bem apático, o que me entristece um pouco. 

Uma sexta feira ótima para lavar a alma de todos que investiram nesse tempo de qualidade. Agradecemos a Tedesco Midia, Tomarock Produções e Maraty pela confiança em nodso trabalho.