Nosso Team Europa, Cammy Marino e Cintia Seidel, tiveram a oportunidade de entrevistar a banda EVERGREY diretamente do festival Alcatraz, na Bélgica! Vem com a gente saber tudo que rolou!

HBR: Gostaria de começar destacando que o show de hoje foi excelente. A energia no palco era contagiante, e consegui registrar várias fotos incríveis. Parabéns pela performance.
Tenho uma curiosidade: por que a bateria estava posicionada lateralmente? Essa configuração não é comum e chamou bastante atenção do público.
Evergrey: Há diversos motivos para essa escolha. O principal é que o videoclipe de “Where August Mourns” (assista aqui) apresenta esse layout, com a bateria posicionada de forma diferente. Quando discutimos o cenário para a turnê, o Tom sugeriu que fizéssemos algo inovador, inspirado no vídeo. Pensamos: “É perfeito. Assim, o público pode ver melhor o que estou fazendo.” Essa foi a ideia central.
De fato, a reação foi positiva. Muitos comentaram que nunca tinham visto algo semelhante. Normalmente, o público não percebe detalhes como o movimento das pernas, que representam cerca de 70% do trabalho do baterista. Essa configuração permitiu que as pessoas tivessem uma visão mais completa e até tirassem melhores fotos.
Além disso, na última turnê principal utilizamos telões verticais e horizontais, e essa disposição funcionou perfeitamente com o cenário. Em resumo, foi uma homenagem ao vídeo de “Where August Mourns”, e acreditamos que o resultado ficou incrível.
HBR: E está configuração diferenciada da bateria interfere na sonoridade e a percepção de todos da banda no palco?
Evergrey: Não houve diferença significativa, pois utilizamos fones intra-articulares. Para mim, essa mudança foi positiva, pois me sinto mais conectado ao público. Quando a bateria está à frente, ela bloqueia parte da visão. Agora, consigo olhar diretamente para a plateia e decidir quando interagir com os fãs ou com os membros da banda. Também vejo os rostos dos colegas, e não apenas as costas, o que torna a experiência mais agradável.
Inclusive, surgiu uma ideia divertida: instalar espelhos retrovisores no pedestal do microfone para ver todos durante o show. Seria como uma moto – prático e criativo.
HBR: Eu acho que é uma coisa boa. Qual foi a sua impressão sobre o show hoje? Porque estava muito quente lá, e mesmo assim as pessoas estavam com muita vontade de vê-los tocar. E eu achei a interação com vocês e com o público incrível! Vocês tiveram a mesma impressão que nós?
Evergrey: Apesar do calor intenso, a interação com o público foi fantástica mesmo. Estar novamente diante dos fãs é sempre especial, especialmente porque não tocamos muito neste verão.
HBR: Já que estamos falando de shows, vocês têm planos de tocar novamente na América do Sul? Porque nossos fãs lá no Brasil com certeza adorariam ver vocês de novo.
Evergrey: Temos intenção de retornar em fevereiro do próximo ano, embora não possamos revelar detalhes ainda. Esperamos incluir o Rio de Janeiro na agenda, pois sabemos que há muitos fãs na cidade. Historicamente, a maioria dos shows ocorre em São Paulo, mas reconhecemos a importância do público carioca. (Mas na realidade a banda acabou sendo confirmada no festival BANGERS OPEN AIR 2026 em São Paulo).
Cada região tem sua característica, mas a América do Sul sempre se destacou pela paixão e energia. Nossa primeira grande turnê foi justamente por lá, e São Paulo continua sendo uma das melhores experiências que tivemos. Passamos por Belo Horizonte, Brasilia, Rio… aliás não sei por que não fomos ao Rio da última vez, mas espero que essa turnê esteja inclusa. A vibe era tão incrivel, muito boa em todo o lugar. Quando estávamos em Sâo Paulo, fomos ao Manifesto e também a um bar chamado Metal Bar que era muito legal!
HBR: Na verdade, tenho uma pergunta sobre o processo criativo de vocês. Porque vejo que há muitos elementos conceituais em todos os seus álbuns. Como isso surgiu?
Evergrey: Nem todos os álbuns são conceituais, mas isso fez parte do início da nossa trajetória. O terceiro álbum, “In Search of Truth”, foi inspirado por obras como “Operation Mindcrime”. Criar uma narrativa musical exige muito trabalho, mas proporciona uma experiência única. Nosso último álbum abordou o tema do vazio sob diferentes perspectivas – não apenas como algo negativo, mas também como fonte de conforto. Queremos que nossas músicas transmitam a sensação de que ninguém está sozinho, e isso sempre foi um dos propósitos do Evergrey.
Estamos finalizando as gravações do próximo álbum na Inglaterra. A previsão de lançamento é para o ano que vem, possivelmente entre maio e julho.
HBR: E, pessoal, qual foi a situação mais curiosa ou estranha que vocês viveram em turnê?
Evergrey: Experiência em turnê? A mais louca ou estranha? Ok. A primeira turnê da banda foi uma experiência inesquecível, marcada por desafios e momentos únicos. Tudo começou na Suécia, em pleno mês de novembro, com neve cobrindo as estradas. Nosso destino inicial era a Alemanha, e para chegar lá, atravessamos a Dinamarca e pegamos uma balsa.
Durante a viagem, o clima descontraído e algumas bebidas levaram a uma discussão entre os integrantes — algo comum no primeiro dia de turnê, quando todos estão ansiosos e fora da rotina. Apesar do desentendimento, seguimos viagem, mas um erro de comunicação acabou gerando um incidente curioso: dois membros da equipe ficaram para trás no terminal da balsa, em pleno inverno, com tudo fechado e sem acesso ao local. Para piorar, eles estavam com roupas inadequadas para o frio, o que tornou a situação ainda mais crítica.
Enquanto isso, no ônibus, acreditávamos que tudo estava sob controle. Só descobrimos o problema quando recebemos ligações desesperadas pedindo para parar o ônibus. A bateria do celular descarregou, aumentando a confusão. No fim, foi necessário enviar um técnico de guitarra com dinheiro para que eles conseguissem embarcar na próxima balsa e se reunir conosco.
Apesar do susto, ninguém se feriu, e o episódio se transformou em uma das histórias mais lembradas da banda. Ele reforçou a importância da comunicação e da improvisação em situações inesperadas. Hoje, olhamos para esse momento com humor, como um símbolo dos tempos intensos e imprevisíveis que vivemos naquela turnê.
HBR: Então, gostaríamos de te pedir se vocês podem mandar uma mensagem para os nossos fãs brasileiros. Porque nós definitivamente vamos mostrar essa mensagem para eles.
Evergrey: Somos profundamente gratos pelo apoio ao longo desses 33 anos. O Brasil ocupa um lugar especial em nossos corações, e esperamos voltar ao Rio de Janeiro na próxima turnê. Muito obrigado por tudo! Podemos dizer isso sobre qualquer país. Mas, falando do Brasil, nós estivemos muito no Brasil. Esperamos muito voltar ao Rio de Janeiro na próxima vez.
