Formada em 1991 sob o comando de Terje Vik Schei, o Green Carnation se destaca por sua veia acentuada no Prog. Metal com boas pitadas de Doom e Art Rock.
Tendo como experiência a passagem pelo gigante Emperor, formou seu próprio som através de belas melodias e muita dedicação, sendo o mais recente álbum “A Dark Poem, Part II: Sanguis” (2026), a sua segunda amostra de uma trilogia bem interessante que em um futuro breve ganhará a sua parte final.
O lançamento acontece amanhã, 3 de abril, em todo o mundo, mas no Headbangers Brasil você conhece um o disco destrinchado e com uma ideia do que esperar deste novo trabalho! E como em toda resenha, as notas são dadas de acordo com a bagagem musical de cada redator, logo, a sua opinião pode ser totalmente diferente. Como padrão da casa, cada música recebeu nota de 0 a 5, tendo a nota final definida pela média de todas elas.

O registro inicia com a ótima e arrastada “Sanguis”, um ótimo exemplo de Prog/Doom da atualidade, mantendo os níveis de serotonina no alto, diria até com um desenvolvimento sombrio, tendo como base uma mescla de nuances do passado (vide os teclados) ao mesmo tempo que finca seu pé no lado atual de produções épicas.
Por ser a abertura do álbum e possuir melodias densas, aspectos com uma atmosfera bastante convidativa, acredito que uma nota 4 está de bom tamanho.
“Loneliness Untold, Loneliness Unfold” deixa um clima soturno no ar, saindo um pouco daquele início mais arrastado e caminhando para algo mais introspectivo, porém, dentro desse tipo de energia é válido, sendo quase um “grande interlúdio” para o terceiro ato (por assim dizer).
Tendo como base uma temática mais melancólica, é justo que a faixa alcance a nota 3, o que não é nada ruim, mas ao meu ver, cai um pouco o punch esperado após o primeiro ato.
“Sweet to the Point of Bitter” retorna à densidade do início, tendo linhas marcantes de uma “cozinha eficiente” (preste atenção nas linhas do baixo) e claro, outra boa performance vocal desenvolvida, mantendo o ouvinte em uma vibe bastante conhecida da última década no gênero (cadê os fãs de Enslaved e Katatonia?).
Seu andamento aliado às melodias muito bem elaboradas merecem uma nota 5, uma faixa verdadeiramente boa e que faz jus à qualidade dos envolvidos.
“I Am Time” é puramente Prog. Metal, mas carrega consigo elementos de outros grandes nomes do lado melódico como o já citado Katatonia e também Amorphis, o que já lhe garante uma boa aceitação (deixando claro que tudo aqui é bastante acessível, sem soar forçado ou como uma fórmula).
Agradável a cada nota, torna-se indispensável caso você escolha apenas uma faixa para dar play, o trabalho das guitarras claramente impecável possui um cuidado muito nítido em cada nuance, flertando com os vocais que crescem na medida certa.
Impossível não dar uma nota 5 para mais um grande trabalho como este.
“Fire in Ice” suaviza um pouco as ambientações e inclui marcações características de bandas como o Queensryche em Empire (1990) mas claro, com a sua roupagem própria (preste atenção nos sintetizadores) e sua personalidade criativa.
Este é o ponto certo para você analisar o quanto a criatividade de ambos foi explorada, e que isso demonstra qual aspecto você leva em conta… dito isto, reafirmo: este trabalho é de extremo bom gosto!
Facilmente uma das melhores faixas da banda, seja pela sua ótima dinâmica entre o lado mais leve de seus vocais ou pelo instrumental que cria ótimos momentos, é merecido uma nota 5.
“Lunar Tale” fecha o registro com uma verdadeira balada, clima soturno, vibe que desperta emoções diferentes a cada momento, um trabalho vocal muito interessante (como citado antes, não vemos ninguém forçando algo, tudo soa naturalmente e livre, o que traz essa leveza acentuada).
O instrumental também ganha uma roupagem adequada, finalizando de forma plausível e de bom gosto, merecendo uma nota 4.

Acredito que, assim como a primeira parte dessa trilogia tenha repercutido bastante (sendo incluída entre os melhores álbuns de 2025), aqui temos um ótimo candidato a figurar nos destaques do ano entre as mídias especializadas.
Resumindo, acredito que A Dark Poem, Part ll: Sanguis, é uma verdadeira aula de tudo o que o prog metal vem fazendo nesses últimos anos, logo, é fácil encontrar muitas influências de outros trabalhos que você provavelmente já ouviu, mas mantendo uma identidade única. Green Carnation mostra que é possível beber na mesma fonte e não fazer uma cópia de tudo o que já foi feito.
Nota do álbum: 4,3
Aproveite para já garantir o Pré-Save e ouvir amanhã!
Texto por: Vinny Almeida (@rockvibrationsofficial)
Fotos: Reprodução Instagram
