Nada mais gostoso que você começar o ano com descobertas e novos ares. Pois em uma dessas minhas caças a novos sons, acabei descobrindo uma banda que me fez querer usar flores nos cabelos, saias longas e correr descalça pela grama. Estou falando dos suecos do Siena Root; uma banda que vive a psicodelia do mundo analógico, mostrando que está muito bem com isso.

 

 

Siena Root – foto por: Petter Hilber

A banda nasceu em 1997, pelas mãos do baixista Sam Riffer e do baterista Love Forsberg, que permanecem até hoje. Siena Root já passou por tantas “encarnações”, que, chegaram a decidir por não fixar formações, trazendo músicos convidados a cada tour, garantindo sempre um ar de frescor e renovação. Mas então eles encontraram o guitarrista Johan Borgström, e perceberam que seu som era o que faltava para a personalidade perfeita. Com esse trio poderoso, Sam cantava sem problemas, até que Zubaida Solid cruzou seu caminho. Uma cantora de blues que emociona com a sua voz potente e energia contagiante, essa força da natureza ainda possui dois projetos musicais na Suécia: o Solid Zue e o Ladies Got The Blues, ambos valem muito a pena serem seguidos!

Mas como, em todo o meu garimpo de sons que eu não conheço, eu cheguei em Siena Root? Uma das coisas que eu mais aposto é nas indicações do Instagram. Sempre descobri coisas muito legais por lá (procurem Hamish Anderson, é um mix de AC/DC com Rolling Stones), e, por causa das minhas pesquisas sobre o Hammerhead Blues, o algoritmo achou bacana me indicar estes suequinhos marotos. Fui para o Spotify e me apaixonei por Revelation, último álbum de inéditas, de 2023. Fighting Gravity, Dusty Roads e Leaving the City são as minhas favoritas, mas Winter Solstice também merece sua atenção.

Siena Root – foto por: Petter Hilber

Sabe aquele som que te faz entrar em transe? É exatamente isso que acontece contigo, aliás, foi o que aconteceu comigo! E o mais maravilhoso do mundo dos garimpos é que coincidentemente eles vieram ao Brasil no começo do mês passado, para três shows: um no Rio de Janeiro e dois em São Paulo, sendo o primeiro como suporte da banda Boris e o segundo, o que eu assisti, no Iglesia; eles também participaram de um meet & greet na loja London Calling, na Galeria do Rock, onde conversaram com fãs, autografaram discos, tiraram fotos, o pacote completo!

Siena Root desembarcou no Brasil para divulgar seu mais novo álbum ao vivo, Made in KuBa, onde eles reúnem seus maiores sucessos de uma forma repaginada e muito mais atrativa, aliás, a banda cresce muito ao vivo

Capa do último lançamento Made in KuBa

E o que foi essa apresentação, bangers? Uma EPIFANIA! Sabe quando os planetas se alinham? Foi isso! Fui fazer a cobertura do evento, com a abertura dos meus queridos do Hammerhead Blues, que, pra variar, tocou a minha playlist de viagem na íntegra. Me senti homenageada. O set foi curto, mas cada minuto valeu a pena; foi como comer aquele doce favorito aos pouquinhos, pra curtir cada sabor que ele cria na sua boca.

Mudança de palco e o Siena Root entra em cena. Sabe quando você vê uma banda usando roupas extravagantes, mas sabe que aquilo é roupa de palco? O Siena não é assim, eles realmente vivem aquilo, eles vivem a psicodelia, o flower power, a liberdade da era de aquarius, e isso reflete na música, com riffs ácidos e solos hipnotizantes. Em vários momentos eu me senti no meio do Scandinavian Nights do Deep Purple, de novembro de 1970, e não porque a banda soava como Purple, mas porque soava como o zeitgeist da época. E de repente, toda aquela plateia maluca de Estocolmo, que dançava como quem se contorce de prazer em 1970, estava representada no looping do transe que eu entrei. Era como se o corpo se movimentasse sem que eu o controlasse.

A noite estava quente e Zubaida não parava de pular pelo palco e interagir com Johan; a química entre os dois é incrível. Não pareciam apenas bem ensaiados, mas que eles faziam aquilo desde que nasceram. Riffer tem um backing forte, mas nada sério, sisudo, sua voz é alegre, como quem canta sorrindo. E o que dizer da bateria de Love Forsberg? Forte, contagiante, pulsante, excitante… não vejo outra pessoa em seu lugar, fazendo o mesmo com tanta maestria. 

A verdade é que para uma banda que tem o hábito de trocar muito sua formação, a atual skin do Siena Root é perfeita e parece estar unida desde sua formação.

Siena Root – foto por: Petter Hilber

Caro banger, eu não costumo me impressionar com qualquer coisa, tão pouco indicar algo por indicar, sendo assim, preste atenção nesses caras, porque se você gosta de uma sonoridade Mutantes, com muita guitarra ácida e órgão presente, o Siena Root vai fazer seu coração vintage bater ainda mais forte.

 

 

Setlist Siena Root:

 

01) We (Over the Mountain)

02) Tales of Independence 

03) Organic Intelligence 

04) There and Back Again 

05) Dusty Roads 

06) Into the Woods

07) Keeper of the Flame

08) Above the Trees

09) Wishing for More

10) Time Will Tell

11) Coming Home

12) Imaginary Borders 

13) Root Rock Pioneers (com apresentação da banda e um solo reprisando o início do show)

 

Bis:

(essas músicas não estavam anotadas no set)

 

14) Outlander 

15) Waiting for the Sun 

 

 

Texto, fotos capa e galeria: Amanda Basso